sábado, 5 de dezembro de 2009

Quando é que o cativeiro


Quando é que o cativeiro
Acabará em mim,
E, próprio dianteiro,
Avançarei enfim?

Quando é que me desato
Dos laços que me dei?
Quando serei um facto?
Quando é que me serei?

Quando, ao virar da esquina
De qualquer dia meu,
Me acharei alma digna
Da alma que Deus me deu?

Quando é que será quando?
Não sei. E até então
Viverei perguntando:
Perguntarei em vão.



Fernando Pessoa



Este poema escolheu-me visto que os pensamentos nele presentes se relacionam comigo mesmo. Ao longo da minha adolescência, sempre tive a sensação de me sentir fechado, limitado a regras e regulamentos, esperando sempre poder ser mais e melhor no futuro. Pois!? Mas esse futuro é apenas uma imaginação, somos nós que o construímos dia-a-dia com os nossos actos e pensamentos.
Pessoa, no poema, sente-se preso, até um pouco revoltado, com a ideia de não conseguir atingir algo mais além. Eu, tal como Pessoa, sinto-me confuso, fazendo perguntas ao mundo, “Quando o serei?”, “Quando é que serei o que as outras pessoas querem que eu seja?”, será que estou pronto para me tornar em adulto e me desfazer dos tão importantes laços que tenho, quer com a minha família, quer com os meus amigos? A ideia de perder pessoas importantes deixa-me devastado, e se crescer implica perder, então não quero crescer.

Este poema fez-me pensar e ver que devemos lutar pelos nossos objectivos, e fazer o possível para os realizar.
NÃO “Perguntarei em vão”.


Carlos Silva nº6 12ºC

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Hoje saí muito cedo




Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer.

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.


Alberto Caeiro


Este poema escolheu-me no sentido em que há alturas em que a única solução é seguir o caminho do vento, na esperança que ele mude de rumo, deixar o vento bater nas costas, deixarmo-nos levar onde ele quer e aonde o pensamento não chega.
A falta de sentido de orientação do autor mostra, no meu entender, o quanto ele está desanimado com a sua vida, viaja sem destino, parte rumo à aventura, ao desconhecido, para deixar para trás os problemas e esquecer, na esperança que se liberte dessa prisão que era a sua vida.
O autor revela que quer continuar a seguir caminho do vento sem pensar, dando a ideia de liberdade, o autor espera que este caminho lhe traga a liberdade que sempre ansiou.
Mas há que recordar bem que o pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.

Ricardo 12ºC

Para ser grande, sê inteiro


Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Ricardo Reis




Este poema escolheu-me porque se refere ao modo como eu penso que todos nós devemos encarar todas as coisas que nos vão surgindo ao longo da vida.
Como nos diz Ricardo Reis neste poema, “põe tudo o que és no mínimo que fazes”, quer isto dizer que devemos dar sempre o nosso melhor em tudo aquilo que fazemos, porque assim ficaremos satisfeitos com nós próprios e de consciência tranquila, pois temos a certeza de que fizemos tudo o que podíamos.
Também nos diz que não devemos excluir nada do que somos, que devemos ser “todo em cada coisa”, pois só assim poderemos ser grandes pessoas.
Se dermos sempre o nosso melhor, não excluindo nada do que somos, as outras pessoas reconhecerão o nosso verdadeiro valor e aí, brilharemos como a lua.



André Loureiro

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Há quase um ano não screvo



Há quase um ano não screvo.
Pesada, a meditação
Torna-me alguém que não devo
Interromper na atenção.

Tenho saudades de mim,
De quando, de alma alheada,
Eu era não ser assim,
E os versos vinham de nada.

Hoje penso quanto faço,
Screvo sabendo o que digo...
Para quem desce do espaço
Este crepúsculo antigo?


23/05/1932



Escolhi este poema porque… apesar de não ter a necessidade de escrever como Pessoa, quando escrevo nada escrevo por inspiração, tudo é pensado, meditado e, realmente, pesado. Não me provoca o mesmo desconforto que a Fernando Pessoa, pois ele sente como que um descontentamento constante, pelos objectivos inatingíveis. Está bem marcado na sua poesia, o passado, e sempre que este é confrontado com o presente… sente esse sentimento de não conseguir alcançar o que desejaria. Não é bem o mesmo sentimento, mas a falta de rebeldia no pensamento - é tudo muito ordeiro e não é o suficiente para satisfazer (?), por vezes.

Este poema escolheu-me porque… pela saudade, saudade dos momentos vividos, apenas vividos a cada segundo, como se fosse o último. Pessoa conta a sua frustração por desconhecer a pessoa em que se terá tornado, tornou-se numa pessoa diferente da que idealizava. Daí as saudades de um tempo em que tudo seria menos pensado... também as sinto.

Certamente partilho esta opinião com muitos: a vida seria muito mais empolgante, no passar dos dias, se não fosse tão pensada e planeada. Mas por outro lado… e entraríamos novamente no mesmo dilema, no impasse de Fernando Pessoa.

Vivamos um dia de cada vez.




Juliana

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Guia-me a Só a Razão

Guia-me a só a razão.
Não me deram mais guia.
Alumia-me em vão?
Só ela me alumia.

Tivesse quem criou
O mundo desejado
Que eu fosse outro que sou,
Ter-me-ia outro criado.

Deu-me olhos para ver.
Olho, vejo, acredito.
Como ousarei dizer:
«Cego, fora eu bendito»?

Como olhar, a razão
Deus me deu, para ver
Para além da visão —
Olhar de conhecer.

Se ver é enganar-me,
Pensar um descaminho,
Não sei. Deus os quis dar-me
Por verdade e caminho.

Fernando Pessoa



Este poema escolheu-me porque apela a quem o lê a fazer o que realmente gosta e não a fazê-lo porque o grupo em que estamos inseridos quer que o façamos. Apela-nos a seguir apenas os nossos princípios. Também apela para aquilo a que chamo ir "contra a corrente". Por vezes, sabemos que certas pessoas têm atitudes erradas e não temos a coragem de as parar e, pior do que isso, deixamo-nos ir na “onda”. Acho que toda a gente já experimentou como é difícil nadar contra a corrente, onde tudo nos puxa para trás, mas nós queremos seguir o nosso caminho.
Para salientar esta ideia, eu vou ainda buscar uns versos do poema “Cântico Negro”, de José Régio:”Vem por aqui(…) Não, não vou por ai! Só vou para onde/ me levam os meus próprios passos…”
No entanto, acho que Pessoa exagera. Portanto, vou já avançar para a última estrofe.
Muitas vezes, na nossa vida, temos que tomar opções e nem sempre escolhemos a mais correcta, porque era a mais fácil, ou porque a nossa teimosia nos obrigou a fazê-lo. Há ainda muitas outras razões pelas quais nós não escolhemos o caminho certo. Diz Pessoa:”Se ver é enganar-me/ Pensar um descaminho” se calhar o melhor seria não ver. Também diz a sabedoria popular, que não tão radical:”Errar é humano”. Mas eu digo: -Humano é, aprender com os erros!


Espero que gostem da minha análise, admito que não sou muito bom a exprimir aquilo que sinto, mas esforcei-me…

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O tempo de Pessoa




Há um tempo em que é preciso

Abandonar as roupas usadas

- Que já têm a forma do nosso corpo -

E esquecer os nossos caminhos

Que nos levam sempre aos mesmos lugares…

É tempo da travessia e,

Se não ousarmos fazê-la,

Teremos ficado para sempre

À margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

Este poema escolheu-me pois fala de mudança em todas as vertentes da nossa vida. Temos que abandonar o conforto das nossas casas, dos nossos amigos, da nossa família e daquilo que conhecemos para voltar a nos descobrirmos e reinventarmo-nos.

A mudança é boa pois ajuda-nos e lidarmos melhor com o mundo que nos rodeia, que cada vez mais se torna um lugar escuro e perigoso. É boa, pois sem ela ficaríamos estúpidos, monótonos e todos os dias, seriam dias chão. Provavelmente, entraríamos em depressão e depois, mais tarde ficaríamos catatonicamente malucos, pois nada é novo e já pouco nos surpreenderia.

Há que mudar os nossos caminhos, se vamos sempre para a direita há que ir para a esquerda; vestir roupas novas, diferentes, se vestimos preto, temos que nos enfeitar de laranja!! É tempo de desafiar tudo em que acreditamos, é tempo de irmos mais além e procurar, no baú dos nossos pais, os valores dos anos 60 e 70, onde se lutava quando algo não estava bem e deixar esta apatia perante o Mundo de lado!! Se não fizermos nada disto vamos viver numa vida de “Porquês”, de “Ses” e de “Como teria sido…”.

Eu falo por experiência própria, quando digo estas coisas, pois é muito triste e frustrante viver -se assim e quando comecei a ir para a esquerda em vez da direita, descobri novos mundos e senti-me nova, como uma criança quando vê algo novo!!

Uma das teorias apresentadas para a extinção ou desaparecimento do povo Maia relata que as mães maias eram tão protectoras que não deixavam os seus filhos brincar. Quando estes cresceram e desempenhavam a função de guerreiros, foram dizimados por não saberem fazer nada…

Por isso, enquanto estão a ler isto (ou não), reflictam sobre as vossas vidas e vejam o que podem mudar!! Até os adolescente podem ser bastante monótonos e previsíveis…

E quero também deixar um conselho: A mudança é boa, por isso, pratiquem-na o maior número de vezes possíveis.

Ana Monteiro

Nº1, 12º C


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não sei quantas almas tenho









Não sei quantas almas tenho.


Cada momento mudei.


Continuamente me estranho.


Nunca me vi nem achei.


De tanto ser, só tenho alma.


Quem tem alma não tem calma.


Quem vê é só o que vê,


Quem sente não é quem é,





Atento ao que sou e vejo,


Torno-me eles e não eu.


Cada meu sonho ou desejo


É do que nasce e não meu.


Sou minha própria paisagem,


Assisto à minha passagem,


Diverso, móbil e só,


Não sei sentir-me onde estou.





Por isso, alheio, vou lendo


Como páginas, meu ser.


O que segue não prevendo,


O que passou a esquecer.


Noto à margem do que li


O que julguei que senti.


Releio e digo: Fui eu?

Deus sabe, porque o escreveu.




Fernando Pessoa








Este poema escolheu-me pois estou numa fase de conhecimento e transição. A fase de conhecimento advém do facto de eu estar numa tentativa de me conhecer e tentar perceber aquilo que quero para o meu futuro, do que sou ou não capaz, do que quero mudar em mim e aprender a aceitar-me como sou: pessoa que comete erros e que tem de aprender com eles. A transição vem de eu já estar praticamente a entrar na idade adulta e ter que ir cortando o “cordão umbilical”, que por estranho que pareça, foi crescendo, ou´, se quiserem, ficando mais forte, nos últimos anos; para mim, esta fase está a ser um pouco complicada e, por isso, tenho muitas coisas a enfrentar.



Um dos outros aspectos que me chamou a atenção neste poema é o do poeta não saber “quantas almas” tem e mudar a cada momento, algo que também se passa comigo, pois eu dou comigo a pensar na variedade de “coisas” de que eu gosto e tanto sou a favor deste ou outro assunto, como também de repente, já sou contra. Quando Pessoa diz “Nunca me vi, nem achei”, penso que isto toca a muitas adolescentes ou jovens adultos, pois, como eu disse anteriormente, estão a descobrir-se… E, ao longo dessa descoberta, acho que acabamos por nos perder antes de nos termos encontrado, pois começamos a ser aquilo que os outros querem que eu seja e não aquilo que eu quero.



Não sei sentir-me onde estou.\\ Por isso, alheio, vou lendo\Como páginas, meu ser”: eu consigo identificar-me com esta sensação - sentirmo-nos como se não nos integrássemos no nosso meio, como se vivêssemos no nosso mundo, alheios ao que nos rodeia.



Ninguém consegue prever o que vai acontecer no futuro e todos sabemos que temos que esquecer o passado, ou a nossa vida não anda para a frente. Eu tento concentrar-me no presente imediato, mas nem sempre é fácil.





Assim, termino esta pequena análise, dizendo que me custou um pouco fazer este trabalho pois estou numa nova fase da minha vida e procurar, ou estudar, Fernando Pessoa corta o gozo a tudo, pois ele é muito deprimente…















Ana Patrícia, 12ºC

domingo, 4 de outubro de 2009

6 am

Agora acordas, meu coração…

Escolhes a hora de todos dormirem,

Para que não te vejam

Só e Aflito,

no desejo de cuspires

Todo o teu sangue contra mim.


Mas, ó meu coração,

que te adianta isso da fúria,

se toda a ânsia jura

ser apenas rubra água?!


Repousa guerreiro cansado…


Já passou o tempo

deste meu corpo

onde ainda latejas

morto

Acreditar em ti.