sábado, 14 de março de 2015

Da Imagem - Entardecer - por Raquel Sá




O cansaço toma lugar. Desisti de querer sentir. Irresponsabilizo-me por um bocado. O desassossego é de tal maneira excessivo e saturante que acabo entrando num estado de melancolia e apatia. Observo esta intensidade de cores que se sobrepõe a mim. Apaixonados acasalamentos de final de tarde e início de noite. Sou tão insignificante. Perante este baile que se realiza tão alheio ao mundo.

Esta simplicidade e beleza iluminam-me. Sinto-me parte deste mundo. Faço parte, na minha maneira espectadora de intervir. Vivemos constantemente distraídos com os vícios humanos, esquecemos que, apesar de nos termos imposto neste mundo, a natureza é que assume a posição mais forte e nós é que estamos envolvidos nela.

Para mim, estas são as melhores horas do dia. Em que parece que, por momentos, o mundo para, e que está tudo bem. Por momentos está tudo bem. 

O amarelo, que me lembra o sol, a vida, que entrelaçado com aquele azul tranquilo e aquele rosa místico e misterioso, representam o infinito. E eu não sei. Neste momento não sei. É tão bom não saber de nada. Fico ingénua por momentos, ternurenta com este espectáculo. Sou uma sortuda.

E aqueles tons mais escuros, põe-me a pensar em como tudo na vida tem um lado mais obscuro, mas, por outro lado, um lado tão misterioso e necessário. Tão, tão necessário.

Sou uma sortuda.



Raquel Sá, 12º G

Da Imagem - Televisão: A Fábrica de Mentes - por Sofia Freitas





Leitura da Imagem:


A imagem por mim escolhida é um desenho bastante simples, mas com uma carga muito forte: uma crítica à sociedade e, de certa forma, um alerta.
Toda esta imagem é uma metáfora. Está, assim, aqui representada uma fábrica de personalidade cujo produto final é a humanidade estandardizada. Podemos identificar a televisão como o principal mecanismo para o funcionamento desta mesma fábrica. As pessoas entram na sua forma original e autêntica e, com os efeitos desta máquina, são transformadas num mero ícone global, neste caso representativo do sexo feminino.
Nesta imagem existe apenas um plano. Tudo que está representado encontra-se, portanto, no plano principal, sendo todos os elementos bastante importantes.
Podemos associar o padrão formado pelos vários símbolos femininos à padronização do pensamento humano. Por outro lado, esta repetição transmite a ideia de ritmo: a máquina (televisão) está sempre a trabalhar e sob a forma de produção em série.
Podemos também verificar as linhas inclinadas, o que transmite a ideia de continuidade para além da imagem, ou seja, que a produção não acaba ali e que o número de pessoas sob esta influência da programação mental é muito mais amplo.  
Quanto à escala, esta encontra-se alterada em relação à realidade. Na imagem, as pessoas encontram-se reduzidas, quando comparadas ao tamanho da televisão. Pegando na televisão, objeto em si, de facto é mais pequeno que as pessoas, mas se olharmos para a televisão como meio, este é enorme comparado a qualquer um de nós e é isto que a imagem está a transmitir.
Já as cores, preto e branco, transmitem a ideia de rotina e monotonia, pois todos os dias assistimos à televisão, todos os dias ela programa a nossa mente e isto tem vindo a acontecer ao longo dos anos e parece não mudar.


Texto argumentativo:

O efeito da TV na moldagem de mentes

Todos nós sabemos que vivemos uma oligarquia, onde o mundo é dominado por uma elite que rege os outros à sua vontade. Esta manipula as massas e leva-as a viver da forma que for mais benéfica a esta mesma elite. Uma das mais poderosas ferramentas usadas por estas classes dominantes para persuadir a população são os meios de comunicação, com especial destaque para a televisão.
São estas elites que definem o que é normal e aceitável. A TV, distribuidora de ideias e opiniões, mostra o que seguimos, a música que ouvimos, os filmes que assistimos. Artistas, criações e ideiais que não correspondem à maneira dominante de pensar são impiedosamente excluídos e esquecidos. Eles têm o poder de criar na mente das pessoas uma visão única e coesa do mundo, gerando assim a padronização do pensamento humano. Estamos, portanto, a falar de nada mais, nada menos que propaganda, mas uma propaganda que se tornou sinónimo de prazer e diversão.
 Uma população ignorante não sabe os seus direitos e é nesta população que eles querem que nos tornemos: aquela que simplesmente segue as tendências, que não se questiona nem tenta compreender.
Somos como cavalos com antolhos que só veem aquilo que está à frente, ou seja, só vemos aquilo que eles querem que vejamos e, como esponjas, absorvemos tudo o que nos metem à frente. Assim sendo, não passamos de um rebanho desnorteano que todos os dias é bombardeado inconscientemente com a forma como deve pensar e agir.
Josef Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha nazi, disse “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade” e é nisto que consiste a manipulação da opinião pública exercida pela televisão. Ela transforma-nos, a nós indivíduos, naquilo que as elites querem e não permite qualquer formação de uma autonomia consciente. No final do dia estamos todos a falar de forma diferente, mas a dizer a mesma coisa. Haverá, assim, liberdade? Ou a nossa única liberdade está em pensar que somos livres? Achamo-nos possuidores de um espírito crítico, quando, na verdade, não passamos de marionetas...
Mesmo que o cidadão perceba que está a ser vítima desta massificação continuará hipnotizado. No entanto, o facto de haver um pequeno alerta dentro dele e refletir no assunto, já o torna menos estúpido. Portanto, se não queres ser mais um estúpido no meio de tantos outros, deixa de ver novelas e programas da treta. Desliga a televisão e sai à rua.


Sofia Freitas, 12º G

Da Imagem - o Mar - por Jéssica Oliveira








Leitura da Imagem


        A imagem ilustra um sossego enorme, inspiração sem fim, uma serenidade tremenda. Nesta foto/imagem o mar está calmo, tranquilo e rodeado por um céu tão escuro como uma luz apagada num quarto sem janelas. As ondas são quase nulas, nada parece quebrar este estado zen. Uma imensidão sem fim, sem barreiras, só o mar e o céu.


Texto argumentativo/criativo


        O que dizer? Durante anos, as pessoas desistiram dos seus sonhos por falta de inspiração, por falta de um lugar onde se sentissem em paz com elas próprias. Há mar e mar, mas a inspiração dada é tremenda. Neste momento, sinto-me tão vaga, sem saber o que dizer, mas ao imaginar-me perto do mar, daquele silêncio da noite, tudo muda, consigo imaginar-me para além daquela linha do horizonte. Sinto-me em paz comigo mesma, capaz de escrever o que não consigo dizer em voz alta, exprimir-me numa folha de papel.

        Mar... uma palavra tão pequena, mas com um significado enorme para cada indivíduo. Uns dizem que apazigua o pensamento, que os deixa confortáveis com o que sentem, outros dizem que é um mistério, uma incógnita, que não sabem o que sentem quando estão perto dele, mas que sentem-se invadidos pela paz transmitida. Mesmo em noites agitadas, de tempestades, o nascer do sol, o acalmar do mar deixa-nos, de certa forma, tranquilos, porque é como dizem "depois da tempestade vem a bonança".

        Tudo tem um fim, mas não sabemos quando é dado esse final, apenas devemos viver a vida na linha do limite, tal como o mar. Podemos ter todas as barreiras que com tempo e com calma, elas acabam por desaparecer, voltando à serenidade tão procurada.


Jéssica Oliveira, 12ºG




Da Imagem - O GRITO - por Hugo Silva








Leitura da Imagem

  


Edvard Munch foi um pintor expressionista norueguês imortalizado pela sua obra “O Grito”.

Neste caso, o quadro ilustra uma forma humana aterrorizada. Em termos cromáticos, o desenho é constituído maioritariamente por cores quentes, mas também podemos observar cores frias. 

   Neste quadro, também podemos observar que é maioritariamente constituído por linhas curvas, como se tivessem sido reproduzidas pelo grito dado pela figura em primeiro plano.

A minha escolha pelo quadro “O Grito” de Edvard Munch prende-se com a expressão da figura que aparece em primeiro plano. Se olharmos fixamente para os olhos da personagem, compreendemos que estamos na presença de algo que a horroriza. Há algo de quase grotesco na sua cara - olhos extremamente redondos, narinas bastante salientes, ao contrário do nariz e da forma da boca, que terá originado o título do quadro.

A ausência de cabelo e as maçãs do rosto bem vincadas garantem um aspeto desgastado e faz pressupor a ideia de que estamos na presença de alguém em final de ciclo. Ora, parece-me inequívoco de que este final de ciclo é a morte e considero que estamos na presença de uma passagem para o outro mundo. Acho que esta passagem onde se encontra a figura é tida como a ponte (exatamente onde a figura se encontra) entre mundos e aqui descobrimos qual o nosso destino final. Um pouco à semelhança do “Auto da barca do inferno” que estudámos no 9º ano, atravessar o rio era tido como a saída de uma zona neutra, onde nenhuma alma poderia estar e o azul presente no quadro representa, sem dúvida, essa linha divisória. Em contraste com o rio aparecem todas as outras cores, com predominância para o amarelo e o vermelho que automaticamente nos remetem para fogo, neste caso em concreto, para as chamas do inferno.

Ao fundo, vemos dois vultos, obviamente escuros, que parecem vir na direção da personagem. Simbolicamente, a sua presença significa que a escolha quanto ao seu destino final está resolvida, até porque não há nenhum outro elemento no quadro que nos remeta para a ideia de que esta figura tenha hipóteses de salvação. A figura está de costas para os vultos e como tal, sente obviamente a sua presença, mas parece estar imobilizada e sem hipótese de fuga. A sua reação, bem explícita na sua cara, revela todo o horror da consciência da morte e do que o espera.
O gritox pode, simultaneamente, expressar o medo e o arrependimento. Aliás, o nome do quadro poderia muito facilmente ser substituído por “o fim”.


Texto Argumentativo

   A morte é algo que nós enfrentamos todos os dias, algo sobre o qual a sociedade evita falar, mas mesmo assim não conseguimos fugir dela. 

Todos os dias que passam, estamos mais perto do momento em que chegaremos ao final do ciclo, a morte. Mesmo sabendo que é algo a que nascemos destinados, nós vivemos num constante sofrimento.

A morte é vista por muitos como uma coisa má, algo que nos retira o poder de viver e que nos separa daqueles que nos são queridos, provocando-nos tristeza e sofrimento. Mas também existem aqueles que defendem que a morte é apenas a passagem para um lugar melhor, o Paraíso.

   Para mim, a morte é algo que me atormenta no meu dia-a-dia, vivo num medo constante de um dia adormecer num sono profundo de onde nunca mais vou ser capaz acordar.


Hugo Silva, 12ºG

Da Imagem - O Momento - Dineia Teixeira





Leitura da imagem

O «guarda-sol» foi uma das primeiras obras do famoso pintor espanhol Francisco Goya. Esta pintura pode ser encontrada no Museu do Prado, em Madrid. No entanto, a que observamos na imagem não é a verdadeira, mas sim uma cópia. Este facto não travou um senhor, provavelmente cego, de sentir através das mãos a obra, e de um fotógrafo captar esse momento.

Embora uma cópia, a obra transmite a ideia de descanso e conforto. São as cores neutras que transmitem isso, mas estas desaparecem na imagem perante o negro da roupa do senhor e da luz que incide na obra. O relevo da obra ainda se consegue notar, visto que é a única coisa que o senhor consegue sentir, arrisco-me em dizer que a cópia foi feita para estes indivíduos que não sentem a beleza com o olhar, mas sim com o pensamento e com o tacto.



Texto argumentativo



O Momento


A ideia de criarmos uma «obra falsa» para quem não consegue ver, é um pouco absurda. Visto que a única maneira de poder «sentir» a obra é através do tato, porque não darmos a presenciar o verdadeiro relevo da obra, assim quem sente a obra com as mãos consegue sentir as linhas retas, curvas… e os erros do pintor… e talvez, assim, conhecer mais a intencionalidade da obra, ou seja, a ideia que o pintor queria transmitir. 

Mas a ideia de conhecer o mundo com o pensamento, isso sim não é absurdo. Não estou a falar da opinião… mas da criação que podemos fazer com o pensamento. Não podemos acreditar em tudo o que os nossos olhos veem.

Imaginemos um mundo em que todas as pessoas eram cegas. Não saberíamos o que eram as cores, não poderíamos distinguir a noite do dia, não julgaríamos pela aparência. Talvez esse mundo exista, e a única maneira de poder sobreviver é através da confiança perante as outras pessoas, e através do nosso pensamento.

 Talvez a intencionalidade do fotógrafo, quando captou este momento, fosse mostrar as dificuldades de um invisual. A simplicidade numa fotografia de um senhor a tentar compreender uma obra, que terá mais de mil significados.

A minha opinião é que o fotógrafo captou o momento, um padre invisual (pois tem na mão direita um anel que indica o celibato, bem como os seus trajes escuros e formais) aprecia uma obra de arte da pintura, uma cópia de uma tela de Francisco Goya, pelo relevo da tela. Ele vê e toca procurando na tela o entendimento de quem somos, onde estamos e o que fazemos.

Também está perante “a apreciação do belo, ainda que se inicie nos sentidos, chega ao seu ápice na inteligência. É na instância intelectiva que tem lugar o juízo estético. Tendo esse dado por premissa, infere-se o fator essencialmente humano que rege a experiência estética e, claro está, o contato com as artes que produzem o belo. Só o homem vivencia a beleza. Ora, se a dimensão estética do homem radica-se prioritariamente no intelecto, não é a cegueira, ou outro impedimento de ordem física, que atua como entrave intransponível para que se tenha acesso às coisas belas." (cf. João Ganzarolli de Oliveira)
 Diz a tradição que Homero foi cego; contudo, sua obra mais se assemelha à pintura do que à poesia. Que região, que praia, que local da Grécia, que tipo de batalha, que exército, que armada, que mobilização de homens, que aspecto e variedade de animais não nos pinta, levando-nos a ver o que ele mesmo não viu? “ (idem)

Com esta fotografia, o fotógrafo concluiu que a cegueira não é impedimento à origem do sentimento e, sobretudo, ao desenvolvimento de uma inteligência para além dos sentidos e alertou para um problema existente na sociedade, a deficiência.


Dineia Teixeira, 12º D