domingo, 15 de março de 2015

Da Imagem - Consumismo - por Miguel Torres







O consumismo excessivo é uma dura realidade que temos de enfrentar nos dias de hoje. Através desta imagem, que é um grafitti de Banksy, é possível identificar o contraste entre o sentido sagrado da imagem, provocado através da adaptação de uma pintura renascentista que retrata a morte de Cristo, com a frase de “Os Saldos Acabam Hoje” que retrata a histeria provocada pelo final dos saldos, demonstrando assim que as pessoas passaram a tornar-se muito mais materialistas ao longo dos tempos. 

Atualmente, o consumismo excessivo tem vindo a aumentar devido ao consequente aumento dos preços dos produtos das marcas de luxo e ainda são poucas as pessoas que assumem uma postura de diferença em relação a isto. É importante sensibilizar o mundo para esta “doença”, porque se isto continuar a este ritmo, não se sabe onde isto irá parar. Deste modo, se estes consumistas doassem o seu dinheiro para causas nobres como por exemplo causas ambientais ou para angariações de fundos em vez de o gastarem em bens materiais desnecessários que só lhes oferecem uma falsa felicidade, o mundo seria um lugar melhor.


Miguel Torres, 12º C

Da Imagem - A educação escolar no Portugal presente - por Nuno Queirós




 


Leitura da Imagem:

Nesta imagem é possível observar um homem sentado numa cadeira, virado para o quadro de uma escola com um ar pensativo. Neste quadro, está escrito como título “Educação Escolar”, o que nos remete imediatamente para o tema que vai ser abordado. Apesar das muitas questões, que refletem dúvida e inquietação, destacam-se duas palavras “Direito” e “Ideologia” sendo estes os dois tópicos que preocupam mais as pessoas quando discutem acerca da educação.

O facto de o quadro ser a giz remete-nos para uma ideia de intemporalidade, provavelmente porque estas questões já vem de há muito tempo atrás. O quadro verde, em vez do habitual preto, transmite a ideia de esperança de que estas questões têm uma solução.




A educação escolar no Portugal presente


A educação escolar é um tema sempre atual e controverso, dado que estão em causa indivíduos, crianças e jovens, com diferentes personalidades, oriundos de diferentes meios sociais e com perspetivas de vida também diferentes.

No entanto, apesar das diferenças, a oportunidade de acesso à educação escolar deve ser igual para todos, de outra forma não seria ético e acentuaria as desigualdades sociais, cada vez mais evidentes. Tanto mais que a educação proporciona melhoria na vida das pessoas economicamente desfavoráveis. Neste sentido, a educação escolar deve ser livre e um direito de todos. Coloco sérias reservas ao ensino privado por não ser acessível a qualquer um. Além disso, a educação escolar permite o acesso à aprendizagem de ferramentas necessárias, não só à aculturação dos indivíduos, como também à sua preparação para a vida profissional. E é também por este motivo que deve assentar numa base de liberdade e de igualdade de direitos.

No que respeita a questão da ideologia, é evidente que há áreas e disciplinas em que se evidenciam pressupostos ideológicos. É o caso da disciplina de Português. Na verdade, e infelizmente, sabemos que as obras e os autores escolhidos para os currículos de Português dependem quase sempre da ideologia dominante. Veja-se o caso de “Memorial do Convento”, de José Saramago, que passará a ser obra de opção para o 12º ano. Parece-me que tal se pode dever ao facto de se tratar de uma obra que critica o poder e a Igreja. Aliás, a Opus Dei, uma organização da Igreja Católica, tem uma listagem de 33.573 livros proibidos, entre os quais se encontram 79 obras de autores portugueses: José Saramago, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, entre outros. “Lista Negra” lamentável! Contrária aos princípios fundamentais da liberdade em educação.

Concluindo, sou a favor da democratização do ensino. Não desejo uma educação escolar que não seja para todos, nem um sistema educativo autocrático.



José Nuno Queirós, 12º C

sábado, 14 de março de 2015

Da imagem – Julgar pela essência e não pela aparência – por Jéssica Barbosa






Leitura da imagem:

Há quem diga que uma imagem vale mais que mil palavras, mas a escolhida vale apenas seis: «quem vê caras, não vê corações» … 

De função crítica, a imagem procura denunciar um grande problema da atualidade, sendo este o facto de as pessoas julgarem as outras pela aparência, e procura inquietar as consciências de cada um para exterminar este defeito do Homem.

Tal como se pode observar, há duas pessoas presentes na foto: de um lado, uma menina e, de outro, um homem. A imagem divide-se em duas partes, duas perspetivas diferentes, de frente e de costas.

Na primeira, de frente, há uma menina, aparentemente inofensiva, bem arranjada e vestida de branco, cor que remete para a inocência, a pureza, a paz. Em contraste, há um homem que, à primeira vista, não parece ser de confiança. Isto devido à sua postura curvada, à sua aparência pouco cuidada, como dá para notar no seu cabelo despenteado, e à cor da sua roupa, o preto, cor que simboliza o mistério, o medo, a morte.

No segundo ponto de vista, de costas, as aparências transformam-se. A rapariga, que parecia inocente, carrega nas suas mãos um machado, símbolo da guerra e da destruição, enquanto que o homem possui um ramo de flores, que transmite alegria e harmonia.

Também com função argumentativa, esta imagem será a minha arma defensiva para a minha tese: deve-se julgar pela essência e não pela aparência.




Texto argumentativo:

Neste tribunal sem fim, que é o século XXI, as pessoas continuam a ser julgadas pela aparência. Esta é uma infeliz realidade e só os mais retrógrados continuam com as suas mentes fechadas. Não é correto o exterior falar pelo interior, no entanto, esta é uma situação muito presente nos nossos dias.

Em Portugal, e em muitos outros países, há uma grande desigualdade de oportunidades devido à aparência. Por exemplo, imaginemos dois sujeitos que se candidatam ao mesmo trabalho e que têm as mesmas classificações, mas um tem tatuagens e o outro é totalmente ‘limpo’. Em vez de se recorrer à solução politicamente correta, vai escolher-se a pessoa sem tatuagens. Isto é, sem dúvida, uma estupidez e uma injustiça. Não é a nossa aparência que define as nossas qualidades profissionais, por isso, nada dependem delas as nossas chances. Os apologistas deste método de seleção deviam pensar que, ao agirem assim, por vezes, estão a perder grandes trabalhadores.

Pior do que este preconceito sobre as pessoas que são diferentes por escolha, é aquele baseado nas distinções biológicas, aquelas que nascem connosco e que não conseguimos contrariar. Este último pode ser chamado de racismo, homofobia, sexismo, etc., dependendo da característica criticada. Quantas vezes vemos criaturas, que vão na rua e veem um negro, e mudam de passeio, pura e simplesmente por medo? É horrível, é, mas é a realidade. Estas pessoas deviam refletir que não são as particularidades físicas que mostram as intenções de cada um. O perigo pode estar em indivíduos iguais a nós, fisicamente. E quantas vezes, nestes últimos meses, ligamos a televisão e vimos casos de polícias brancos que mataram negros sem qualquer desculpa e sem serem punidos? 

Concluindo, os seres humanos têm de agir como se fossem cegos. Deve julgar-se pela essência e não pela aparência porque, às vezes, por se escolher o livro pela capa, perde-se uma incrível história.


Jéssica Barbosa, 12º G

Da Imagem - Entardecer - por Raquel Sá




O cansaço toma lugar. Desisti de querer sentir. Irresponsabilizo-me por um bocado. O desassossego é de tal maneira excessivo e saturante que acabo entrando num estado de melancolia e apatia. Observo esta intensidade de cores que se sobrepõe a mim. Apaixonados acasalamentos de final de tarde e início de noite. Sou tão insignificante. Perante este baile que se realiza tão alheio ao mundo.

Esta simplicidade e beleza iluminam-me. Sinto-me parte deste mundo. Faço parte, na minha maneira espectadora de intervir. Vivemos constantemente distraídos com os vícios humanos, esquecemos que, apesar de nos termos imposto neste mundo, a natureza é que assume a posição mais forte e nós é que estamos envolvidos nela.

Para mim, estas são as melhores horas do dia. Em que parece que, por momentos, o mundo para, e que está tudo bem. Por momentos está tudo bem. 

O amarelo, que me lembra o sol, a vida, que entrelaçado com aquele azul tranquilo e aquele rosa místico e misterioso, representam o infinito. E eu não sei. Neste momento não sei. É tão bom não saber de nada. Fico ingénua por momentos, ternurenta com este espectáculo. Sou uma sortuda.

E aqueles tons mais escuros, põe-me a pensar em como tudo na vida tem um lado mais obscuro, mas, por outro lado, um lado tão misterioso e necessário. Tão, tão necessário.

Sou uma sortuda.



Raquel Sá, 12º G

Da Imagem - Televisão: A Fábrica de Mentes - por Sofia Freitas





Leitura da Imagem:


A imagem por mim escolhida é um desenho bastante simples, mas com uma carga muito forte: uma crítica à sociedade e, de certa forma, um alerta.
Toda esta imagem é uma metáfora. Está, assim, aqui representada uma fábrica de personalidade cujo produto final é a humanidade estandardizada. Podemos identificar a televisão como o principal mecanismo para o funcionamento desta mesma fábrica. As pessoas entram na sua forma original e autêntica e, com os efeitos desta máquina, são transformadas num mero ícone global, neste caso representativo do sexo feminino.
Nesta imagem existe apenas um plano. Tudo que está representado encontra-se, portanto, no plano principal, sendo todos os elementos bastante importantes.
Podemos associar o padrão formado pelos vários símbolos femininos à padronização do pensamento humano. Por outro lado, esta repetição transmite a ideia de ritmo: a máquina (televisão) está sempre a trabalhar e sob a forma de produção em série.
Podemos também verificar as linhas inclinadas, o que transmite a ideia de continuidade para além da imagem, ou seja, que a produção não acaba ali e que o número de pessoas sob esta influência da programação mental é muito mais amplo.  
Quanto à escala, esta encontra-se alterada em relação à realidade. Na imagem, as pessoas encontram-se reduzidas, quando comparadas ao tamanho da televisão. Pegando na televisão, objeto em si, de facto é mais pequeno que as pessoas, mas se olharmos para a televisão como meio, este é enorme comparado a qualquer um de nós e é isto que a imagem está a transmitir.
Já as cores, preto e branco, transmitem a ideia de rotina e monotonia, pois todos os dias assistimos à televisão, todos os dias ela programa a nossa mente e isto tem vindo a acontecer ao longo dos anos e parece não mudar.


Texto argumentativo:

O efeito da TV na moldagem de mentes

Todos nós sabemos que vivemos uma oligarquia, onde o mundo é dominado por uma elite que rege os outros à sua vontade. Esta manipula as massas e leva-as a viver da forma que for mais benéfica a esta mesma elite. Uma das mais poderosas ferramentas usadas por estas classes dominantes para persuadir a população são os meios de comunicação, com especial destaque para a televisão.
São estas elites que definem o que é normal e aceitável. A TV, distribuidora de ideias e opiniões, mostra o que seguimos, a música que ouvimos, os filmes que assistimos. Artistas, criações e ideiais que não correspondem à maneira dominante de pensar são impiedosamente excluídos e esquecidos. Eles têm o poder de criar na mente das pessoas uma visão única e coesa do mundo, gerando assim a padronização do pensamento humano. Estamos, portanto, a falar de nada mais, nada menos que propaganda, mas uma propaganda que se tornou sinónimo de prazer e diversão.
 Uma população ignorante não sabe os seus direitos e é nesta população que eles querem que nos tornemos: aquela que simplesmente segue as tendências, que não se questiona nem tenta compreender.
Somos como cavalos com antolhos que só veem aquilo que está à frente, ou seja, só vemos aquilo que eles querem que vejamos e, como esponjas, absorvemos tudo o que nos metem à frente. Assim sendo, não passamos de um rebanho desnorteano que todos os dias é bombardeado inconscientemente com a forma como deve pensar e agir.
Josef Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazi, disse “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade” e é nisto que consiste a manipulação da opinião pública exercida pela televisão. Ela transforma-nos, a nós indivíduos, naquilo que as elites querem e não permite qualquer formação de uma autonomia consciente. No final do dia estamos todos a falar de forma diferente, mas a dizer a mesma coisa. Haverá, assim, liberdade? Ou a nossa única liberdade está em pensar que somos livres? Achamo-nos possuidores de um espírito crítico, quando, na verdade, não passamos de marionetas...
Mesmo que o cidadão perceba que está a ser vítima desta massificação continuará hipnotizado. No entanto, o facto de haver um pequeno alerta dentro dele e refletir no assunto, já o torna menos estúpido. Portanto, se não queres ser mais um estúpido no meio de tantos outros, deixa de ver novelas e programas da treta. Desliga a televisão e sai à rua.


Sofia Freitas, 12º G