quinta-feira, 28 de junho de 2007

As Palavras

As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade



Depois de ter lido muitos poemas, alguns também muito interessantes, acabei por me decidir por este, pois achei-o muito interessante.
O poema, tal como refere o título, fala sobre Palavras. O poeta fala das palavras como algo que pode tomar diferentes maneiras, serem vistas e sentidas, como algo que apenas toma as formas que as pessoas lhes derem.
As palavras podem viajar para longas distâncias, podem ser usadas de diferentes maneiras. Podemos usá-las para falar, para escrever uma carta, um artigo de jornal, um livro, um cartaz publicitário, etc.
Nós é que devemos dar às palavras o sentido que for mais apropriado.



Cátia Bogas 10ºC

"A Cidade dos Deuses Selvagens"


Ora aqui vai uma apreciação com dois meses de atraso!... mais vale tarde... :D



Li "A cidade dos deuses selvagens" da Isabel Allende. Apesar de não ser uma das minhas actividades favoritas (a leitura), gostei de ter lido este livro porque é um livro de aventuras. A personagem principal, Alexander Cold, um jovem americano, vê-se obrigado a acompanhar a sua avó, uma colaboradora do National Geographic Magazine,bastante extravagante,numa expedição à Amazónia. A mãe de Alexander está doente, as irmãs foram para casa dos outros avós e ele, que se interessa sobretudo por música (toca flauta transvesal, como eu), acaba por ir parar ao Brasil, ao meio da selva da Amazónia. Para além dos outros membros da expedição, conhece uma rapariga brasileira, Nádia, de quem fica amigo e com quem vai viver aventuras extraordinárias. Vão conhecer o "povo do nevoeiro"e ter de superar uma série de provas junto das Bestas, através das quais conseguem atingir um nível de espiritualidade. Alex torna-se o Jaguar e Nádia a Águia. Acabam por descobrir que, por trás da campanha de vacinação de que a expedição também estava encarregada, se escondia um plano para inocular uma doença contagiosa nos índios, o que iria permitir que as terras fossem exploradas pelos brancos. Alex regressa aos Estados Unidos diferente, com muito mais experiência e, até, com um remédio tradicional que vai experimentar na mãe.

O livro é muito movimentado e as personagens são interessantes e bem construídas. Fiquei a saber bastantes coisas sobre aAmazónia e sobre o problema dos índios brasileiros.




Rui Bonifácio, 10º C

O poeta chorava...

O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
nelas buscava Uma estrela   talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões
 
E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva
 
Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com mais requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta
O Poeta
O POETA DESTROI-VOS

Mário Cesariny



O que o poema nos diz é que o poeta era triste, pobre e era doente. O poeta também procurava a salvação da vida que levava mas no entanto era sincero e honesto, mas o poeta tinha também vergonha do que era.

Mas mesmo com as más condições em que vivia, o poeta também se ria(-se) com os "manutensores da afanosa ordem capitalista".

O poeta usa a poesia como um verme.

Conclusão

Neste poema podes falar da importância da poesia. Que a poesia acaba por ser uma arma, como Manuel Alegre afirmava.

Que as palavras ditas num poemas são o suficientemente fortes para atingirem para fazer passar uma mensagem mesmo que os outros não o queiram etc.

Cristiano Ferreira
10ºG

A esperança é a poesia da dor...


Pela voz contrafeita da poesia

Dá-nos os passos os teus passos
de manhã triunfal de cidade à solta
os gestos que devemos ter
quando a alegria descobrir os dedos
em que possa viver toda a vertigem
que trouxer da noite
os primeiros dedos do sonho
do teu sonho nosso sonho mantido
mesmo no mais íntimo abandono
mesmo contra as portas que sobre nós:
em silêncio e noite
em venenosa ternura
em murmúrio e reza
se fecharam já
mesmo contra os dias vorazes
que por todos os lados nos assaltam
e consomem
mesmo contra o descanso eterno
a viagem fácil
com que nos ameaçam vigiando
todo o percurso do nosso sono
interminável sono coração emparedado
no muro cruel da vida
desta que vivemos que morremos
assim esperando
assim sonhando
sonhando mesmo quando o sonho
ignorado recua até ao mais íntimo de cada um de nós
e é o gemido sem boca
a precária luz que nem aos olhos chega
 
Não digas o teu nome: ele é Esperança
vai até aos que sofrem sozinhos
à margem dos dias
e é a palavra que não escrevem
sobre as quatro paredes do tempo 
o admirável silêncio que os defende 
ou o sorriso o gesto a lágrima 
que deixam nas mãos fiéis
 
Não digas o teu nome: quem o não sabe
quem não sabe o teu nome de fogo
quem o não viu entrar na sua noite
de pobre animal doente 
e tomar conta dela
mesmo só pelo espaço de um sonho
 
O teu nome
até os objectos o sabem
quando nos pedem um uso diferente
os objectos tão gastos tão cansados
da circulação absurda a que os obrigam
 
As coisas também gritam por ti
 
E as cidades as cidades que morreram
na mesma curva exemplar do tempo
estão hoje em ti são hoje o teu nome
levantam-se contigo na vertigem
das ruas no tumulto das praças
na espera guerrilheira em que perfilas
o teu próprio sono
                            *
 Ah
onde estão os relógios que nos davam
o tempo generoso
os dedos virtuosos os pezinhos
musicais do tempo
as salas onde o luxo abria as asas 
e voava de cadeira em cadeira
de sorriso em sorriso
até cair exausto mas feliz
na almofada muito azul do sono
 
Onde está o amor a sublime
rosa que os amantes desfolhavam
tão alheios a tudo raptados
pela mão aristocrática do tempo
o amor feito nos braços no regaço
de um tempo fácil
perdulário
vosso
 
Hoje não é fácil o tempo
já não é vosso o tempo
viajantes do sonho que divide
doces irmãos da rosa
colunas do templo do Imóvel
prudentes amigos da vertigem
deliciados poetas duma angústia
sem vísceras reais
já não é vosso o tempo.
 
Noivas do invisível
não é vosso o tempo
Relógios do eterno
não é vosso o tempo
 
                           *
 Impossível
 
Impossível cantar-te
como cantei o amor adolescente
colorindo de ingenuidade
paisagens e figuras reduzindo-o
à mesma atmosfera rarefeita
do sonho sem percurso no real
Impossível tomar o íngreme caminho
da aventura mental
ou imaginar-te pelo fio estéril
da solitária imaginação
 
Tão-pouco desenhar-te como estrela
neste céu infame
dizer-te em linguagem de jornal
ou levar-te à emoção dos outros
pela voz contrafeita da poesia
 
Impossível
 
Impossível não tentar dizer-te
com as poucas palavras que nos ficam
da usura dos dias
do grotesco discurso que escutamos
proferimos
transidos de sonho no ramal do tempo
onde estamos como ervas
pedrinhas
coisas perfeitamente inúteis
pequenas conversas de ferrugem de musgo
queixas
questiúnculas
arrotos comoventes
 
                            *
 Mas de repente voltas
numa dor de esperança sem razão de ser
 
Da sua indiferença
agressivamente as coisas saem
Sentimo-nos cercados
ameaçados pelas coisas
e agora lamentamos o tempo perdido
a dispô-Ias a nosso favor
 
Porque é tempo de romper com tudo isto
é tempo de unir no mesmo gesto
o real e o sonho
é tempo de libertar as imagens as palavra!
das minas do sonho a que descemos
mineiros sonâmbulos da imaginação
 
É tempo de acordar nas trevas do real
na desolada promessa
do dia verdadeiro
 
                               *
 Nesta luz quase louca
que se prende aos telhados
às árvores aos cabelos das mulheres
aos olhos mais sombrios
falamos de ti do teu alto exemplo
e é com intimidade que o fazemos
falamos de ti como se fosses
a árvore mais luminosa
ou a mulher mais bela mais humana
que passasse por nós com os olhos da vertigem
arrastando toda a luz consigo



Alexandre O'Neil

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Vislumbro o negro tecto como quem se vicia no manto estrelado do céu. E já não é um negro tecto qualquer. Transmutou-se. Ecrã de movimento veloz transbordado pela cor dos pensamentos. Dependência deliciosa que a muito pouco sabe. Imprescindível, porém. Aniquiladora da inércia; portadora do conforto: a minha porta abre-se para ti amiúde, sem nunca se ter fechado de verdade. E não te atribuo o clamor de que és digna da forma perfeita, porque o meu ‘engenho e arte’ não mo permitem! Trocam-te pela Fé. Mas não eu! És a versão terrena, e como tal a minha predilecta. Estabeleces um laço inquebrantável – de tal forma rijo que, por vezes, desespera quantos tão presos a ti.

Ténue limiar que divide os resignados dos que batem o pé e não se deixam esmagar pela amargura nem pelos óbices com que se deparam, dos que se agarram a ti, vislumbrando o negro tecto como quem se vicia no manto estrelado do céu!

O poema. Pela voz contrafeita da poesia. Elegi-o de entre tantos outros, não por ser o mais belo, o mais complicado ou simples, mas porque me soou a um grito profundo de voz rebelada e sonhadora. Julguei ter perdido todos os cinco sentidos e ter petrificado. E mesmo a minha inspiração desfalece perante a magnitude das palavras, talvez embriagada pelas mesmas.

E estou longe de proceder a uma análise labutada do poema. (O meu texto até se relaciona bastante com ele. Ou pelo menos tive a pretensão disso.) Além de que me ensinaram inteligentemente que definir as coisas é impor-lhes barreiras. Construí-las não é o meu forte. E o meu maior objectivo é revelar esta pequenina relíquia, na quimérica esperança de que toque alguém, tanto quanto a mim.

A citação integral presente no título é A esperança é a poesia da dor, é a promessa eternamente suspensa diante dos olhos que choram e do coração que padece e pertence a Paolo Mantegazza [1831-1910].

A imagem, Esperança I, da autoria de Gustav Klimt [1862-1918].

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Os versos que te fiz - Florbela Espanca


Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem para te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!


Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!



Depois de ler tantos outros poemas, acabei por escolher postar “Os versos que te fiz” de Florbela Espanca. Primeiro porque gosto muito das obras da poetisa e depois porque achei este poema marcante face ao tema, o amor.
Florbela aborda muito a ideia de uns “lindos versos” que há para proferir ao seu amado. A maneira tão esperançosa e delicada em que ela descreve os versos oriundos da sua mente, referenciando a transparência destes ou até mesmo o objectivo de endoidecer o receptor, torna-se quase enternecedora.
Mas para mim, a parte que colmata mesmo este amor secreto, é a revelação da poetisa! Aquele amor existia, mas ao que tudo no poema indica, não era recíproco (pelo menos era ainda confidencial). Mas nem esse facto fez com que a esperança desaparecesse. E com esta revelação surge ainda uma promessa. A promessa de um beijo, no qual estão contidos esses “lindos versos”.
Quem sabe se depois desse beijo os “lindos versos” obtiveram uma “linda resposta”! Acho que a poetisa merecia, depois de se dedicar tanto a este amor!
=)
Sara Vila-Chã 10ºC nº22

Exílio


Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades


Sophia de Mello Andresen


Deste pequeno poema é possível tirar várias conclusões sobre a noção de liberdade. Para mim a liberdade e só a "coisa mais importante do mundo e daí a minha escolha ter recaído sobre este poema.
A liberdade ganha-se, mas também se perde com facilidade. Eu quero com isto dizer que, para sermos livres, não basta apenas conquistá-la, mas também saber mantê-la.
Na minha opnião, este poema demonstra essa perda e conquista da liberdade.
Quando um individuo, habituado a ter liberdade, de repente a perde, abate-se sobre ele a sensação que até o mais banal lugar lhe parece um paraiso e um local de refúgio do mundo.

Rafael Ferreira Nº12 10ºG

Poemas de Sophia...




ESTE É O TEMPO

Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam




25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo







Escolhi estes dois poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen porque, apesar de pequenos, dizem tudo e demonstram bem a diferença existente entre o tempo de ditadura e o tempo de liberdade. Na realidade, a ditadura está bem expressa em palavras como “selva obscura” em que o “ar azul se tornou grades”. As injustiças de um regime ditatorial estão presentes na “impura” luz do sol e na “noite” que é “densa de chacais”. Todas estas palavras têm uma conotação negativa, associada à angústia, à “amargura” e à renúncia dos homens.
Pelo contrário, o outro poema é todo ele um hino à liberdade. Em vez de noite temos a “madrugada”, um dia inteiro “inicial” e “limpo”, um começo em que tudo é possível, em que a inocência está presente e afastou a noite e toda a carga negativa a ela associada.






Rui Bonifácio, 10ºC

Ser poeta...


Ser poeta é ser mais alto,é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca


Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 deDezembro de 1930), baptizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, foi uma poetisa portuguesa. (Eu) Escolhi este poema por ser um poema que me marcou.“E é amar-te, assim, perdidamente.../ É seres alma, e sangue, e vida em mim / E dizê-lo cantando a toda a gente!”... Este terceto transmite uma “coisa” muito forte, transmite um ardente Amor, é por isso que Florbela tem o dom de transmitir este sentimento (Amor) de uma maneira muito forte.


Emília Oliveira Nº11 10ºB

Viver sempre também cansa

Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.


As paisagens não se transformam.
Não cai neve vermelha,
Não há flores que voem,
A lua não tem olhos
E ninguém vai pintar olhos à lua.


Tudo é igual, mecânico e exacto.


Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem riem e digerem
sem imaginação.



E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...


E obrigam-me a viver até à Morte!



Pois não era mais humano
Morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?



Ah! Se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.



Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
”Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.”

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
A Morte ainda menina no meu colo...


José Gomes Ferreira, Poeta Militante


Apesar de já ter sido estudado durante as nossas aulas, resolvi escolher este poema, uma vez que estou de acordo com aquilo que nos é transmitido através deste.
A meu ver, detalha as nossas vidas de uma forma diferente e espantosa. De facto, é bem verdade que chega a uma certa altura das nossas vidas e já sentimos que os nossos sonhos e objectivos estão praticamente atingidos e concretizados. Eu, como adolescente que sou, gosto de novas aventuras, de curiosidades, de novas experiências e “aflige-me” que um dia tudo isto possa desaparecer! É frustrante, mas a vida é mesmo assim!
Um outro ponto que também é abordado no poema é o facto do aspecto da Natureza não se alterar. Como é referido, o céu é sempre azul, chegando a atingir cores mais escuras, o sol também é sempre igual. Seria bom, de vez em quando, podermos alterar um pouco o aspecto das coisas. Desta forma, nada seria tão monótono.
Na minha opinião, o amor é o único sentimento capaz de nos trazer outras sensações. Eu acho que este sentimento tem o seu toque “especial”, na medida em que nos podemos tornar pessoas diferentes, encarando a vida de outra forma. Daí as coisas tomarem outro rumo.
Pois bem, espero que tenham ficado esclarecidos com a minha justificação. E José Gomes, adoro a tua maneira de interpretar a realidade!


Joana Cordeiro, 10ºA

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, vivo de rastos:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca


A escolha este poema deve-se, essencialmente, à minha “paixão” pela autora.
Como sou adepta do estilo romântico, sinto-me identificada com o poema. Creio que é uma das mais belas declarações de amor: pelas palavras, pela sonoridade, pela estrutura (o soneto- próprio do estilo Romântico), pelo conteúdo…
Indirectamente, através do poema, considero que o amor não é eterno, mas que cada vez que amamos este nos parece eterno. Algo que se identifica com a citação se Oscar Wilde: “ Toda vez que a gente ama é a única vez que a gente amou”.
O poema faz com que pense que, quando amamos, temos de descobrir o outro, pois todos nós temos um “misterioso livro” a desvendar.
Fica mais uma vez aprovado que, quando amamos, ficamos enlouquecidos.


Inês Fernandes 10ºG

A morte absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.


Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.


Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?


Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.


Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."


Morrer mais completamente ainda,
– Sem deixar sequer esse nome.


Manuel Bandeira


Optei por este poema porque a temática do mesmo despertou o meu interesse.
O sujeito poético demonstra uma enorme sensibilidade perante a morte, desmistificando-a e retirando-lhe a sua carga negativa. A morte, aqui, desprende-se totalmente da sua complexidade, no carácter físico e emocional, é também abordada de uma forma prática, e resolvendo as suas questões, que seriam, certamente, motivo de mágoa e que possuem grande carga emocional junto dos demais.
Foi esta magnífica forma de apresentação que fez com que o poema me tocasse e que me levou a apresentá-lo aqui diante de vocês.



Eva Castanheira 10ºG

"Quase"




Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é
a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que
me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.


Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.


Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no Outono.


Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra cobardia e falta coragem até pra ser feliz.


A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige, nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.


Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência,
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.


Prós erros há perdão; prós fracassos, chance;
prós amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando
porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu!!

Luís Fernando Veríssimo


Comentário

Escolhi este poema, porque concordo bastante com o poeta. Acho que as pessoas têm medo de arriscar na vida, daí o “quase” e a mensagem que tiro deste poema é mesmo essa: as pessoas deviam aproveitar mais a vida e tirar aqueles “fantasmas” que as impedem de viver. Não sei bem explicar porque razão gosto deste poema, mas acho que todos aqueles que o lerem vão tirar a mesma mensagem e tentar deixar de “quase” fazer e começar a agir mais.
(O poeta é brasileiro, como se pode verificar em algumas palavras apresentadas no poema).



Daniela Esteves, 10ºC

Amor é fogo...





Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;



É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;




É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.



Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?





Luís de Camões






(Eu) Escolhi este poema porque, para além de me tocar muito, de me dizer muito, é um poema único para mim. Este poema é uma das maiores maravilhas de Portugal, é uma obra que deve ser muito bem preservada, porque não há muitas tão boas como esta, pelo menos neste campo, a poesia. Também tenho uma grande admiração por este poeta, para mim, é o melhor poeta do nosso país.
Este poema fala-nos de uma coisa que é muito difícil de explicar e, com este poema, podemos ficar a perceber um bocadinho melhor o amor. Este poema tem uma linguagem muito própria, uma linguagem única, que deve ser apreciada e preservada por muitos e muitos anos.







Tiago Luso, 10ºC

terça-feira, 26 de junho de 2007

A Guerra



A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como todo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza
os pôs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as cousas pré-humanas, mesmo no homem!
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

de "Alberto Caeiro"

Eu selecionei este poema porque acho que Fernando Pessoa é um excelente escritor, e selecionei um poema de Alberto Caeiro, pois este é o meu heteronimo(autor que assina com um nome ficcionario) favorito.

Tiago Barbosa Nº25 Tª10B


As palavras

Palavras tantas vezes perseguidas
Palavras tantas vezes violadas
que não sabem cantar ajoelhadas
que não se rendem mesmo se feridas


Palavras tantas vezes proibidas
e no entanto as únicas espadas
que ferem sempre mesmo que quebradas
vencedores mesmo que vencidas.


Palavras por quem já fui cativo
na língua de Camões vos querem escravas
palavras com que canto e onde estou vivo.


Mas se tudo nos levam isto nos resta
estamos de pé dentro de vós palavras
nem outra glória há maior que esta .


Manuel Alegre
“O canto e as armas”



Elegi este poema pois é um dos poemas com um significado muito especial para mim, que me faz levar ao meu apogeu, que me faz ver que as palavras doem sempre mais do que uma facada ou que qualquer acto físico violento, porque a facada, ao contrário das palavras, sara e as cicatrizes acabam sempre por ter mais um significado estético. Mas as palavras têm vários sentidos que, por consequência, originam outros sentimentos como a alegria, a felicidade, a dúvida, ódio, o amor, etc.
Manuel Alegre, no poema, aborda claramente o antagonismo.
As palavras eram a única forma de se expressarem, eram as únicas armas, apesar de serem calcadas, feridas, desvalorizadas, mas sempre vencedoras.
Mesmo que este poema seja um retrato da ditadura, hoje, em democracia, as palavras também são as nossas armas, obviamente, de uma forma diferente .


Mariana Cassamá 10ºG

Soneto de Contrição




Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E
quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

______________________________________________

Este soneto foi escrito por um individuo que morreu há 27anos com 77 na altura… Vinicios Moraes, estudante graduado de Direito no Rio de Janeiro e de Literatura em Oxford. Mas isso foi-me completamente indiferente aquando da escolha desta obra de sintetizada grandeza colossal.

A primeira coisa que me veio à cabeça depois de o ter lido foi…maracujá… isto porque o nome que os ingleses deram a esta fruta, e a razão pela qual o fizeram, caracteriza perfeitamente a mecânica da alma do eu poético aquando da consumação da obra…

E voltando ao maracujá, “passion fruit”… isto porquê”???” perguntam-se, seguramente… Simples, é agridoce, tem um travo divinal a frescura e liberdade, mas com o preço de ser amargo ao ponto de nos deturpar as feições… Fruta da Paixão, traduzindo à letra… Isto porque, pelo que eu percebo de inglês, o termo “Passion”, normalmente traduzido simplesmente como “paixão”, não tem uma dimensão tão dramaticamente romântica como no congénere lusitano. Passion, é fazer ou viver algo com uma ardência desmesurada, quer seja a subida ao céu ou permanência no inferno, o que interessa é que o universo saiba que uma ínfima parte do seu todo acabou de mostrar a razão pela qual a miscelânea de energia que lhe deu origem fez tal coisa…Agir “a”passion”adamente” é a derradeira prova que podemos dar ao mundo que, de facto, merecemos a matéria que nos compõe…

Voltando ao belíssimo "Soneto da Contrição", o excerto que reflecte exactamente isto é, e passo a citar:

” Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino(…)”

Não interessa porquê…
Não interessa como…

É totalmente indiferente ao pobre mortal que, felizardamente por isto, passa retirar prazer ou colher desventura…

O que interessa é sentir, poder dizer face a um sorriso de deleite ou chaga incandescente: “raios, sei que estou vivo…”.



Bruno Senra

Nº3
10ºG

Alma Perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu da Dor, suavemente…
Talvez sejas a alma, a alma doente
D’alguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste… e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh’alma
Que eu chorasse perdida em tua voz!…


Florbela Espanca, Sonetos


O tema deste poema é o sofrimento amoroso. O sujeito poético começa por falar do rouxinol cujo sofrimento é descrito em crescendo, “chorou, / gemeu, rezou, gritou”, corroborado com o advérbio "perdidamente", que nos dá a ideia de um sofrimento contínuo, assim como a expressão “toda esta noite”. Ainda na primeira parte do poema, as duas quadras, o sujeito poético estabelece uma analogia entre o rouxinol, que revela o que lhe vai na alma, “alma de rouxinol”, e alguém, “alma de gente”, e interpreta esse sofrimento como um sofrimento amoroso “Talvez sejas a alma, a alma doente / D’alguém que quis amar e nunca amou!”.
Na segunda parte do poema, os dois tercetos, o sujeito poético identifica-se com o rouxinol “choraste… e eu chorei”. Essa identificação que começa a primeira parte do poema entre o rouxinol e “alguém”, continua com “tu” e “eu”, “choraste… e eu chorei” e atinge o auge nas expressões “ninguém é mais triste do que nós” e “pensei que tu eras a minh’alma / que eu chorasse perdida em tua voz”, ou seja, o choro, os gemidos, os gritos do rouxinol são a voz do sujeito poético que exprime o seu sofrimento. Daí o título “Alma Perdida”. O adjectivo “perdida” que surge no último verso e os advérbios da primeira quadra “perdidamente” e “suavemente”, dão-nos a ideia de um sofrimento contínuo, tanto a nível fónico, como a nível semântico.
Escolhi este poema porque me identifico muito com ele, e porque acho fantástica a maneira como está escrito.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Urgentemente



É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade


Comentário:

O poema fala-nos como é importante que as pessoas se deixem guiar pelas coisas boas da vida, que vão à procura da felicidade e que ponham um fim à guerra e a toda a tristeza que nos rodeia.
Diz-nos como é importante destruir o ódio, a solidão e a crueldade, destruir as espadas, que são símbolo de guerra e violência. E, de seguida, refere como é urgente construir a felicidade, a alegria, é urgente “descobrir rosas”, ou seja, beleza, harmonia, amor.
O poeta sente, tal como eu, a necessidade de viver num mundo melhor, num mundo repleto de felicidade e amor eliminando as coisas negativas que este tem e que todos estamos fartos de saber quais estas são. São mais as vezes em que ouvimos e vemos a infelicidade em que vivemos, e raras as vezes em que vivemos momentos felizes.
Porque sem amor e felicidade não há futuro nem harmonia no mundo.



João Faria 10º A

E TUDO ERA POSSÍVEL




Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer


Ruy Belo, Homem de Palavra[s]Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)


Escolhi este poema porque ao lê-lo achei que aquilo que ele transmite também se adequa àquilo que eu sinto em relação à idade da infância e à idade mais adulta. Considero que o poeta soube espressar as diferenças entre estas duas idades, entre o sonho e a felicidade da infância e a inexistência destes aspectos quando somos mais velhos.
Neste poema está expressa a dicotomia “antes” e “agora”. O “antes” corresponde à idade da infância e da juventude, que terminou no momento em que o sujeito poético decidiu sair de casa e viajar. Antes deste acontecimento, o “eu” conhecia a vida através da leitura e do acto de sonhar. Nesta idade, não havia preocupações e tudo era possível, bastava sonhar. O “rolo das manhãs” é símbolo de todos os possíveis e este existia na juventude do sujeito lírico.
Tudo isto surge por oposição à idade adulta, pois o antes “tudo era” deixa implícito que agora já nada é possível como era antigamente. Esta ideia é reforçada através do emprego do pretérito imperfeito, que reforça o sentido de felicidade durável, constante e ao mesmo tempo aproxima o sujeito do reino do “era uma vez”. Este tempo verbal é utilizado na referência à juventude, pois a idade adulta traz a instabilidade e não a constância.
Depois de viajar, o sujeito poético quase não consegue precisar o tempo da sua juventude dourada. No entanto, sabe que tinha o poder de uma criança, o poder de transformar toda a realidade. A viagem marca a transição para a idade adulta e, do ponto de vista simbólico, representa um trajecto de experiência activa, um momento de descoberta, de aprendizagem e de conhecimento. Descoberta e conhecimento de um mundo que nos rodeia, dos outros e de nós mesmos.
Em conclusão, neste poema, a ideia de viagem está ligada ao próprio acto de crescer, de descoberta de uma realidade que não era visível no mundo fantasioso da infância e da juventude: uma realidade bem mais amarga, onde o homem se conforta com as suas próprias limitações.


Ana Cristina, 10ºC

Saudades...



Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!


Florbela Espanca



Pediram-me para escolher um poema e dizer o que sinto quando o leio. E assim o fiz, não foi muito complicado, pois foi logo no primeiro clique, dei de caras com este poema de Florbela Espanca. A razão pela qual eu escolhi este poema foi pelo facto de estar a passar por uma situação parecida com a que o poema nos expressa. Todos os momentos e todos os sentimentos que ela descreve são exactamente aqueles que eu passei.
Aliás, penso que toda a gente, quando ler este poema, junto com este comentário, irá pensar que se trata de problemas de coração... talvez seja. Mas reconheço que este poema transmite da melhor maneira possível tudo aquilo que realmente sinto.


Ana Teresa, 10º C

Mar Português


Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!



Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa

_____________________________________________________
Decidir qual o poema a publicar foi, para mim, uma tarefa complicada, pois na busca de poemas para estudar para o último teste de português deparei-me com grandes poemas, de grandes autores, que de algum modo ficaram presentes na minha mente.

Contudo, o poema que publiquei não foi descoberto durante tal procura, este foi dado no ano passado, quando iniciamos o estudo d' "Os Lusíadas". Escolhi-o pela sua incomparável simplicidade e beleza e também pela sua sucessão de grandes frases: "Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!", "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", "Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor" e "Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu", que ficaram ao longo de anos marcadas em todos os portugueses.

Outro aspecto pelo qual fiquei maravilhado com este poema foi a referência ao mar, simultaneamente, espelho e abismo, onde a alma se perde no sonho e depois do sonho se reflecte num projecto de futuro esplendoroso espiritual e desligado da terra.

Outro dos temas que podemos destacar deste poema é o sofrimento e a dor contida por aqueles que vêem sua família partir sem regresso destinado e que, durante anos, não receberam qualquer notícia dos tão amados familiares que partiram. Pessoa vê assim, em quem empreende a viagem sem destino, o apocalipse e a perda de si mesmo, pois quem partiu foram apenas seres, seres que deixaram sua alma e seu ser em terra com todos aqueles que os amavam.

O poeta quer, então, a meu ver dizer que não interessa a ambição, mas sim o sonho, não interessa o destino, mas sim a viagem, não importa nada que se acabe na sua própria realização, porque nada que se consuma inteiramente pode ser eterna.



Luís Loureiro, 10ºB

AUSÊNCIA


Ausência


Num deserto sem água

Numa noite sem lua

Num país sem nome

Ou numa terra nua


Por maior que seja o desespero

Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.



Sophia de Mello Breyner Andresen




Escolhi este poema nem sei bem porquê: vi e pronto. Algo nele me chamou. Este poema chamou-me penso que foi graças ao vazio que me transmite, o factor da ausência de alguém querido ser mais importante do que a própria vida da pessoa que fica. Pois mesmo que estejas desesperado, a morrer, sem esperança para o futuro, ficará sempre na mente a dor da ausência da pessoa querida, acima das outras dores todas, físicas ou psicológicas.


Rui Lima, 10º C

Que poderei do mundo já querer...


Que poderei do mundo já querer,

que naquilo em que pus tamanho amor,

não vi senão desgosto e desamor

e morte, enfim, que mais não pode ser!


Pois vida me não farta de viver,

pois já sei que não mata grande dor,

se cousa há que mágoa dê maior,

eu a verei, que tudo posso ver.


A morte, a meu pesar, me assegurou

de quanto mal me vinha; já perdi

o que perder o medo me ensinou.


Na vida desamor somente vi,

na morte a grande dor que me ficou:

parece que para isto só nasci!


Luis de Camões



Escolhi este soneto de Luis Vaz de Camões porque acho qué é o que mais se identifica comigo,talvez por estar a viver momentos de desgosto e desamor, tal como o poeta viveu.

Não sei se é por estar nesta fase da minha vida (adolescência) ou se é mesmo o meu destino.... Gosto muito deste poema, porque é o que mais se caractiza comigo.



Ana Rita Costa, 10ºB


Ódio?!


Ódio?


Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,

Se tanto bem lhe quis no meu passado,

Se o encontrei depois de o ter sonhado,

Se à vida assim roubei todo o encanto...


Que importa se mentiu? E se hoje o pranto

Turva o meu triste olhar, marmorizado,

Olhar de monja, trágico, gelado

Como um soturno e enorme Campo Santo!


Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!

Quero senti-lo d’outra, bem distante,

Como se fora meu, calma e serena!


Ódio seria em mim saudade infinda,

Mágoa de o ter perdido, amor ainda.

Ódio por ele? Não... não vale a pena...



Florbela Espanca




O motivo que me levou a escolher este poema de Florbela Espanca, foi o facto deste falar de diversos sentimentos comuns a todas as pessoas, tais como, o ódio, o amor e a mentira.

Neste poema o ódio é encarado como uma forma de negar o amor. Como diz Raul Seixas, “O ódio não é real, é a ausência do amor”. Com este poema constatei que não vale a pena odiar as pessoas, se estas mentiram ou nos desiludiram, porque a amizade/o amor que temos por essa pessoa vai superar o ódio que por ela sentimos.


Eduarda Correia, 10º A

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Fundo do Mar




No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Andresen



(Eu) escolhi este poema porque este nos fala (-nos) do fundo do mar. E isto cria-me fascínio. A poetisa, neste, poema faz um retrato muito simbólico deste elemento que é o fundo do mar. Caracterizando-o como belo, tranquilo, harmonioso e sossegado.Contudo, Sophia não só caracteriza o fundo do mar com aspectos positivos. Na 4º estrofe vai (se) contrapor falando das ameaças que existem nele, "Tem um monstro em si suspenso".

Sophia cria dando-lhe um forma "desorganizada" tornando assim mais emocionante.




Luís Manuel, 10º C

"Viver Sempre Também Cansa"


Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul,nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.

As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olho
se ninguém vai pintar olhos à lua.


Tudo é igual, mecânico e exacto.


Ainda por cima os homens são os homens
.Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.

E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...

E obrigam-me a viver até à Morte!

Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando
,e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?

Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sob uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.

Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
«Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar

por uma bagatela.»


E virias depois, suavemente,

velar por mim, subtil e cuidadosa,

pé ante pé, não fosses acordar

a Morte ainda menina no meu colo...






José Gomes Ferreira




_______________________________




Bem, sei que não foi muito correcto da minha parte escolher um poema estudado na aula para postar, mas este foi um dos poucos poemas que se identificou mais comigo!
Achei fantástica a maneira como o sujeito poético falou da vida, dizendo até que nela
“Tudo é igual, mecânico e exacto”!
E a vida, realmente, é assim mesmo, algo de mecânico, é sempre tudo igual…
No fundo, tudo na vida não acontece porque nós queremos, mas sim, porque é assim que elas têm que acontecer!
Nascemos sem pedir, e ao longo da vida também nos deparamos com variadas situações que não pedimos. E desde o nosso nascimento já nos está destinada a morte!

Realmente, era bom poder morrer por uns dias!
Para “descansar” deste mundo ao qual pertencemos e que comanda a nossa vida, e depois nascer novamente, renascer “limpos” por dentro, ”frescos”, sem estas preocupações que atormentam nossas vidas!
Estou de acordo com esta ideia de que viver, também cansa…



Paulinha 10º G Nº 17

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo,
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.


Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
-Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.


Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha como o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão


A memória voou da minha frente.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte
Memória, amor e o resto onde estarão?


Deixo aqui meu corpo, entre o sal e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.


Cecília Meireles



Uma das razões que me levou à escolha deste poema foi o seu título, "Despedida".
Sabendo que uma despedida é sempre muito difícil e, que através dela, vão existir sentimentos de saudade, é algo que toca qualquer pessooa.
Para chegar a esta escolha, li anteriormente vários poemas da mesma autora que me fizeram reflectir sobre o modo como esta, através da sua escrita, nos faz sentir certos sentimentos.


Rosa Daniela 10ºG

Eu...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...


Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...


Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo para me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca


Escolhi este poema devido à carga sentimental que este contém, e à forma como a autora evidencia o papel da mulher portuguesa na sociedade, em inícios do século XX.
Na minha opinião, neste poema estão patentes dois traços que eram característicos da autora, a sua feminilidade, e a sua solidão no amor.

Florbela Espanca foi uma das pioneiras do movimento feminista em Portugal, e como consequência disso em algumas das suas obras podemos verificar um claro desejo de reconhecimento do sexo feminino, face às desigualdades sociais vividas na época.
Esta teve uma vida bastante conturbada e inquieta, passando por vários casamentos, alguns infelizes. A morte do seu irmão foi, digamos o “cume” de todos os desgostos que tinha tido anteriormente e a partir desse dia Florbela tentou o suicídio várias vezes.
É esta onda de sentimentos que dá toda a qualidade e mérito aos seus poemas.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Urgentemente


É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

Eu escolhi este poema de Eugénio de Andrade, porque é um poema que fala do Amor! Este poema diz que é urgente Amar! Certas palavras conotadas negativamente devem ser abolidas do nosso vocabulário. Palavras como
“ ódio, solidão e crueldade”... mas não devem ser só retiradas do nosso vocabulário, são actos que não devem ser mais praticados. Ligamos o nosso televisor e só vemos violência, violência todos os dias. Por isso se torna imperioso espalhar a palavra do Amor! Temos que reinventar a alegria, até nos momentos mais dolorosos.
É urgente a esperança do amor para todos!!

terça-feira, 19 de junho de 2007

Amor é...




Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões



Eu escolhi este poema de Luis Vaz de Camões, pelo facto de descrever o amor na perfeição.
O amor implica a passagem por distintos estados de espírito: no amor tanto vivemos num mundo cor-de-rosa, como tudo nos parece negro, por vezes magoa-nos, noutras, somos as pessoas mais felizes do mundo, e ainda podemos perder a pessoa que amamos.
O amor é uma inconstante nas nossas vidas.
Sobre o autor:
Camões teria nascido em Lisboa ou Alenquer por volta de 1524 ou 1525, de uma família de origem galega que se fixou primeiro no Norte (Chaves) e depois irradiou para Coimbra e Lisboa. Foi seu pai SimãoVaz de Camões e mãe Ana de Sá e Macedo. Por via paterna, Camões seria trineto do trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna, aparentado com o navegador Vasco da Gama.
Entre 1542 e 1545, viveu em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, conquistando fama de poeta, e feitio altivo. Viveu algum tempo em Coimbra, onde teria frequentado o curso deHumanidades, talvez no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha um tio padre D. Bento de Camões. Não há registos da passagem do poeta por Coimbra. Em todo o caso, a cultura refinada dos seus escritos torna a única universidade de Portugal do tempo como o lugar mais provável de seus estudos. Ligado à casa do Conde de Linhares, D. Francisco de Noronha, e talvez preceptor do filho D. António, segue para Ceuta em 1549 e por lá fica até 1551. Era uma aventura comum na carreira militar dos jovens, recordada na elegia Aquela que de amor descomedido.
Num cerco,teve um dos olhos vazados por uma seta pela fúria rara de Marte. Ainda assim, manteve as suas potencialidades de combate. De regresso a Lisboa, não tarda em retomar a vida boémia. São-lhe atribuídos vários amores, não só por damas da corte mas até pela própria irmã do Rei D. Manuel I. Teria caído em desgraça, a ponto de ser desterrado para Constância. Não há, porém, o menor fundamento documental. No dia do Corpo de Deus de 1552 entra numa rixa e fere um certo Gonçalo Borges. Preso, é libertado por carta régia de perdão de 7 de Março de 1553, embarcando para a Índia, na armada de Fernão Álvares Cabral, a 24 desse mesmo mês.


Melânia, 10º B

Ode à Paz




Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança,

Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,

Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,

Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,

deixa passar a Vida!


Natália Correia



A escritora, Natália Correia, nasceu em 1923 em São Miguel nos Açores. Fez os estudos secundários em Lisboa e em 1979 foi deputada da Assembleia da República. Foi fundadora da Frente Nacional para a Defesa da Cultura e interveio na defesa dos direitos humanos e principalmente nos direitos das mulheres.Escreveu vários poemas como “Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente” em 1981 e “A Pécora” em 1983. Escolhi este poema porque aborda um dos graves problemas do mundo é falta de paz e de compreensão para com os outros. Este poema mostra porque nós devemos ter paz.
Com paz todos nós podemos ser felizes e ter uma vida boa.
“Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,(…)” estes dois versos mostram o que em muitas famílias acontece:os filhos vão para a guerra e morrem porque não existe paz e as mães choram pelos seus filhos.
Nos últimos sete versos, a poetisa faz como que uma invocação a Deus para que haja paz. São várias as invocações como “ó paz”, “ó benigna”, “Ó Santa” e “ó talismã”.



Rui Costa, 10º A