terça-feira, 18 de setembro de 2012

Homenagem a Teresa Horta




Não só de poemas (superiores, desafiantes) se faz esta Mulher.
Ela é um exemplo de coerência e de cidadania.
Ela é aquilo que cada português deveria ser: corajoso, digno, pensante, com valores humanizados.



Por isso, recordo estes seus versos, de 1963! A coerência é isto: quase 40 anos depois, recusa-se a que o seu discurso seja "conivente":

"(...)

E se palavras tenho
como armas
moldando-as uma a uma
consciente
é de habitá-las hoje
que suponho não mais poder
usá-las conivente"

                        (poema "Palavras", in Amor Habitado, 1963)





Presto-lhe homenagem por esta notícia de hoje:

http://www.publico.pt/Cultura/maria-teresa-horta-recusase-a-receber-premio-d-dinis-das-maos-de-passos-coelho--1563564

Presto-lha, com um poema seu:


Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.




E uma pequena entrevista:


terça-feira, 24 de julho de 2012

Do amor...




     O que falar sobre o amor? Há tanta coisa e ao mesmo tempo nada… Os temas mais falados e mais complexos são os mais complicados de se escrever, pelo menos para mim. Representam um grande desafio, pois com tantas informações já disponíveis em relação ao tal assunto, temo cair em repetição. Porém, nunca tive uma atração pela facilidade, por isso insisto no amor.
     Como é possível que apenas quatro letrinhas juntas possam ter um significado tão grande e representar o melhor e mais poderoso de todos os sentimentos existentes? É isso que me fascina na escrita, a capacidade da junção de letras que se transformam em palavras extraordinárias e indispensáveis para a nossa existência.
     Tal como sabemos, o amor trata-se de um sentimento e como tal, é abstrato, logo, não palpável. No dicionário consta que amor é a afeição viva por alguém ou por alguma coisa, havendo várias formas de amar/amor. E é sobre este último que me vou focar, as diferentes formas de amor. Mas antes disso, tenho que fazer um aparte e relembrar que estou a falar de amor e não de paixão, normalmente as pessoas confundem estes dois conceitos... Paixão é aquilo que sentimos ao olhar, é algo momentâneo, que passa em pouco tempo. Relações cuja base é a paixão não duram muito. Já o amor é infinito. Uma vez que se ama alguém/algo, amar-se-á eternamente, aconteça o que acontecer, o sentimento estará sempre connosco. O amor, cada dia que passa, torna-se mais raro mas as pessoas confundem-no constantemente com a paixão, por isso não notam a sua escassez e isto incomoda-me imenso! Contudo, já estou a entrar em outro tema que, embora traga muita discussão e seja muito apelativo, não é o meu tema principal desta vez, por isso chega de divagar! Vamos voltar ao assunto principal… e qual era mesmo? Ah, diferentes formas de amor, exatamente. Bom, certamente já sabem que há diversas formas de amor, embora sei que algumas estão mais esquecidas que outras, por isso vou tentar relembrá-las uma a uma.
     Há o amor entre membros duma família: pais/filhos, avós/netos, tios/afilhados, etc. O mais caricato neste tipo de amor é que, mesmo que haja um problema, uma discussão grave que leve a rompimentos e cortes nas relações, passado um tempo, a família voltará a unir-se. A duração temporal varia de família em família, mas uma coisa é certa: mais cedo ou mais tarde retornarão a ser a mesma família de sempre. É a prova de que laços de sangue jamais serão quebrados, não importa o que aconteça.
     Também há o amor platónico… Platónico vem de Platão, filósofo grego que defendia que a arte de filosofar vem da admiração. Então tudo que desperta a admiração, sem outras consequências que não seja o ato de admirar, ficou conhecido por platónico. As pessoas tendem a classificar este tipo de amor como um amor impossível. Nada disso. O amor platónico consiste num amor que nasce da admiração, um amor com ausência de relacionamento físico.
     E já que falei em relacionamento físico, mencionarei agora o amor entre um casal ou amor entre amantes. Este tipo de amor é, talvez, o mais conhecido e mais falado. É este amor que muitas vezes é confundido com a paixão, como disse acima. É o único tipo de amor que envolve relacionamento físico, onde existe romance. Pode ser um amor entre pessoas de sexo diferente ou do mesmo sexo, trata-se de encontrarmos a nossa alma-gémea, a nossa cara-metade ou como lhe queiram chamar.
     Outro tipo de amor é o amor por algo que nos mova, como uma lema de vida: o amor à fé, à vida, ou a uma profissão. Ainda outro tipo de amor… O amor entre amigos. Sim, entre amigos. Este tipo de amor é o mais difícil de se encontrar e o menos compreendido. A maioria das pessoas com mais idade não acredita nesta forma de amor, mas não os censuro. A culpa é nossa, dos jovens. Dois jovens num dia são capazes de dizer várias vezes “amo-te” um ao outro e depois nunca mais se falarem. Trata-se da banalização do termo amigo. Os adolescentes fazem a distinção entre melhores amigos e amigos quando deviam fazer a distinção entre amigos e conhecidos. Isso de "melhor amigo" não existe, meus caros. Ou se é amigo ou não. O que vocês definem como melhor amigo é, sem tirar nem pôr, a definição de amigo. E o que vocês definem como amigo é a definição de conhecido. Conhecidos temos às dezenas. Já os amigos contam-se com os dedos das mãos. Por favor, não baralhem os termos! Graças a nós, este tipo de amor está cada vez mais desgastado e desacreditado. O amor entre amigos existe, SIM. Apenas depende de cada um de nós (neste tipo de amor também está incluído os nossos animais de estimação, pois não deixam de ser nossos amigos).
     Por último, mas não menos importante (antes pelo contrário), está o amor-próprio. Confesso que este é o meu tipo de amor preferido e com o qual tenho aprendido muito ultimamente, por isso não me condenem se me alongar um pouco mais aqui. Em todos os diferentes tipos de amor, este tem que ser o primeiro e o mais importante durante toda a nossa vida. Todos sabemos que é importante gostarmos de nós mesmos, mas nem sempre está clara a definição de amor-próprio. Trata-se de amar a nós próprios, não podemos amar os outros sem antes nos amarmos a nós mesmos. Porém, gostarmos de nós não é olhar apenas para o próprio umbigo e muito menos implica que nos centremos apenas na satisfação das próprias necessidades, por isso não pode ser confundido com egoísmo ou egocentrismo. Uma pessoa que gosta de si mesma não tem que ver satisfeitos todos os seus desejos, nem está permanentemente em estado de euforia. Mas amar a si mesmo é um requisito fundamental para sermos felizes. Aquele que não se ama a si próprio, não reconhece em si qualidades e talentos e se acha inferior aos outros, dificilmente conseguirá amar verdadeiramente outra pessoa, pois o seu amor será sempre revestido de medo. Com o amor-próprio descobrimo-nos a nós mesmos e percebemos que a nossa felicidade depende unicamente de nós. “O amor começa com você mesmo, assim ele pode se espalhar. Ele vai se espalhando a sua própria maneira; você não precisa fazer nada para espalhá-lo. Ame-se a si mesmo” (Buda).

     Estes são os diferentes tipos de amor e tudo o que amamos de verdade irá encaixar-se num destes tipos. Caso contrário, é qualquer coisa menos amor. Existem termos como: amor doentio, amor possessivo, amor egoísta ou amor não-correspondido - classificá-los como amor é completamente errado. O amor é, como já referi, o melhor sentimento que existe, logo traz-nos coisas boas e nunca algo mau. É um sentimento que fala do bem-querer, sendo possível amar qualquer ser vivo ou objeto, seja o que for, desde que seja um sentimento nobre, que traga apenas bons sentimentos para a alma humana.



Mayara

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Boas férias!... logo que acabem os exames :)



Citando o nosso Cesário, "aquilo que me preocupa é o que me rodeia" e, creiam ou não, muito do que vos preocupa também me preocupa a mim, falando das aulas de Português.
Gozem estas férias... avizinha-se a vossa reta final. E, satisfeitos ou não com aquilo que vos põem no prato, a verdade é que é esse o menu que terão à mesa dos exames.  Tenho tentado dar-vos essa ementa em doses pequeninas, mas vão levar com ela até ao fim :) como o óleo de fígado de bacalhau que os pais de outros tempos impingiam aos filhos...
E, por tudo isto, não resisto em deixar-vos o texto de uma escritora dos nossos tempos, que tive o privilégio de ter como professora.

E deixo-vos já a minha mensagem final: contra os Adamastores que se erguem nas aulas, por força dos programas, ou por incompetência dos professores, amem sempre a Literatura ;-)



Teolinda Gersão
Escritora

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam, e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.

Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.


João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática

sábado, 26 de maio de 2012

"A mim o que me preocupa é o que me rodeia" - a irreflexão



A mim o que me preocupa é o que me rodeia, e está tudo dito! Por vezes olho à minha volta e questiono-me várias vezes “O que é que aquela pessoa esta a fazer? Como é que aquela pessoa tem coragem para fazer isto? Será que ela tem noção do que faz?”, e depois chego à conclusão que essas pessoas não têm mesmo noção do que fazem, porque cometem o mesmo erro uma, e outra vez, e depois de errarem, voltam a errar, pensando que têm razão. Quando me encontro perante isto, só me apetece ir conversar com essas pessoas e explicar-lhes que o que fizeram não está correto. E é mesmo isso que eu faço, mas a ignorância é tanta que, como se costuma dizer, “entra a 100 e sai a 200”.
Esta é uma preocupação que eu tenho e que toda a gente deveria ter, mas para ser sincero, por vezes é bom observar estas situações, porque é assim que uma pessoa aprende a fazer o que está mais correto e, acima de tudo, a pensar antes de tomar certas atitudes e de deixar escapar certas palavras, o que é muito importante, principalmente para ter pessoas que nos amam, e que gostam de estar a nosso lado. Não é fácil ser amado por alguém, mas ser detestado, isso é muito fácil, e é por esse caminho que certas pessoas caminham, e dói-me profundamente assistir a isso, porque desta maneira não se fazem grandes amizades, e o objetivo de uma vida é conseguir encontrar o amor, e é para aqui que toda a gente tem que rumar. Se não seguirmos este caminho, quando chegarmos ao fim da nossa vida, vamos sentir-nos sozinhos, isolados do mundo e, nesse momento, é atingido o patamar máximo de infelicidade e de frustração.
Isto serve como desabafo, e serve também para todas as pessoas que lerem isto, para que reflitam e vejam se as decisões que tomam são as mais acertadas, e se não forem, comecem a remendá-las.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
Vivam a vida da forma mais correta para no final não se arrependerem.


Raul Peixoto

sábado, 12 de maio de 2012

“A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” – Paraíso.


Paraíso: será que existes mesmo?


Um dia destes, tive uma discussão bastante agradável com um colega, na qual discutimos vários assuntos sobre a religião, a ciência e a filosofia. No meio da discussão falámos sobre o paraíso apresentado pela religião católica e chegámos a conclusões que me deixaram bastante preocupado (porque o que existe para além da morte, ou o que não existe, é uma matéria que preocupa muita gente, incluindo a mim) e daí desenvolvi o seguinte raciocínio (que não deixa de ser subjetivo e por isso sujeito a falhas):
Se deus é o exponencial máximo de perfeição no que toca a um ser, então o paraíso é o exponencial máximo de perfeição no que toca a um lugar.
Mas será que tal coisa existe? Será que é possível considerar sequer que existe algo perfeito seja isso um lugar, um ser, um momento…?
Penso que depende da maneira como empregamos a palavra: se considerarmos o conceito de que algo perfeito significa que não lhe falta nada (não é isto o conceito de completo?) então isso não é possível. Até porque mesmo não faltando nada (pois eu acredito que todos nós temos dentro de nós tudo para sermos perfeitos) isso não quer dizer que não existam outras coisas para além do que não poderia faltar – algo perfeito significa então, algo ao qual não falta nada e que não está sujeito a “extras” dispensáveis. Então, porquê esta crença que existe dentro de mim? Porquê esta noção tão óbvia e, no entanto, tão abstrata de perfeição? Sim, porque mesmo sabendo dizer que falta isto ou aquilo para algo ser perfeito, como posso eu saber tal coisa, se eu nunca vi esse objeto ao qual não faltaria nada?
Só vejo uma saída para este problema: a perfeição é algo que existe apenas na nossa mente. Uma projeção daquilo que nós (e por isto uma projeção subjetiva, fazendo do conceito de perfeição subjetivo) achamos que iria ser um momento completo, onde não faltaria nada, ou até mesmo perfeito. E será isto possível? Seria possível se nós fossemos donos de um poder sobrenatural: se o que comandasse todo o desenvolver do mundo fosse nada mais do que apenas a nossa vontade, ou seja, se tudo fosse como nós queríamos. Mas acontece que não é.
E é por isto… É por isto que o meu paraíso só existe na minha mente. Porque nele tu estás comigo e de facto importas-te comigo, gostas de mim. E nesse paraíso não existem outras variáveis, outros problemas. Existimos tu e eu. E só isso chega para tudo o resto existir, fluir.
Por isto é que o meu paraíso é algo que nunca pode ser verdade, porque é egoísta. É centrado em mim, pois eu sei muito bem que se tu pudesses fazer vingar o teu paraíso ele não se aproximaria nem um pouco do meu. E é também por isto que um paraíso ou mesmo um momento completo é quase impossível: Pois somos pessoas diferentes, que queremos coisas diferentes.
A única saída para um paraíso na Terra (sim, porque um paraíso não tem de ficar noutro planeta, noutra dimensão – só ficam quando não são possíveis) é quando todos os envolvidos quererem exatamente o mesmo. Caso contrário tem de se contentar com um exponencial não tão bom como o que poderiam ter.

"Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam." - Marcel Proust


Hugo Gonçalves, 11º A

"A mim o que me preocupa é o que me rodeia"


Revelou-se mais difícil do que esperava, falar sobre o que me preocupa na sociedade…  À primeira vista, eu achei que iria ser bastante fácil escrever sobre o que me preocupava, também porque eu passo a vida a queixar-me disto e daquilo. A diferença entre saber o que me faz queixar e saber o que me preocupa (neste caso, na sociedade) não me parecia ser assim tão grande, mas revelou-se que o é.
Quando estava a tentar inspirar-me, ocorreu-me falar de um assunto que surgiu nas palavras de um homem velhote que estava a olhar para a televisão, com  um ar de quem tivesse sofrido um ultraje, e também com uma pitada de deceção no seu rosto. Este homem estava a falar dos políticos, e só dizia um monte de palavras nada a favor dos políticos… Estas palavras fizeram-me pensar na falta de confiança que nós temos em nós próprios e nas pessoas à nossa volta, neste caso, nos políticos. O mundo não confia nos seus líderes, sejam eles políticos ou homens de negócio. A maior razão desta desconfiança é a desonestidade e a corrupção vista pelos olhos do povo, e em alguns casos, comprovada. No final de contas, o velhote do café não confia nos seus líderes, porque este homem já não consegues confiar neles, porque estes ou outros similares a estes (sim, porque chega a dada altura, já é mais uma questão de fama),  uma  vez na vida do tal homem, lhe fizeram alguma… Isto também acontece no dia-a-dia normal, não precisamos de políticos para que isto aconteça, as pessoas não confiam umas nas outras, porque têm medo de serem traídas, ou então, gozadas, ou até, satirizadas por serem elas mesmas. A meu ver, é bastante complicado viver desta maneira, é quase como se tivéssemos uma “toupeira” no nosso quotidiano e não pudéssemos confiar em ninguém. E voltando aos políticos outra vez, como esperamos passar esta crise, se nem confiamos nos nossos líderes? Não me parece sequer possível…. Ao ver isto faz-me lembrar todos os filmes ou sequelas de ação que vi, é que há sempre alguém, o tão aclamado Herói, que consegue, com as suas palavras ou com os seus atos, ganhar a confiança dos seus seguidores, ou até, partindo para outro exemplo, Cristo teve uma quantidade considerável de seguidores, em tempos da era Romana, em que estes já tinham uma religião com bastantes pessoas (claro que não abonava a favor dos romanos, o fato de terem tantas colónias, algumas destas que já tinham religião,  e nunca é fácil fazer outras pessoas mudarem as suas crenças), mesmo assim, Cristo apelou aos seus apóstolos e ganhou a confiança deles. Com estes exemplos eu pretendo apenas vincar que nós precisamos de confiar nas pessoas, tanto nos políticos, como nas pessoas que estão a nossa volta, se queremos viver a vida na paz, sem inseguranças e sem medos.
Já agora também há uma coisa que tem uma importância enorme, cada pessoa antes de confiar no próximo, tem de ter confiança em si mesma, e acreditar em si mesmas. “Se eu não gostar de mim, quem gostará?” (slogan da L’Oreal). 



Tiago Barros, 11º A

"A mim o que me preocupa é o que me rodeia" - o ideal de beleza




As mulheres sempre foram as mais preocupadas com a aparência e a sociedade sempre delineou a “mulher ideal”, ou também chamado de ideal de beleza. O que é este ideal de beleza? Ideal de beleza é um “padrão”, estabelecido pela sociedade, utilizado para definir o corpo perfeito, quer feminino quer masculino. Visto que as mulheres sempre se preocuparam com a sua aparência, por vezes até demais, são elas que procuram atingir este padrão mesmo que isso possa, por vezes, ser prejudicial à sua saúde.
O “problema” é que este ideal muda, de tempos em tempos, por diversas razões. Por exemplo, ainda há pouco tempo a mulher ideal possuía uns quilinhos a mais, pois gordura era formosura, mas devido a novas descobertas na área da saúde, ficou a saber-se que estes quilos a mais eram prejudiciais a saúde e o ideal de beleza foi alterado radicalmente. Já nas décadas de 40/50 este padrão foi novamente alterado e tornou-se a nova “moda” ser como as mulheres que posavam para as revistas e calendários da época, sendo um exemplo desse a padrão a sex-symbol Marilyn Monroe. Já na década de 90 este padrão foi novamente alterado para o chamado de “culto da magreza”. Este ideal foi estabelecido pelas mulheres que desfilavam nas passarelas que possuíam corpos extremamente magros mas que eram considerados perfeitos.
Será que, à medida que o tempo passa e a medicina evolui, este ideal vai regredir e pôr, cada vez mais, em causa a saúde daqueles que ambicionam seguir o mundo da moda, tendo, para isso, que se tornar “perfeitos”?
Na minha opinião, este ideal devia ser “apagado” pois, apesar da beleza exterior ser muito valorizada, cada pessoa tem o seu ideal de beleza e, o que fica bem em algumas mulheres pode não ficar noutras, mas o que me preocupa ainda mais, é o facto de cada vez mais mulheres procurarem seguir este ideal, mesmo sabendo que isso terá consequências negativas na sua saúde. E mais, será que as mulheres não conseguem perceber por elas próprias que este ideal pode, para muitos homens, estar “errado”? Mulheres, aprendam a valorizar-se e ignorem estas “modas” que não fazem sentido.


Pedro Miguel, 11º A


A mim o que me rodeia é o que me preocupa – KONY

“A mim o que me rodeia é o que me preocupa” – KONY



Hoje em dia, ensinamos as nossas crianças a se tornarem indivíduos perspicazes e capazes de aguentar as adversidades da vida, ensinamo-las a serem fortes, porque a sociedade devora todos aqueles que mostrarem sinais de fraqueza. Independência, astúcia e sentido de oportunidade são características essenciais para a sobrevivência dos tempos modernos.
Já todos nós, de algum modo, sabemos que o Mundo é corrupto; pode ter sido através de relatos ou através das nossas próprias experiências. Facto é que o Mundo é um lugar onde impera muitas vezes a injustiça. Facto é que a sociedade é uma obra em plena construção e em constante evolução, mas não quero com isto dizer que tem de algum modo vindo a melhorar. O Homem continua a ser um ser vil, enganador e sangrento. Apesar de se auto- intitular uma espécie inteligente, na verdade, não difere muito dos outros animais, pois também a sociedade humana é regida pela lei da selva, onde impera o mais forte. É certo que, para se distrair, o Homem cria histórias em que o Mundo é perfeito, em que o próprio Homem é perfeito. Onde não há maldade, onde apenas existe harmonia e felicidade.
Porém, todos sabemos que contos de fadas não existem; apenas existe a realidade e nós. E nós nunca fizemos nada para mudar a nossa realidade. Nós nunca fizemos, até 2012. Pois este é o ano em que o Homem vai dar um pequeno passo para um rumo melhor, vai ser o ano em que a justiça vai prevalecer e vai ser o ano em que, finalmente, mostramos às nossas crianças que afinal o Mundo não é um campo de batalha e cujo nosso único propósito não é singrar a todo custo. Este vai ser o ano em que a Humanidade se vai juntar para eliminar uma fracção de todo o mal que existe. Vamos mostrar às nossas crianças e a nós próprios que, afinal, o bem vence o mal e que não há nada de mal em ter fé num mundo melhor, pois isso não fará de nós pessoas inferiores ou mais fracas. Este será o ano em que todas as pessoas marcarão a sua presença na luta que, certamente, irá marcar as nossas vidas; não só pelo facto de eliminarmos um criminoso, mas pelo facto de sabermos que tornámos o Mundo um lugar melhor.
Joseph Kony, para além de ser o criminoso mais procurado do mundo devido aos seus hediondos crimes, em que durante 26 anos raptou mais de 30 000 crianças para se tornarem seus soldados, apenas para estabelecer o seu próprio poder, representa para todos nós um ponto de viragem. Porque vai ser este ano, 2012, em que o Homem vai capturar e travar Joseph Kony e com isso restabelecer um pouco da paz por que todos ansiamos. Vai ser o ano em que iremos fazer história, através da união e da persistência, ao travarmos um vilão e toda a sua crueldade. Podemos não ser o Super-Homem ou o Batman, podemos não possuir qualquer poder especial que nos torne heróis, mas temos a capacidade de nos unir e de lutar todos pela mesma causa. Lutaremos pela justiça e por um futuro melhor para nós e para os nossos filhos. Este ano, vai ser o ano em que a Humanidade vai ser testada, e o destino está nas mãos de cada um de nós.
Joseph Kony representa um grito de alerta para todos nós; representa todo o mal actual da sociedade, o poder, a corrupção, a guerra, a morte, e está na hora de todos nós mudarmos a mentalidade humana. Já todos nós sofremos das atrocidades que o Homem é capaz de fazer, e a prova disso está na história da Humanidade. 2012 será o ano em que iremos provar a nós próprios que não é apenas nos romances que o bem vence, porque 2012 ensinar-nos-á que podemos mudar o nosso destino se assim o desejarmos.
Iremos provar que afinal há esperança para a Humanidade.



Reportagem Kony 2012- duração 30 minutos
 (legendado)


Angêla, 12º A

terça-feira, 1 de maio de 2012

"A mim, o que me preocupa é o que me rodeia" - a desumanidade



Preocupação:
s. f.
 
  1. Estado de um espírito ocupado por uma ideia fixa a ponto de não prestar atenção a nada mais.
  2. Inquietação.
  3. Desassossego.
  4. Pressentimento triste.


Muito honestamente, e porque o tema exige honestidade, não gosto de falar do que me preocupa, muito pelo contrário, prefiro nem demorar o pensamento por essas paragens.
O que nos rodeia, o que vemos e sabemos, preocupa-nos, pelo menos à maioria. E o que sabemos tira-nos o sono; o que não sabemos, não. Mas a mim tira-me o sono saber que há coisas que eu não sei e, mais que isso, saber que se eu as soubesse, elas me tirariam o sono.
Não há nenhuma circunstância na realidade que me preocupe, é esta mesma realidade que me preocupa, todo este egoísmo a que soa a palavra Humanidade. Admito, perdi a fé na Humanidade. As pessoas não são apenas aquilo que o mundo fez delas, ou o que as outras pessoas fizeram delas; são igualmente o que decidiram fazer com isso. Podemos sempre ser melhores, basta querermos. Mas hoje em dia ninguém parece querer… O conceito de indivíduo tornou-se a nova máxima. Pensamos sempre em nós primeiro e só depois nos outros, como se as duas coisas fossem inconciliáveis. Desistimos facilmente das relações com os outros, logo às primeiras contrariedades, por não sermos capazes de fazer sacrifícios, de ceder, de pensar um pouco no outro também. Parece que toda a ideia de relacionamento traz mais a perder que a ganhar.
E isto preocupa-me porque um dia, não tão longe assim, eu vou estar a trabalhar. E aí, que tipo de pessoa serei? Um fardo para o meu país, ou alguém que tenta fazer dele um lugar melhor, não só para nós, como para os nossos filhos e os filhos dos outros? Não tenho intenção de ver o meu nome marcado na história, mas quero sim fazer algo de útil, algo que mude o mundo, algo que contribua para a minha felicidade, mas também para a dos outros.
Não quero que as gerações que venham a seguir à nossa sejam como a que gere o mundo atualmente, que se queixa de crises, de perda de benefícios, quando metade do mundo não sabe o que isso é porque nunca teve nada! Não digo que não devemos lutar pelos nossos direitos, mas devemos lutar também por quem não tem meios de o fazer.
Sim, sou uma sonhadora, e sim, há dias em que não consigo adormecer porque tenho medo de me tornar como o resto do mundo, quando toda a vivacidade própria da idade desaparecer. Mas isso quer dizer que as coisas não me são indiferentes, certo? 
Então, sim, vale a pena.



Inês Silva, 11º A



"A mim o que me preocupa é o que me rodeia" - o Medo



Metu *


Na desordem das minhas ideias, podia refletir acerca de inúmeras coisas que me preocupam e que deveriam preocupar a Humanidade. Contudo, ultimamente, tenho percorrido uma ideia que me despertou um interesse invulgar, por ser algo que julgo, ou julgara, natural ao ser humano como a própria existência.
Na realidade, apercebo-me cada vez mais nos meus ínfimos dias de existência que tenho medo. Um medo absurdo que me encanta… onde me perco entre as letras a pensar. Penso na vida, de como é feita de infinito, de sonhos e momentos e imperfeição, mas também de tempo. Tempo este que corre velozmente, e que o ser humano tende a preencher de cansaço, de rotina, de desgaste emergido de dilemas e egoísmo.
Naturalmente, temo a vida pois sinto que faz parte do mecanismo dos corpos e da existência. O meu pensar constante é o medo de esquecer aquilo que quero fazer de mim. Tenho medo de esquecer de contemplar o céu; esquecer de caminhar com o vento, sentindo os líquenes dos muros que percorro com as mãos, e de sentir o mar na minha face; perturba-me, um dia, deixar de apreciar o sol gélido nas manhãs de inverno; tenho pavor do dia em que deixar de dar valor à liberdade que me foi concedida, menosprezar os que amo e deixar de procurar caminhos…
A humanidade está a tornar-se arguciosamente desumana. O ser humano diz-se diferente dos restantes seres, não só por ter possibilidade de racionalizar, mas também por ter a capacidade de amar e aprender. Amar a vida e aprender a olhar o que nos rodeia. Eu reconheço o meu medo de perder a minha natureza; medo de esquecer de buscar o melhor do que me rodeia e buscar o que deveras é melhor para outrem.  O medo enigmático e fascinante de deixar de valorizar as ínfimas simplicidades que alimentam a minha vida e o meu viver. Mas será que os demais, obras do Cosmos, realmente procuram o amor da simplicidade do outro e se procuram? Nos dias que correm esquece-se, não da hora em que o dia nasce, mas sim da melhor hora para ver o dia nascer. Atualmente, menospreza-se o sorriso dos povos. Atualmente, perde-se a subtil capacidade humana de obter a felicidade nos mais simples acontecimentos da vida.

Não é difícil viver, assim como acredito que não seja difícil morrer. Difícil é viver a vida mantende-nos íntegros a nós mesmos e morrer plenamente feliz.



“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
 Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
 Charles Chaplin


* Metu:  medo (termo latino)

Catarina, 11º A