segunda-feira, 25 de junho de 2007

E TUDO ERA POSSÍVEL




Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer


Ruy Belo, Homem de Palavra[s]Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)


Escolhi este poema porque ao lê-lo achei que aquilo que ele transmite também se adequa àquilo que eu sinto em relação à idade da infância e à idade mais adulta. Considero que o poeta soube espressar as diferenças entre estas duas idades, entre o sonho e a felicidade da infância e a inexistência destes aspectos quando somos mais velhos.
Neste poema está expressa a dicotomia “antes” e “agora”. O “antes” corresponde à idade da infância e da juventude, que terminou no momento em que o sujeito poético decidiu sair de casa e viajar. Antes deste acontecimento, o “eu” conhecia a vida através da leitura e do acto de sonhar. Nesta idade, não havia preocupações e tudo era possível, bastava sonhar. O “rolo das manhãs” é símbolo de todos os possíveis e este existia na juventude do sujeito lírico.
Tudo isto surge por oposição à idade adulta, pois o antes “tudo era” deixa implícito que agora já nada é possível como era antigamente. Esta ideia é reforçada através do emprego do pretérito imperfeito, que reforça o sentido de felicidade durável, constante e ao mesmo tempo aproxima o sujeito do reino do “era uma vez”. Este tempo verbal é utilizado na referência à juventude, pois a idade adulta traz a instabilidade e não a constância.
Depois de viajar, o sujeito poético quase não consegue precisar o tempo da sua juventude dourada. No entanto, sabe que tinha o poder de uma criança, o poder de transformar toda a realidade. A viagem marca a transição para a idade adulta e, do ponto de vista simbólico, representa um trajecto de experiência activa, um momento de descoberta, de aprendizagem e de conhecimento. Descoberta e conhecimento de um mundo que nos rodeia, dos outros e de nós mesmos.
Em conclusão, neste poema, a ideia de viagem está ligada ao próprio acto de crescer, de descoberta de uma realidade que não era visível no mundo fantasioso da infância e da juventude: uma realidade bem mais amarga, onde o homem se conforta com as suas próprias limitações.


Ana Cristina, 10ºC

4 comentários:

Fátima Inácio Gomes disse...

A análise está MUITO boa!!! Cuidada, aprofundada e com grande qualidade.
Parabéns, Cristina!

Anónimo disse...

A análise ao poema foi plagiada de uma manual do 10.º Ano - Ser em Português 10 - Livro do professor.

Fátima Inácio Gomes disse...

No de há cinco anos atrás?...
Bem, parafraseando o título, tudo é possível.
O plágio, particularmente em tempos de acesso tão universal a informação variada e de variada origem, tem-se tornado uma praga moderna... a vacina só poderá ser a da honestidade, em doses largas.

Anónimo disse...

Plágio não presta. Quem faz plágio é uma pessoa falsa.