terça-feira, 23 de outubro de 2007

"ONZE MINUTOS"



"Onze Minutos" de Paulo Coelho, um livro desde logo aliciante pelo titulo, é um retrato não comum acerca do Mundo incrível da prostituição!

Ao viajar pelas primeiras páginas temos a possibilidade de descobrir apenas a infância de uma ciança/adolescente (que mais tarde se tornaria numa bonita mulher e trabalhadora, pelo menos até a visitar outros Mundos) parecida com a de tantas outras, a verdade é que, à medida que ia lendo, percebia que, de tais atitudes da protagonista (atitudes de uma mulher que vivia numa pequena aldeia no Brasil e que denotava uma inocência particular) consequências boas ou más iriam resultar certamente, pois quando a oportunidade de visitar uma cidade maior no Brasil surgiu, não foi capaz de rejeitar e quando conheceu pessoas que lhe prometiam uma vida melhor e não muito custosa, arriscou e mais tarde tornou- se prostituta!

"Maria" (a protagonista) talvez responda a alguma dúvidas que todos nós possamos certamente ter, perguntas que, para nós, não têm resposta possível, pelo menos até a ler este curioso livro! Afinal:

- O que leva alguém a cometer uma atitude aparentemente desesperada?

- O que de tão poderoso as prende a tão vergonhosa profissão?

- O porquê desse caminho?

- Será que existem objectivos de vida no cérebro de uma prostituta?

- Será que elas acreditam numa vida após a "morte"?

- Conseguirá uma "menina de rua" apaixonar-se ou apenas serão um objecto usado e deitado fora por várias pessoas?

- E o orgulho? Existirá orgulho de um dia terem sido "bonecas de divertimento"?

- E poderão essas mulheres destruidoras de lares, algum dia ser boas amigas, boas conselheiras ou boas mães?

- Seremos nós capazes de julgar um "mundo" que desconhecemos?
Ao ler o livro conseguimos perceber que estas pessoas que qualificamos de más e que jamais merecerão o nosso respeito são igualmente seres-humanos como qualquer um de nós....(pronto, seres-humanos com menos alguns neurónios) mas, pessoas que nasceram com o mesmo objectivo que todos nós: - Viver! Talvez seja justo ignorar estas pessoas por os mais vastos motivos, mas será justo ignorar a vida? -Ok, eu sei que isto não é vida para ninguém, mas a liberdade impõe-nos o direito de escolha!


Paulo Coelho, grande escritor, num grande livro, com uma linguagem acessível a todos, revelou um outro lado deste cruel Mundo, mostrou que a vida não é só feita para os professores, médicos, operários e empregadas de limpeza, a vida é de todos e de cada um e todos têm direito a ela da mesma forma. Este escritor e autor de já vários livros, propõe-nos um profunda reflexão acerca do "inqualificável" e "intolerável" cantinho "delas" e "deles" e passar-nos uma mensagem julgo eu ( mas quem sou eu?), importante!

Terminado o livro, dificilmente alguma pessoa poderá mudar de opinião acerca desta infeliz profissão, no entanto, talvez será interessante descobrir um Mundo tão obscuro, tão incompreendido e desrespeitado, interessante saber de um "monstruoso universo" que já existe há tanto tempo! Talvez as conclusões acerca deste livro e da suposta reflexão serão diferentes de pessoa para pessoa mas, já em jeito de conclusão, a minha é a seguinte: todos os direitos são iguais para todos sem qualquer tipo de discriminação, pois se tivessemos que punir as pessoas que fazem parte desta vida, não seriam só elas a sofrer, porque se pensarmos de forma clara e objectiva concluimos que, a profissão existe porque pessoas recorrem a ela, e pensando ainda melhor essas pessoas que "pagam" esta profissão, com uma grande família, com uma profissão de honra e por quem todos têm respeito, são tão tristes, como estas tristes pessoas que se vendem a troco daquele dinhero que qualquer um de nós pagou a consulta de clinica geral.

- Afinal, porque várias pessoas as discriminam e em momentos de solidão as procuram?

"Quem nunca errou que atire a primeira pedra!"


Camila Silva 11ºE

2 comentários:

Li disse...

Eu li este livro. Na minha opinião, achei-o um 'relato' muito "eufemistico" daquele que é o mundo da prostituição - agravada pela clandestinidade, neste caso. Porque na maior parte dos casos, as prostitutas de prostituição estigmatizada (ou seja, aquela que não é prostituição de luxo) têm histórias bem mais miseráveis, cruéis e violentas

Fátima Inácio Gomes disse...

Não li o livro, mas creio, Camila, que apresentas certos aspectos como grandes revelações do Paulo Coelho e que, para mim, são dados adquiridos. Há questões que levantas que, numa sociedade civilizada e pensante, não fazem sentido.
Contudo, percebo o teu ponto de vista.
Tens aí um trabalho trabalhoso :D é verdade.
Distancia-se, de algum modo, dos artigos críticos que estudamos, mas não pode deixar de ser considerado como tal. Faltaria, no caso, o título mais sugestivo e uma componente informativa introdutória.
Parabéns pelo esforço!