quinta-feira, 29 de maio de 2008

No meu tempo…



No meu tempo, a escola não era assim. Embora pareça a minha avó a falar, qualquer leitor que já não frequente a escola ou já frequente há algum tempo (como eu, digamos) dar-me-á razão.
Mesmo sendo desse tempo, dou por mim a escrever sobre uma conversa que ouvi no café, um dia destes, enquanto tomava o meu pequeno-almoço e, como me chamou à atenção, resolvi chegar a casa e fazer umas perguntinhas aos meus pais. Após um breve período de reflexão, decidi fazer este texto, para mostrar o quanto o ensino mudou.
Pergunto-me então: “Quem não se lembra dos ditos “bolos”?”, as reguadas, dos castigos e dos “puxões de orelha?”... tempos muito duros, dizem os meus pais que ainda se recordam tal e qual como se fosse hoje. É claro que eu ainda sou nova e não passei por nada disso, a não ser ter levado com a caninha na cabeça, da professora primária, quando fazia as minhas asneiras, mas nada comparado com os meus pais. E claro que não fui só eu, fui eu e todo o pessoal da minha idade que não passou por nada disto.
O resultado está à vista. Dantes os alunos levavam “autênticos enxertos de porrada” mas “ andavam na linha”, “certinhos”, agora fazem umas festinhas e isto parece uma “ balbúrdia”. Tudo isto porque os professores não podem bater nos alunos.
Se não acreditam, pensem: antigamente, ai de quem não fizesse um trabalho, ou copiasse, ou melhor, se entregasse fora da data estipulada, até tremiam quando o fossem entregar ao professor(a). Agora não. Agora, os estudantes “mitram-se” uns com os outros. Uns não fazem, outros entregam fora das datas e, no meio disto tudo, ainda existem aqueles que compram o “ betinho” da carteira da frente para fazer por eles, pois têm um trabalho bom garantido. É claro que nem sempre o “betinho” aceita, pois às vezes já têm muito que fazer e, por isso, recorrem ao” morcão” da mesa detrás, que apesar de não ser tão inteligente ainda vai fazendo umas coisinhas.
É por estas razões que nós estamos assim. Um país inculto, pois um ou dois trabalham para os restantes andar na boa vida. Tal como diz o ditado: “ De pequenino se torce o pepino” e se não tivermos quem o faça torcer, com um bom sistema de educação, não vamos a lado nenhum, pois “cepa torta, tarde ou mesmo nunca se endireita”.





Ana Rita Costa , 11.ºB

As Velas e os Monstros





Quem pensa ter encontrado um erro no título engana-se. Este não é o famoso conto com um final feliz “A Bela e o Monstro”. Muito pelo contrário, nesta história não há final feliz, até porque isso raramente acontece nos filmes de terror ou naqueles filmes lamechas que tentam mostrar a realidade.
Da realidade passo eu a falar. Apesar de ser rapariga, tenho de admitir que já nem todas somos belas. Agora, podemos chamar-nos velas. Eu passo a explicar: se antigamente “gordura era formosura”, agora, ser um pouco mais “cheiínha” já é motivo suficiente para se ser o “bombo da festa”. Quem já não viu ou gozou com uma rapariga, só por ela ser um pouco mais “cheiínha”? Toda a gente viu. Toda a gente vê. E isso causa tanto transtorno que as raparigas de agora decidiram emagrecer de tal modo que surgiram doenças como a anorexia e a bulimia. Pois bem, não acham que as raparigas se assemelham a velas? Figuras esguias cheias de cera na cara… sim, cera… Ou nunca repararam na cara de praticamente todas as raparigas de agora? Estão completamente besuntadas com cremes… A cara é uma autêntica camada cerosa para cobrir as imperfeições. Pois bem, a mim uma figura esguia coberta de cera faz-me lembrar uma vela… e a vocês?
Pois bem, passemos ao resto do título - os Monstros. O da história era feio, mas lá ficou jeitoso, mas os de agora… Deve ser moda, só pode… Quem ainda não viu um rapazito porreiro tornar-se numa aberração destas: um dia, até que era jeitoso, no dia a seguir, parece sair de algum desenho animado dos mais reles. Cabeça à ” skin head”, cara toda furada por pontinhos de metal a que chamam “piercings” e com corpo todo pintado com as chamadas “tatuagens”, que muito exibem. Estes são Monstros autênticos.
É claro que generalizei um “bocadito”. Nem todas as raparigas são Velas e nem todos os rapazes são Monstros, mas começa a chatear-me que neste Monstruoso mundo, tenhamos cada vez mais belas sociedades cheias de Velas e, nesta sociedade que se começa a tornar Monstruosa, surjam tantos Monstros.



Natália, 11ºB

A Educação


A educação é a base do futuro de qualquer ser humano. É através dela que adquirimos saberes e hábitos que vão influenciar a formação da nossa personalidade e a nossa forma de ver o mundo, por isso é tão importante abordar este tema.
Na actualidade, os jovens tendem muito a focar-se nos bens materiais, dando-lhes demasiada importância e ignorando quase por completo os programas educativos e culturais e isto é um mau princípio que irá influenciar negativamente o seu futuro.
Porque é que o interesse dos jovens se centra nos bens materiais e não na cultura? Serão os pais os culpados?
A falta de disponibilidade e de diálogo da parte dos pais, devido às excessivas horas de trabalho faz com que estes ofereçam tudo (bens materiais) aos filhos para compensar a sua ausência, deixando assim a educação a cargo da escola, o que resulta também em grandes carências afectivas. Como é que uma criança que não tem atenção dos pais se vai interessar por respeitar os outros e pela sua própia educação, tão indispensável ao seu futuro?


Sara Filipa Ribeiro Carvalho Torres
11ºE

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Familly Business...


Apesar de nos encontrarmos numa era em que tudo se torna facilmente acessível sem esforço (dada a abrangência da Internet), parece que, mesmo assim, só quem conhece alguém do meio a que pretende aceder, consegue realmente alcançar o seu objectivo. É a chamada e conhecida “cunha”, tão utilizada nos dias que correm.

Seja para ser atendido no sector da saúde, das finanças, ou mesmo, para matricular alguém numa escola concorrida, o processo já não se baseia em dar prioridade a quem mais depressa se candidata, e sim a pessoas conhecidas, ou até, com influência na sociedade.

Na minha opinião, está bem presente nesta descrição uma caricatura do nosso país, em que tudo se concebe não através do conhecimento, mas sim dos "conhecimentos". Os serviços públicos encontram-se muitas vezes caóticos, por banalidades caprichosas de quem os orienta. Quem conhece está desde logo garantido, e os outros, lá se vão tentando desenrascar.

Não fosse este o funcionamento e mentalidade própria ao século, em que tudo se gere gira em torno das elites, a nossa sociedade teria, certamente, outro nível e estado.


Rafael Ferreira
11ºG

terça-feira, 27 de maio de 2008

Dinheiro ou felicidade?!




São muitos os que de forma clara mostram aos outro que o dinheiro não tem qualquer importância. Mas esses são, regra geral, os mais ricos. Quem tem dinheiro tende a querer fazer sentir que o dinheiro não tem a menor importância.
Não ter dinheiro pode ser alvo para desesperar, mas não o ter é automaticamente um desespero. Concordar que ter dinheiro é meio caminho andado para a felicidade pode ser “pesado”. A felicidade, de facto, não tem preço, muito menos está à venda, definitivamente não se pode comprar. Tal como a inteligência. Mas também é realidade que qualquer “burro” com dinheiro pode ser feliz. Na verdade, e apesar das desvantagens, também tem o seu lado positivo ser pobre. O facto de ter de eliminar, em vez de ter um “CLK 200” (Mercedes), tem um “PUNTO” (Fiat)[?]. É certo que a pobreza pode chegar a causar morte, mas a riqueza também [?]. Para o rico, o que é novo, é sempre novo. Mas, para o pobre o usado, na sua mão nova, tem sempre sabor a novo.
Em suma nada se compra, mas com dinheiro qualquer um pode ser feliz.


Paula Costa, 11º E

A sociedade portuguesa

Pelo título desta crónica parece que vou redigir um enorme texto sobre a nossa sociedade, as suas características, blá blá blá..... Enganam-se porque eu não vou falar sobre isso.
Quando a professora nos pediu para fazer este trabalho, não sabia sobre o que escrever...pensei, pensei, se calhar pensei demais, pois os problemas da nossa sociedade e as críticas que se fazem a esta, estão bem à vista de todos. O pessimismo característico dos portugueses… pensando melhor, até nem será muito típico, pois realmente, o país está mal e o poder de compra dos portugueses diminui, os produtos básicos para a existência humana carecem, as contas em casa aumentam, o desemprego aumenta. Ainda li no fim de semana, num jornal português, que com os lucros do imposto sobre o petróleo o nosso governo podia construir, a cada três meses, uma ponte Vasco da Gama. Dizem que isto está mal, e na realidade está, os ricos cada vez estão mais ricos e os pobres empobrecem cada vez mais. Existirá ainda em Portugal uma classe média estável? Crescemos com muito, nunca nos faltou nada, queríamos água, necessitávamos de comida, ali tínhamos…mas não estaremos nós a ser demasiado egoístas? Ligamos a T.V. e são só noticias sobre a subida dos preços disto e daquilo, sobre o custo de vida a aumentar escandalosamente, mas e a guerra? A fome? Felizmente vivemos num continente onde ainda nos é permitido viver em paz e em liberdade [?]...o país está mal, em decadência económica, mas também existem países que precisam da nossa ajuda, países cujas realidades são bem diferentes da nossa e que contam com a nossa ajuda.
Não é pedir muito que a nossa sociedade, egoísta, egocêntrica, centrada em grandes ‘conquistas’ económicas ajude os que mais precisam dela. Nós temos em abundância, existem pessoas que carecem de meios de sobrevivência, porque não partilhar?
Hoje em dia verificamos que o país está mal, é um facto; a economia piora, a cada dia que passa, o desemprego aumenta, os salários não aumentam, o custo de vida aumenta e muitos de nós perguntamo-nos se arranjaremos emprego no fim do tão desejado curso. Anteriormente, ter um curso superior garantia imediatamente emprego, agora a realidade é muito diferente.
O cepticismo de uma sociedade descrente de melhorias é notório.
Uma sociedade repartida onde só os ‘grandes’ beneficiam.
As melhoras para uma sociedade em crise.



Ana Raquel Vieira
11ºE

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Atraso de Vida

Caro leitor, observando o título desta crítica, já deve imaginar qual o tema que vou abordar, o Nosso Amável Portugal.
Vivendo neste país, orgulho-me de dizer que somos recordistas. Recordistas de tudo o que é mau, recordistas das situações mais degradáveis da Europa.

Mas como diz o povo, "Os últimos são sempre os primeiros". Ao menos isso...
Será Portugal um país assim tão "desenvolvido"? Não vejo nada... Coincidência do "caraças"!!! Outros dez milhões, também não vêm... Acho que é preciso ir a Cuba, tratar os problemas de visão!!!
Ao longo dos últimos anos, Portugal tem coleccionado cada vez mais brilhantes recordes. É na Economia, é na Educação, é nas Finanças, é no Desemprego, é no Desenvolvimento e Progresso do País e, saliento ao caro leitor, que estes são apenas alguns.
Com um desenvolvimento incomparável a nível de recordes, temos de admitir... é absolutamente fantástico, este nosso Portugal.
Vejamos o seguinte exemplo: Se o caro leitor bem se lembra, Portugal e os "nuestros hermanos" (Espanha, para os mais ignorantes), entraram para a Comunidade Europeia, na mesma data. Mas, quando observamos Espanha, podemos tirar a seguinte e breve conclusão: Espanha, torna-se a cada dia, uma grande potência mundial. Portugal encontra-se, literalmente, na "MERDA".
Será que nem com tanto recorde, somos capazes de sair da cauda da Europa? Não, claro que não... porque viver em Portugal é um verdadeiro atraso de vida. E, como o povo diz: "o pior cego é aquele que não quer ver o que está a acontecer.




Ivan, 11ºB

sábado, 24 de maio de 2008

Sociedade “negra”




Se pensarmos bem, poucos de nós se preocupam com as sociedades antecedentes, e até mesmo, com as que ainda estão para vir. É como se o mundo girasse apenas, em torno de cada um de nós, cada um só se preocupa consigo, olhando apenas para o seu umbigo. Sem a mínima noção do que é ajudar quem quer que seja, é assim que vivemos.

Realmente, vivemos num país bastante egoísta. Quantas vezes passamos na rua, vemos uma pessoa necessitada e não está lá ninguém para a ajudar?! Quantas e quantas vezes são feitas angariações de fundos para ajudar os mais necessitados e algumas pessoas respondem “Não tenho tempo!” (sim, infelizmente, já ouvi!). Não há tempo para ajudar?! Então também não deveria existir um tempo para “destruir” o país. Sim, porque o nosso país está “destruído”, temos uma grande desigualdade de classes sociais, ou seja, temos pessoas que cada vez enriquecem mais, e outras que cada vez estão mais pobres. Afinal, que país é este se não temos sequer um minuto para ajudar os outros?! Se fosse connosco, com certeza que gostaríamos de ser ajudados. Mas lá vem a “velha história”, cada um só se preocupa consigo. Ninguém gosta de ouvir mas, alguns, fazem aos outros aquilo que não gostavam que lhes fizessem a eles. Ao fim e ao cabo não fazem, pois se não ajudam, em nada contribuem para que o país possa “evoluir”.
Além de tudo isto, vivemos numa sociedade em que muitas pessoas julgam estar ainda na “idade da pedra”. Mentalidades fechadas e pensamentos retrógrados predominam ainda na “cabeça” de muitos. Não somos um país moderno, e muito menos avançado. E da forma como as coisas estão, talvez nunca o chegaremos a ser.
Apesar de vivermos mal, em termos económicos (e não só), o país pode ainda ser considerado “feliz”, pois com todos estes problemas, ainda conseguimos sorrir.
Agora pergunto-me se, com esta sociedade, existem ainda motivos para sorrir?!


Sílvia Santos, 11ºE

Sociedade Estratificada

“Em nome do progresso, as sociedades do ter alimentam a inveja, a ambição desmedida, o egoísmo, o medo, a vergonha, o orgulho e a corrupção, enquanto as sociedades do ser prosperam através do respeito, da comunhão, do humanismo, da compaixão e da coragem. As sociedades do ter aprofundam o fosso entre ricos e pobres, entre poderosos e “pés descalços”, enquanto as sociedades do ser tendem a repartir riqueza com a máxima equidade”.

Li estas palavras com entusiasmo, publicadas num jornal, pois sabia que eram a pura realidade da nossa sociedade. E, portanto, decidi que seriam as palavras ideais para dar início à minha crítica, não incluindo os portugueses na sociedade do Ser, mas na sociedade do Ter.
Todos sabemos que Portugal é um país lento no que diz respeito a factos necessariamente questionáveis. O nosso país não é o causador dos problemas, mas sim as pessoas, pois possuem uma mentalidade retrógrada e são incapazes de ajudar quem necessita. Como todos ouvimos dizer: o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. Só sobrarão os mais fortes, aqueles que para sobreviverem passam por cima dos restantes de modo a agradar quem lhes convém, como exemplo disso temos os árbitros.
Portugal está em más mãos. Quem o governa tem uma única pretensão, o seu próprio bem-estar e o dos que lhe são próximos. Será que Portugal não vai evoluir? Ou será que não quer evoluir? Será que quer ficar para sempre conhecido como um país de retardados?
Está nas nossas mãos a oportunidade de mudar, de lutar e tornar Portugal um país melhor.





Luísa Rodrigues 11ºE

O pecador invisível




Há pouco tempo, a Igreja Católica publicou um artigo que indicava os novos pecados mortais pelos quais os cristãos devem pedir perdão. Para além dos famosos 7 pecados (que os pequerruchos têm de decorar na catequese: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça) apareceram mais alguns, como a manipulação genética, uso de drogas, desigualdade social e poluição ambiental.
Logo depois da publicação, em entrevista ao Observatore Romano, monsenhor Gianfranco Girotti, responsável pelo tribunal da Cúria Romana e pelas questões internas do Vaticano, diz que os pecados passaram a ser de dimensão social, pois principalmente no campo da bioética estão a violar direitos da natureza. Mas a manipulação genética não será boa para a religião? Podemos utilizar a clonagem para criar mais dois ou três papas, ou introduzir genes dos católicos “assíduos” e assim, daqui a pouco tempo, teríamos o mundo todo cristão.
Mas este “monsenhor” surpreende-me quando, relativamente ao uso das drogas, refere que “a droga enfraquece a psique e obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora do circuito da Igreja” - afinal o uso de drogas é pecado, pois o importante é os jovens irem à Igreja... a saúde dos jovens não importa. Tem lógica. Este senhor também referiu que na sociedade actual há uma grande desigualdade social porque os ricos tornam-se cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Mas quanto dinheiro as pessoas dão para a Igreja? De vez em quando, lá tocam à campainha e dizem aquelas frases já gastas: “ Não quer dar uma esmola para a Igreja?”. Apenas mudam o destino do dinheiro: ou porque não têm dinheiro para realizar as festas populares, ou porque querem construir uma Igreja nova. Enfim, tudo para ficarem cada vez mais ricos (como na sociedade).
Talvez a Igreja tenha apresentado estes pecados para tentar esconder o que faz, mas acho que os pecados que publicitou ela mesmo os comete. Mas quem vai perdoar os pecados se são os próprios padres que os cometem? Vai ser o povo?


Rui Nelson, 11º A

Raça Mortífera





Assisti a algo que me sensibilizou, mas sobretudo, que me revoltou ainda mais. Teremos nós o direito de invadir a vida dos outros seres vivos? Só pelo facto de sermos racionais, não pensamos? [?]
Os costumes mudaram, as desnecessidades [?] também. Enquanto que no passado, num passado bem longínquo, a espécie humana, enquadrada numa rede alimentar, matava para sobreviver, no presente, neste presente macabro e assustador, mata para fazer sobreviver as necessidades do olhar e da inveja. Pergunto-me: - Como será o futuro? Talvez não exista.
Quanto aos costumes religiosos, diz-se que o mais adoptado pelos indivíduos é o catolicismo [?]. Quem a segue, crê plena e cegamente em Deus, não praticando o pecado, pelo menos à vista desarmada. Mas quando estes indivíduos se sentam para uma refeição festiva, não dispensam beber o sangue derramado de um inofensivo ser vivo, que nasceu para encher quem os digere. Estes grandes banquetes de que falo, não servem para enganar a fome, mas sim para matar o desejo louco e absurdo de querer sentir o paladar da abundância. Nestas alturas, esta gente pequena não se lembra, ou faz para se esquecer, das leis de Deus. Leis essas em que há o direito de abater para saciar a forte fome, sendo interdita a toma do líquido. Nesta sociedade desgraçada só se ouve e só se faz aquilo que se quer, não ouvindo e não fazendo aquilo que não lhes apetece.
Muitas realidades me revoltam. “Abriu a caça à foca”. Assisti à longa notícia, no telejornal. Espancar até à morte, uma foca ou outra vida, para muita gentinha é um acto de assistência [?], pois acham algo de surreal. Aquelas senhorecas bem apresentadas, com amontoados de pérolas e diamantes, por vezes de fantasia, não são assim, pois quando vêem um animal a ser morto desviam o olhar, porque sentem que se está ali a fazer uma grande crueldade. Mas, na prática, não olham a meios e são incapazes de não usufruir de um belo e rico casaco de peles. Como já dizia, por outras palavras, Sophia de Mello Breyner Andresen, num dos seus poemas, quem não gosta de ver nem de matar animais, também não deveria gostar de os comer, neste caso, não deveriam gostar de andar com eles às costas. Mas a mentalidade do povo é curta e está longe de progredir.
Teria motivos para escrever, quase, até ao infinito. Mas a mentalidade é curta [?].
Posso parecer uma pessoa dramática, mas peço a quem me critica (são várias as pessoas), que se ponha no lugar de um ser inocente, que apenas veio para ter umas curtas férias que a morte lhe proporciona e que possa ser portadora do mesmo tormento. [?]
Posso parecer uma pessoa sensível pela parte irracional [?], mas não, sou feita de uma revolta que me indigna.


Ângela Gandra, 11º B

Até onde vamos chegar?


Será que só paramos quando estivermos todos mortos, ou quando estivermos uns contra os outros...? Vivemos num mundo que está em constante mudança, mas numa mudança extremamente rápida. A nível político, social, ambiental, religioso.
Politicamente, focando principalmente Portugal, estamos a passar por uma fase em que os ministros conseguem com que toda a gente fique contra eles, seja pelo não cumprimento das promessas feitas antes da suas eleições, seja pelo fazerem o que mais lhes convém e não olharem aos interesses das pessoas, do povo.
Socialmente, podemos observar que as pessoas estão cada vez mais focadas em si mesmas e não nos outros, mesmo dentro das próprias famílias, cada um puxa o melhor para si, nem que para isso tenha que passar “por cima” de alguém.
As “pequenas” guerras multiplicam-se pelo mundo. Mas agora, pegando nas guerras, não serão elas um bem essencial à vida? Repare que, sem as guerras, não teríamos muitas das coisas que temos hoje em dia, como por exemplo a Internet. Quem conhece a história da Internet sabe que esta começou com o exército americano, para que os soldados pudessem comunicar entre si... Outro exemplo é o GPS, que também foi inventado para fins militares, entre outras tecnologias. Ao que nós chegamos, a ser preciso morrer gente para conseguirmos algum desenvolvimento tecnológico!
Mas há mais, ambientalmente falando estamos mesmo, mas mesmo, muito mal. Isto do aquecimento global tem muitas consequências más que a maioria das pessoas nem imagina. O que umas pessoas pensam é que a temperatura está a aumentar e, por isso, o gelo dos glaciares está a derreter e mais nada. E o resto? A extinção de inúmeras espécies de animais plantas? A destruição de milhões de habitats? E todas as outras consequências? Não é estranho que vulcões que não estavam em actividade há milhares de anos comecem agora a dar sinais de vida, locais onde não nevava mais de setenta, oitenta anos neva hoje em dia, inúmeros furacões todos os dias, uns com mais intensidade do que outros,sismos com muita frequência. Isto tudo são consequências directas e indirectas do que nós estamos a fazer ao nosso planeta.
Religiosamente, não estamos tão mal... ou será que estamos? Será que os padres hoje em dia são fiéis seguidores da fé de Deus? Sim, claro que são! Eles estudam para isso! Mas, infelizmente, nem todos cumprem com os seus deveres. Vemos regularmente na televisão casos de padres que cometem pedofilia. Ou, se não vemos, é porque os casos são abafados... pois, claro que fica sempre mal dizer que o senhor abade fez indecências com uma criança que foi tão adorada por Jesus, ou, que já não fica tão mal e até se fazem filmes sobre isso, que é dizer que, o senhor abade cometeu indecências com uma mulher adulta!
Como podemos ver, em tudo o que nos rodeia, e com tudo com o que nós lidamos diariamente, está a haver uma brusca mudança no sentido de piorar as coisas. Por isso, acho que devemos reflectir um pouco no que fazemos para assim vivermos todos num mundo melhor.


Tiago Luso Coelho, 11ºC

“Se eu não gostar de mim, quem gostará?”


Civismo é uma palavra que temos de integrar no nosso ADN.

Oh gente que só sabeis criticar o nosso país, Portugal! Eu pergunto "porquê"? Se o único problema és tu… Vós, nós e até eu não fujo à regra… Mas, principalmente, vós que criticais, que falais, mas não fazeis mais nada, nada para mudar ou tentar mudar… “Falas, falas, não te vejo a fazer nada, com certeza que fico chateado!” …
Hoje saio de casa para a escola, acordo com mais uma discussão matinal, esta minha juventude não quer ficar em Portugal, porque não há oportunidades, porque não há isto e aquilo… Como esta juventude já tem a cabeça feita! Eu só respondo “sim, é por pessoas como tu que Portugal está como está” … Juventude que já aprendeu a criticar, cabeça feita de casa, na escola, em todo o lado …
De tarde passei no café, lá estavam os mesmos clientes de sempre, “velhotes” que vão passar o seu tempo ao tasco, lá estavam eles, a tagarelar mal (como sempre) da política, um assunto que este povo adora criticar. Sempre a deitá-los [?] abaixo. A piada é que está nas mãos deles fazer alguma coisa, votar, - é esse o dever da sociedade - muitos que criticam nem se dão ao trabalho de votar. É como tudo na vida desta gente: “votar? hoje está a chover, não me apetece sair de casa, o fulano que vá”. E como tudo fica para o “fulano”... “reciclar? Para quê? se o outro não recicla”, “manifestações? Para quê se o sicrano não vai”, “votar? Para quê, se não vai valer a pena o meu voto” … Esta país que tem preguiça de levantar o cú da cadeira, é mais fácil falar … Agir, fica para o vizinho …
O civismo tem de começar dentro de nós, nas nossas casas, no que transmitem os nossos pais. Falta exigência connosco mesmos. Em trinta anos de democracia aprendemos a reclamar os nossos direitos, mas não temos vontade de cumprir os nossos deveres.
“Se eu não gostar de mim, quem gostará?” - se os Portugueses não se sentem bem no seu país, se não lutam, se não fazem nada, quem fará ?!


Sara Guimarães, 11ºE

Educação em vias de extinção

Hoje em dia, não há educação! E se há, é pouca! Os filhos acabam por fazerem o que querem!
Mas onde será que se encontra a educação? Na esquina do lado? Ou talvez no outro lado da cidade? Será? Não! Isso é óbvio! Hoje em dia, quase não existe educação! Ela anda perdida, talvez refugiada num pequeno canto do nosso Universo.
Acreditem ou não, há filhos que agridem os pais. Saem quando querem e chegam às horas que bem lhes apetece! Para eles os pais tem a função de um género de banco. Aberto 3600 segundos por hora, 86400 segundos por dia e 604800 segundos por semana.
Antigamente, os filhos eram uma fonte rentável para os pais [?], hoje em dia, são os pais!
Os pais acabam por ser “chicoteados” pelos filhos, quase todos os dias, para darem dinheiro, ganho através do seu esforçado suor, e claro, é mais que essencial para a vida dos nossos queridos jovens, pois eles não podem sobreviver sem ir ao café todos os dias tomar o pequeno-almoço, ou sem aquela roupa de marca, trés intéressant que todos os jovens invejam!
E vocês, caro público, já pensaram como se sentem alguns desses pais?
De certeza que alguns não! Já imaginaram o esforço que eles fazem para, ao fim do mês, trazerem dinheiro para casa! Para vos alimentar, para vos dar todo o conforto possível, e muitas vezes cansados, ao fim do dia, prestar-vos atenção!
No que toca educação, infelizmente, há de tudo. Relembrem-se dos casos de agressão aos professores que houve recentemente. Continua a haver, infelizmente, devido a um objecto não identificado, com aproximadamente 10 centímetros de comprimento, que pode assumir varias cores e que, pelo que se sabe, tem como função realizar chamadas e enviar sms.
Acham que um objecto tão pequeno, merece um acto tão repugnante, como o que aconteceu? Afinal os professores são uma grande via de desenvolvimento, uma vez que promovem o ensino, e se os pais não conseguem controlar os filhos, não vão ser os professores que vão fazer “milagres”! Há que falar também da questão de respeito, sobretudo, pois nem os pais, professores, ou qualquer ser humano merece ser agredido. Isto é uma injustiça!
Para finalizar, acrescento que nem todos os jovens, hoje em dia, padecem de este mal, a falta de educação. Há necessidade que todos os jovens, e todos nós, reflectamos, pois a educação é um factor muito importante, tanto da nossa vida pessoal, como social.



Sara 11ºB

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um país em lista de espera…




Portugal é um país em que se ouve, constantemente, os políticos afirmarem que trabalham unicamente para o bem do país. Sendo que este bem é o avanço do país em todos os níveis. Um dos níveis em questão é a saúde, que em vez de evoluir está em “degradação”. Isto porque os mesmos políticos que proferem que fazem tudo pelo bem do país são os mesmos que concordam em encerrar muitos hospitais com a simples razão de reduzir despesas e utilizando argumentos semelhantes a este: “ não há necessidade de existir tantos centros hospitalares”. Na verdade, esses mesmos centros hospitalares são aqueles que contribuiriam para acabar com a vergonha que Portugal sente quando é referido que existe um número indeterminável de pacientes que esperam por uma intervenção cirúrgica. Sendo que uma parte representativa desta lista de espera que Portugal possui, aguarda por uma intervenção cirúrgica anos e, em muitos casos, até esperam mais de 6 anos.
As pessoas com mais possibilidades financeiras acabam por ir para outros países, como é o caso de Cuba, para poderem ser operadas de imediato, coisa que em Portugal é raro, ou vão até mesmo para estabelecimentos privados de saúde. E as outras pessoas que não possuem as mesmas capacidades financeiras? E os idosos que vivem com reformas miseráveis e, em alguns casos, mal chegam para a alimentação, pois têm mais despesas, como por exemplo, a farmácia, onde deixam mensalmente grandes quantias, se não toda a sua reforma? Pois é! Estes têm que ficar submetidos à interminável lista de espera dos hospitais.
Porque é que o “nosso” governo não reduz despesas em coisas mais subjectivas [?] e investe na saúde, que é um aspecto fundamental e acaba com o desalento de centenas de pessoas terem que encarar algo tão desumano como são as listas de espera dos hospitais de Portugal? Porque é que, em vez de fecharem hospitais, não os mantêm e constroem mais um ou outro? Seria um grande investimento, mas valeria a pena, pois acabaria com este problema e evitaria outros que poderão surgir no que concerne à saúde.

Cristiana Loureiro, 11º E

Um País caricato ao contrário





Nos tempos que correm, tenho-me apercebido de que nós já não somos mais aquele famoso, consagrado e místico povo Lusitano. Agora somos um novo povo, tipo um protótipo, só para inglês ver, quando nos é conveniente.
Hoje em dia, vemo-nos a ser governados por um bando de políticos patéticos, que pensam que, por tirarem um doutoramentosinho na Universidade Independente, conseguem gerir uma nação deste calibre. E depois vemo-los naquelas maratonasitas que se fazem por aí a mostrar a sua disponibilidade social e a servir de exemplo, quando na verdade deveriam estar a servir de gado bovino nas touradas.

Outro tema que me intriga bastante, estimado leitor, diz respeito às novas modas deste século. Os meus ancestrais [?] como as minhas avós, por exemplo, até ganham enxaquecas e náuseas sempre que ouvem algo fora do normal para elas. Se ouvem uma notícia como: Cristiano Ronaldo, no último fim-de-semana, esbanjou uns troquitos numa clínica em depilação, é logo um Deus que as acuda. Onde este mundo vai parar?...perguntam-se elas. Até chegam ao ponto de ir rezar um terço por estas almas sem juízo.
Eu, sinceramente, não as entendo. Quer dizer, só por ser o Cristiano Ronaldo?! Então se fosse o Manuel Joaquim, habitante há 33 anos em Carrazeda de Ansiães, descendente de uma família de pastores (calma, estimado leitor, não tire conclusões precipitadas, ele não é parente do ilustre Primeiro Ministro) a gamar a gillette ao pai e a lembrar-se de se tosquiar por completo, já não teria direito a um terço? Tudo bem que poderia optar por outro método de depilação, porque um colega meu até já me recomendou usar bandas de cera.
Também me dei conta de que anda tudo trocado neste planeta. Porquê? Porque, simplesmente, o que se vê por aí são filhos quase, ou até mesmo, a bater nos seus pais. Lá por terem ganho pêlos nas virilhas, andarem com a cara em obras e terem engrossado a voz pensam que já são os donos da razão? Se for comigo, se um dia um filho da minha mulher me levantar a voz com agressividade… espanco-o com cuidado na hora.
Contudo, nem tudo é péssimo, ainda nos restam algumas pequenas coisas para nos entreter e divertir como os últimos gritos da evolução tecnológica e científica. Os telemóveis 3G, Ipod’s, Iphone’s entre outras… e claro, o meu predilecto, que me deslumbra ao usufruir as suas várias capacidades. O Tamagoshi. Ai não, afinal confundi-me, estimado leitor, o Tamagoshi já vem do século passado.
Em suma,não podemos perder os nossos valores, que tantos nos caracterizam. Como ir comprar o selo do carro no último dia, assim como ir assistir a uma peça de teatro e deixar o automóvel estacionado num lugar onde se lê “Sujeito a reboque”, com a intenção de demorar apenas uns cinco minutinhos.
Estas coisinhas fazem parte de nós, assim como o dever de nos cultivarmos constantemente também, porque só “Quando não conhecemos, nem sabemos, algo que nos é novidade é que verificamos o limite da nossa cultura e o tamanho da nossa ignorância”.



Marcelo Veloso 11ºB

Hipocrisia (continuação)

Para facilitar a visualização, junto aqui o primeiro video (mas não o apago do outro tópico, por causa dos comentários que já lá existem):

Emilia Oliveira

11º B












Emília 11ºB

Da fala a campos magnéticos!!


Com o desenvolvimento tecnológico atingiu-se a globalização. O meio sobre o qual vou reflectir é a internet, pois o sistema de mensagens instantâneas permite comunicação rápida, cómoda, económica, mas é também um metódo muito polémico, pois pode ser perigoso. A meu ver, uma das principais vantagens que apresenta como sinal de evolução, é a privacidade que se tem, por exemplo, as pessoas moviam-se do campo, onde não se tinha privacidade, para a cidade, em busca da mesma.[?o que é que isso tem a ver com a net??] Outro aspecto positivo é a igualdade, bem ao género dumas eleições: as nossas palavras são tão importantes como as de outro [???]. Permite também através de sites como deviantart, myspace,.... trocar impressões e ter contacto com pessoas com as mesmas tendências culturais, ou seja, dessa forma podemos tomar conhecimento, trocar impressões com o que se passa fora do nosso quotidiano mais próximo e ter mais informação sobre o resto do nosso planeta. Os aspectos positivos que acabei de referir são muito discutíveis, pois como eu os vejo de forma positiva, há quem os veja de forma negativa, pois nem toda a informação que se encontra é verídica, logo, por vezes, se torne perigosa, mas isso já acontecia na nossa sociedade. De forma que estas novas formas de tecnologia são um espelho virtual da nossa actual sociedade.


Tiago Barbosa 11ºB

Onde está a santidade do compromisso?


“Não nos deixeis cair em tentação; mas livrai-nos do mal. Ámen!” assim reza a “oração que Deus nos ensinou”. Bem, partindo-se do pressuposto que só aprende quem quer e que se aplica a todos, falemos, então, dos santos padres, ou pelo menos daqueles que não aprenderam a lição, ou pior, daqueles que aprenderam, mas que, involuntariamente, se desviaram do caminho de Deus. Os padres, antes de o serem, fazem um voto de castidade, como dita o nono mandamento da lei de Deus, através, por exemplo, do celibato.[?]
A vida religiosa necessita que os devotos se dêem de corpo e alma a Deus, aos seus ditados e mandamentos, e para isso é necessário que se tenha uma vida santa, ou o mais possível, não se sendo homicida, blasfemo, injusto, sendo também casto.
Bem, ter relações sexuais apenas com o objectivo de procriar é um tanto difícil de se manter , pois os desejos da carne falam mais alto. Então, pedir-se a um aspirante a padre, por vezes ainda jovem, que não tenha actos carnais durante a sua vida de padre, é demais! Não é pelo facto de um pároco ter uma esposa e consumar o casamento como um casal normal, que vai perder a sua fé e a sua devoção a Deus! Mas nem é essa a questão. O problema é que os padres sabem que não podem ter qualquer tipo de intimidade com uma mulher, mas têm-no. Sim, antes de serem padres são homens, homens que gostam de prazer, mas se sabem que não vão conseguir manter esse voto de castidade, deviam desistir de ter uma vida totalmente religiosa e passar a ter uma vida familiar, mas continuarem ligados à vida religiosa. Nada impede que as pessoas que acreditam em Deus estejam ligadas à Igreja, independentemente se têm ou não vida sexual.
E é péssimo ler-se nos jornais que párocos são acusados de pedofilia, por exemplo. Este tipo de actos não são bem vindos seja por quem for, muito menos vindos de padres, pessoas que seguem, ou pelo menos deviam seguir o caminho de Deus, e que criticam aqueles que são criminosos, porque pecadores somos todos, desumanos não. Por isso, que Deus nos livre do mal. Ámen!

sábado, 17 de maio de 2008

Às voltas...




No adro da aldeia tudo estava pronto para a festa. Os filhos da terra vinham todos, mesmo os que estavam longe. Era tempo de matar saudades e relembrar a infância.
O Esteves, ou Professor Esteves, acabara de chegar. Fizera centenas de quilómetros para estar ali, e o seu automóvel não o deixara mal. Alto, magro, vestido com ligeireza, ser professor contratado não lhe dava para muito. Ao passar em frente ao café de lá do sítio encontrou, refastelado na esplanada, o seu antigo colega de carteira na antiga escolinha, o ‘Mingos’, que agora era o Sr. Domingos Oliveira, empreiteiro, íntimo do presidente da Câmara. Oferecia a este último sempre as melhores condições para os concursos de obras públicas no município. E ganhava sempre. A amizade entre eles crescia proporcionalmente às obras… A amizade saía-lhe cara, mas sempre dava o melhor casarão lá da terra, singelos carrões, como o Mercedes que estacionara em frente ao café, entre outros luxos…
- Ora viva, caro Domingos!
- Olha o Esteves! Então por onde tens andado?
- Eu venho lá dos confins de Portugal…
- Ah, sim? E de dinheiro, como vais?
Mas o professor não respondeu, não fosse ele pensar que estava a mentir. Fingiu que não ouviu. O Domingos continuou:
- Eu cá me vou arranjando, lá com as minhas empreitadas…
Estavam nestas conversas quando chega o Carlos, também antigos colega daqueles, agora deputado. Ainda não é Doutor. Meteu-se na política quando frequentava a Universidade, e encontrou tal conforto, que não quis abandonar a posição. É doutor só de nome: Dr. Carlos Silva.
Cumprimentam-se, e continuam a contar as suas vidas. A vida do sr. deputado é mais desconhecida: vive lá para a capital, mas sempre vai falando de uma casa em Cascais, e de viagens que longínquas e cansativas, a que o trabalho o obriga.
O Domingos nem percebe muito bem daquilo; também gostava de um dia lá chegar, por entre os meandros da política, mas por agora contenta-se com as suas negociatas, a menor escala, é certo, mas menos publicitadas.
As horas já íam largas quando o senhor professor tira dinheiro do bolso para pagar a conta da mesa.
- Ora essa, Esteves, eu pago – disse o deputado Silva.
O Esteves lá ficou com o dinheiro na mão, juntamente com um bilhete de um evento a que assistira na sua última passagem por Lisboa. O Domingos ficou intrigado. De que se tratava?
- Ah. Passei por Lisboa e fui a um concerto no CCB. Beethoven, foi muito bom.
- Ora essa, então para o ano eu entro para a comissão de festas e convido-o para vir cá abrilhantar a romaria!
Não, caro Domingos, não poderia ser… Santa ignorância.
- Ó Domingos, diz o deputado, esse já morreu! Mas deixe lá que há por aí mais gente…
- Sim, ontem vi uma moça na tv que fazia boa figura. Depois vê-se...
Enfim, tiveram que recolher a suas casas. Depois da despedida, o professor ficou a pensar nas voltas que a vida dá. Ele, que sempre se intrigara e preocupara com o futuro destes seus colegas e amigos de infância, era o que se encontrava agora em situação mais precária.


Nuno Areia 11º C

Como parece a diferença?

Desde sempre que a sociedade afasta, exclui, e persegue todo aquele que parece ou é diferente. Seja uma diferença racial, cultural, na forma de agir ou pensar, ou mesmo pelos seus hábitos.
Tenho esta ideia como inconcebível em pleno século XXI. Contudo, até eu sou assim [???]mas não sou o único, pois toda a sociedade dos nossos dias se comporta desta maneira.
É preciso, então, combater todos estes estereótipos para alcançarmos uma sociedade ideal, em que todos temos semelhante valor e em que todas as diferenças pareçam desaparecer. Pois, só assim, conseguimos coabitar ou interagir de forma saudável.
Imaginamos quão difícil é interagir com alguém que nos crítica ou até mesmo a quem nós tenhamos criticado. Situações estas em que existe sempre um clima pesado no ar.
Está nas nossas mãos e, acima de tudo, está ao nosso alcance poder fazer a diferença, fazendo com que a diferença desapareça.



Hugo Salgueiro, 11ºG

Apocalipse

Newton, depois de estudar o livro do Apocalipse, disse que o mundo acabaria em 2066. Para dizer a verdade, eu não acho que cheguemos tão longe.
Para termos uma ideia da nossa situação, no passado 25 de Abril, a maior preocupação do mui valeroso Presidente da República parecia ser "porque razão a suposta maioria dos jovens não sabia o que representa o 25 de Abril". Aparte de haver coisas mais importantes com que se podia preocupar, a razão porque a suposta maioria dos jovens não sabe o significado do 25 de Abril é simples: estavam demasiado ocupados a fugir das tropas de ,que um também mui valeroso Primeiro-ministro mandou contra eles, para se darem ao trabalho de aprender isso.

Mas fora as questões menores, podemos ver que estamos a regredir. Para começar Salazar é eleito melhor português, o partido do governo aproveita o balanço e começa a pensar em novas medidas económicas, em breve lançam uma série de documentos a declarar uma dúzia de estatutos, incluindo a monstruosidade do estatuto do aluno; depois disso, quem não estivesse contente com as medidas e fizesse greve era punido: ou mandando polícia para investigar e, possivelmente, prender os responsáveis, ou atacando-os socialmente, dizendo, por exemplo, "que os professores fazem greve porque não querem trabalhar"; e, mais recententemente, a mudança no código de contratações que dá mais poder aos patrões para contratar e despedir a seu bel-prazer.
Em suma, o país está a desabar e a única coisa que é feita é ajudar a partir as traves mestras.



Tiago Rafael, 11ºC

Desabafo de um Português


Estou a pensar e não sei o que vou fazer neste trabalho, mas graças a deus que estou em Portugal, por isso ainda tenho tempo.
Neste nosso país é incrível, o tempo que se demora para fazer as coisas, é preciso praticamente empurrar as pessoas e quase fazer por elas (ó mãe, esqueceste-te dum acento), mas não procuremos apontar culpados porque senão nunca sairemos daqui. Sempre que se pergunta aos políticos de quem é a culpa, começam logo a atirar a culpa uns para os outros e o mesmo acontece com as pessoas, não digam que não, porque em minha casa também é assim. Infelizmente, cada vez menos valores nas novas gerações como, principalmente, a sinceridade, mas voltemos ao assunto da lentidão e não estou a falar dos alentejanos, estou a falar do geral. E, o português, então, é lento! Ah pois é! isto é que é uma imagem de marca, gostava de ver os chineses a poderem dar-se ao luxo de serem lentos, não podiam dizer isso [?], porque aquilo é só produzir.
É sempre a mesma coisa, sempre que tento falar num tema acabo sempre por lhe fugir... já agora, viram a nossa polícia? Esses nem deviam ser chamados de portugueses, a velocidade com que andam a passar multas e a apreender carros... estou a ver que a crise dos combustíveis não vai ser o nosso maior problema, pensam que eu estou a exagerar, mas já vi um policia parar à beira de um carro, deixar o carro estacionar e depois ter a lata de virar-se e dizer ” Olhe amigo, não pode estacionar aqui, vai ter de levar uma multinha “, essa tal multinha foi de 50 euros. Ora isto é revoltante, o nosso país esta a tornar-se muito rijo [?...] isto é só mais uma prova de que estamos mesmo a entrar na bancarrota, graças a coisas como esta é que começam a aparecer fumadores um bocado revoltados com a subida de preços a dizer coisas como esta “ai é, ai é, sobem o preço ao tabaco? então vou parar de fumar, vamos ver quem desiste primeiro, se sou eu ou o governo” e estes braços de ferro com o governo só têm vindo a aumentar, o pior é que temos como primeiro-ministro um lingrinhas, por isso espero ansiosamente que lhe partam o braço.
Vou terminar, ou “começar”, dizendo um olá ao nosso primeiro-ministro e cuidado com a cadeira (um foi assim, com sorte este também vai... Hihihihihi)

Ps: quero agradecer a minha mãe pelo apoio e trabalho mostrado, ao policia que multou o meu tio e espero que, em breve, à cadeira do ministro.





Rui Miguel Teixeira Lima, 11ºC

sexta-feira, 16 de maio de 2008

É uma sociedade portuguesa com certeza!


Primeiro de tudo, caro leitor, corra imediatamente para uma taberna junto de si e mande vir uns tremoços e uma boa cerveja ou ainda umas azeitonas ou uma orelha de porco se estiver com uma certa fome. Confortável? Ainda bem, pois é a partir desse lugar em que se encontra que lhe vou fazer o ponto de situação da sociedade portuguesa.
Enquanto vamos petiscando, analisemos um pouco o meio que nos rodeia, ou seja, Portugal. Podemos, do nosso canto, começar por observar a clientela do estabelecimento de consumo. Ao balcão temos dois a três indivíduos bebendo a sua cervejinha de olhos colados no ecrã da televisão, onde está a passar um jogo do glorioso (até aqui nada de mal, tirando o facto do Benfica estar a ganhar). Imaginemos agora estes cidadãos, como que representando a nossa sociedade da qual ambos, o leitor e eu, fazemos parte. Podemos concluir já algumas coisas sobre a nossa sociedade que saltam à vista. Primeiro ponto, muitos de nós podem não reconhecer, mas somos extremamente fundamentalistas e preconceituosos. Extrapolando isto para os três cavalheiros ao balcão, podemos dizer que o filho de um nunca sairá do armário, a filha do outro será obrigada a casar com um fulano com quem teve uma noite cheia de acção, e por último, o terceiro nunca quererá saber como se trabalha com um computador.
Como segundo ponto, podemos apresentar o palco de fados ao fundo do local onde nos encontramos. Ah o fado! Não há nada que defina melhor Portugal como um belo fado e nada que se assemelhe mais a um fado do que a política em Portugal, assim como a sociedade, triste e desesperado por tempos melhores. Isto de ansiarmos por alguma coisa pela qual valha a pena levantar a cabeça leva-nos a outro ponto importante que é o facto do português típico se prender em demasia com as tradições e o passado. Alguns séculos atrás havia o mito sebastianista, ou seja, muitos acreditavam que D. Sebastião voltaria numa manhã enevoada para tirar os reis de Espanha do poder e para endireitar este canto da Europa, mas tal não aconteceu. O problema está aqui - isto foi já lá vão alguns séculozinhos, mas parece que o português ainda não aprendeu que o caminho não é fazendo marcha-atrás no tempo, mas sim indo sempre em frente. Normalmente, fazer marcha-atrás numa via de sentido único dá sempre em acidente, já isto escrevia Garrett [?].
Voltando ao balcão e voltando aos nossos representantes da sociedade, que até agora nos têm deixado muito bem vistos, e depois de uma análise mais cuidada de cada um podemos dizer que dois deles têm um emprego de grande responsabilidade, mas hoje como o trabalho já começava a encher o fundo da secretária decidiram sair mais cedo. Sabem como é isto do stress, é preciso ter cuidado. Já o terceiro cavalheiro é um dirigente de um clube de futebol e é também e presidente da câmara local, um homem muito atarefado sem dúvida. Entre telefonar a árbitros para ver se eles fazem o seu trabalho e fazer um bonito saco azul de lã, enquanto se trata dos bilhetes para o Brasil são duas actividades que preenchem a agenda deste senhor.
E, por último, temos o leitor e eu, ao fundo da taberna, cientes disto, com o poder de mudar e usando esse poder para mudar [?], mas sem uma última palavra, pois esta pertence ao resto da clientela, que prefere deixar as coisas andar em vez de lhe tomar as rédeas e transformar a taberna num restaurante de cinco estrelas.






Tiago Faria, 11ºC

A Sociedade Portuguesa Pós 25 de Abril






A Revolução

No dia vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro deu-se, ao comando da canção “ E depois do adeus”, a revolução dos cravos, que derrubou o regime político que vigorou durante mais de quarenta anos no nosso país.

Nessa data, eu não era nascida e, com certeza, os meus pais não se conheciam e nem sequer havia um projecto de constituição de família.

No entanto, muitas famílias naquele dia rejubilaram de alegria e satisfação pelo derrube da ditadura. Acalentaram, naqueles momentos eufóricos, que a partir daquele dia tudo ia mudar para melhor e que tudo seria um “mar de rosas “ na vida social daquela jovem democracia.

Democracia é o governo do povo para o povo, uma vez que somos governados pelos nossos eleitos, em eleições livres, depois de ouvirmos as suas propostas nas campanhas eleitorais. Mas democracia é, acima de tudo, sabermos respeitar os outros e defender e cumprir a máxima “os meus direitos começam onde acabam os dos meus semelhantes”.

Consequências e Mudanças

De facto, as espectativas eram muitas e, a seguir à festa, foi preciso “apanhar as canas dos foguetes” entretanto lançados. Acabou a festa. Depois veio a desilusão, porque os sonhos acalentados naquele dia festivo não se estavam a realizar. Então, a nossa jovem democracia passou por momentos de alguma dificuldade e conflictualidade. Estou a referir-me aos anos quentes, segundo relata a nossa história recente, de 1975 e 1976.

A “casa” acabou por ser arrumada, tivemos as primeiras eleições livres onde escolhemos o primeiro governo legislativo que foi chefiado pelo Dr. Mário Soares. Estava lançada a primeira pedra da estrada da nossa democracia que conduziu o nosso país até ao dia em que escrevo estas palavras.

Na qualidade de estudante, vou debruçar-me sobre a educação que, no meu entender, é o motor principal do desenvolvimento da sociedade. Quanto mais instruídos forem os cidadãos, mais possibilidades têm de contribuírem para o desenvolvimento da sociedade onde estão inseridos, desde que aqueles conhecimentos sejam bem aplicados e geridos.

Verifica-se, no entanto, que as melhorias e mudanças inseridas desde o 25 de Abril de 1974 no nosso sistema educativo, não se transformaram em mais-valias que, se devidamente aproveitadas e potenciadas, teriam contribuído para criação de maior riqueza e bem estar da sociedade. De facto, a sociedade está muito mais instruída, mas, tal facto não se reflectiu na capacidade de produzir mais, e assim, criar mais riqueza.

É curioso que, onde existem emigrantes portugueses, nomeadamente nos países da Europa, eles são muito elogiados pela sua capacidade de adaptação e alto nível de produtividade, e, muitas vezes, até não têm um grau muito elevado de instrução. Tal facto deve-se com certeza à qualidade da gestão dos recursos que se fazem nesses países. Deste facto, pode-se concluir que o defeito poderá estar nas políticas que os vários governos que foram eleitos no nosso país, não por mim, porque eu ainda não tenho idade para votar, mas lá chegarei, não foram devidamente pensadas e discutidas com os professores, que são no meu entender, a parte mais importante no sistema educativo.

Na conjuntura actual assiste-se a um crescendo de licenciados que, depois de vários anos a estudar, não conseguem colocação no mercado de trabalho. No entanto, não devem desistir pois, como disse atrás, a educação, o estudo, o trabalho e a persistência são o melhor meio de transporte para calcorrear a “estrada” que atrás referi.

Toda esta prosa para dizer que, sem trabalho e sem estudo, não se consegue nada, serve de exemplo o caso de uma aluna da minha escola que a uma determinada disciplina, dita “maldita”, num teste tirou dois valores e depois de ter estudado e trabalhado bastante conseguiu, noutro teste, tirar 14,7 valores.




Ana Teresa, 11º C

Hipocrisia

Emilia Oliveira

11º B

De Barcelos para Galáxia dos Sonhos...



De: Barcelos
Portugal
14 de Maio de 2008


Para: Estrela Luz
Sistema Esperança
Galáxia dos Sonhos




Querida Avó,

Escrevo-te esta carta com o desesperado desejo de exterminar parte deste sentimento assassino que me acompanha, desde que decidiste mudar-te para essa nova casa. Espero antes de mais que tudo tenha corrido como previsto, e que nenhum incidente tenha de alguma forma infernizado as mudanças. Pelo que conheço de ti, certamente que não. Apenas agora te escrevo, pois calculei que estivesses ocupada, sem tempo para lamentações inconformadas e preocupações inúteis.
Decidi, portanto, contar-te em jeito de desabafo, o que vai acontecendo neste teu eterno Portugal. Seguem-se algumas singelas palavras que juntei numa amálgama de linhas corrompidas de perpétua saudade. Sei que seguramente terás a resposta para todos os meus inacabáveis dilemas.
Talvez não te lembres da Sara… Já passou algum tempo desde que te mudaste. Sim, aquela Sara que enternecia com um olhar que roubava ao sol toda a sua luz e à lua todo o seu encanto. Não havia chama mais forte do que aquela daquele pequeno anjo que todas as manhãs me inundava na alegria de um sorriso que pairava suave, como um perfume, no alpendre da nossa casa. Era ela, frágil, branca, cativante, o meu sonho da mais perfeita perfeição. Numa humilde genialidade, a Sara foi construindo aos poucos um pequeno palácio de virtude intelectual e moral, sempre com cuidadosos ornamentos da mais pura sinceridade e bondade.
O seu sonho era salvar o mundo. E, quando alguém o tentava desmoronar com um pessimismo invejoso, condenando-o ao fracasso, de imediato se deparava com um angelical e persistente protesto de dois olhos de fogo furioso ateado pela ameaça de extinção. Mas os seus propósitos não eram de todo desmedidos nem insensatos. Tinha consciência de toda a dificuldade daquilo a que chamava “a sua missão”. Todo o seu raciocínio era de facto brilhante. Afirmava que a vida teria todo sentido se optássemos pela entrega aos outros. Cada um, na sua pequena esfera, tinha o papel de assegurar, dentro das suas possibilidades, o bem-estar de todos os pontos que a constituem. E dizia com uma simplicidade brilhante, “só quando todos acreditarmos que é possível e lutarmos, juntos, tudo o que quisermos acabará por mudar”. Enquanto insistirmos em nos conformarmos e aceitarmos como inevitável uma realidade sórdida, mero resultado da animalesca necessidade de poder e domínio que tão bem define o ser humano racional, apenas contribuímos para o célere naufrágio do nosso pequeno mundo.
Nenhuma refutação era lançada, quando, numa pose de princesa grega, sentada na sua insignificante cadeira de rodas, Sara expunha envolta numa calma majestosa, estas e muitas outras nobres ideias. Tudo nela era um fascínio comovente.
Talvez toda a fonte desta devoção pela minha pequenina princesa fosse o diário testemunho da cruel e desumana vida que o bárbaro reino lusitano garantiu que não lhe faltasse. Pois ela, indefesa, presa numa masmorra andante, torturada pela veneração prestada por todo o seu povo aos mais revoltantes preconceitos de uma mentalidade geral limitada pela pobreza de espírito e valores morais, teimava, como que uma birra de criança, em ignorar toda a adversidade que a asfixiava. E assim abraçou a vida, libertando-se de toda a limitação, encontrando a virtude onde todos os outros viam aberração, anomalia, desgraça, defeito.
Sabes, Avó, apesar da circundante insistência no seu inevitável fracasso, a Sara formou-se em medicina. Especializou-se na área de psicologia e psiquiatria e é hoje a fundadora do mais bem sucedido centro de recuperação desta terra de navegadores e conquistadores. A maioria das inúmeras pessoas que a procuram carecem furiosamente de ajuda para combaterem o ataque insano desta sociedade em que chafurdamos. É tenebrosa a crueldade deste pequeno pais à beira mar plantado.
Vemo-nos quase diariamente. Aquela pequena é o vício que adoça a minha existência. Eu simplesmente não consigo compreender a sua natureza. Quando me conta as atrocidades em que embate sempre que uns olhos afogados em desespero, trémulos de uma dor arrepiante entram pela porta do seu consultório, pergunto-me como aguenta aquela menina tão branca, tão pequena, tão maltratada pela vida, todos aqueles dramas. “Vejo de tudo. Discriminação racial, sexual, religiosa, etária… homossexuais, mulheres e crianças violentadas e exploradas, pessoas com deficiências a nível físico ou motor, de outra raça, religião, etnia, e tudo quanto possas imaginar. Aparecem-me psicologicamente destroçadas, muito afectadas com depressões, variadíssimos distúrbios, e o pior, tendências suicidas… É horrível… São tão jovens, tão belos, um potencial enorme abafado por uma sociedade incrivelmente homicida. Só precisam que alguém lhes dê a mão e ajude a atravessar este pântano traiçoeiro em que vivemos”. E se atónita lhe pergunto, porquê ela, aquela pequena das minhas manhãs, se não passara já o suficiente para agora suportar tal fardo, imediatamente riposta, com aquela doce fúria idealista “para quê viver a fugir do sofrimento se ele existe por toda a parte? Não posso negar quem sou, aquilo em que acredito. De certa forma, estou grata àqueles que me fizeram sofrer. Só assim posso agora ajudá-los a eles e a muitos outros que como eu são de alguma forma diferentes do “normal” e não descobriram ainda a enorme virtude que isso é. Esta é a minha forma de salvar o mundo. Lembras-te, é a minha missão! De outra forma, nada faria sentido…”. E ficamos ali, num banco de jardim, no húmido salgado de uma rocha na praia, num autocarro transpirado de gente apressada, na varanda da sua casa…a agradecer ao sol que se deita preguiçosamente, o maravilhoso espectáculo de cores que nos acaricia o pensamento ansioso de revolta e indignação.
E desta forma, minha querida Avó, esta pequena toma conta de mim e de tantos outros. Mas explica-me por favor, porque é que tudo isto acontece? Por mais que busque impacientemente uma explicação para a razão de toda esta balbúrdia, há muito que nem a minha amada ciência é capaz de solucionar esta minha incompreensão da sociedade que me rodeia. Gostava apenas de perceber, mas é impossível.
Depois de conquistar o seu lugar na Terra, o Homem partiu à sua descoberta e preenchimento. Vieram as necessidades intelectuais, do culto do eu enquanto ser incomparavelmente superior aos demais. Os resultados destas foram aproveitados para progressivamente aperfeiçoar as respostas às necessidades práticas. Da pedra, passando pelo fogo, à espada seguiram-se as armas de fogo, já ultrapassadas pelas nucleares. É inevitável a competição entre o homem, a ânsia de dominar, somos animais. O que é, quanto a mim, incompreensível, é após longa existência, o homem não ter sabido aprender a usar o grande dom da razão, que o distancia de tudo o que o rodeia, para controlar de algum modo os seus ímpetos irracionais.
Neste país que tanto amo, vejo homens matarem homens inconscientemente. O metal das palavras, das atitudes, das acções, perfura os ténues peitos dos que de alguma forma não cumprem com o modelo rigidamente estipulado como “normal”. E os resultados são exemplos como as histórias que a pequena Sara me conta ao pôr-do-sol, envolta em lágrimas de fúria ocultas.
E nada disto parece alguma vez vir a mudar, Avó. A sociedade não quer que mude. Por mais que me afaste do pessimismo, a verdade é que anjos como a minha pequena são meras utopias nesta sociedade em que vivo. Aqueles que antes lutaram juntos pela afirmação deste Portugal, preferem, agora, continuar o silencioso extermínio dos seus semelhantes, condenando-os à loucura de um sofrimento absurdo, por não serem o que era socialmente esperado que fossem.
Preciso urgentemente, minha amada Avó, de um mastro firme onde possa agarrar o fio de uma esperança cada vez mais débil, cansada. Quero acreditar que tal como a minha pequena, o homem resistirá ao homem, e encontrará a virtude da simples essência de existir, por si, tal como é.
Sei que terás o conforto de que careço. Por isso recorri a ti, porque penso que tu, nessa terra onde estás agora, poderás de alguma forma consolar tanto desconsolo e responder a este dilema que me atormenta.
Com tristes saudades me despeço, esperançada de que um dia, esta terra em que nasci possa ser dignamente honrada pelos seus, como terra de homens livres, bons… pequenas Saras.
Um abraço afogado em mil beijos de saudade,


Catarina




Catarina Gonçalves, 11ºC

Todos os cães ladram, e todos sem razão


Este país está ao contrário. Desenganem-se os Monçanenses que pensam que têm a casa na costa Sul, este "ao contrário" não é literal (infelizmente). O que está ao contrário é a nossa política. Os ‘pequenos’ partidos da esquerda, coitados, ainda se juntam aos professores na sua luta contra o sistema de avaliação, às populações que se manifestam contra o fecho das urgências ou maternidades e até dão apoio moral aos pobres dos camionistas que, a partir de agora, terão de pagar portagens em tudo o que é sitio. Mas, como as vozes de Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa são muito fraquinhas, esse esforço revela-se inútil.
Mudando de direcção, e seguindo agora para a direita, vemos um cenário completamente atípico. O Partido Popular deixou de fazer aquelas aparições nas feiras e mercados, ficando no seu canto sem perturbar ninguém. O PPD-PSD está uma verdadeira loucura, os seus militantes, completamente desinteressados pelo país, estão concentrados nas directas, procurando o novo 'homem do leme', 'homem do leme' este que, seja a ex-Ministra, seja o ex-Primeiro-Ministro, ou até mesmo, o homem que nos chamou bastardos, dificilmente ganhará as próximas eleições legislativas.
Para concluir, não sei se em beleza, penso que não, apenas falta dar uma olhadela ao PS, ao absolutista PS, que faz o que quer e sem ser contestado, visto que a oposição é mínima. A sua política desagrada a muita gente, mas essas pessoas, votaram neles em Fevereiro de 2005, dando-lhe a hegemonia parlamentar.
O país vai de mal a pior, e de quem é a culpa? Do governo, da não-oposição, dos eleitores desinteressados, ou será de todos um pouco? Será necessário criar o partido contra o governo-opositores-eleitores e sua políticas?
Todos nós temos culpas do estado degradante em que está o nosso país e o mais impressionante é que este pedaço de terra que todos gostamos está a afundar-se, e não é no Atlântico, visto que o 'afundar-se' não é literal.




João Pedro 11ºC

Um Portugal deseducado


A educação é, supostamente, a base de uma sociedade para que haja entendimento entre os cidadãos.
A escola foi criada para educar e instruir os alunos, mas neste momento é mais para instruir do que para educar o futuro das próximas gerações.
O autoritarismo sobre os alunos acabou para dar lugar à execução da autoridade sem ocultar os direitos humanos dos alunos. [???] E, consequentemente, o autoritarismo nas casas também![?] Isto, supostamente, era um passo para que a igualdade dos direitos entre todos fosse realizada e para que não fosse exercido o abuso da autoridade por parte dos professores, isto nas escolas. Mas ao implantar esta medida nas escolas para fomentar a educação, houve uma certa liberdade por parte dos alunos que, por não ter sido controlada, tem vindo a agravar, não só nas escolas como fora delas. Os portugueses estão cada vez mais deseducados. E porquê? Ora com a evolução dos meios de comunicação entre os outros países da União Europeia, com o mundo e com os caminhos mais fáceis para a obtenção de algo, as pessoas começaram a pensar que têm direito a tudo e nas últimas gerações tem-se visto um abuso da liberdade. Esta geração já não pede, exige! É uma geração que pouco tem que fazer para obter algo! É uma geração morta de desafios e ideais! E de quem é a culpa? Dos pais? A culpa é de uma sociedade que não tem limites e não olha a meios para atingir os fins e isto é hereditário. E como parar este problema? É necessário que haja escolas não só para instruir, mas também educar juntamente com a família! É necessário que, através de professores e pais, esta [?] aprenda as regras de comportamento na sociedade para que assim haja educação entre todos e que, a cada um, seja pedido o esforço e o trabalho para que obtenham o que pretendem através dos seus próprios esforços. Isto sim é educação.


Tânia Lopes, 11ºG

Corrupção nos Tempos da Segregação do Mal


O nosso país é realmente muito querido!
Tem gente simpática, convidativa, somos de facto muito especiais, etc, etc…
É pena é a maior parte das coisas não funcionarem, ou funcionarem mal.
Tenho apenas 17 anos, mas ponho-me a magicar nas injustiças sociais e falcatruas de fulanos de tal.
Por vezes, até fico a gravitar no incógnito, mas sempre com esta vontade suprema de tornar o mundo justo e digno para se viver!
Isolo-me no meu pensamento, onde torno apelativas estas ideias funestas (porque serão esperas vãs) da nossa sociedade corrompida.
Uma revolta abrangente, sem poupar nada nem ninguém a que eu quero resistir, porque nós portugueses, o que originariamente nos envergonha, é outrossim a perícia e a ousadia para fazer o que está errado, e eu como portuguesa não quero cair nesse hábito.
Desde sempre existiram os mais variados tipos de corrupção, não sei bem onde!
Mas sei, isso sim, que cada vez se torna mais evidente que esta corrente afectará os outros se permanecer com este avanço.
Simetricamente, o que sustenta tudo isto é ver à minha volta casos que, para mim, originam estas desigualdades.
Em termos práticos, a justiça deixou de ser cega, parece que o “cheiro” do dinheiro lhe deu visão. Os árbitros apitam para o lado que lhes favorece a conta bancária, os bancos agora também fazem créditos e descontos especiais a familiares dos administradores. Engraçado, nós realmente vivemos num país muito especial!
Talvez a minha opinião não seja o suficientemente convincente para mudar o mundo, nem sequer para alterar a realidade circundante, quando muito ajudará, pela experiência real, a alterar na nossa sociedade, e que serve para explicar o presente e até, em certos casos, a antecipar o futuro.


Vânia Rodrigues, 11ºE

De neurónios a sementes!






Oh vá lá! Já está na hora de deixar o primeiro-ministro em paz!
Pense bem, caro leitor, ele até oferece computadores portáteis a 150€! E agora? Já vale o esforço, não?
Pois é, meu caro, se pensa que alunos precisam de ter melhores condições nas escolas, materiais adequados, ou até mesmo um rolo de papel higiénico nos lavados, engana-se! O que os alunos precisam é de computadores portáteis e, claro, que venham misturados com uma vasta pauta recheada! Mas se não vierem não motivos de preocupação, porque irá ter muito tempo para estudar quando estiver presente na lista dos “precisa-se de €”, está a ver qual é?
Claro que sim, até porque, português que é português, tem metade da família desempregada. O ministério está assim a pensar no futuro, no grande período de férias que o caro leitor irá ter quando quiser arranjar um emprego. E passar de ano? O que é isso para o ministério?
Eles querem apenas pôr os professores a fazer “babysitting” nas aulas de substituição, e dar boas notas (caso contrário irão pertencer à “listinha”), passar é o menos.
E agora pergunto, acha que a culpa é dos políticos? Claro que não, caro leitor. Pense comigo, eles até estão a tentar tirar Portugal do “buraco”, juntando o maior número de “flores ” no parlamento.
Já pensou na sorte? Daqui a uns dias estamos perante uma enorme reserva de carvão (visto que este se forma a partir de um aglomerado de “florzinhas”), e este serve pelo menos para oferecer aos E.U.A., sim, porque nós somos maus, mas não queremos guerra. Era o que faltava! Destruir agora as enormes auto-estradas que tanto trabalho deram ao governo.
Portugal é um país sortudo, pois somos maus em tudo, mas em termos de flores, ninguém tem espécies tão raras como nós!


Tânia Gomes 11ºB

Portugal em Remodelação!



Durante a época dos descobrimentos, foram muitos os países que se destacaram como grandes potências mundiais, entre eles, um pequeno e aparentemente desprezável, Portugal.
É por ele que preservo, e sempre preservarei, um orgulho imenso, pois admira-me e fascina-me saber que este, apesar das dimensões e fontes de riqueza que possui, conseguiu, num dado momento da história, “ter o mundo a seus pés”. Mas se por um lado me fascina, por outro desilude-me saber que outrora, um povo de nobres valentes guerreiros, se tenha deixado aluir até este ponto.
Um dos pontos que mais destaca o povo Português é o “negativismo”. Foram várias as situações a que eu assisti que realçam esta ideia aqui referida. Tenho conhecimento que, em países como a Alemanha ou a Holanda, as crianças, ou até mesmo jovens e adultos deitam-se por volta das oito e meia da noite, pois a essa hora costuma acabar o horário nobre. Pois bem, em Portugal passa-se completamente o contrário, o horário nobre começa por volta das nove e meia e dormir cerca de seis a sete horas é que é “fixe” e aceite pela sociedade, mesmo tendo esta conhecimento que as horas de sono são vitais para o ser humano.
Por volta dos 16 anos, quase todos os jovens Americanos trabalham, independentemente do estatuto económico, e é também costume irem viver com amigos por volta dos 21. Mas como seria de esperar Portugal tem um sistema bastante diferente. Aqui, trabalhar é um motivo de vergonha e, normalmente, só trabalha quem necessita. Quer dizer, para além da vida económica dos Portugueses que é aparentemente má, “os meninos” não têm de trabalhar, não vá o vizinho pensar que estão cheios de dividas ou com falta de dinheiro. Mas é ainda maior a admiração de certos cidadãos Portugueses ao tomarem conhecimento de que certos jovens Americanos saíam de casa dos pais para irem viver com amigos com apenas 21 anos. Bem, mas é também este ponto aquele que mais me admira e me provoca uma certa incompreensão, não relativamente aos jovens Americanos, pelo contrário, quem me espanta é a sociedade Portuguesa. Como será possível alguém achar esta situação tão estranha e, ao mesmo tempo, darem liberdade excessiva aos seus filhos? É que em Portugal sair de casa é muito estranho, mas sair à noite com apenas 13 anos e apanhar uma bebedeira enorme é perfeitamente normal, próprio da idade. No meu ponto de vista, a adolescência é a idade certa para se começar a organizar a vida, para se irem criando as bases, não para as destruir. São estes e outros comportamentos que se destacam pela negativa, mas que, pelos vistos, são bastante apreciados por esta sociedade.
São constantes as queixas do povo Português: recebem pouco, as reformas são miseráveis, os juros não param de aumentar, etc. Mas assim que chegam as férias, parece que tudo se esquece da má vida que anda a ter, pois são poucos os que por cá ficam. O dinheiro é cada vez menos, as dívidas aumentam, mas há sempre lugar para mais um empréstimo. A gasolina que não pára de subir parece não ser problema para os Portugueses, pois são dos povos Europeus que menos andam a pé ou de bicicleta. Bem, mas pelo menos, alguma coisa mudou desde o tempo de Eça, pois os Portugueses já não se contentam com qualquer coisa, mas como em tudo na vida, ainda não conseguiram encontrar um meio termo.
Apesar desta mentalidade medíocre, há ainda comportamentos e hábitos arrastados desde a ditadura. É perceptível a diminuição de número de crentes em Portugal. Contudo, esta diminuição tem um lado bastante positivo. Com a queda da ditadura, o Cristianismo tornou-se opcional e é precisamente este opcional que faz toda a diferença, pois agora, apesar de poucos, os cristãos são na sua maioria “verdadeiros”. A hipocrisia tem assim diminuído.
A base e toda a estrutura de uma sociedade fazem-se, principalmente, devido ao poder económico, mas não só. Uma mentalidade sã e partilhada por uma grande maioria das pessoas pode fazer a diferença, como é o nosso caso. Infelizmente para nós, esta diferença é feita pelo lado negativo e é uma das principais causas que nos colocam a umas boas décadas dos “Grandes Estados”.


José Pedro Ramião, 11ºC

Uma vida humana com preço


Sempre ouvi dizer que a sociedade, devido aos avanços científicos, ia mudar, mas o que se esqueçeram de mencionar é que talvez não seria para melhor.
Somos "bombardeados" todos os dias pelos meios de comunicação, com notícias sobre homícidios, roubos, escravatura, pedofilia, entre outros. Estas notícias chocam-nos, mas é algo a que simplesmente damos a atenção de pensar que apenas acontece aos outros.
Ultimamente, fomos informados que uma senhora supostamente famosa - mais de metade dos portugueses nunca ouviu falar dela - contratou um homem para assassinar o seu marido. Essa notícia foi alvo de uma tremenda exposição pública, sendo noticiada em todos os telejornais e em jornais. A exposição mediática do caso deveu-se, talvez, a ser um tipo de crime não muito falado em Portugal e a história chamou a atenção aos portugueses que ainda julgavam que isto só acontecia nos filmes da Máfia.
Embora em Portugal este tipo de crime, denominado como "morte por encomenda", seja uma novidade,[?] já não o é noutros países. A tão falada Máfia italiana usava, e talvez ainda use, esta medida para se livrar de pessoas indesejáveis, sem sujar os seus fatinhos caros. Não se pode dizer que eles não sejam inteligentes, porque livram-se das pessoas indesejáveis e não são culpados pela sua morte.[?]
Talvez tenha sido na Máfia que a dita senhora foi buscar a sua inspiração, ao que parece, ela não esteve com muita atenção aos filmes da Máfia, pois está presa e por lá irá continuar por mais vinte e três anos.
A questão será: quanto vale uma vida humana? Li a resposta a esta questão, recentemente, numa revista: por 50€ existe alguém nos bairros de lata capaz de tirar a vida a um ser humano!
Estes senhores e estas senhoras, que contratam uma pessoa para matar outra pessoa, são a vergonha desta sociedade que se encontra cada vez mais degradada. Eles não só destroem a sua vida, como a vida do assassino contratado e do assassinado. Apesar de destruirem as vidas de seres humanos, julgam-se capazes de não serem punidos por isso.
Bem, eu ainda "sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a rectidão como um caudaloso rio", tal como o Dr.Martin Luther King, cujo assassinato, curiosamente, pode ter sido por encomenda.



Diana Oliveira,11ºE

365 dias de enjoo


Um ano depois e nada se sabe sobre o paradeiro de Madeleine McCann e, provavelmente, não se saberá. Sabe-se hoje tanto como no primeiro dia: nada, a única “notícia” é que passou um ano. No entanto, a comunicação social voltou à praia da Luz… voltou ao teatro!
Será que toda a “sorte” desta família se deve ao facto de serem ingleses, e de alta classe social? Bem… se voltarmos uns anos atrás, recordamo-nos do desaparecimento de Rui Pedro. A mãe deste não teve acessores de imprensa nem tão pouco era amiga do primeiro-ministro.
Assim, esta história tornou-se um teatro a que todos assistimos. Fomos “obrigados” a conhecer a intimidade de uma família, que de heroína passou a culpada!
Este é dos tais casos que deviam unir as pessoas para que futuros casos não acontecessem, mas não passa de uma utopia. Na verdade, o que se passou foi um sem número de “insultos” à P.J por parte dos ingleses! E o que dizer, à ignorância, da maior parte dos portugueses, que julgavam tratar-se de uma questão cultural? [?]
Se formos minimamente racionais apercebemo-nos que se trata de negligência. Se a lei se fizesse cumprir, o casal ficava sem os outros filhos, a verdade é que não ficou! Ninguém sabe porquê, talvez por serem ingleses!



Cátia Patrícia, 11º E

Todos iguais é que é moda!


Questiono-me se, hoje em dia, andamos todos a competir uns com os outros. “Uns” têm o último grito das sapatilhas da nike e “outros” apressam-se a adquirir umas iguaizinhas. “Uns” compram telemóveis da última geração e “outros” acampam à porta das lojas à espera da última encomenda que os irá tornar mais “in” e mais conhecidos lá na escola.
Estes factos levam-me a questionar, mais uma vez, se o nosso objectivo é sermos reconhecidos pelas nossas diferenças ou ficarmos apagados no meio da “carneirada”. Realmente, o conceito de “carneirismo” cabe como uma luva à nossa juventude. Claro que eu também sou jovem, mas ao contrário que os adultos pensam, consigo pensar e reflectir sobre aquilo com que me deparo diariamente.
Os “meninos bem” vestem marcas da cabeça aos pés e acham um “horror” tudo aquilo que não vem etiquetado com um nome “a dar no olho”. E o que farão os “meninos não tão bem” que já ficam felizes apenas por ter roupa para vestir? São postos de lado, é claro. Não são iguais, ficam excluídos do grupo. Ora então, a diferença e a originalidade traz consigo a discriminação? E logo eu, que acreditava na veracidade e na boa vontade do slogan “ Todos diferentes, todos iguais”. Afinal, só os que são todos iguais podem ser admirados. Por quem? Por aqueles que são iguais a eles, está claro!
Tudo isto me leva a questionar-me de novo. E eu? O que faço? Qual é o meu papel? Torno-me igual aos outros ou arrisco-me a marcar a diferença? Decisão difícil esta!
Tantas decisões, tantas indecisões, tantas pressões com que um jovem de tenra idade tem de lidar. E acresce o facto de tudo isto ser provocado por outros jovens de tão tenra idade. Sim, pelos jovens, porque os pais, adultos e racionais, deixam-se levar pelo coração e de tudo fazem para agradar às suas “criancinhas”. E volto a questionar-me: “quem manda afinal? Os atentos e dedicados pais ou as criaturas manipuladoras que criam dentro das suas casas e que idealizam inocentes e ingénuas?” Cada vez mais acredito que são estas últimas, pois a autoridades está fora de moda (tanto para pais como para professores). Abaixo a autoridade! E assim vou vivendo, não num mar de contentamento, como dizia o poeta, mas num mar de questionamento e dúvida. Certezas? Só uma na vida, e essa sim é a única que é IGUAL para todos.


Ana Cristina Novo, 11º C

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Tempo de Mudar...


Tempo! Só queremos tempo, tempo, tempo… Queixamo-nos sempre de falta de tempo, falamos em perder tempo, ganhar tempo, pedir tempo… Bem que já era “tempo” de mudar e aproveitarmos melhor.

Não controlamos o tempo, o tempo é que nos controla a nós. Por dia olhamos cerca de 2507 vezes para o relógio, talvez como forma de passar tempo e, quando não estamos a ver o tempo, estamo-nos a queixar da falta dele.

Acordamos de manha, cheios de pressa para ir para a escola ou para o emprego, mas, quando lá chegamos, estamos sempre impacientes para que chegue a hora de sair. Outra coisa irónica é o facto de o tempo ser pouco, mas contamos mais tempo que dinheiro.

Quem me visse a escrever isto agora, certamente, diria que já era muito tarde, que andei a perder tempo, este tempo todo, e que já não havia volta a dar. Mas a vida é como um relógio, está sempre a girar e, ora estamos em cima, ora estamos em baixo e aquilo que nos falta é descobrir o “timing” certo para parar o relógio.

Contudo, o que me faz mais confusão é o facto de o tempo ser uma coisa tão imaginária e relativa, mas ao mesmo tempo tão importante. Ora vejamos, eu pergunto as horas a alguém e essa pessoa olha para o relógio e vê 12:03, mas, naturalmente, vai-me dizer que é 12:05 e eu, naturalmente, registo como sendo 12:05. E agora? Vão existir dois tempos? E se existir só um, qual é que está certo? É por isso que eu digo que o tempo não existe e, se existe, não é para ser contado.

Vivemos numa sociedade completamente drogada com o tempo, vemos tempo, ouvimos tempo, sentimos tempo. Se esta tendência não mudar vamos todos enlouquecer, com o tempo. Mas penso que a solução para isso é como o tema do meu texto, pode demorar, mas até chegar, é tudo uma questão de tempo.




Miguel 11ºB

terça-feira, 13 de maio de 2008

Uma família chamada Meirelles

Capítulo I

A família Meirelles encontrava-se, como todos os domingos, empanturrada [?] no sofá agarrando devoradoramente o comando e, sistematicamente, mudando de canal à procura de uma programação de jeito. Tudo lhe parecera igual. O velho e mal cheiroso sofá, as pipocas secas, a mãe que vivia de um lado para outro, ora pondo roupa a lavar, ora lavando loiça. Nada, naquele Domingo, lhe parecera estranho. Mas havia algo: a menina da casa tinha-se mudado ontem para Espanha, acabara o secundário, e por a média de Medicina em Portugal ser muito alta mudara-se para lá, há procura de uma vida melhor.
Os Meirelles viviam no Centro de Lisboa, era uma família de classe média, composta por quatro elementos. O pai com 41 anos, a mãe, uma linda senhora de 36 anos, professora de História, e os seus meninos, a Beatriz de 18 anos, e o pachorrento mas amoroso menino de 10 anos. António e Madalena tinham-se casado muito novos, pois já carregavam o peso de ser pais. Naquele tempo, os pais de Madalena, uma família do interior muito conservadora obrigaram-na a fazer um aborto, pois consideravam um insulto às leis da boa família uma gravidez fora do casamento. Mas nessa mesma madrugada os dois fugiram e mudaram-se para Lisboa, onde mais tarde realizaram o seu casamento e o baptizado da recém-nascida. Desde então, nunca mais falaram com os pais de Madalena. A família Meirelles foi crescendo. António arranjou um emprego numa fábrica têxtil, Madalena formou-se em História, pois desde pequena adorava desvendar todos os segredos das duras e fatais batalhas, e a menina tornara-se a mais inteligente da turma. Passados oito anos nasce um menino, o Nuno, com 4,5kg e apenas com 43cm, o que mostrava já a sua tendência de absorver tudo o estava por perto.
Mas nesse Domingo, Madalena sentira-se só. Sentia a falta da sua menina, e esta ausência trouxera-lhe à memória aquela madrugada, a carta que deixara a seus pais mergulhada em lágrimas de mágoa, e o seu desespero em querer salvar Beatriz. Nada, naquele momento, lhe parecera mais certo e agora também não, mas queria abraçar, sentir o calor da sua mãe, a mão áspera do seu pai, acariciando suas faces. Mas logo, por entre a porta encostada, olhara Nuno e António e via que não podia pedir mais. Só que na vida dos Meirelles tudo ia mudar.




Capítulo II

O Domingo passou. António regressou ao trabalho. Madalena saberia hoje em que escola ia ser colocada. E o menino, bem, esse ainda continuava bem acomodado por entre os lençóis, pois só tinha aulas de tarde.
À noite, ao jantar, Madalena e o seu marido remexiam na comida, só Nuno a devorava sem pestanejar. Sua mãe engoliu a comida em seco, e virando para a sua família disse-lhes:
- Então como correu o vosso dia?
Nuno fixou os olhos no garfo e disse que tinha sido um dia como todos os outros, apenas havia uma diferença, tinha de aturar novos professores.
- E então não gostaste da tua nova escola? Já estás crescido filho. E do 1ºciclo para o 2º é uma grande diferença. E a tua directora de turma é simpática? Já tens novos amigos?
O menino, que então comia, virou-se para mãe e disse:
- Não são perguntas a mais? Sim, gostei da escola, da professora, e quanto aos amigos… bem não posso estar distraído nas aulas, não é. Agora posso comer?
-Sim, podes claro. Só te faço estas perguntas porque me preocupo contigo - Madalena fez um pausa e continuou – Tenho uma coisa para vos dizer, já sei onde fiquei colocada, mas não sei se vos agradará. Fui colocada no interior do país, mais certamente, em Portalegre.
António franziu a sobrancelha e levantando a cabeça que até aí estivera enfiada no prato perguntou:
- Mas isso não é…? O destino às vezes é cruel. Vais aceitar?
- Tenho que aceitar. É preciso colocar dinheiro nesta casa. Temos uma filha a estudar no estrangeiro que precisa de nós para ter um futuro melhor. Portalegre não é assim tão longe, posso ir e vir todos os dias. Só tenho que ir mais cedo e chego a casa um pouco mais tarde. O mundo é muito pequeno e Portugal mais ainda. É preciso ajudarmo-nos uns aos outros.
O silêncio reinou pela casa. E os Meirelles, nesse dia, não trocaram mais uma frase. Durante a noite, António não pregara olho. Tinha uma coisa que não contara à sua família, e prometera que no dia seguinte o faria.
Só que passou um dia, e mais outros. E António sentira que não poderia esconder mais, estava na altura de contar. Chamou a família à sala e pediu para que se sentassem, pois tinha algo importante para lhes dizer. Inspirou e expirou e lá teve a coragem e disse-lhes:
- Não sei por onde começar. E não queria que me interrompessem, pois durante estes dias pensei mil e umas maneiras de vos contar. Segunda-feira, quando cheguei ao trabalho, os portões estavam fechados a cadeado, e apenas se encontrara uma cruel e gélida carta assinada pelo patrão que dizia que a fábrica, devido a falta de encomendas e às dívidas que tinha acumulado durante anos, tinha que encerrar, deixando 250 trabalhadores no desemprego. Peço-vos desculpa por só vos dizer agora, só que toda aquela emboscada que nos preparam, aquela falta de carácter perante os responsáveis tomou o meu corpo e a minha alma.
Madalena olhou fixamente para o seu marido e dissera-lhe:
- Eu já sabia. Uma fábrica daquele prestigio quando se afunda é normal que tudo venha a tona. E todos aqueles dias que saías fingindo que ias trabalhar eu sabia, que ias dar uma volta junto ao mar, pois só isso te acalma. Mas agora não há nada a fazer. Não podemos esperar pelo fundo de desemprego. Normalmente, tem de se esperar pelo menos um mês para se receber, e depois só receberás o salário mínimo. Vamos ter que apertar o “cinto”.
- Ainda por cima agora, com os juros sempre a subir. Como faremos para pagar a casa, o carro, as contas, e as escolas?
- Teremos de comprar só o básico até tu conseguires arranjar um novo emprego. E eu, para o meu emprego, terei de ir de transportes públicos, por causa dos preços dos combustíveis.
Tudo parecia remediado, pelo menos, esclarecido estava. Eram já dez horas. Madalena acabara de falar com a filha e contara-lhe as tristes notícias, fazendo Beatriz prometer à mãe que ia conter-se nas despesas. Todos se encontravam já na cama.
Nuno era o único que ainda permanecera acordado, ficava olhando o tecto vezes e vezes sem conta, matutando na sua pequenita cabeça, o que ouvira seus pais dizer.
- Apertar o “cinto”? Será que vou ter que sair da escola? Que fixe. Ainda bem que o papá ficou sem emprego. Mas por outro lado, os meus docinhos fazem-me falta, e eu já nem consigo viver sem eles.
Toda esta conversa tinha afligido Nuno. Sabia como o papá e a mamã estavam preocupados. Mas a ideia que lhe viera à cabeça de que não iria mais para a escola deixava-o animado. Não que não gostasse das aulas, e dos professores, apenas não gostava dos seus colegas. Desde pequeno Nuno foi gordinho e, por isso, foi ganhando alcunhas e mais alcunhas que descreviam a sua barriguinha saída, as suas coxas enchidas, e a sua face rechonchuda. Nuno não escondia a sua vontade enorme de comer, nem fazia dietas. O que ele mesmo gostava era chegar a casa, rodear-se de chocolates, gomas, bolos, leites chocolatados, e outras coisas recheadas de cacau e cobertas de calorias, diante da sua estimada playstation. Às vezes, ia para a sala e sentava-se no sofá assistindo filmes, desenhos animados, mas mal a sua mãe chegava, escondia a comida debaixo do sofá, ficando lá dias a fio. E por tanto pensar em doces, Nuno acabara por adormecer.



Capítulo III

Passaram-se três anos. A família Meirelles foi sobrevivendo às subidas dos preços, à distancia, à gula do filho, e à falta de tempo para António e Madalena estarem juntos. Há um ano atrás, quase se separaram. Esta vida desordenada e sem rumo trouxera-lhes discussões dias após dias, chegando mesmo Madalena a passar uns dias fora. Mas logo se arrependera e voltara para casa. Nuno cresceu, para o lado, a falta de atenção dos pais fez com que se refugiasse mais nos doces e de dia para dia a sua “dieta” foi aumentando. Agora pesa cento e vinte quilos e, por isso, encontra-se num plano específico para emagrecer, caso contrário passará os seus próximos anos agarrado a uma lista de espera para conseguir colocar uma banda gástrica. Beatriz arranjou trabalho por Espanha, para conseguir ajudar os pais com as despesas, mas quando seu pai arranjou trabalho logo se despediu. António trabalha agora noutra empresa têxtil como encarregado. Este trabalho trouxera-lhe uma nova felicidade a si e à sua família.


Fim
Cátia Sofia Carvalho Ferreira, nº 6, 11ºB