segunda-feira, 5 de março de 2012

REcriar


“É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada”
William Shakespeare



Sorri…

Vários são os exemplos de pessoas que, por algum motivo, frustração, incapacidade ou insegurança, tentam alcançar aquilo que querem recorrendo à força ou de alguma maneira que não é a mais correcta. Eu, pelo contrario, prefiro obter as coisas de uma forma mais simples, com um sorriso apenas.
William Shakespeare partilhava da mesma opinião que eu, e numa frase resumiu tudo aquilo que eu disse até agora, e disse aquilo que para muitos é o lema de vida a seguir, que leva a que as pessoas sorriam acima de tudo, e por muito que queiram uma coisa, a conquistem da maneira mais correcta, não recorrendo à violência ou ameaças.
Pela minha experiência, que até pode não ser muita, mas que já me ensinou muitas coisas, chego à conclusão que viver a sorrir é o melhor remédio. Já tive muitos problemas e ao longo do tempo aprendi que, por mais dolorosa que seja a realidade desses problemas, encará-los com a maior positividade possível é a melhor solução, por isso é que todos os dias tento sorrir ao máximo, e alegrar aqueles que me rodeiam, pois por mais insignificante que seja para algumas pessoas, para outras tem um valor sentimental impossível de descrever. Falo por experiência própria, porque neste mundo existem pessoas a quem uma simples palavra faz com que fique paralisado: um simples gesto ou um simples olhar faz-me ganhar o dia, e um simples sorriso faz-me o homem mais feliz do mundo. Podia sorrir apenas por interesse, mas o meu desejo ao realizar este gesto não é conquistar miúdas, nem é ser interesseiro, como já tinha mencionado, mas sim para obter a felicidade, e aconselho a todos que a obtenham da mesma maneira que eu, mesmo tendo que quebrar regras e contornar obstáculos, pois como dizia Bob Marley, “se você obedece a todas as regras, acaba perdendo a diversão”.
Dito isto, no futuro até posso ser mal sucedido na vida, posso nem cumprir os meus sonhos e até posso viver nas mais míseras condições, mas na hora da minha morte saberei perfeitamente que aproveitei a minha vida ao máximo, tive os melhores amigos a meu lado, sorri a cada segundo que passava, mas, acima de tudo, vivi com a maior das alegrias possível.



RAUL PEIXOTO, 11º A

domingo, 4 de março de 2012

REcriar


Quero dormir!

“Novas tecnologias ajudam a resolver um dilema da vida moderna: dormir mais e melhor.  É possível dormir melhor com US$ 0,99 e um iPhone.” 


2012. Ano problemático em muitos aspectos…. está a aproximar-se o fim do mundo, segundo dizem, mas para a maior parte dos portugueses o preocupante é o fim do mês. Não vos venho falar das injúrias cometidas pelo governo, ou dos cortes que nos têm feito, não, isso seria incorrecto da minha parte, falar de alguém que apenas nos está a ajudar, assim, vamos começar a apreciar muito mais a vida, só iremos ter satisfações, pois nada pode ser pior que isto.
Venho, sim, sensibilizar-vos para um aspecto muito mais interessante e de elevadíssima importância. O sono. Sono é um estado ordinário de consciência, complementar ao da vigília em que há repouso normal e periódico, caracterizado, tanto no ser humano como nos outros vertebrados, pela suspensão temporária da actividade perceptivo-sensorial e motora voluntária.
Actualmente, para muitos portugueses, é ligeiramente complicado organizar o tempo, e eu fiz questão de o organizar: 50% a trabalhar, 20% a barafustar e os restantes 30% para ver televisão, ir às compras, comer, entre outras coisas, conclusão, uma rotina muito atribulada. Mas, entre tudo isto, quanto tempo nos resta para podermos imergir noutro mundo? Onde tudo é possível, onde fazemos mil e uma coisas sem sair do sítio, relaxando os nosso músculos, conhecendo lugares novos, sendo aquilo que nunca conseguimos ser…. Pois bem! Este é o problema, o clímax de todos os processos envolventes no sono é, pelo que li, quando sonhamos, o que acontece no REM (Rapid Eye Moviment). Mas para quê utilizar “linguagem” científica? As coisas têm que ser ditas de forma clara para não andarmos aqui às escuras. Nos últimos anos, o tempo médio de sono tem reduzido e muitas pessoas já pensam na ideia de trocar certas coisas que eram imprescindíveis a algum tempo atrás por umas horitas de sono…Será que isto significa que estaremos a ficar preguiçosos? Estaremos a ficar sem objectivos na vida? Ou, simplesmente, precisamos de dormir e não temos tempo, ou o stress já é bastante?
Pois isto assusta-me imenso, tantas perguntas, tantas respostas, mas nenhuma me deixa dormir.
Se é verdade que “O sono comanda a vida”, então nada tenho a apontar ao facto de dormirmos menos, visto que alguém se tem encarregado de nos controlar e comandar na nossa vida. Então o sono já não tem papel algum nos nossos dias... mas isto não é assim tão simples.
A falta de sono traz muitas maleitas para a nossa saúde, somos ainda mais rabugentos, damos muita mais despesa ao estado, pois ficamos mais susceptíveis a depressões, diabetes e, principalmente, o nosso trabalho (para quem ainda o tem) não é realizado de forma correcta e produtiva. O trabalho é um grande gerador de stress, e a falta dele? Se eu estiver correcta, então estamos arruinados… respiramos stress.
Eu tenho a solução para tudo isto. Por mais que nos faça confusão a utilização de aparelhos electrónicos (ou não) e, logo nós, que actualmente nem somos dependentes desses bichos com fios, ou sem eles, caso sejam mais modernos, desta vez teremos que dar o braço a torcer. Sleep Cycle é a solução. Um software muito inteligente que substitui o despertador ou a nossa mãe (que é o meu caso), programamos para a hora pretendida e colocamos o telemóvel, ou outro aparelho qualquer, debaixo da almofada e dormimos, que ele se encarrega de nos acordar. A diferença entre este software e a nossa mãe, ou o nosso despertador, é que poderemos com ele acordar bem-dispostos, pois não somos acordados a meio de um sonho.
Com isto venho pedir-vos para serem mais pacientes quando não são atendidos, seja em que estabelecimento for, como pretendiam, o mais certo é essa pessoa estar com problemas de sono, sejam pacientes, falem-lhe do sleep cycle.
Esta palavra tão pequena que é o sono é uma dor de cabeça enorme e pode ser a causa de muitos aspectos menos positivos…. deduzo eu que o facto de Portugal apresentar uma elevada taxa de obesidade infantil se deve ao facto de a juventude querer aproveitar tanto a vida que nem quer dormir e depois é o que se vê…E tudo isto porquê? Ora, porque estes bichinhos electrónicos olham para nós com uns olhinhos tão aliciantes que não resistimos e... olha lá voltamos ao mesmo problema.

“Somos feitos da mesma matéria que os nossos sonhos”
                                                        William Shakespeare











INÊS RODRIGUES, 11º A

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A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias?
Margarida Rebelo Pinto


Todos aqueles que têm consciência e que, por sua vez, a usam da forma mais saudável não fazem planos. Ou se fazem, não a longo prazo, algo mais breve do que o próximo mês, algo de um ou dois dias.
Fazer planos é como se fossemos donos do mundo e que [pressupondo que] tudo corre de acordo com a nossa vontade. Mas, na realidade, nada é assim. Nada é como o suposto, até um possível encontro de amigos. E se esse amigo mudou quanto ao seu aspecto físico e nós não temos o conhecimento disso? Todas as nossas “quase certezas” quanto à imagem do outro são derrubadas só por uma mudança não significativa. Ou ter a noção de sabermos tudo de algo ou alguém é uma sensação horrível. É possuir o conhecimento absoluto em relação ao objecto.
O querer conhecer é algo que nos faz desejar estar vivos.
É o que nos faz querer acordar de manhã e sair de casa. É querer fazer aquilo que se gosta, é ir fazer meias ou ir apresentar um programa para qualquer estação televisiva, é acreditar que se vive por alguma razão, é confiar naqueles que nos são mais próximos. É isso que nos faz querer viver, faz querer ser vivo. Viver é amar, é gostar, confiar, acreditar, querer. É ter como objectivo o futuro e a felicidade.
Viver é muito mais que existir. Viver é dizer que sim e não. Viver é sentir. Viver é o período de tempo desde o nascimento até à morte. Há uma sorte imensa só por se viver, é como uma dádiva e há que o saber fazer da melhor forma. Porque não sei se há, mas é como se algo houvesse, talvez uma força, que nos faz acreditar que a vida é hoje uma coisa e amanhã pode ser totalmente o oposto.
A vida é o imprevisto e, por vezes, algo que ocorre, que nos faz reflectir, como se pusesse à prova se realmente vivemos porque, afinal, viver é muito mais do que existir.
Viver é usar a razão e a noção que nada é garantido, nem a nossa própria vida. Mas, viver também é sentir.




DIANA MEIRA, 11ºA

REcriar

 

One and Only
 
You've been on my mind,
I grow fonder every day,
Lose myself in time,
Just thinking of your face,
God only knows why it's taken me so long to let my doubts go,
You're the only one that I want,
I don't know why I'm scared,
I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine,
I dare you to let me be your, your one and only,
Promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
If I've been on your mind,
You hang on every word I say,
Lose yourself in time,
At the mention of my name,
Will I ever know how it feels to hold you close,
And have you tell me whichever road I choose, you'll go?
I don't know why I'm scared,
'Cause I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine
I dare you to let me be your, your one and only,
I promise I'm worth it, mmm,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
I know it ain't easy giving up your heart,
I know it ain't easy giving up your heart,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
Nobody's pefect,
(I know it ain't easy giving up your heart),
Trust me I've learned it,
So I dare you to let me be your, your one and only,
I promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts,
Come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts.
                                                          ADELE




Mais uma vez, pensei que eras como as outras, aquelas que se derretem quando uma mensagem carinhosa, bonita, lhes é enviada. Mensagens que dizem exactamente aquilo que elas gostam e querem ouvir. Aquelas que nunca vejo acompanhadas pelo seu namorado...vivem apenas uma relação pela internet, por mensagens... até podem ter razões para isso mas, será isso, realmente, uma relação?
Pensei. Pensei que fosses como elas, mas enganei-me. Apercebi-me que és diferente, embora também gostes de receber uma mensagem minha, nem que seja para dizer que te amo, o quanto te amo! Claro que gostas...é sempre bom "ouvir" isso! Mais do que dizer por mensagem, gostas que te diga pessoalmente. Aliás, preferes!
Mas, por vezes, não te compreendo, isto é, ainda não compreendo. Tenho que mudar para o conseguir e adaptar-me, assim, à tua maneira de ser que, até agora, era, em grande parte, desconhecida por mim.
Talvez ainda não te conheça bem...
Talvez deva pedir "ajuda" a quem te conhece...
Talvez...
E é por isto, por estes "aindas" e "talvez", que existem aquelas pequenas discussões que, apesar de serem desentendimentos, me ajudam a compreender-te melhor e, assim, ir chegando a quem realmente és. Realmente és diferente das outras. São estas diferenças que eu gosto. Claro que nem tudo em ti é perfeito, não gosto de algumas coisas em ti, mas não podemos pedir a perfeição se nós próprios não somos perfeitos...
Se tu nunca me disseste aquilo que gostas e o que não gostas, se nunca me disseste como queres que a nossa relação seja, se nunca disseste se queres mais acções ou mais palavras...Como queres que eu saiba isso tudo? Eu não sou bruxo, tu não tens manual de instruções...não posso saber aquilo que queres se não mo disseres!
Mas, tudo isto é normal! Um namoro não é feito apenas de rosas e coisas bonitas, não são só momentos de alegria... no início, principalmente, é preciso que as duas partes se comecem a conhecer para que, daí para a frente, estas discussões deixem de acontecer e possamos dar importância àquilo que tem realmente importância.
Como vês, não somos excepção à regra!


"Contigo, delineando o futuro"




PEDRO MIGUEL, 11ºA

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“O Cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá”
In Cosmos, Carl Sagan

***

Olhemos para além do atingível, do óbvio, do adquirido… Deixemos que aquela gasta frase se entranhe, que oleie as engrenagens mais insignificantes e pensemos e imaginemos…
Seremos nós, seres imperfeitos, meros mortais que esperam pela morte?
O nosso corpo, barro moldado por deuses, desvanece-se num ínfimo segundo. Contudo, não somos meramente um corpo, porque a vida, à semelhança do vento, não necessita de corpo para viver. Pergunto-me, então, se “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, o que sucede ao que deveras nos dá vida? O que sucede às quimeras, às palavras e perguntas e enigmas em que nos perdemos; o que sucede à nossa alma?
A alma é senão mais que um cosmos, mundo de ideias profanas e sagradas, de sonhos e devaneios; mundo enigmático sem fim à semelhança do universo cósmico de rocha, metal e mistério em que o nosso corpo subsiste.
Nenhum ser se recorda de ser gerado, e interrogo-me se o mesmo acontece quando o nosso corpo se renova junto da terra fecunda que nos originou algures no tempo. O que nos impede então de não termos tido início e fim, à semelhança do próprio tempo?
Se realmente somos cosmos, que subsiste neste momento em terra imperfeita que se renova, e se “o cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá”, nós somos, seres pensantes que conferem vida a cadáveres, da mesma natureza que o universo que nos rodeia, o mesmo que deu origem às estrelas, à poeira cósmica e ao infinito.
Somos meramente mundos, pertencentes a um outro, mundos infinitos e imortais, que vagueiam pelo tempo, ora na sua verdadeira natureza, ora em corpos destinados a morrer. Mundos que percorremos na esperança de os desvendar até nós eternidade… É isso que fazemos a sonhar!


“O conhecimento é finito, o desconhecido infinito; intelectualmente, estamos numa ilha no meio de um oceano ilimitado de inexplicabilidade. O nosso dever em cada geração é recuperar um pouco mais de terra.”
T. H. Huxley, 1887



CATARINA RIBEIRO, 11º A


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Distância  

Não vás para tão longe!
Vem sentar-te
Aqui na chaise-longue, ao pé de mim...
Tenho o desejo doido de contar-te
Estas saudades que não tinham fim.

Não vás para tão longe;
Quero ver
Se ainda sabes olhar-me como d'antes,
E se nas tuas mãos acariciantes,
Inda existe o perfume de que eu gosto.

Não vás para tão longe!
Tenho medo
Do silêncio pesado d'esta sala...
Como soluça o vento no arvoredo!
E a tua voz, amor, como se cala!

Não vás para tão longe!
Antigamente,
Era sempre demais o curto espaço
Que havia entre nós dois...
Agora, um embaraço,
Hesitas e depois,
Com um gesto de tédio e de cansaço,
Achas inconveniente
O meu abraço.

Não vás para tão longe!
Fica. Inda é tão cedo!
O vento continua a fustigar
Os ramos sofredores do arvoredo,
E eu ponho-me a pensar
E tenho medo!

Não vás para tão longe!
Na sombra impenetrada,
Como se agita e se debate o vento!...
Paira nas velhas ruínas do convento

Que além se avista,
A alma melancólica d'um monge
Que a vida arremessou àquela crista...

Céu apagado, negro, pessimista,
E tu sempre mais longe!...

Fernanda de Castro, in "Antemanhã"




Conhecemos pessoas, juntamo-nos a elas.Se nos afastamos, esquecêmo-las. Será sempre assim? E porquê? A culpa é da distância, dizemos nós. Mas será mesmo?
    A distância tem, de facto, muita má fama no que toca às relações das pessoas. Seja em filmes, livros, etc. a distância é o retrato da morte destas relações, sejam amorosas ou de amizade. Parece que a sua função é estagnar sentimentos, deixá-los apodrecer sozinhos num canto, longe de qualquer saída, para que descurem em esquecimento.
    Não é. Fazemos dela um "bicho de sete cabeças", tal como estamos habituados a fazer com tudo o que temos medo de enfrentar. A distância é uma espécie de barreira, que de facto, separa... Separa as grandes amizades e paixões das relações banais. É que quando o sentimento é puro e genuíno, não há barreira que se lhe oponha e, mesmo separando as pessoas, o mesmo não acontecerá com os seus corações. Por isso mesmo, a distância é apenas uma medida de espaço, basta querermos que assim só seja.
    Às vezes, é mesmo a distância que faz uma paixão subsistir, numa altura em que a rotina e o acostumar são verdadeiras sentenças e em que afastarmo-nos constantemente de alguém seja aquilo que nos faz, cada vez mais, estar perto dessa pessoa.
    Noutras situações até, a distância inexistente entre duas pessoas, é uma distância infinita entre seus corações e, agora sim, ela arrasa-nos por completo, pois sem sequer existir, estando nós perto daquela pessoa que nos diz muito, sem sequer nos dizer nada, sentimo-nos impotentes perante ela.
    Portanto, acho que podemos comparar a distância a Deus: existindo ou não, só a vê quem quer e só se faz sentir em quem o permitir.




PEDRO JORGE, 11º A

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“Nunca em toda a sua vida sentira uma ânsia assim. Queria que Mikael lhe batesse à porta e... e o quê? A levantasse do chão, a apertasse contra o peito? A levasse apaixonadamente para o quarto e lhe arranchasse as roupas? Não, na verdade só queria a companhia dele. Queria ouvi-lo dizer que gostava dela tal como era. Que ela era alguém especial no seu mundo e na sua vida. Queria que ele tivesse um gesto de amor, não apenas de amizade ou de camaradagem. Estou a flipar, pensou.”

Excerto de Os homens que odeiam as mulheres de Stieg Larsson


Abraça-me, beija-me, segura-me nos teus braços, ama-me. Ou assim rezam as músicas, os poemas, as histórias de encantar.
Vou só esclarecer, por agora, que não entendo nada deste assunto em geral.
Não é irónico que, ao fim ao cabo, vá fazer um texto sobre um assunto do qual desprezo falar?
Quando oiço pessoas a falar sobre isto, sobre, bem, “amor”, dá-me vontade de rir. Grande parte das vezes, é tudo uma anedota, uma farsa.
É hilariante ver pessoas a ter “relações” a “torto e a direito” com pessoas cuja atração é apenas física ou até, por vezes, só para “as vistas”. É até repugnante, se me é permitido '9dizê-lo.
Esse sentimento de que tanto se fala, aquele pelo qual pessoas se matam, se humilham, se reduzem a seres que jamais pensariam em se tornar. Apetece-me rir (aliás estou, de fato, a sorrir para o ecrã agora mesmo). Esse sentimento é, pura e simplesmente, bom. Deixa-nos um calorzinho no coração, que, por quão lamechas soe, é de facto real. Deixa-nos incapacitados, malucos até, completamente fora de nós, flipados. Ao ponto de, ao vermos alguém, sentirmos os nossos joelhos a tremer, a nossa cara a arder, a expressão parva que a nossa cara adquire, mesmo a tempo de parecer o mais “irresistível” possível. É embaraçoso, é ofegante. É, quando nas horas em que estamos acordados pensamos na pessoa pela qual nutrimos este sentimento, e quando dormimos, sonhamos com ela. É teres desejos que nunca antes passaram pela tua cabeça ou que imaginaste alguma vez teres.
É ridículo. É pura e simplesmente desnatural, desumano e humilhante. O poder que uma pessoa pode ter sobre nós, por vezes, só pelo simples facto de existir. O quão subjetivos (?), influenciáveis nos tornamos e o quão patéticos parecemos, todos nós.
É um sentimento que nos deixa aparvalhados, ponto. É como levar uma lavagem cerebral e, de repente, puff o teu corpo não mexe como devia, começas a sentir coisas com uma estúpida intensidade que nos faz parecer um computador dos anos noventa a tentar trabalhar com o software do windows 7.
E depois, para acrescentar à “desgraça”, é também quando o nosso subconsciente larga a sirene. A sirene que constantemente ignoramos aquando neste estado de dormência, a que nos avisa que iremos, eventualmente, magoar-nos muito. Pouco a pouco começamos a ficar mais consciente do que somos, do que fazemos, do que vestimos. Começamos a tornar-nos inseguros, a tentar ser melhor para a tal pessoa, por muito boa pessoa que nós já sejamos. Choramos muito, gritamos e fazemos coisas que mais tarde nos arrependemos. No fim, acaba. Independentemente de termos conseguido algo ou não. Acaba sempre.
E depois repete-se tudo de novo.



CARLA GONÇALVES, 11ºA

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112


Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso — em suma, é a nós mesmos — que amamos.
      Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.
 (...)
      As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No próprio acto em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois «amo-te» ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.
      Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir. E estas considerações, que formo e abandono, não nasceram de coisa alguma — de coisa alguma, pelo menos, que me esteja na plateia da consciência. Talvez aquela desilusão do caixeiro de praça com a rapariga que tinha, talvez qualquer frase lida nos casos amorosos que os jornais transcrevem dos estrangeiros, talvez até uma vaga náusea que trago comigo e me não explico fisicamente...
      Disse mal o escoliasta de Virgílio. É de compreender que sobretudo nos cansamos. Viver é não pensar.
 Bernardo Soares – Livro do Desassossego



Egoísta. O amor é essencialmente e completamente egoísta. Jamais, em tempo algum, amamos alguém pelo que essa pessoa é, mas sim pelas porções de nós próprios que vemos refletidas nessa pessoa. Procuramos, muito simplesmente, um espelho que nos mostre o que queremos ver.
Não nos é possível amar alguém para além de nós mesmos, porque nunca chegamos, de facto, a conhecer alguém, só nós. Vemos partes dos outros, toldadas por quem somos. Nunca vemos mais que um corpo com gestos e atitudes diferentes dos nossos, mas aos quais atribuímos designações e causas que não passam de fragmentos de nós próprios, do que queremos que os outros sejam, do que precisamos que os outros sejam, da nossa parcialidade por estarmos, muito simplesmente, presos dentro de nós. Aquilo que somos tolda o que vemos.
E, de tempos a tempos, desiludimo-nos com as pessoas, por terem atitudes para nós inesperadas ou por se comportarem de um modo que classificamos como estranho. Mas a culpa é nossa, toda nossa. Fomos nós que inventamos na nossa mente o que essas pessoas nunca foram, numa tentativa desesperada de nos amarmos a nós próprios. Procuramos criar nos outros a perfeição que não obtemos em nós mesmos. E aí desiludimo-nos, porque eles não são perfeitos, não são nada do que imaginámos/inventámos que eram. Essas pessoas são o que são, apenas e só elas mesmas, sem tirar nem pôr.
Como é que esperamos, em tempo algum, que os nossos sentimentos sejam em exacta medida equivalentes aos de outrem se não sabemos sequer o que o outro sente, ou mesmo se o próprio acto de sentir é idêntico para ambos?
E nós só nos importamos com as pessoas quando gostamos delas, quando estamos de algum modo ligados a elas. Não importa se este ou aquele sofre, se eu não estiver ligada a essa pessoa por quaisquer laços, a dor dessa pessoa é-me tão querida como saber que a caneta com que escrevo é preta. Bem, dir-me-eis que não, que sentimos compaixão pelas pessoas. É verdade, mas apenas sentimos compaixão porque temos noção do que é o sofrimento, das suas dimensões, o quanto nos consome e deixa reduzidos a cinzas. Revemo-nos nessas pessoas; estamos simplesmente a sentir pena de nós próprios. E, do mesmo modo, só nos importamos se aqueles que amamos sofrem porque o seu sofrimento implica igualmente sofrimento para nós. No fim de contas, apenas evitamos sofrer.
Tremendamente egoísta. Só pensar nisto me tira toda a vontade de viver. Fico mergulhada em pleno estado de letargia, pois não me parece possível viver sabendo isto, considerando-o verídico, pelo menos nos padrões que conhecemos e aos quais estamos habituados. Sinto necessidade de acreditar que somos melhores que isto, que somos capazes de amar os outros por serem simplesmente outros, por não serem nós. Mas seremos mesmo?


INÊS SILVA, 11º A

sexta-feira, 2 de março de 2012

REcriar


Recriei a partir de um texto contido no Livro do Desassossego, de Bernardo Soares: "Pasmo sempre quando acabo qualquer coisa." - http://arquivopessoa.net/textos/1397




Escrever é...


Para mim, não há sensação mais purificadora e calmante que escrever.
É como se, depois de escritos, os pensamentos já tivessem um fim e não tivessem de andar de um lado para o outro na enorme piscina que é o meu cérebro, com todas as suas ideias e pensamentos.
Muitos dos textos que escrevo nem sequer os considero dignos desse nome: alguns deles, simplesmente, não conseguiram atingir a intensidade que eu sentia e, por serem um retrato menos fiel dos meus pensamentos e emoções, ficam para sempre esquecidos no fundo duma gaveta, nos rascunhos do telemóvel ou nos rascunhos do blogue que me dei ao trabalho de criar. Porém, a sensação que obtenho de transcrever as minhas ideias, quer as consiga transcrever da maneira que eu quero e introduzir as emoções subjacentes à criação daquele texto, quer daqueles que julgo menos dignos (x) é sempre a mesma: O vazio momentâneo deixado pela ideia que agora reside na folha de papel é um vazio que dá uma sensação calmante, mas que é rapidamente preenchido por outras ideias.
É por isto que considero que escrever não é um passatempo, mas sim um vício, um medicamento que o ser pensante dentro de mim precisa para poder subsistir mais algum tempo ao constante bombardeamento de ideias a que somos sujeitos.
Por vezes, não é fácil: ideias brilhantes que pedem para serem imortalizadas fogem por entre os dedos como se de um líquido se tratasse e é, na maior parte dessas vezes, que, mais tarde, quando tentamos transcrever essa ideia, ela não surge como da primeira vez, como a imaginámos.
Outro fator de desespero para um "escritor" como eu é a preguiça: por vezes, o cansaço do eu físico não é compatível com o do eu que pensa e, mesmo antes de cair nas garras do sono, ficam aqueles pensamentos, raciocínios, que parecem fazer todo o sentido e até dão sentido à nossa vida, mas depois, quando acordamos, nem sinais deles.
Isto e muitas outras, se calhar infinitas, coisas levam-me a pensar que este medicamento, ainda que necessário, é extremamente difícil de encontrar e de tomar. Muita gente pensa que escrever é só pegar na caneta e no papel e encarreirar palavras e empilhar linhas. Ora muita gente se engana também. Escrever, pelo menos para mim, e penso que para quem o faz com o coração, implica isso mesmo: que o coração esteja iluminado e inspirado e daí que seja difícil de encontrar. Por outro lado, é difícil de tomar, pois nem sempre aquilo que sinto e, por conseguinte, aquilo que escrevo, é do meu agrado e caio, ao escrever, num estado de tristeza profundo, mas calmo e puro, pois agora, uma vez que aquilo que sinto está escrito, já sei que de facto o sinto.
Por outras palavras, a minha droga, escrever, é algo sem o qual não viveria. Porem, é a droga que escolhe quem a consume e não o consumidor que escolhe consumir, pois eu não escolho quando a inspiração vem ter comigo: só escolho aproveitá-la ou não.


HUGO GONÇALVES, 11º A