Este é um espaço para os meus alunos de Português... os que o são, os que o foram... os alunos da Escola Secundária de Barcelos... (e seus amigos que, se "vierem por bem", serão muito bem recebidos!)... Poderá vir a ser um ponto de encontro, onde a palavra escrita imperará, porque acreditamos, ao contrário de Torga, que escrever não é "um acto inútil"... inútil é calar.
domingo, 6 de junho de 2010
Sociedade de Engorda
Há dias andava a vaguear pela Internet à procura de algo interessante, até que, de repente, fui “achado por esta imagem”, que me captou por diversos motivos, mas, essencialmente, surpreendeu-me pela idade dos protagonistas e pelo seu notório excesso de peso.
Cada vez mais a obesidade é um factor a ter em conta no quotidiano mundial. Depois de ver esta imagem, e decidir que iria falar sobre ela, optei por fazer uma pequena pesquisa sobre o assunto. Deparei-me com factos realmente surpreendentes, que nos passam ao lado todos os dias, mas que existem e são extremamente preocupantes.
Esta imagem captou-me, como disse anteriormente, pelas idades das crianças nela presentes, mas muitos outros assuntos vêm à tona. Primeiramente, reparamos que estas crianças estão no Mc`Donalds, ora isto é logo preocupante, pois ou os pais destas crianças não se preocupam minimamente com o futuro delas, ou acham que está tudo bem. Ao ver esta imagem, lembro-me também do que passei quando era mais novo, pois também eu sofria de excesso de peso, e apesar de ter bons colegas, sempre havia aqueles que nos tentavam humilhar. Desta forma, acho muito problemático a falta de ajuda nos hábitos alimentares, e até a nível psicológico, pois estas crianças sofrem ataques frequentemente e, parecendo que não, para eles a comida é o melhor amigo, fazendo com que percorram um ciclo com um fim abismal, desde impedimentos na altura de arranjar trabalhos, a incapacidades físicas e motoras e, o mais importante, doenças cardiovasculares que provocam a Morte.
Termino agora com uma frase de esperança e de força de vontade para todos os jovens que, como estes, precisam de confiança: “Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão...” (Saint-Exupéry).
João Carlos, 12º C
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Fátima Inácio Gomes
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Conhecimento
Os Humanos são, de facto, seres fascinantes. Seres capazes de coisas inimagináveis. Seres tão diferentes uns dos outros, com personalidades tão únicas. Mas, para mim, a capacidade que mais me impressiona é a sua capacidade de procura pelo conhecimento. A capacidade de querer sempre saber mais, o desejo de aprender, de descobrir, de explorar, basicamente, a curiosidade. Será que o Homem alguma vez vai ter pleno conhecimento de Tudo? E será que a resposta muda de algum modo essa ambição por saber mais?
Não. E se pensarmos um bocado podemos facilmente apercebermo-nos que “não” é a resposta às duas perguntas. Desde o início da existência humana, o Homem procura conhecer mais, compreender cada vez mais, o mundo em que vive. Foi com essa necessidade de conhecimento que o Homem evoluiu até ao dia de hoje. Claro que continuamos em constante aprendizagem, não nos contentamos em conhecer o Mundo em que vivemos, queremos compreender o nosso Sistema Solar, a nossa Galáxia, todo o Universo. Mas acho que toda a gente pode admitir (tristemente) que nunca iremos compreender tudo o que faz parte dele.
Falamos, naturalmente, da compreensão do Universo, mas não é preciso ir tão longe, o nosso próprio corpo, a nossa existência, a alma, os sonhos. Conceitos tão utilizados e que não são conhecidos completamente. O que acontece connosco depois da morte? Todos se questionam sobre isso e a única forma de o saber é passar pela experiência. A nossa vida está cheia de perguntas às quais não conseguimos encontrar resposta. Mas isso impede-nos de descobrir? Não (porque haveria de impedir?).
É assustador tudo o que o Homem já conseguiu desvendar, desde há quantos anos a nossa galáxia foi formada, até ao funcionamento de uma máquina tão complexa como o corpo humano. Mas ainda mais assustador é o que nos falta descobrir, o que nos falta entender. Passamos toda a nossa vida a querer saber mais, a aprender tudo o que seja possível, como se fosse possível ter um conhecimento omnisciente. Não é. Eventualmente, vamos morrer sem saber sequer uma pequena parte deste Universo em que vivemos.
Pode parecer um bocado cínico da minha parte, mas é um pouco como penso. Claro que também tenho o desejo de querer saber mais e mais (desejo que não consigo controlar, aliás, ninguém o deve conseguir). Mas, realmente, de que nos serve todo esse conhecimento? De que nos serve uma data de informação? Não é que essa informação mude o nosso último destino. Para que serve este conhecimento tão ambicionado? Não sei. A única coisa que sei é que nós fomos feitos com a capacidade de ignorar questões como estas e seguir com as nossas vidas da maneira que queremos e, com isso, continuamos a procurar conhecimento.
José Varzim, 12º C
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Uma espera demorada

Quando comecei a fazer este trabalho pensei em escolher uma das belas fotos que tenho feito nas várias viagens ao geres. Pois a natureza, todos os seus elementos e seres vivos fascinam-me. A natureza também me seduz pela organização completíssima, através de ciclos (ciclo de água, da rocha, da vida, etc) e se porventura alguma partícula ou até mesmo o mais pequeno átomo sair deste movimento circular, logo, logo encontra várias passagens para voltar ao mesmo caminho.
No entanto escolhi uma fotografia não que me deixe maravilhado, mas que me choca, de tal maneira que mudou a minha vida durante dois anos. Decidi entrar no seminário dos Missionários Combonianos com o propósito de ajudar as pessoas que vivem carenciadas de necessidades básicas, perdem a família numa guerra pelo poder e pelo dinheiro, querem trabalhar para sustentar a sua família mas não podem sair de casa, uma vez que estão rodeados de disparos.
Posso falar de casos bem concretos. Entre os quais, eu, mais os meus colegas do seminário participamos em algumas campanhas de solidariedade: o conflito do darfur (se tiverem vontade de ajudar ou de perceber como se gerou esse conflito, podem fazê-lo através do sitio: www.pordarfur.org); A construção dum poço para Etiópia, já imaginou as doenças que se criam numa população por não haver água potável? Então veja este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=pQTE3x-pkFE.
Portanto eu arrisco-me a dizer que tive a sorte de muitas imagens me escolherem, quando me chocaram. Como não consegui passar indiferente às situações que essas imagens descrevem, dei um rumo diferente a minha vida.
Pois bem, esta vontade de “servir o outro” nasceu, quando andava no nono ano de escolaridade, e com o passar do tempo fiquei com a impressão que ia desaparecendo, à medida que apareciam os obstáculos: problemas internos com o grupo; saudades dos antigos colegas e da família; a necessidade tentar resolver os problemas dos meus pais. A juntar a isso veio o meu comodismo como toda gente o tem. Depois acabei por sair do seminário e entrei na escola Secundária de Barcelos.
Mas vou passar a falar sobre a minha imagem. Eu escolhi a fotografia que ganhou o prémio pulitzer prize em 1994 (aliás ela é que me escolheu a mim, porém como também muitas outras me escolheram, tive de fazer uma selecção).
Esta criança encontra-se a um quilómetro do campo de refugiados. Está bastante debilitada e procura um pouco de comida para lhe dar energia. Atrás dela é impossível deixar de ver um abutre à espera que a criança termine a sua busca. Não se sabe o desfecho desta história se a criança consegui sobreviver aos olhos do necrófago ou se este teve êxito na sua espera. O fotógrafo, passados três meses após ter visto esta foto, suicidou-se com uma depressão. Penso que se interrogou milhares de vezes: “Porque não dei uma nova vida aquela criança?”. Por vezes lamentamo-nos de ter feito certas coisas e queremos ter uma nova oportunidade para fazer exactamente aquilo que deveríamos ter feito pois era um dever nosso (no caso deste homem era dar de comer e um tecto onde possa morar a pobre criança). Contudo é impossível, já diz o Tim, vocalista do Xutos & Pontapés:
O que foi não volta a ser
Mesmo que muito se queira
E querer muito é poder
O que foi não volta a ser
Termino a minha reflexão dando dois nomes de filmes, que também me escolheram, uma vez que um filme é uma série de imagens projectadas com uma velocidade maior do que capacidade resolutiva da visão humana:
• Diamantes de sangue;
• Hotel Rwanda.
domingo, 9 de maio de 2010
Love 4 a Lifetime
Esta imagem escolheu-me tanto quanto podia ter escolhido outro alguém, mas a mim captou-me pela sua beleza e pela presença de uma certa aura de “misticidade”. No momento em que a vi, lembrei-me de uma aula de Português (não é para a graxa) em que a professora de Português tinha uma imagem de fundo que tinha uma frase que, para mim, é memorável: “...como a estrada começa” e explicou que a frase era mesmo “ama como a estrada começa...” e esta imagem representa, na minha opinião, isso mesmo: o amor que uma pessoa tem na vida.
O amor não se trata de campos de rosas com borboletas a sair pelo entre as flores. Também se trata de muitos maus e difíceis momentos, de alturas em que sentimos que esse amor não existe, ou que esse mesmo amor não é retribuído de maneira justa. Nesta fotografia, tudo isso está representado duma maneira sublime: as sombras retratando os momentos difíceis, os raios de sol que brilham com toda a intensidade e que beijam o nosso caminho, retratando os momentos mais felizes. Embora nesta imagem existam mais sombras do que luz, não significa que haja mais momentos infelizes do que felizes, mas o amor de uma vida tem muitas, como os ingleses dizem “twists and turns”, muitas curvas e contra-curvas, esporadicamente banhadas por felicidade e alegria mútua...
Tem de ser tratado suavemente e com carinho ao longo do tempo, não deixando à margem o mais pequeno detalhe.
João Nunes, 12º C
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quinta-feira, 6 de maio de 2010
Depois dos Jogos Olímpicos
"Depois dos Jogos Olímpicos, a luta pelos Direitos Humanos deve continuar"
Este foi o mote da Amnistia Internacional durante os Jogos Olímpicos em Pequim no ano de 2008.
Hoje em dia, a China é considerada uma potência em crescimento em termos económicos, mas a palavra “potência” deveria englobar tudo o que se passa no país e não só o PIB e outros termos que tais. As outras nações, ao quererem fazer negócio com a China, ou países na mesma situação, deveriam fazer um escrutínio rigoroso em relação à forma como estes estão a aplicar os Direitos do Homem, dos Animais ou a forma como respeitam os protocolos ambientais. Mas talvez a situação mais flagrante que aconteceu em relação a “negócios” com a China não aconteceu num sala de reuniões, mas sim num estádio de Pequim e no qual todo o Mundo assinou. A princípio fizeram-se manifestações, protestos e abaixo-assinados para que os Jogos não se fizessem lá, devido à forma como a China trata os vietnamitas e, até mesmo, os seus habitantes, mas à medida qua a cerimónia de abertura se ia aproximando, as vozes iam -se calando, como quando estamos num cinema e as pessoas cessam as suas conversas, por muito importante que sejam, para desfrutarem do espetáculo. Os Jogos Olímpicos começaram e acabaram e o Mundo voltou à sua rotina normal, esquecendo os milhões de pessoas e crianças que, todos os dias, são “silenciados” por um regime absolutista e autoritário onde não há espaço para críticas ou comentários; até se esqueceram da pobre criança que ia cantar na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos e não o fez, por ser “gorda”!
Vivemos numa sociedade por demais egoísta e egocêntrica, onde um espectáculo de cores e música faz calar a mais importante das lutas… É triste saber que todos os grandes líderes, bons e humanitários, já não caminham entre nós, e os que caminham são alvo de perseguições e dos mais cruéis castigos, abandonados pelos chamados “companheiros de luta”. Está na hora de não os abandonarmos, juntarmo-nos a eles e fazermos ouvir as nossas vozes, pois “o povo unido jamais será vencido”!!!
Ana Monteiro, 12ºC
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domingo, 2 de maio de 2010
Palavras dando as mãos às Imagens
Eis a tarefa deste último período...
... procurar uma imagem que vos fale e dar-lhe a voz.
Até 28 de Maio, vamos lá rasgar véus e olhar o mundo em redor. Algo vos chamará a atenção e exigirá ser dito.
Cá vos espero... com um sorriso, solar :)
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
da Luz e da Sombra

Em "O Amor nos Tempos de Cólera", do Gabriel Garcia Márquez, a mãe do grande amoroso, Florentino Ariza, recomenda-lhe: "Aproveita agora que és novo para sofreres o mais que puderes, porque estas coisas [as do amor] não duram toda a vida".
E ele comprazia-se com o seu sofrimento amoroso, porque a sua maior glória era amar.
Não serei tão severa conselheira quanto a mãe de Florentino, mas que o Amor, seja o feliz ou o infeliz, sentido, é o maior potenciador criativo que conheço, ah isso é...
Aqui vos deixo dois poemas do "nosso" Edd, que já não faz trabalhos para a professora, mas que não se inibe de partilhar o que de belo cria comigo, connosco.
Fui mas fiquei, agora permanecerei
Ela estava longe, distante como uma luz no universo...
O caminho encurtava-se, já lhe sentia o peito a encher-se e esvaziar-se conforme o sopro de vida.
Via os lábios, de um cor de rosa tão perfeito, que faria chorar qualquer cor.
Aproximava-se cada vez mais.
Ela não se movia, era eu que corria.
Estava quase a chegar, quando flutuei no seu aroma.
Era como o carvalho humedecido pelo orvalho da manhã, fazia-me sentir livre.
Já sentia o calor emanado da sua pele.
O meu coração palpitava com uma força tal, que, se não estivesse anestesiado
talvez pensasse que estava a tentar fugir.
Ela abriu os braços.
Fiquei deliciado, sorri e corri ainda mais.
Era uma sombra, nas sombras.
Ia tocar-lhe, mas nada aconteceu, ultrapassei-a era como se ela não estivesse lá.
Ela virou-se enquanto chorava e gritava "NÃO, PORQUÊ? PORQUÊ QUE TE FOSTE SEM MIM?"
Olhava para um corpo inerte, imóvel, rijo.
Com uma cara fria e pálida, branca como cal.
Os seus olhos ficavam baços, com a cor castanha avelã a esgotar-se a cada segundo que passava.
Eram-me tão familiares.
Foi aí que o deixei de sentir. O coração que fugia. Libertou-se com a ultima batida.
Ali, estendido aos pés daquela que jamais poderia tocar outra vez, estava eu...
Outubro 2009
Lua Nova
No mais fundo dos precipícios, onde a penumbra me cobria
ninguém me olhou, com ou sem olhos de ver, era eu nada mais nada menos que uma fonte seca.
Onde nem água nem fogo fluíam, elementos que outrora secaram.
Mesmo no mais profundo dos silêncios, onde até a morte que rastejava lentamente
tinha medo de se fazer ouvir
eu ouvia quem me chamasse, lá no topo, eu tentava focar
mas nada via, rostos marcados a negro que passavam fugazmente como ilusões.
De um momento para o outro, um calor, uma névoa levanta-se e eu não sentia o meu corpo.
Tudo branco.
Que claridade é esta? Que fogo me consome e que água me acalma?
Nada via, fechava os olhos para tentar entender, mas nisso vinha a escuridão.
Era uma palavra que não queria e não voltaria a sentir, implorei que conseguisse para sempre ficar
sem pestanejar, pois um milésimo de segundo que fosse sem aquele meu novo mundo era uma eternidade.
Neste novo imenso por explorar, só te via e ouvia, enquanto me olhavas e sussurravas com
uma delicadeza tal que me senti perfeito.
E os segundos pareceram décadas, era imortal!
Até que comum a tudo, o mundo desvaneceu-se, desapareceu e eu rastejava, praguejava e esquartejava as paredes do precipício, tentando escalar sem nada subir.
A mesma lua coberta de preto voltou a assombrar-me, e enquanto me gozava eu deixei-me ficar. Espero pelo calor e névoa da lua nova,
e pela música que encanta e aquece as minhas veias.
Não sei nada de nada, não sei o que fui ou o que deixei de ser.
Dezembro 2009
Eduardo Silva
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Mensagem Natalícia :D

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa
Para não destoar, trago-vos um Pai Natal especial, em pessoa ;-)
Que não vos arrefeçam os pés e, especialmente, que vivam a quadra, e todos os dias que se lhe seguem, contentes, não por que "é dia de o ficar", mas porque o coração vo-lo pede.
Fátima
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sábado, 5 de dezembro de 2009
SEI QUE NUNCA TEREI O QUE PROCURO

Sei que nunca terei o que procuro
E que nem sei buscar o que desejo,
Mas busco, insciente, no silêncio escuro
E pasmo do que sei que não almejo.
(Fernando Pessoa)
Este poema escolheu-me não só pela sua simplicidade, mas também por me caracterizar na fase da vida onde me encontro, cansada, sobretudo, por sentimentos de expectativa e incerteza.
Neste poema, Fernando Pessoa procura o que deseja (???), mas no fundo não se sente concretizado, o que o leva a procurar ou a querer sempre mais e mais (…). No fundo, Pessoa nem sabe o que deseja, mas tem uma ambição de querer buscar sempre mais. Ao não sentir-se concretizado, o poeta vive num sentimento de ambição, de angústia e de cansaço.
O poeta vive um “ tormento de espírito”.
Tudo isto, para dizer que, no fundo, também tenho a sensação de um sentimento de insatisfação, que me leva a uma necessidade de querer sempre mais, não me sentindo ainda concretizada e, no fundo, sem saber o que realmente quero.
Assim, termino com uma expressão minha, “ não desistas de procurar - a sensação de esperar alimenta-nos a esperança, e sem ela a vida não tem sentido”.
Sara Silva, 12ºC
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Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.
Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros - cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?
Fernando Pessoa
Os poemas de Fernando Pessoa (Ortónimo) são complexos e tem a sua própria natureza racional.
O poema em questão retrata a incapacidade de amar do autor, o que não é muito habitual da Obra Pessoana (???), mas um estado de espírito que nos leva ao quotidiano do poeta (???).
Vemos que, neste poema, ele toma as exigências da sua "amante" por coisas que lhe são impostas: "Tenho pena e não respondo", é de certa maneira uma reacção passiva-agressiva às exigências normais do amor de uma mulher, quando Pessoa sente que ela lhe pede algo e ele sente não conseguir satisfazer a sua amada.
Pessoa, neste poema, entra num mundo “à parte”, de não querer ser conhecido para não se encontrar consigo (?). Vejo-me como o autor, porque, se por vezes, não deixar demonstrar o meu lado tranquilo e desafogado irei absorver tudo o que há de mau e não aproveito o que de melhor a vida me oferece.
Não conseguindo multiplicar-me como este senhor, consigo atingir os mesmos objectivos deste.
Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros - cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.
Fernando Pessoa
Eu sou como sou,
Cada um é como é.
No meu mundo estou,
Cada um anda a pé!
Pedro Maciel
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Fátima Inácio Gomes
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