sábado, 18 de junho de 2011

Devaneios sobre uma imagem



 Miragem


1.
efeito de refracção e reflexão (total) que, nos desertos, faz aparecer, dando a ilusão de próxima, a imagem invertida de lugares distantes como que reflectidos na água

2.
visão enganadora

3.
ilusão


De cada vez que faz frio lá fora, sinto a tua falta. De cada vez que vejo duas pessoas a rirem-se, sinto a tua falta. De cada vez que passa um minuto, sinto a tua falta. Tu deixaste o teu nome gravado no meu corpo, como poderia eu não sentir a tua falta?
            No passado, foste a minha maior certeza, agora és apenas uma miragem. Eu dediquei-te a minha alma e agora somos desconhecidos. Antes havia palavras, agora temos o silêncio. Antes, olhávamo-nos longamente, sem pressas, numa admiração total um pelo outro. Agora passámos um pelo outro, desviando o olhar e a ignorar tudo o que já fomos.
            Não acredito ser possível amar mais verdadeiramente como eu te amei. Não acredito que haja algo mais intenso do que aquilo que vivi.
            Eu conhecia cada defeito teu, cada defeito do teu corpo e da tua alma e, mesmo assim, eras perfeito. Podias não ser perfeito para o mundo, mas para mim, eras como a última peça de um puzzle, porque fazias tudo o resto ter sentido.
            Agora que estou sem ti, é que vejo o quão feliz eu fui. Só agora é que tenho certezas sobre a incerteza do passado.

            E, por mais que me custe dizê-lo, agora és apenas uma miragem.


Ângela Manuela

Devaneios sobre uma imagem





Que paisagem…

Mas que sentido faz ela agora? Sem ti a meu lado.
Faz frio quando não estás por perto.
Ainda me lembro da última vez que te vi, do cheiro da neve, daquela clara escuridão que fazia, ainda consigo sentir os teus braços, o bater do teu coração. Passo noites acordada a pensar no tempo em que estávamos juntos, mas agora tudo o que resta são as memórias, e as fotografias espalhadas pelo chão. Não sei o que deva fazer com aquelas fotos que tiramos na bonita paisagem da neve, gelo, se as devo queimar, ou ficar para recordação. Sinto falta das tuas estúpidas piadas, da tua pele bronzeada, do teu sorriso…
Quando se está sozinha, o frio é muito mais forte, acompanhada, nem se sente se está frio ou calor, não faz diferença, porque o que importa mesmo, é a companhia, o amor que sentimos, o carinho que essa companhia nos dá, e o resto, não importa.
Eu sei que não devia ter tanto orgulho, devia ter engolido o meu orgulho e ter-te pedido desculpa por aquela briga. Mas faria diferença? Acho que foi esta paisagem que te congelou o coração, que te fez ser mais rude e mais bruto, e eu não estava para aguentar com isso, aguentar as tuas faltas de paciência, e a tua má educação, talvez tenha sido melhor assim, a decisão mais acertada.
Continuo aqui, a olhar para esta paisagem e, apesar de tudo, apesar da solidão deste sítio, continuo a achá-lo magnifico.


Bruna Castro


Devaneios sobre uma imagem



Há sempre alturas na vida em que nos sentimos a gelar por dentro, presos a uma corda sem haver maneira de nos conseguirmos soltar ou isolados de tudo e todos, pois parece que ninguém sente ou vê o mesmo.

Há dias em que a vontade de chorar no colo do pai se torna imperativo e incontrolável, ou partilhar com o amigo mais próximo as nossas fraquezas e vulnerabilidades, é como libertar o grito ou evitar o estrangulamento interno. Isso faz-nos sentir bem, mais livres e calmos, «quase a voar». São esses os momentos em que a intimidade deixa de estar fechada a sete chaves dentro da alma.
A intimidade pessoal é um lugar gélido, pequeno e rodeado por quatro paredes, onde vagueamos e, por vezes, batemos com a cabeça à procura de soluções, que guarda todas as sensações e sentimentos, desde o medo, a loucura, o prazer, o amor, a satisfação
          Cada um o possui e é secreto, complexo e essencial, necessário e privado. Deixar alguém lá entrar e partilhar, é especial e irreversível, sendo poucos a terem esse direito. É abrir a nossa alma, algo tão nosso, e tentar verbalizar o que se sente, como um desafio jogado entre «o eu» e  «o tu».
No final, é como se houvesse um milagre cá dentro, na essência do ser. É sentirmo-nos bem, mais livres e calmos, «quase a voar».
  


Diana Meira, 10ºA

Devaneios sobre uma imagem



Tudo branco. Sim, tudo está branco. O inverno cobre o nosso mundo com um cobertor branco. Branco está o chão, branco está o céu, branco está o horizonte, branca está a minha pele.
                Está frio, sinto-me gelado, não por dentro, mas por fora. Os ventos são picadas de gelo no meu rosto. Mas meu amigo, tu estás aqui. Por mais frio que esteja, por mais fraco que eu me sinta, desde que cá estejas, achas milagrosas acendem a minha fogueira.
                Tenho fome. Ouço o meu estômago a sofrer, sinto o meu corpo a ceder. Estou a perder todas as minhas forças e até a minha consciência, mas, felizmente, estás cá comigo e a nossa amizade sustenta a minha sobrevivência.
                Estou farto de estar perdido. Quero sair daqui, quero chegar ao horizonte. Não consigo olhar mais para as paredes enormes deste frigorífico. Será que alguém nos vai abrir a porta? Não sei e certamente não chegarei a saber, pois estou a chegar ao fim.  
Não me digas que estou a morrer, eu não quero saber. Não me digas onde é o fim da linha, que eu não quero saber. Se não consigo chegar ao sol, se não consigo voltar a arder, antes prefiro falecer. Não me acordes, por favor, já sonho com anjos.
Tudo estava branco, e agora ainda mais branco está. Sinto o branco da paz, sinto o branco da pureza e branca está a minha alma.



Pedro Pinto, 10º A

Cinzas de José Saramago depositadas junto à Casa dos Bicos


No 1º aniversário da sua morte, Saramago volta a Portugal.

As suas cinzas foram, hoje, depositadas por baixo de uma oliveira centenária que foi, propositadamente, transplantada da Azinhaga do Ribatejo (onde Saramago nasceu) para Lisboa. A oliveira, um banco à sua sombra, e uma placa com a frase, do Memorial do Convento, "Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia" aguardam-nos, para sentir Saramago e as histórias assombrosas que criou, em frente à Casa dos Bicos, futura Fundação José Saramago. 

Bem-vindo, Saramago! Lá iremos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Triplic'ARTE

Saudações

Triplic'ARTE é uma associação que visa promover e divulgar projectos culturais de diversas áreas, desde a música à literatura. Com esse intuito foi criada uma zine electrónica mensal que vale bem a pena espreitar! Da minha parte poderão contar com os momentos poet'arte (http://triplicarte.wordpress.com/category/poetarte/) e quem sabe se não quererás também participar ;)

cumprimentos duma colega,
outrora aluna da vossa professora .

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Desvaneios de uma imagem


Sociedade, Sociedade, Sociedade! Vivemos nós numa Sociedade? Ainda se pode chamar sociedade ao conjunto de pessoas que vivem em torno de nós?
Nos dias de hoje, somos bem capazes de ir a uma igreja e nem sequer cumprimentarmos a pessoa que está ao nosso lado. Somos capazes de não conhecer o nosso vizinho mais próximo, o vizinho que mora alguns anos naquela casa, mesmo em frente à nossa. Quando nos deparamos a primeira vez com ele achamos que este é completamente novo na cidade.
Será isto uma sociedade? Um Conjunto de pessoas que vivem próximas umas das outras e são estranhas umas as outras? Será que não estamos a banalizar o conceito de Sociedade como fizemos com tantos outros?
Na mais pura das minhas opiniões, sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações, costumes e, muito importante, que interagem entre si.
Um agrupado de pessoas que não consegue compartilhar um grão de arroz, um "puco" de massa, sal, que não é capaz de ajudar o vizinho pois nem o conhece, que não consegue interagir, nem com um mero “Bom dia”, não é, de todo, uma sociedade.
Agora acho que todos conseguem perceber a minha indignação perante a banalização do conceito de sociedade! Pois aquilo em que muitos vivemos não é uma sociedade, é apenas um conjunto de pessoas frias e cruas, tapadas pelo trabalho, incapazes de comunicar entre elas! Pessoas que nos podem ouvir queixar com dores, mas que nos deixam ficar lá sozinhos com o nosso espírito.
Sociedade? Acho que já todos percebemos que sociedade é uma coisa rara como o ouro nos dias de hoje! Deixamos que a sociedade ideal fosse levada para bem longe e ficássemos sozinhos!
Cada um vive sozinho com a sua alma e o seu pensamento, rodeado por gelo! Gelo impenetrável e que nos torna mais frios a cada dia que passa!
Será que este gelo vai derreter e nos vai deixar voltar a uma sociedade como já fomos? Ou será que, quando este gelo que nos rodeia, que nos separa uns dos outros, derreter já nos arrefeceu demais e não vamos deixar de ser pessoas frias?

Diogo Mota