terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

REcriar



«Penso em ti, sonho contigo, invoco-te quando mais preciso de ti. É tudo que posso fazer, mas para mim não é o suficiente. Nunca será o suficiente, eu sei isso, mas que mais me resta fazer? Se aqui estivesses, dir-me-ias, mas até isso me roubaram. Tu sabias sempre as palavras certas para apaziguar a dor que sentia. Tu sempre soubeste como fazer para que eu me sentisse bem por dentro. É possível que saibas como eu me sinto sem ti? Quando sonho, gosto de pensar que sim. Antes de nos termos encontrado, atravessava a vida sem sentido, sem razão. Sei que, de alguma maneira, todos os passos que dei desde o momento que comecei a andar eram passos dirigidos ao teu encontro. Estávamos destinados a encontrar-nos.
Mas agora, sozinho na minha casa, comecei a perceber que o destino pode magoar uma pessoa tanto quanto a pode abençoar… »
Excerto do livro:
As Palavras Que Nunca Te Direi,
da autoria de Nicholas Sparks.


Dizem que a dor passa e as coisas vão ficando melhores, que o tempo cura tudo… Não acho nada disso, cada vez tenho mais saudades dela. Tenho uma saudade horrenda que cresce dia após dia, sendo uma das causas pelas quais deixei de escrever.
Aos poucos fui descobrindo sentimentos tão fortes e arrasadores que, por mais que tentasse, não conseguia expressar por meras palavras. Foi um impacto muito grande, principalmente para quem sempre considerou a escrita como uma das suas melhores amigas. Agora estou aqui como tantas outras vezes, a tentar escrever algo para ela… Por ser uma pessoa fechada, lido com a minha dor sozinha, não gosto de partilhar estas coisas, não gosto de preocupar os outros, mas agora, pela primeira vez, espero conseguir traduzir em palavras um pouco do que se passa cá dentro, dentro de mim. Esta carta é dirigida a ti, meu bem, e sei que estejas onde estiveres, conseguirás lê-la…

Apesar do tempo que já passou, custa-me dizer que morreste, porque não sinto isso. Sinto que estás aqui, comigo, como sempre estiveste. Sinto que tudo o que já vivemos juntas poderemos repetir amanhã. Continuo a ouvir o teu riso, e os concelhos que me davas vão passando pela minha mente com a tua voz doce e delicada; as tuas gargalhadas e as ideias malucas que conseguiam sempre resgatar o meu sorriso, mesmo que ele tivesse sido levado por alguém.
Ainda me lembro da nossa despedida como se tivesse sido ontem. A noção da saudade que já tínhamos uma da outra, embora não pudéssemos sequer imaginar que essa saudade se tornaria eterna. Lembro-me dos últimos minutos antes de embarcar no avião em que me abraçaste e encostada no meu ombro disseste “és e sempre serás o melhor de mim, pequena. Amo-te”, foram as últimas palavras que ouvi da tua boca. Lembro-me também das tuas lágrimas, tal como eu sempre foste emotiva e choravas pelas coisas mais belas: choravas quando se celebrava o amor e a paixão, choravas com trocas de carinho e com todos os finais felizes nos filmes e até em alguns livros. Também choravas com o lado “feio” do mundo (como lhe chamavas): com a fome, a pobreza, as pessoas e os animais sem lar, e também as guerras e as vidas que se perdiam inutilmente. Sentias os teus problemas e os dos outros e choravas por eles. Se pudesses ajudarias o mundo inteiro, mesmo que isso implicasse esqueceres de ti própria. Essa tua alma pura, o teu caráter bondoso e a tua inocência, nunca mais encontrei em ninguém. Sinto orgulho em dizer que aprendi contigo esse lado sensível e delicado de sentir as coisas, e sabe-me tão bem ter esse lado como o teu. É como se parte de ti vivesse dentro de mim. Não imaginas o quão bom isso é: saber que parte de ti nunca morrerá, nunca sairá de mim. E só tenho a agradecer-te por isso. Sempre olhaste para mim com tanta esperança, com fé de que eu poderia realizar todos os meus sonhos, uma fé que nem eu própria tinha. E até hoje, nunca mais ninguém me olhou com esse teu olhar. Era como se já soubesses o meu futuro e tivesses certeza que ele seria grandioso e tivesses orgulho nisso, e essa certeza era tão absoluta que me impressionava. Sinto falta disso, sinto a tua falta…
Quando partiste, ninguém me quis contar, todos sabiam que eu seria uma das pessoas que mais sofreria com a tua perda. E assim foi e ainda é. Tentam convencer-me que uma pessoa quando morre vai embora para outro lugar qualquer. Mas eu sei bem que isso não é verdade, estás aqui, estás ao meu lado. Eu sinto que estás! Quando o vento bate na minha cara sinto o teu toque delicado e o teu cheiro perfumado. Quando ando na rua ouço as tuas gargalhadas. Quando olho para as árvores, com aquele verde vivo e intenso, vejo os teus lindos olhos a transbordarem alegria. Quando me deparo com uma situação difícil e tropeço pelo caminho, sinto a tua mão a levantar-me. Embora ninguém me entenda, continuas aqui como sempre estiveste. E será uma perda de tempo alguém tentar convencer-me do contrário.
Procuro-te pela rua sem nunca te encontrar. Desejo ser pequenina outra vez, e voltar ao tempo em que me ias buscar ao colégio e de mãos dadas andávamos pela cidade. Sei que um dia isso irá acontecer outra vez, as nossas mãos irão entrelaçar-se tal como antes, mas quando isso acontecer nunca mais iremos nos largar. E em vez de andarmos pela cidade, andaremos pela eternidade, juntas. Ainda te sinto porque sei que não vais partir sem mim, vais ficar ao meu lado para cumprires a promessa que me fizeste. Lembro perfeitamente de prometeres que irias sempre me proteger, cuidar de mim e preparar-me para a vida, a qual atribuías o nome de «batalha prolongada». Parte da promessa já está cumprida: preparaste-me para a vida da melhor maneira possível; quando ainda respiravas, mostraste-me as melhores coisas da vida, e a tua morte mostrou-me as piores. E acredita que aprendi, aprendi tudo o que me ensinaste, expecto uma coisa: perdoar. Utilizavas a célebre frase: “Perdoar não é esquecer, isso é amnésia. Perdoar é se lembrar sem se ferir e sem sofrer.” Ainda não cheguei à grandeza de aprender essa lição. Não consigo perdoá-lo. Não te poderei ver mais por causa dele. Sei que é egoísmo, mas ele podia ter tirado a vida a qualquer pessoa, incluindo a ele próprio, mas não a ti, nunca a ti! O que é feito da frase “quem ama não magoa”? Se ele te amava tanto como afirmava, porque te tirou a vida? No fundo sempre soube que essa história não poderia acabar bem, todos sabiam isso. Apenas tu conseguias ver algo de bom nele, aliás, acreditavas que todas as pessoas tinham um lado bom. Lutaste durante tanto tempo por ele… Até mesmo quando ele próprio desistiu continuaste a lutar. Mas ele acabou por destruir a tua ingenuidade em relação as pessoas. Sei bem o quanto te doeu e o quanto te custou teres deixado para trás alguém que amavas com todo o teu coração mas, realmente, não havia outra opção, pena é que percebeste isso tarde demais. Lembrar-me disso sem me ferir e sem sofrer? Não, isso não sou capaz de fazer, e sinceramente, duvido muito que o consiga fazer algum dia. Mas vou continuar com a esperança de que irás encontrar uma maneira de me ajudar a aprender essa lição, e talvez aí consiga voltar a olhar para ele e, quem sabe, pronunciar-lhe alguma palavra sem ódio nem rancor.
Uma das coisas que me ensinaste mais recentemente foi que a melhor maneira de mostrar o quanto te amo é correr atrás dos meus sonhos. E aquela tua certeza sobre o meu futuro? Hoje partilho dessa mesma certeza, porque tudo o que sou é graças a ti. Sei que por vezes erro mas acredita, não poderia estar mais feliz com a pessoa que me tornei.
Por fim, não poderia deixar de partilhar contigo um excerto que li há uns dias atrás cujo autor desconheço, mas ao ler aquelas palavras arrepiei-me, pois lembrei-me da nossa última chamada em que disseste a mesma coisa, embora por outras palavras. Ao dizeres aquilo na altura não fez muito sentido para mim, mas agora sei que, de algum modo, pressentias o que poderia acontecer e aos poucos já me preparavas para deixar de te ver e passar apenas a sentir-te. “A melhor maneira de reagir à morte é viver. Viver e buscar concretizar os sonhos, realizar desejos e ser feliz. Nada disso vai arrancar a dor e o vazio que ficam no peito, nada vai matar a saudade, mas a certeza de estarmos fazendo aquilo que gostariam que fizéssemos, com certeza, dá um alento e um alívio, mesmo que pequeno.”
Hoje também posso dizer, sem dúvida nenhuma:
«És o melhor de mim e sempre serás.»
Até já, meu anjo.



MAYARA, 11º A

REcriar


"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido (...) Porque é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver num amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo(…)
A vida é simples e fácil de querer. Mas o amor é fodido. E gostei de fode-lo contigo."

Miguel Esteves Cardoso in “O amor é fodido”


 

Do amor pouco sei e quase tudo espero. 
Nas histórias de amor dá a entender que é fácil. Mas na prática ele é sempre o contrário... No fundo, o amor é uma contradição, quanto mais se ama e quanto maior é esse amor, mais sentimentos obscuros ele nos traz. O uso do amor tem que ser como a bebida: tem que se tomar a dose certa. No entanto, quando se ama alguém, não há medida fixa, o “muito” não é exagero e o “para sempre” não é irrealizável. O amor não tem doses fixas, regras práticas nem sequer manual de instruções… É por isso que temos medo do amor, é por isso que nos assusta esse sentimento e nos magoa por vezes. Apesar de todas as dificuldades que o fazem um sentimento difícil de lidar, elas dão-lhe alimento para se tornar mais forte.
Quando “fodemos” o amor, é como ter que o cultivar novamente sem pressas nem orgulho. O amor perfeito de que tanto ouvimos falar não existe e tão pouco subsiste. Um amor livre de adversidades não se fortalece, é medonho e esquivo nas horas de aperto e degrada-se ao longo do tempo. Um amor verdadeiro tem que ser “fodido” para valer a pena, tem que nos fazer lutar por ele e deseja-lo todos os dias.O amor exige um complexo de emoções que distraem, confundem, cansam, fazem sofrer e tornam-nos pirosos e lamechas. Esse mesmo amor que aparece sem avisar quando se menos espera.
Não há como defini-lo, deixemos o seu significado em aberto… Para que possamos ter presente a ideia de que ele pode ser muito contraditório. Mas “fodido” há-de ser sempre. É um sentimento que não foi feito para se compreender mas para se sentir. Senti-lo ao deixar que ele nos encontre, deixá-lo entrar na vida, na cabeça e no coração: deixá-lo acontecer…


ANA LUÍSA, 11ºA

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Poemário



A palavra era ALEGRIA. E ele multiplicou-se me muitos poemas Tantos, que houve até empate.
Os escolhidos: Vinicuius de Moraes em, um repetente, insistente, presente em todos os momentos - Caeiro.


DIALÉTICA, de VINICIUS DE MORAIS

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Aqui, dita pelo autor:  http://www.youtube.com/watch?v=DvsIlS_w8jY

e, da fase do Caeiro apaixonado, enternecedora, um Caeiro tão diferente, porque o amor nos faz diferentes e o amor verdadeiro nos faz sermos nós mesmos, na diferença.

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.
Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.



por Alberto Caeiro


A palavra para o próximo poemário: Cansaço (é verdade, porque ando mesmo mesmo cansadinha)



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poemário



A palavra do poemário de hoje era MILAGRE.
O frio que se tem feito sentir deve ser inspirador, pois tivemos muitos poetas a participar :)
Eugénio de Andrade, Miguel Torga, Sophia, Walt Whitman, Albert Einstein (?)...
O eleito foi: José Saramago, trazido pela Inês Rodrigues. 
Um belíssimo poema, sem dúvida. 



Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.  



A palavra para o próximo poemário:  ALEGRIA.

sábado, 14 de janeiro de 2012

REcriar

Este é o lema!



A ideia, para este período, é a seguinte:

Escolhem um poema. Qualquer poema. Daqueles que vos fazem mexer as entranhas, as emocionais e as racionais. Um poema que faça pensar, sentir.
Se não for um poema, poderá ser uma notícia, uma crónica.


A partir desse poema/notícia/crónica, criam um texto vosso. Refletem. Passam para o texto as emoções e os pensamentos que vos atravessaram. Recriam.

Escolham, igualmente, uma imagem (podem fotografar ou desenhar, também) que ilustre o sentido daquilo que expressam por palavras.


A título de exemplo: duas crónicas minhas, inspiradas pelo Sermão de St. António aos Peixes. O registo, no caso, tende para o humor.

http://nolimiardaspalavras.blogspot.com/2007/12/deus-antnio-e-as-sardinhas.html

http://nolimiardaspalavras.blogspot.com/2008/01/vieira-o-polvo-e-morte.html


BOA CRIAÇÃO!!!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Poemário

Primeiro poemário de 2012!!!!!!!



A palavra era Inverno. E para começar o ano com fartura, foram lidos cinco poemas, foram escolhidos dois!
Fernando Pessoa contribuiu com a sua própria riqueza, em qualidade e número: foram escolhidos um poema de Pessoa, ortónimo, e outro da Alberto Caeiro.

A Carolina trouxe, de Alberto Caeiro:


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar —
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa



A Diana trouxe este poema, que também conquistou o auditório :)



Cai amplo o frio e eu durmo na tardança
De adormecer.
Sou, sem lar, nem conforto, nem esperança,
Nem desejo de os ter.

E um choro por meu ser me inunda
A imaginação.
Saudade vaga, anónima, profunda,
Náusea da indecisão.

Frio do Inverno duro, não te tira
Agasalho ou amor.
Dentro em meus ossos teu tremor delira.
Cessa, seja eu quem for!
19-1-1931
Fernando Pessoa


A próxima palavra: MILAGRE.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

De que nos falam os peixes...

Convite aos alunos para falarem de Corrupção, inspirados pelo Sermão de Santo António aos Peixes. 
Texto selecionado:

É um facto que há muito que a terra deixou de se salgar. Seja pela religião, pela moral, pela ética, pelo que for.
Vivemos numa era em que, basicamente, é cada um por si e não importa quantos tenhamos de pisar para alcançarmos o nosso intento. Simplesmente não importa. O "eu" é tudo o que importa. É puro egoísmo e individualismo levado ao extremo.
E enquanto uns tentam manter a sociedade e a comunidade, outros aproveitam-se de tudo e todos, destruindo o trabalho de muitos, destruindo a própria comunidade.
Será que os senhores vulgarmente designados por corruptos não se apercebem de que o ser humano só tem uma boa vida e estabilidade em comunidade? Porque, se se apercebem, então só podem ser estúpidos, destruindo a comunidade que os torna fortes, ainda que não os torne tão fortes quanto a ambição deseja e a falta de escrúpulos alcança.
Se não se apercebem, então são claramente ignorantes e centrados em si próprios.
Percebam isto, meus caros, a melhor maneira de subirem não é deitarem os outros abaixo, mas sim manter a pirâmide e ir, lentamente, conscientemente e com justiça, alcançando o topo, o verdadeiro topo e não um amontoado de gente caída porque aí não há topo.
Aí, ficamos todos no fundo.





Inês Silva, 11º A


Post Scriptum: Basicamente, a opinião que queria expressar é a de que nós somos fortes como um todo, daí que a nossa espécie não vingue sem ser em comunidades. A corrupção é o apodrecer do sistema por maus elementos, que fazem com que o todo sofra. Penso que é o mais importante a dizer de tudo :)

De que nos falam os peixes...

Convite aos alunos para falarem de Corrupção, inspirados pelo Sermão de Santo António aos Peixes.
Texto selecionado: 



"Vós, sois o sal da Terra". Como está enunciado no conceito predicável do Sermão, o sal tem como objectivo impedir a corrupção e são os pregadores os responsáveis por isso.

   Actualmente, quem são os verdadeiros pregadores? Aqueles com cargos poderosos e que exercem poder na política? Ou o povo? 
   Teria mais lógica que aqueles que pregassem fossem os políticos. Graças aos seus cargos, deveriam ter autoridade sobre os erros existentes na sociedade. E tal é verdade! O problema está, contudo, no facto de, além de possuírem o tal poder, a tal autoridade, também são eles os verdadeiros corruptos.Então, deverá o povo elevar-se e repreender os defeitos dos "corruptos poderosos" ?
   Pode tentar fazê-lo, através e manifestações, greves..., mas tal não se compara ao poder exercido, no país, pelos políticos. E voltamos ao mesmo. À mesma situação. É quase como a relação entre efeito-causa. É mesmo. Os políticos "praticam" a corrupção, de uma maneira ou de outra, e é o povo que terá de ajudar na resolução dos erros e estragos feitos pelos primeiros e, como há injustiça envolvida, o povo revolta-se. Serve para algo? Param eles com a corrupção? Não.
   Mas, se são realmente os políticos os responsáveis pela corrupção, não será também culpa do povo? É verdade que o povo decide quem está presente na política e na direcção do nosso país!... Mas não! A culpa não está no povo, o povo não conhece em quem está a "confiar".
   Tal como o Padre António Vieira diz: "... se houvesse um anjo que vos revelasse qual é o coração desse homem e esse fel que tanto vos amarga,quão proveitoso e quão necessário vos é! " Verdade nua e crua! Se fosse possível a visão do interior e das virtudes interiores das pessoas, tudo seria mais fácil. O sal continuaria o mesmo - impedir a corrupção, mas talvez não tão usado, pois seriam outros os pregadores, porque na realidade actual, aqueles que pregam são os corruptos.


Carolina, 11º A

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Missão - impressões


Com o visionamento do filme "The Mission" pretendi conduzir-vos numa viagem no tempo, até os dias da colonização portuguesa e espanhola em terras da Amazónia, entre os índios.
"Os índios estão livres outra vez para serem escravizados pelos espanhóis e portugueses" comunicava o enviado do Papa. E foi a favor da liberdade desses índios que o Padre António Vieira escreveu o seu "Sermão de Santo António aos Peixes", esse que vamos agora estudar.

Para início de conversa, partilhem aqui as vossas impressões do filme, as vossas impressões daquela realidade, aquilo que vos tocou (ou não).

domingo, 16 de outubro de 2011

Poemário



Arrancamos com nova temporada do Poemário! Pois, sim, já estamos na temporada 2 desta série de sucesso.
E, para arrancar, que melhor palavra que "começo"?
O poema vencedor foi aquele que a Mayara trouxe, com base nos belos versos de Alberto Caeiro, citados no fim.

Este poema aparece referenciado como sendo de Fernando Pessoa, mas... não me parece. Tal como aquele outro do "pedras no caminho? Junto-as, um dia construirei um castelo", também erroneamente atribuído a Pessoa (quando estudarem Pessoa, para o ano, compreenderão. Não conheço toda a IMENSA e MÚLTIPLA obra do autor, mas cada um dos seus heterónimos, e ele mesmo, têm estilos muito próprios e identificáveis). 
Sim, parece que a sua criação heteronímica continua a dar frutos, para além da sua morte. Isto sim é génio! :)

Aqui fica o poema escolhido, pela positividade da sua mensagem:




Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.
Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.
Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.
Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.
"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."




A propósito, o poema de Alberto Caeiro que inspirou, a alguém, o anterior:


Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.



Para o ano, meus amigos, para o ano, falamos ;-)