quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eight Below




A Walt Disney Pictures apresenta mais um dos seus célebres e conceituados filmes: “Eight Below”, ou, “Antárctida - Da Sobrevivência ao Resgate”. Um emocionante e comovente filme de drama e aventura, do realizador americano Frank Marshall. O filme conta com a participação do famoso actor Paul Walker no papel de Jerry Shepard, que desempenha a personagem principal da história. Paul Walker tornou-se conhecido cinco anos antes da estreia do filme, após interpretar Brian O’Conner em Velocidade Furiosa (The Fast and the Furious).
A acção desenvolve-se em torno de Jerry (Paul Walker) e da sua sincera amizade com os seus 8 cães: Buck, Dewey, Max, Mya, Old Jack, Shadow, Shortie e Truman. Tudo começa na Antárctida, com uma equipa de expedição científica composta por três membros: Jerry Shepard, o guia da viagem; o seu melhor amigo, Cooper (Jason Biggs); e um rude geólogo americano Davis McClaren (Bruce Greenwood).
O geólogo vê-se atolado na neve e apenas os cães podem ajudar no seu resgate, demonstrando assim o seu espírito de ajuda para com os seus próximos e agindo como uma verdadeira família. Depois de são e salvo é imediatamente levado para ser tratado ,mas algo inesperado acontece: uma forte tempestade isola a região e Jerry, juntamente com o resto da equipa, têm de abandonar o local senão correm o risco da própria morte. O problema é que o único avião disponível para os levar de volta para os EUA é demasiado pequeno e Jack tem de tomar, provavelmente, a pior decisão da sua vida: deixar para trás os seus oito cães. Durante o duro inverno da Antárctida, os cães vêem-se obrigados a lutar pela sobrevivência na imensa vastidão congelada por seis meses. É neste momento que podemos assistir ao carinho que existe entre um animal e uma pessoa, porque o sofrimento dos cães e do dono por terem de se separar é terrivelmente triste. Torna-se evidente que não é por acaso o ditado “o cão é o melhor amigo do Homem”, e aqui encontra-se a verdadeira prova disso. Mas o amor que Jerry sente pelos seus cães ultrapassa todos os obstáculos e, mesmo do outro lado do mundo não desiste, pois tenta fazer de tudo para arranjar uma equipa que os possa salvar, embora ninguém pareça querer arriscar-se numa aventura que poderá ser fatal.
Devo confessar que este filme me marcou imenso e não tenho memória de  me ter emocionado tanto num filme. Chorei praticamente em todo o filme, e logo eu que nem costumo ser muito sentimental em relação aos filmes que vejo. Destaco, principalmente ,o facto dos cães, contraditório com a maioria dos filmes da Disney, não falarem como os humanos. Agem como cães normais e conseguem demonstrar a sua inteligência e, sobretudo, os sentimentos tanto de amizade como de inter-ajuda. Fiquei “colada” ao ecrã do começo ao fim, pela história forte que transmite, pelas cenas marcantes que contém e também não posso ignorar o jeitoso do Paul Walker, que com os seus lindos olhos azuis foram sem dúvida uma mais-valia para o sucesso deste filme.
Antárctida - Da Sobrevivência ao Resgate” não desilude na interpretação dos actores e, principalmente, no treino dos animais. Uma história para toda a família que promete dar o que falar.
O filme, que ganhou um prémio no “ASCAP Film and Television Music Awards” (2007) e também foi nomeado para o festival “Satellite Awards” (2006), foi inspirado nos acontecimentos da Expedição Japonesa à Antárctida, em 1957, que serviu também de base para o blockbuster japonês, "Nankyoku Monogatari" ("Antárctica").


Mayara, 10ºA

Para a minha irmã

«Para a minha irmã», titulo original «My sister’s keeper», é um filme estadunidense, baseado no livro de Jodi Picoult, e realizado por Nick Cassavetes, mesmo realizador do filme «The Notebook».
«Para a minha irmã» é um filme dramático, com duração de 109min. Estreou dia 17 de Setembro de 2009 em Portugal.

O filme é sobre um casal, Sara (Cameron Diaz) e Brian (Jason Patric) Fitzgerald, que são pais de dois filhos, Kate (Sofia Vassilieva) e Jesse (Evan Ellingson). Quando Kate tem dois anos de vida, descobrem que ela é portadora de uma doença rara, LMA (leucemia mielóide aguda). A única solução é conceberem uma criança geneticamente combinada para salvar Kate. Depois de Anna (Abigail Breslin) nascer, é sujeita a muitas operações. Quando Anna chega aos 11 anos de vida, contrata um advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin), e pede emancipação médica. Alexander só aceita o caso de Anna Fitzgerald, porque sabe o que é não ter controlo sobre o próprio corpo, pois sofre de epilepsia.

É um filme que retrata a vida de uma rapariga que sofre uma doença rara, retrata os seus sentimentos, as suas memórias e o seu relacionamento com a família. Retrata também o amor de mãe, que é capaz de tudo para salvar a sua filha. É uma lição de vida. É tocante e expressivo aos espectadores, consegue comover a [o verbo não pede essa preposição- regência] qualquer tipo de pessoa.
Tem óptimas personagens e um ambiente acolhedor e sincero. Consegue mudar a maneira de pensar, pois mostra como é a vida de pessoas com cancro, e como consegue afectar tudo a sua volta.
Sofia Vassilieva, Kate no filme, para tentar perceber como era ter cancro, saber como era ficar sem cabelo, para encarnar mais a personagem, literalmente rapou o cabelo.
De 1 a 5, é um filme considerado em 4 estrelas.
Este é um drama de suspense, um romance de Picoult, que capta a nossa atenção do princípio ao fim, escrito com um toque de elegância e com um olhar profundo em relação aos pormenores e a compreensão abrangentes na delicadeza e na complexidade das relações humanas.[Citação:http://www.wook.pt/ficha/para-a-minha-irma/a/id/175370.]
A banda sonora faz com que o filme seja mais profundo, com a musica de Peter Yorn, "Don’t Wanna Cry" e "Feels like home" de Edwina Hayes.
É, sem dúvida, um filme que muda a perspectiva do pensamento e a perspectiva de vida. Um filme que muda a maneira de viver, porque tragicamente, a nossa vida pode dar muitas voltas.
Um filme que não se pode perder.





Bruna Castro 10ºA

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Onda de Calor


“Onda de Calor”, realizado por Andrew Prowse, onde encenam alguns actores populares como Chris Cleveland, D.B. Sweeney, entre outros. [a construção da frase está incompleta: falta a continuação da subordinante...]
De imediato o nome do filme remete-nos para aquecimento global, temperatura a aumentar, icebergs a derreter, a terra a mudar, mas neste caso, existem coisas um pouco mais alarmantes do que alguém pode imaginar. Está relacionado com o aparecimento de extraterrestres, é então que a equipa especializada de major O’Bannon é enviada para a ilha de Palaloa, no sul do Pacífico, e tentam encontrar [falha na concordância] vestígios de ondas TAU 7 que são provas científicas que conseguem testemunhar a existência dos mesmos.
Tudo é passado em torno desta ilha, em busca de indícios da onda ou mesmo dos próprios OVNIS, um enredo muito interessante. Além do emaranho do filme ser bastante apelativo, a ilha onde este se passa é muito bonita, com umas paisagens espectaculares, envolvendo ao mesmo tempo floresta, praia, meninas bonitas, e um belo mar límpido e quase transparente.
Tudo factores muito apelativos, o único grande e trágico problema da fita, são os seus efeitos especiais. Os próprios E.Ts. que à partida são uma coisa muito importante neste filme, em que os produtores deviam ter tido um grande investimento, ficam muito aquém daquilo que nós sabemos que é possível fazer. Hoje em dia, com toda a tecnologia, é possível que estes seres pareçam reais, mas neste filme não passam de um bocado de plástico com um homem que se move no seu interior. Até as cenas de confronto entre extraterrestres e os homens, o sangue que é deixado pelos marcianos, nem sequer se parece com o ketchup que hoje em dia é usado para este tipo de cenas. Por favor, os produtores de efeitos do filme ou não acompanharam a evolução da tecnologia ou o orçamento relativo a estas cenas era pouco extensivo.
Tudo tão bem escolhido, desde personagens, local, podemos dizer tudo perfeito, mas deram pouco interesse a um aspecto muito importante no secuo XXI, OS EFEITOS ESPECIAS, cujo esses [ui ui! bastaria um "que"] deixam muito a desejar.



Diogo Mota 10ºA



Nota: os itálicos foram introduzidos pela professora e indicam imprecisões do discurso ou correcções. Pretende-se, assim, fazer uma abordagem didáctica dos erros, que sirva a todos e não só ao autor.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Into the Wild


 
Filme: “Into the Wild” (Na Natureza Selvagem)
Género: Drama
Realizador: Sean Penn
Estreia:
21/9/2007 (Original)
Banda Sonora: Eddie Vedder


“Into the wild” realizado por Sean Penn é uma adaptação do livro do jornalista Jon Krakauer que conta a história do jovem Christopher Mccandless que, terminando a faculdade, opta por prescindir da sua vida privilegiada e partir em busca da aventura, decidindo ir viver junto da natureza, doando as suas economias à caridade com o intuito de se ver livre de tudo o que é material. O desejo de se ausentar de um mundo materialista e consumista, faz com que Christopher Mccandlless embarque na melhor viajem da sua vida.
A coragem de renunciar a todo o materialismo e prazeres da vida, torna Alexander Supertramp (identidade que Christopher M. adoptou) um extremista, apelando ao seu instinto de sobrevivência.
É, sem dúvida, um filme para parar e pensar. Um filme que reflecte o significado da vida e dos valores morais e éticos. Into the wild, interpretado pelo excelente actor Emile Hirsch, é uma história notável e verídica que apela à nossa atenção, remetendo para o lado mais simples e belo da vida. A fita fala por si!
As paisagens do filme fazem sonhar qualquer um. Só visualizando o filme é que é possível observar a natureza na sua beleza mais pura. Imagens raras que marcam a paixão de um homem pela natureza, cada árvore, cada rugido e sopro de cada animal, cada espécie, cada rio. A banda sonora é mais um benefício a favor. Eddie Vedder (vocalista dos Pearl Jam e amigo de longa data de Sean Penn) dá voz às músicas, produzidas pelo próprio propositadamente para este filme, com a melodia cativante que Vedder atribui a todas as suas canções.
Apesar de toda a revolta com a sociedade e bens materiais, a melhor lição é que para a felicidade completa necessitamos, além da natureza, uns dos outros. - “Hapiness is only real when shared.”
Chistopher Mccandless quis fugir da sociedade materialista em que vivia, mas compreendeu que não havia fuga possível, senão se adaptar a essa mesma sociedade. O nobre Supertramp (Vagabundo) acabou por perder a vida num autocarro no Alasca em 1992. Morreu onde queria morrer: junto da natureza. Cumpriu o seu destino final – chegar ao inóspito Alasca. A sua luta à sobrevivência foi forte mas insuperável. Christopher Mccandless percebeu que a natureza para além de bela, era selvagem e perigosa. Apesar de tudo, ele deu a conhecer o valor da verdade e aquilo que realmente é importante ao longo da nossa existência.
 

CITAÇÕES
“…how important it is in life not necessarily to be strong... but to feel strong. “
“The freedom and simple beauty is too good to passe up”
“Rather than love, than money, than fame, than fairness… give me truth.”
“Some people feel like they don’t deserve love. They walk away quietly into empty spaces, trying to close the gaps of the past.”
“I’m not superman, I’m supertramp!”
“The core of mans’spirit come from new experiences.”
“When you want something in life, you just gotta reach out and grab it.”





Ana Luísa, 10º A

domingo, 9 de janeiro de 2011

Wanted (2008)



«Wanted», ou, «O Procurado» é um filme de acção do realizador russo Timur Bekmambetov, conhecido principalmente pela realização de «Nochnoy Dozor» e «Guardiões do Dia».

O filme gira em torno de um rapaz que trabalha num escritório cuja chefe, Janice, passa a vida a atormentá-lo, bem como aos outros colegas de trabalho. Este rapaz é Wesley Gibson, personagem interpretada por James McAvoy, sendo um “Zé-ninguém” que, para além de ter uma chefe horrível, uma namorada que o trai com o seu melhor amigo e ataques de pânico, é insignificante.

            Tudo isto muda quando este descobre uma fraternidade de assassinos, que lhe diz que o seu pai fora um dos maiores assassinos de sempre e que lhe tinha deixado uma imensa fortuna, bem como um lugar nessa fraternidade chefiada por Sloan, Morgan Freeman. Apesar de não ter bem a certeza do que fazia, Wesley entrou na fraternidade e desde logo foi treinado por Fox, Angelina Jolie, para se tornar tão bom como o pai tinha sido e cumprir o objectivo de matar o homem que o assassinou.

            Apesar de o filme ter algumas partes a que até se podem chamar de falhas – ou não -, acho que o filme é bastante razoável e apelativo, visto que tem algumas “novidades” quanto às cenas de acção e tiroteio. Muitas pessoas acham que este filme não é muito coerente com a realidade, pois desrespeita as leis da física e por isso consideram-no mau. Balas que curvam, um homem que corre a uma velocidade abismal, salta de um dos andares mais altos de um edifício elevadíssimo e fá-lo com os estilhaços de vidro a cobrir todo o seu corpo, coisa que o teria magoado e muito. Este praticamente “voa” uns bons metros e vai parar ao edifício do outro lado da rua, entrando pelas janelas normalmente. Ou então, quando Wesley e Fox fazem com que o carro levante, passe por cima de uns outros tantos com uma volta de 360º e caia direito. E ainda outra que, pessoalmente, adorei, foi aquela em que Fox tira Wesley da frente do camião de Cross, o assassino do seu pai com uma derrapagem a alta velocidade e ao fazer um “peão”, Fox consegue que Wesley entre pelo lugar do morto para dentro do carro.

            Muito bem, tudo isto são cenas um pouco irreais, mas todas essas cenas com origem na adrenalina das personagens, que eleva os seus batimentos cardíacos para 400 por minuto dão um realce especial a este filme que, tal como todos os outros, é ficção! Esses “adereços” um quanto ou tanto irreais é que são o fundamento do filme, porque se ele não os tivesse, era um filme comum, como todos os outros e perderia todo o interesse. Eu falo por mim, porque o que me despertou no filme foram exactamente essas cenas sensacionais que apesar de serem pura edição de efeitos especiais, são aquilo que um filme deste tipo precisa, porque ninguém vê um filme de acção à espera de ver o desenvolvimento de uma história muito aprofundada, até porque a história deste dá voltas atrás de voltas e está cheia de mentiras.

            Só tenho pena que o filme se desenvolva apenas em torno de McAvoy e Angelina Jolie, pois gostaria de ver um pouco mais dos restantes membros da fraternidade, ou até mesmo da chefe de Wesley, ou de Barry. Morgan Freeman, por exemplo, podia ter mais influência no filme, mas limita-se a fazer o papel de chefe, autoritário e sábio, bem como Thomas Kretschmann que tem duas ou três falas nas cenas de tiroteio e nada mais. No entanto, não temos de nos preocupar, pois há uma beldade chamada Angelina Jolie que preenche o vazio deixado por eles.



Pedro Pinto, 10ºA

A crítica...


Segundo Fialho de Almeida (contemporâneo de Eça), "Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fez o crítico à semelhança do gato", misto de graça elegante e garra afiada. E desafia-nos: 

"Desde que o nosso tempo englobou o homem em três categorias de brutos, o burro, o cão e o gato - isto é, o animal de trabalho, o animal de ataque e o animal de humor e fantasia - porque não escolheremos nós o travesti do último? É o que se quadra mais ao nosso tipo, e aquele que melhor nos livrará da escravidão do asno, e das dentadas famintas do cachorro. 
Razão porque nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca."

O desafio é, agora, meu: até ao fim do mês, transformem-se em gatos :) e apresentem um artigo crítico sobre um filme, um livro... já sabem quais as regras que devem seguir ;-) mas, não esqueçam, devem cruzar a componente da informação com a componente da opinião, os protótipos descritivo/explicativo com o argumentativo.




Fico à espera... rooooonroooooon

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Poemário



Eis-nos entrados em 2011!
Nada melhor, para começar o ano, que pôr um poema na MESA... alimenta a alma e não acresce em calorias :)





Acabámos o ano com um poema trazido pelo Diogo Mota e começamos novo ano com um poema trazido... pelo Diogo Mota. Foi este que mais tocou os corações da turma, mas ficam os louvores a Alberto Caeiro e Alexandre O'Neill, outros grandes poetas que nos visitaram.


na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco
 









Eis outros poemas, ditos pelo próprio:










A palavras para o próximo poemário: AVE.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Poemário


E, como o Natal está próximo, a palavra chave deste poemário não poderia ter sido outra. Fomos visitados por David Mourão Ferreira, por Sidónio Muralha, por Pessanha e por Pessoa, mas foi Manuel Alegre o eleito pela turma, mérito do Diogo Mota, que o trouxe e tão bem o soube dizer.



NATAL


Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.


Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.


Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.


Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.


Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.



Manuel Alegre, "Coisa Amar" 1976

 

E um maravilhoso Natal para todos!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Poemário

Com atraso de uma semana chega o poema que fala de AR... e dos restantes elementos! :)
Foi o Pedro Pinto quem o apresentou e convenceu os colegas a escolherem-no.




Sou poeta do mar
Da terra e do ar
Sou poeta do fogo
Do que não pode calar
Do que arde em chamas intrépidas
Do que é preciso lagrimar
Em versos ritmados
Em desejos alados
Em suspiros recolhidos
Em conchas de brocados
Sou poeta das montanhas, das rochas 
Do vento
Dos desertos sem alento
Sou poeta do dia e da noite
Das madrugadas cortadas no açoite
Dos pensamentos sombrios
Dos incontidos desvarios
Sou poeta das matas, dos rios
Da fauna e da flora
Das estrelas do escuro manto
E da aurora
Sou poeta do riso e do pranto
Poeta dos simples, das crianças
Dos rejeitados e oprimidos
Em suas andanças
Sou poeta do amor
Poeta da dor
Dos jovens e velhos
Em suas esperanças
Sou poeta de toda gente
De todo lugar
Sou poeta
Poeta sou


                       Úrsula Avner (Úrsula de Almeida Vairo Maia)




Sobre a autora: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=51352




Quanto ao nosso Poemário, só voltaremos em meados de Dezembro. A palavra, naturalmente - NATAL.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Feliz Aniversário!

Hoje Saramago faz 88 anos. Uso o presente intencionalmente: homens assim não morrem.
O aniversário é do Saramago, a prenda recebia eu.
A Ana Luísa trouxe-me, precisamente hoje, um texto que escreveu inspirada pelo do Saramago "O Sorriso". Ela consentirá que partilhe esta prenda convosco.



     O sorriso não tem descrição única, não tem situação marcada, nem até uma emoção determinada.  O seu simples acto lança variadas manifestações, assim como o chafariz lança cada gota de água.
     O sorriso varia com as pessoas, as experiências e os sentimentos. Mas todas as pessoas já foram merecedoras de sorrisos e já sorriram, espontaneamente. O sorriso transmite paz, simpatia, alegria, veracidade e, até, ousadia. Acalma o coração da gente e dos animais. Até eles percebem o que um sorriso transmite. O sorriso serve de "sim" e uma pergunta inesperada, num dia, num jardim, entre duas pessoas enamoradas. Ela sorri e segue-se um outro sorriso da parte dele, como uma nascente enchendo-se de novo, sem parar de fluir neles.
     Um verdadeiro sorriso, que seja simples e sereno, contém uma empatia e uma emoção tão puros que nem um riso melódico pode superar, ou até mesmo o olhar de uma ninfa. A simplicidade é o segredo, é esse o valor que tem. Sem sorrir, as emoções não são extravasadas para o mundo cá fora, há dureza, rostos sem expressão, palavras por dizer e sorrisos que os completam.
     Acredito que o sorriso seja a verdadeira luz da emoção.


Ana Luísa, 10º A






O texto de Saramago, que inspirou o da Luísa, é este:


O Sorriso - José Saramago
Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso.