domingo, 4 de outubro de 2009

Umbigo Interior


Se descarrilassem todos os comboios

em direcção às goelas do Abismo;

Ou vos caísse uma bomba em cima,

mas uma por cada cabeça

não haja resistência

há que ter a certeza;

Se colidissem os hemisférios cósmicos,

num aglutinar de divina aniquilação,

E vos esfarelasse todos,

E vos calasse de vez,

Para que, enfim,

a todos calhasse um pouco mais de sabedoria.

Mas nada descarrila, nada cai, nada colide como deve ser – que é com o brio de um trabalho acabado.

Passeiam-se como baratas de quitina pétrea…

Era vê-las esmagadas contra o chão e contra o tecto ou contra outra coisa qualquer, desde que bem esmagadas e suplicando a sua minúscula vida de insectos.


É preciso explodir de Novo com tudo o que é velho e com tudo o que é novo mas sonoro ou argumentativo ou pensante,

E com a mesma violência da criação universal.


Sabeis

Sabeis bem isso,

sempre o soubeste desde o começo do Ínicio

Mas o umbigo interior engole-vos

num medo exclusivo da vossa própria morte:

- Que me salve sempre Senhor! Ámen


Se não acreditais na fertilidade da auto-destruição,

não mereceis contemplar o pó das estrelas nocturnas,

nem a frescura matutina da água

ou os rostos mortais das vossas Mães.


Sois apenas dignos de esmagamento - fissural e leproso.


É o que todos mereceis,

Todos excepto “eu”.

3 comentários:

Cláudia disse...

retirei estes três do capítulo "Posse"



haha isto é ridículo "retirei do capítulo x"

coitadinha...

Fátima Inácio Gomes disse...

nada, de "coitadinha"... para já! Terás muito a lamentar se não me "amandares" isso como te ando a pedir há demasiado tempo...

Fátima Inácio Gomes disse...

hummmm que apocalíptica estais, senhora(e até me parece que te estou a ver, como se o declamasses, percebo-te o tom e o gesto).