terça-feira, 3 de março de 2015

Da Imagem - O Poder da Criança - por Letícia Lima







Leitura da imagem


 Como é possível observar, nesta imagem criada por Banksy, um grande artista de rua Britânico, encontra-se uma criança, mas uma criança diferente das que costumamos ver nos parques e nas ruas a brincar, porque esta, ao invés de ter carros ou bonecas na mão, tem uma arma.

Podemos então, a partir disto, traçar dois planos distintos nesta fotografia, primeiro, os desenhos na parede que refletem a cor, a alegria, a imaginação e a ingenuidade, caraterísticas da infância, em contraste com a escura e triste realidade a que esta criança ficou sujeita por motivos, muitas vezes sociais, não podendo assim desfrutar, como qualquer outra, desta fase da vida que é bastante curta.

Outro aspeto a considerar, presente na imagem, é o facto da arma, em vez de estar carregada com balas, estar apenas carregada com lápis de cor e, com isto, pretende o autor mostrar-nos este instinto inofensivo das crianças, que é representado pelo lápis de cor, por ser frágil e sensível, tal como são as crianças, pois elas não pensam na maldade, não são egoístas nem falsas, apenas querem brincar no seu canto, isolando-se completamente do resto do mundo.


O Poder da Criança


 Costuma-se dizer que as crianças são a melhor coisa do mundo, e não é por acaso que o ouvimos bastantes vezes, pois elas são capazes de fazer coisas, sem qualquer intenção ou objetivo, ou seja, de forma natural, coisas que, muitas vezes, nós, adultos, não conseguimos fazer, com esse intuito.

Um motivo que justifica isso é, por exemplo, quando existem várias pessoas num espaço com uma criança, e basta uma birra ou um pequeno gemido para todas as pessoas ficarem em pânico e irem ver o que se passa com o pequeno, e, na maior parte das vezes, não é nada de especial, mas é essa a forma como a criança se expressa, de modo metafórico, é quase como se fosse um alarme de uma casa que até os vizinhos faz despertar. 

Outra razão pela qual as crianças são seres especiais é o modo como, de forma natural, cativam as pessoas. Elas são capazes de rasgar um sorriso no rosto de alguém e fazer com que essa pessoa esqueça todas as suas preocupações e problemas da vida por alguns momentos, pois com a sua simplicidade, alegria e sorriso contagiante é quase impossível ficar indiferente. Elas são também bastante abertas, sorriem para qualquer pessoa e fazem amizades em instantes, não se importando com raças, crenças ou idades, são sempre livres de qualquer preconceito.

Em suma, podemos dizer que as crianças possuem um poder e uma capacidade caraterístico e único da sua idade, que faz delas seres que parecem não ter descendido da mesma espécie que é feito o adulto, por ser tão grande a diferença que existe entre os dois!


Letícia Lima, 12ºD

Da Imagem – Escravidão – por Cláudio Pereira






   Leitura da imagem: 

Banksy é um veterano artista de rua britânico, um grafiteiro, pintor, ativista político e diretor de cinema inglês. A sua arte de rua satírica e subversiva combina humor negro e graffiti feito com uma distinta técnica de pincel. Os seus trabalhos de comentários sociais e políticos podem ser encontrados em ruas, muros e pontes de cidades por todo o mundo.

Pela observação da imagem, podemos concluir que há duas pessoas, possivelmente turistas, a serem transportadas, num carro não muito usual, por uma criança. Assume-se pelas caras dessas pessoas, que elas não estão muito preocupadas com a criança, o que é constrangedor. Destaca-se o relevo das cores, em que os turistas estão pintados com cores muito mais atrativas, estando o resto da imagem a uma cor menos apelativa, demonstrando o sofrimento e a dor sofrida pelos “escravos”.

   Criação textual a partir da imagem:

Escravidão, ou escravatura, é quando um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro, designado de escravo. Ao contrário do que muita gente pensa, a escravidão era e continua a ser um assunto sério, decorrente neste mundo. Há uns séculos atrás a escravidão era uma coisa “normal”, até porque em algumas sociedades, os escravos eram vendidos legalmente como uma mercadoria. Contudo, com o passar do tempo, os escravos passaram de ser pessoas no geral, quer tenham sido prisioneiros da guerra ou pessoas com dívidas, e passaram a ser feitos mais com base nas etnias, maioritariamente, os negros.
Na atualidade, verifica-se uma baixa quantidade de escravatura em relação a antigamente, no entanto, esta baixa quantidade devia ser nula.
Nesta pintura, pode-se observar uma criança a ser explorada, ou seja, trabalho infantil, o que é considerado crime, pois pode ser relacionado com escravatura. Neste caso, a escravatura tanto pode ser considerada pela parte da pessoa que pôs a criança a trabalhar, como das pessoas que estão a ser levadas por ela, pois não é natural uma pessoa estar a ver uma criança a sofrer e continuar a sorrir, como se nada fosse.
Esta imagem é, portanto, uma crítica à sociedade, pois, por vezes, recorre à escravatura sem saber, como no caso de roupa muito barata, que é feita muito provavelmente por escravos, nos países subdesenvolvidos, pelo que a pessoa está a usar produtos ou serviços baseados na escravidão sem se aperceber disso.


Claúdio Pereira, 12º D

Da Imagem - Bola de Farrapos - por Bruno Eira





Leitura da Imagem:

A imagem apresenta uma bola de futebol improvisada, constituída por farrapos. Atrás, vemos uns pés descalços que representam e acentuam a pobreza existente em África, aliada à infância das crianças que assim vivem.
A ideia é também transmitir uma felicidade independente do dinheiro. O foco da imagem centra-se na bola, que representa a vontade e alegria de viver que não são influenciadas por classes sociais. De certa forma, acaba também por transmitir uma certa inocência e inconsciência da sua situação que é totalmente substituída pela alegria. Na minha opinião, transmite também nostalgia e saudade da infância. 



Criação de texto a partir da imagem:

Já dizia a minha mãe:
- Outra vez descalço no chão frio?! Vai calçar uns chinelos rapidamente!

Nunca. Já lá vão dezassete e não muda.

Sou um descalço, esta é a minha fuga. Correr no paralelo com a companhia dos arranhões e escuras pisaduras, chuto as preocupações de uma vida que se acumulam naquele esférico, e sou pequeno, outra vez.

Nunca sendo rapaz regrado, cresci com amigos de todo o lado, aqueles que o quisessem ser. O gordinho ficava atrás, ao passo que os outros atacavam, inspirados numa furiosa alegria, o que quer que fosse. Qualquer aposta ganha era a glória de uma infância.

O mais pobre era o que trazia a roupa de Domingo que só rendia quando a ganga rasgava e o mais rico era o da calça velha cortada ao joelho que vaidosamente exibia as suas melhores cicatrizes e rasgados arranhões.

E estivessem lá TODAS as infâncias perdidas deste mundo que nós faríamos equipas de fora e em cada sorriso traquina, penetrava esta euforia, porque com estes ia "dar mais pica".

Não há lei, ou teoria sequer, para a felicidade, mas é aqui que eu a acho e tenciono continuar a achar. Cada vez são menos os descalços, mas hão de voltar, nem que seja em forma de pedra do muro do meu jardim.




Bruno Eira, 12º D



Da Imagem - Dois Mundos - por Cristiano Pereira







  

Análise da imagem

Pawel Kuczynski é um pintor polaco conhecido por fazer ilustrações satíricas. Nasceu em 1976, graduando-se em artes gráficas na Universidade de Belas Artes de Poznan. Desde a focalização na arte satírica, Pawel já ganhou centenas de prémios e distinções.
 
Na imagem que apresento, aparece uma criança, de raça branca e mais gordo, a brincar com os seus brinquedos que estão em ordem a formar a palavra apple (maçã) e outra criança, de raça negra, magra, a comer um dos cubos de brincar, que apresenta a imagem de uma maçã, simbolizando uma verdadeira maçã que ele gostaria de comer.
A ideia chave da imagem está presente nos cubos e nas estaturas e raças das crianças. A crianç branca representa a população juvenil dos países desenvolvidos, enquanto que a outra criança representa a população juvenil dos países em desenvolvimento, ou do “terceiro mundo”. Através de estes símbolos, o pintor pretende fazer crítica à diferença existente na população mundial, pois enquanto umas brincam com os brinquedos que quiserem, e até brincam com a comida, outras não têm nem para comer, e brincar muito menos. 

Recriação a partir da imagem:

“O que mais pesa no mundo são os bolsos vazios”, já não me recordo onde ouvi esta frase, mas ficou-me no ouvido.
Numa noite, enquanto via o noticiário, veio-me de súbito a memória desta citação. O caso de que falavam era da dissolução de um dos maiores bancos portugueses, o BES, centenas de pessoas viram ser-lhes roubadas as poupanças de uma vida, sim, literalmente roubadas, pelos donos desses bancos. Pessoas vis, egoístas e gananciosas que não se interessam pelos mais pequenos, vivendo focados no seu mundo de riqueza e facilidades. Assim estás o mundo de hoje, onde o fosso entre os ricos e os pobres é escavado cada vez mais pela corrupção. 
O que mais me chocou foi ver o sofrimento espelhado na cara daqueles que perderam tudo. Pessoas que investiram para ter melhores condições de vida, estão agora com a corda no pescoço, muitos estão quase sem comida para terem à mesa. No entanto, o dinheiro teve que ir para algum lado, este foi desviado para os mais ricos e corruptos, que ficam com as coisas de quem batalhou por elas e as merece por direito. De modo que eu fico revoltado com tudo isto, com a sede das pessoas mais poderosas de quererem ainda mais.
Sendo assim, o que a expressão presente no primeiro parágrafo pretende dizer é que, no nosso mundo, existem muitas mais pessoas pobres que ricas, e a riqueza acumula-se toda em poucos, havendo assim muitas mais pessoas pobres que ricas, sendo estas uma, mesmo muito, pequena parcela de toda a população mundial (tal como está, dizes que os pobres são uma parcela pequena…). Deste modo, podemos dizer que o peso é a quantidade.
Temos esse exemplo no caso que falei do banco BES, onde muita gente perdeu todas as suas economias, que foram para algumas pessoas, as que desviaram esse dinheiro, aumentando assim ainda mais o peso de bolsos vazios no mundo, pois, por cada rico, existem ainda, muitos mais pobres.
Concluindo, nós vivemos num mundo de extremos, onde tudo se acumula neles, pois alguns têm tudo e muitos nada têm, sendo isto o que Pawel Kuczynski pretende mostrar, na imagem.



Cristiano Pereira, 12º D