quarta-feira, 23 de maio de 2007

CALHAU

Calhau. Um calhau
Tosco, feio, imperfeito.
Assim é um calhau...
Um calhau na praia
Rebolando com as ondas.
Todos somos calhaus
Rebolando por praias...
Calhaus. Somos todos calhaus
As ondas são os problemas
A maré é a vida
Ah…ah…ah…calhaus.
As ondas abatem-se sobre os calhaus
Os problemas também.
A maré avança galopando
A vida também
As ondas aumentam, os problemas também
Os calhaus afogam-se com as ondas
Uns resistem outros não
Calhaus…
A maré começa a diminuir…
A vida apaga-se…
Os calhaus partem-se e desaparecem…
Nós também…
As ondas diminuem
Os problemas não
Conclusão…
Somos calhaus que
Sofrem erosão das ondas
Até ao ponto que o
Calhau desaparece.
Foi desfeito pelos problemas
Engolido pelas ondas…
Mais calhaus menos calhaus…
A praia continua cheia…
Ninguém nota pela falta de um calhau
Sobretudo se ele for daqueles
Que fica por baixo de todos os outros
Cada vez são menos os calhaus
Calhaus somos nós…

3 comentários:

Fátima Inácio Gomes disse...

Gosto muito deste teu poema. Está intenso, na sua aparente simplicidade. Parece haver alguma amargura, no tom... o "calhau" tem sempre uma conotação pejorativa... cabe-nos a nós quebrarmos o ciclo e dar brilho a esse calhau... nunca poderemos fugir da praia, mas poderemos sempre "incomodar" alguém.

Tiago_faria disse...

ainda bem que gostou do poema assim ja deve dar para ter mais um valor na nota :P
Mas agora falando a serio o mais giro disto foi onde fui buscar o tema que foi nuam melancolica aula de tic quando andava a ver um site de fotos e aparece.m uma praia so de godos, lembro-me de esclamar para quem estava a minha beira "nunca vi tantos calhaus juntos...parece uma populaçâo..."

Li disse...

Gostei. Criaste uma metáfora bem fundamentada e sem usar uma linguagem muito rebuscada. A prof. já disse o que eu pensava por isso não vou estar a repetir. Acrescento que não concordo com esta afirmação:
"Ninguém nota pela falta de um calhau
Sobretudo se ele for daqueles
Que fica por baixo de todos os outros"
Por vezes as marés arrasam os calhaus, ou conduzem-nos para outras águas, para não mais voltarem a cruzar-se com a nossa praia, com as nossas ondas. E por vezes as perdas são mais abaláveis do que calculamos. É tudo uma questão de experiência. De maré.