segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sou um evadido...



Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa

O ser humano orgulha-se de ser o único ser à face da Terra dotado de uma capacidade racional. Esta razão dá-nos uma liberdade imensa.
Contudo, o estatuto de ser humano traz também consigo inúmeras limitações. Ora vejamos: o Homem não tem asas, logo não consegue voar. Todavia, desde o início dos tempos que engenhos são construídos para que possamos vaguear por entre a brisa e descobrir os trilhos que delineiam o destino dos seres genuinamente voadores.
E a verdade é que conseguimos. Temos o avião, o foguetão e até saltamos de pára-quedas.
Outra das nossas grandes ambições era a descoberta do meio marinho. Não temos barbatanas, muito menos brânquias, mas isso não nos fez parar. Se o Homem quer, o Homem consegue!
Hoje em dia temos barcos, submarinos e equipamento de mergulho altamente sofisticado que nos permite mergulhar até muitos e muitos metros de profundidade.
Devem estar a pensar que me enganei e que em vez de estar a escrever sobre um poema de Fernando Pessoa estou a dissertar sobre as grandes descobertas da Humanidade.
Ambas são verdade, uma vez que o poema que escolhi fala sobre a necessidade que Pessoa tinha de desocupar a sua pessoa, ignorar as restrições inerentes à sua condição humana e partir à descoberta de outras que o preenchessem e o realizassem a cada momento.
Daí ele afirmar que é um “evadido” porque não ficou enclausurado nas grades de um comum dos mortais, nascido a 13 de Junho de 1888, pelas 15h20min, no Largo de S. Carlos em Lisboa, denominado Fernando António Nogueira Pessoa.
Não! Viver eternamente e sempre só com isto é demasiado incapacitante e cansativo.
Assim, ele não tem outra opção senão fugir, abandonar-se a si mesmo.
Todavia, a sua alma, o seu intelecto, procura saber o seu paradeiro, procura resgatá-lo e algemá-lo a uma espécie de bilhete de identidade que o tenta definir, mas não consegue porque não o deixa redefinir-se.
Deste modo, Pessoa foge, foge para bem longe porque sabe que a única forma de se encontrar é continuar em fuga. Ele sabe que “ser eu é não ser”.
Assim foi a vida deste foragido, uma vida construída não sobre a ânsia de saber quem é mas sim de viver quem está a ser a cada instante.

Tânia Daniela Teixeira Falcão, 12ºB

5 comentários:

Anónimo disse...

se a Francisca nao gostou, eu também não...

Anónimo disse...

estava a brincar :P

Anónimo disse...

Ai seu eu sei que foi...:P

Anónimo disse...

*se

Daniela Falcão disse...

Era só para fazer uma modificaçãozinha... o homem consegue mergulhar até muitos METROS de profundidade, não quilómetros... Esta bem que o Homém consegue muita coisa..mas assim já era aldrabar um bocadinho ahaH;D