terça-feira, 21 de setembro de 2010

A minha estação favorita é o Inverno

Férias de Verão.
De cada vez que a palavra passa pela minha mente só me apetece fazer uma cara feia.
Não gosto das férias de verão. São longas, cansativas e o clima é insuportável.
Por isso, nestas férias eu não fiz nada.
Absolutamente nada. Não fui à praia (ou piscina), porque está sempre ventoso e não gosto de ver, ou estar, de roupa de banho, além de que a areia é suja e nunca se sabe o que se pode calcar com os pés descalços. Visitei os meus amigos uma, ou duas vezes, embora falasse com eles via internet. Não fui a discotecas nem fiz grandes planos como toda a gente. As únicas alturas em que saía era para ir ao cinema com familiares. Não viajei, porque a minha família tem férias curtas e gosta de aproveitá-las de uma forma mais caseira.
E se querem saber, adorei. Adorei as minhas férias.
Estive em minha casa, que é um sítio bastante fresco no Verão. Adoro ver filmes e, nestas férias, tive a excelente oportunidade para ver tantos quanto queria. A maioria das minhas compras consistiram em bandas desenhadas e/ou material de desenho. Estive no meu computador grande parte do tempo; a ver séries de televisão e blogs que continham assuntos que me interessavam. Aproveitei o meu vasto tempo para me cultivar e explorar alguns dos meus gostos pessoais. Enchi blocos e blocos com desenhos e, no fim do verão, comprei mais dois.
Não posso dizer que tive umas férias fantásticas como toda a gente, mas sinceramente, eu também não tenho exactamente a mesma definição de férias que eles têm.


Carla Gonçalves 10ºA

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Férias aos Momentos




     Férias! Talvez a palavra favorita no dicionário de um estudante. As férias não são dadas, são um direito, um prazer estimulado pelos gostos pessoais e vivências.
      Viver as férias é a coisa mais rara do mundo. Participo nesse "viver"! Quem não gosta de um despertador desligado, de um gelado a derreter pela mão, do som do mar? São estes três meses de Verão que nos fazem observar o lado direito da vida, as particularidades simples, as recordações que ficam das férias, a falta que fazem...
      As memórias que ficam, as músicas das noites quentes de Verão, o sol e o seu calor, as viagens... Sinto toda a nostalgia enchendo o meu ser, fazendo-me recordar o que o Verão tem de melhor, sobretudo, passado nesta inocência de idade, na juventude em que vivo.
      Acho que nem mil linhas iguais a estas onde pousam as palavras que escrevo, seriam suficientes para relatar estas férias, explicar os acontecimentos e apontar pensamentos. Apesar de curtas, como todos notam, servem para aperfeiçoar prodígios, dedicar tempo aos outros, preencher corações e espaços. Eu fiz uso dos mesmos. Conheci gente e locais. Tive conversas brilhantes e ridículas com pessoas que, provavelmente, nunca mais irei ver. Tive oportunidades para viver, conhecer e experimentar. Citando Christopher Mccandless "A alegria da vida vem dos nossos encontros com novas experiências." 
     Férias estas, loucas e confusas! Com stress, correrias e planos de última hora. Deu-me prazer andar por ruas estreitas ao final do dia, quando a luz estava baixa e quente. Houve tempo para relaxar, para gritar e dançar. Não faltou um pouco de calma e perseverança. Quero agora, atenuar as emoções que expulso para este papel, tão fortes e agitadas como ténues e afáveis. Este Verão deixou-me sedenta de vida, deixou-me mais livre que a própria liberdade, livre de sedentarismo, de campainhas e horários! A vida fica instantaneamente melhor nas férias. São simples pormenores que nos fazem viver as férias, viver o Verão! 
     As férias não são feitas de semanas e de meses, são feitas de momentos.




Ana Luísa, 10º A

As minhas férias


Este ano as minhas férias foram espectaculares comparadas com as dos anos anteriores. Nos anos anteriores eu ia, de vez em quando, à praia e raramente saía de casa, ou seja passava as férias fechado em casa, e acabava por stressar.
Este ano eu também fui raramente a praia, o que foi mesmo fixe, pois eu odeio praia. Mas o melhor das férias foram todos os concertos a que eu fui, se pequenos ou grandes não importa, foram todos espectaculares, principalmente, o Milhões De Festa, porque passei três dias com amigos, a ouvir bandas espectaculares, acampámos, fomos à piscina, foi mesmo fixe, e como toda a gente sabe, o melhor ambiente em que se pode estar é com os amigos e, se for em concertos, ainda melhor.
Depois desse festival ainda fui a mais um, ao GSM, que não se compara ao milhões, mas também foi fixe, também teve boas bandas, e DJ de metal, o que foi espectáculo, também jogámos paintball.
É óbvio que fui a mais concertos, mas se falasse de todos estava perdido, não saía daqui. E foram estas as minhas férias.





Renato Barbosa, 10º A

Caminhar...

Porque não quero que fiquem escravizados a um estilo de texto, deixo-vos um outro, para vos servir de mote. Este é de cariz mais intimista, difuso...
É outra possibilidade de trabalho ;-)
Fico à vossa espera.

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Caminhar 



Ela pisou os mesmos passos de há muitos anos atrás.
A mesma praia, a areia outra, a mesma vida, a solidão outra. Já não é a mesma que caminhava, um dia, naquela areia, apesar de ser a mesma pessoa.
Cresceu, viveu, conquistou. Perdeu também. Quantos sonhos realizou? 
No fundo, é aquela que imaginara ser.
Descobre-se, agora, serena, com desejo de realização.
Mas os seus sonhos já não são vastos como o mar.
Pisando a areia, olhando o mar, descobre que o seu sonho é, simplesmente, o de sentir aquela mão no seu ombro. E de, materialmente, a poder tocar.

O seu sonho é, simplesmente, deixar de sonhar.







Fátima Gomes


domingo, 12 de setembro de 2010

Em jeito de Boas-Vindas...




Bem-vindos, meus caros!

Começa mais um ano lectivo e eis que se vêem face a um novo desafio: o ensino secundário. Por aqui, desafio-vos eu a entrarem neste espaço de escrita – imaginem o que construirão durante os três anos que agora se abrem, generosos e promissores, à vossa frente!

Deixo-vos, então, a primeira proposta… malandra… :)


Tal como no primeiro ciclo, em que vos pediam para fazerem uma composição sobre as vossas férias, neste começo de ciclo, eu peço-vos o mesmo. Mas eu não quero uma enumeração de localidades e datas! É aqui que revelarão o que cresceram desde então. Proponho-vos que falem de algo que vos tenha chamado a atenção, nestas férias. Pode ser a nível pessoal, ou nacional. E o explorem, trabalhando o estilo.

 
Não que seja um modelo, mas para dar o mote, para vos animar, começo eu. Como vêem, não estão sozinhos na caminhada que agora iniciamos.

E também têm a ajuda da Cláudia, colega vossa, já universitária, que por aqui anda desde o 10º ano :) É que, na verdade, esta será sempre a vossa casa.


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 Tenda Cinco Estrelas

     

     As férias. Viver as férias. Ou, simplesmente, passá-las.

     Da minha parte, vivi-as. Sei lá, tenho esta mania de participar naquilo em que me vejo envolvida. Como viver. Porque, é verdade, há quem viva sem estar plenamente convicto de que o está a fazer. O contrário dos sportinguistas, por exemplo, que o são estando plenamente convictos do que estão a fazer. Em ambos os casos, é como que uma fatalidade…

      É verdade, estou a divagar… mas falamos de férias e estas pedem esse “devagar”, ou “divagar”, se tiver o açucarado brasileiro. Ah, pois, lá estou eu… é este desejo de ainda estar de férias, o caro leitor entenderá, certamente. Pois sim, darei o exemplo: o que assinalo das minhas férias, o que me chamou a atenção…
    

Descobri, numa reportagem da televisão, que os portugueses fazem cada vez mais campismo. E, se muitos o fazem por razões económicas, outros invocaram uma razão maior: a liberdade que não se encontra num hotel de luxo. Eu, que passei uma semana a acampar, compreendo-os bem. É, de facto, entediante, castrador, até violento, passar uma semana num hotel, violência apenas superada se esse hotel for de luxo. Pensem só na violência de nos levantarmos de manhã, irmos à casa-de-banho, e não termos uma fila de espera – a solidão de uma casa-de-banho. Termos, diariamente, as toalhas, os lençóis, imaculadamente lavados… tudo aparece feito -mas com o quê ocuparemos o tempo? O horror do tédio… Chegar à sala do pequeno-almoço e confrontarmo-nos com a arrepiante visão de mesas e mesas de iguarias, depois de termos passado o ano inteiro a sofrer as passas do Algarve (essa Meca do turismo) para emagrecermos uns gramas… e o risco que se corre, nesses espaços, de nos cruzarmos com uma figura pública? Com um Cristiano Ronaldo ou um Macário Correia? E de aparecermos numa capa de revista, qual emplastro desprevenido?
     Ah! Na verdade, não há nada como a liberdade de um parque de campismo! A liberdade de desmontar a tenda e de voltarmos para casa, depois de duas noites a ter o vizinho do lado a ressonar, como se estivesse no nosso quarto.

 


Fátima Gomes

Caneta em punho e Fialho de Almeida no bolso


Permitam-me, meus caros, brindar-vos com um breve compêndio daquilo que foi, ou pretendia ser, um católico (e por isso respeitável) baptizado. Mas não sem antes referir que, dois séculos depois, Eça, ou aliás, o seu riso ao português, continua áureo e imaculado.
Imaginem, caríssimos comparsas, imaginem e examinem, uma inaudita igreja, com um portentoso altar e portentosos santos - sim, pois não se pode esconder que santos há bem mais pagos do que outros. Casos como o da Santa que aceitou o ofício de Srª da Agonia, revelam notabilíssima visão económica aliada a uma respeitável estratégia de marketing - ora não são os crentes agoniados crónicos?
Voltando à casa dos santos, esta permanecia abafada num respeitoso odor a corpo e sangue de Cristo, mau grado mais a corpo, para dar as boas-vindas aos emigrantes que nela iriam presenciar a absolvição do pecado original da criança.
Emigrantes de vários cantos, talvez canteiros, da esfera terrestre, em ostentação da vistosa fortuna ganha nos últimos meses que trazem esfregada no brilho dos vestidos, das anilhas e coleiras.
Perscrutem agora, caríssimos, o delicioso e erróneo francês misturado com salsa e azeite, pronto para acompanhar o cozido à portuguesa.
Mas deixemo-nos lá de visões oleosas, porque é tempo de assistir à respeitável cerimónia e o sacerdote já sua pressa pela testa abaixo.
Os padres são inegáveis criaturas complacentes com bracinhos e mãozinhas sempre disponíveis para ajudar. Outra coisa que também conseguem fazer, é parar a cerimónia para mandar calar dúzias de famintos emigrantes que assistem ao baptismo comentando o jogo de futebol do dia anterior e o ordenado do vizinho:
“Minhas senhoras, minhas senhoras, please, s’il vous plaît, tenham respeito. Silêncio para continuar a cerimónia.”
Fazia-se então respeitoso silêncio, enquanto durava o eco mental do ralhete, para logo se refazer a malha palratória das cusquices coloquiais.
Eu, presenciava brutalmente deliciada com um cenário tão encantador.
Enquanto que lá fora o calor castigava os pecadores, a fresca e confortável Igreja convidava ao circo sem bilhete exigido. Como poderia alguém dispensar tal oferta?!
E depois eram os Ámens… ditos onde se não dizem Ámens! Coisa triste e vergonhosa, pois, como é sabido, Nosso Senhor estipulou, meticulosamente, os momentos onde se deve balir o Ámen e fazer olhos tristes.
Interrompe então e uma vez mais, o sacerdote ofendido:
“Que discípulos… então não avisei que só se dizia Ámen no final de por nosso Sr Jesus Cristo?”
Mas havia chegado o momento de renunciar ao pobre Satanás, que sempre arca com as culpas, e eu já me desfazia de júbilo e prazer contidos.
O que não esperava eram os esgares duma impressionante criatura vinda, com certeza, dos confins do Inferno para me acompanhar na minha missão de herege olheiro.
Era um cadáver pestanejante com uma blusa às bolinhas. Estremeci. Na minha conversa interior ouvia-me dizer:
-É a tia do Teodorico, é mesmo a tia, encarnou…
A D.Patrocínio recrudescera da Relíquia onde Eça a deixara fechada, fizera-se carne e estava no meio de nós.
Finda a cerimónia, sucedia-se a protocolar e interminável sessão de flashes: foi logo a criancinha, de 720 horas de vida, triturada por incontáveis colos decotadíssimos, em mil poses sugeridas; ora com a chuchinha, ora sem ela; ora mais deitadinha, ora com a cabecinha mais levantada; ou dentro da soturna igreja, ou fora dela, com o sol cancerígeno acariciando-lhe o olhinho de cor azul desprotegido; ora com a fitinha, ora com a minha vontade de dela fazer uma fisga de lançamento de hóstias, modelo 305 versão DF.
Repetia constantemente de mim para mim, o que pensaria D. Patrocínio sobre tudo isto?
E sobre o copo de água?
Todo o processo envolvido no requintado provimento nutricional me pareceu, deveras, belicamente complexo e intrincado, tanto a nível sociológico como cultural:
Enfaixavam-se distintamente duas frentes de combate; dum lado a RFA, República Federal Amélie, armada biologicamente de pindériquices com sotaque, do outro a RDA, República Democrática Amália, com o seu arsenal burlesco, protegendo as suas raízes.
Subiram-me os medos pela espinha, quando reparei que as mesas não tinham lugares marcados e sendo redondas, obrigavam nitidamente a co-existência das duas faixas inimigas.
Os lavabos tornavam-se nos únicos locais pacíficos, dos quais se poderia dispor durante o período de contenda, pois ambas as partes dignificavam humanamente o alívio das águas.
D. Patrocínio desaparecera. Certamente, as touradas argumentativas que temperavam o bacalhau lhe causaram azia, mas não era o seu estado natural?
Num cantinho recatado, apesar dos guinchos dos meninos curiosos que corriam à sua volta, a criancinha dormia agora descansada, livre do pecado e ignorando divinamente o mundo em que nascera.

sábado, 10 de julho de 2010

Verão no Campus

Para quem estiver interessado em fazer algo de muito útil e também para ver o que o curso é aconselho:

Digo desde já que a Universidade do Minho em vários departamentos é das melhores... Aproveitem as férias!!

domingo, 20 de junho de 2010

Ainda, Saramago...

"A morte existe para que possamos viver"



Há dois dias atrás, dia 18 de Junho de 2010, José Saramago começou a viver.


O que hoje vai a ser enterrado é uma parte do Homem, talvez aquela que é mais pequena, o casaco que vestimos, a mão que cumprimenta... no caso de Saramago, não será "coisa pouca", já que vai também o seu génio criativo. E assim, quem perde um pouco da vida, somos todos nós, pois perdemos alguém, homem como nós, que era capaz de revelar que o Homem é mais do que aquilo que dele vemos, o casaco vestido, a mão que cumprimenta.
Salvador Dali dizia que um génio não deveria morrer - tem uma responsabilidade perante o mundo. E é nesta dimensão que todos nós perdemos alguém próximo, no passado dia 18 de Junho. E os portugueses, em particular. Mais uma vez, os nossos maiores embaixadores, nos tempos modernos, depois da epopeia dos descobrimentos, são os escritores. Não são os políticos. Esses, como tantas vezes na história o têm feito, desmereceram o homem e o povo. Mas Saramago mostrou, no fim, que sempre foi e se sentiu português. Por isso regressou, para ficar. Que Portugal o receba, agora, como merece um bom filho - quem verdadeiramente ama critica, no ensejo de fazer melhor, de construir, e nunca Saramago deixou de amar Portugal.


Há dois dias atrás, dia 18 de Junho de 2010, José Saramago começou a viver... na eternidade da sua obra.




Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra...
Era uma vez a gente que construiu esse convento...
Era uma vez...






domingo, 6 de junho de 2010

Tóquio



Para começar não foi a imagem que me escolheu, mas sim eu que a escolhi, uma vez que fui eu que a coloquei aqui e estou a justificar o porquê. As razões que me levaram a escolher esta imagem são simples e objectivas, ora porque representa aquilo que eu gosto, ora porque contém nela o que me interessa de uma maneira mais global. O local a que corresponde esta fotografia é Shibuya (渋谷区), no coração de Tóquio (東京), capital do Japão (日本). Este local é um dos mais famosos do mundo, e a passadeira diagonal que se vê na figura é a passadeira mais movimentada do mundo, imaginem cerca de 1500 pessoas a atravessarem-na cada vez que a luz para peões fica verde, e isso multiplicado pelo número de vezes que isso ocorre ao longo do dia, é algo que nos parece impossível a nós, que vivemos num pequeno país como é Portugal, pelo menos a nível territorial e populacional.

Várias das coisas que me agradam nesta fotografia são a quantidade de pessoas que nela aparecem, as lojas, e o facto de ser noite, e de nela aparecer esta conjugação de “vida” e luz. Para mim é um local em que gostaria de estar todos os fins-de-semana.

Penso que esta imagem acaba por falar por si na maneira como foi “tirada”, de noite e com uma boa captação de luz, e penso também que não teria o mesmo valor e impacto se tivesse sido de dia ou se todas as luzes fossem inexistentes.

O que mais me atrai neste centro urbano é a sua actividade, talvez por divergir por completo da zona “rural” em que vivo, como seria quase qualquer cidade portuguesa ao lado do que nos é exemplificado pela fotografia.

E, porque no que diz respeito a imagens, elas falam por si próprias, não quero roubar-lhes esse lugar, até porque esta acaba por o fazer muito melhor do que eu. E porque, ou se gosta logo à primeira vista da imagem, ou então nem 1000 palavras nos farão mudar de ideias, dou por concluída a exposição da minha opinião sobre a imagem.


Bruno Guimarães, 12º C