Este é um espaço para os meus alunos de Português...
os que o são, os que o foram...
os alunos da Escola Secundária de Barcelos...
(e seus amigos que, se "vierem por bem",
serão muito bem recebidos!)...
Poderá vir a ser um ponto de encontro,
onde a palavra escrita imperará, porque acreditamos,
ao contrário de Torga, que escrever
não é "um acto inútil"... inútil é calar.
* O quarto está demasiado arrumado para que se deflagre o teu incêndio. É preciso virar a cama de pernas para o ar e manchar as paredes com sujidade escatológica, sem limpeza de retorno . Se não te pendurares de cabeça para baixo, has-de nunca saber o maravilhoso de passeares com ela no todo da tua decadência corporal. Vira-te do avesso e vê por dentro, do lado de fora. Sentes-te Deus agora?
* Se “o outro” é um reflexo de nós mesmos, tens só de juntar todos os outros para criares o teu espelho de carne.
Mas nada descarrila, nada cai, nada colide como deve ser – que é com o brio de um trabalho acabado.
Passeiam-se como baratas de quitina pétrea…
Era vê-las esmagadas contra o chão e contra o tecto ou contra outra coisa qualquer, desde que bem esmagadas e suplicando a sua minúscula vida de insectos.
É preciso explodir de Novo com tudo o que é velho e com tudo o que é novo mas sonoro ou argumentativo ou pensante,
E com a mesma violência da criação universal.
Sabeis
Sabeis bem isso,
sempre o soubeste desde o começo do Ínicio
Mas o umbigo interior engole-vos
num medo exclusivo da vossa própria morte:
- Que me salve sempre Senhor! Ámen
Se não acreditais na fertilidade da auto-destruição,
não mereceis contemplar o pó das estrelas nocturnas,
nem a frescura matutina da água
ou os rostos mortais das vossas Mães.
Sois apenas dignos de esmagamento - fissural e leproso.
A viúva diz que quando a tristeza é profunda e irremediável, as lágrimas acabam por secar com o seu próprio bafo:
Porque nem a água, apesar do sal, resiste a tão quente dor.
A pureza eleva-se ao céu sob ebulição.
Porque nem os sentidos se sabem expressar de tão estarrecidos que ficam.
À tristeza bruta até o medo sucumbe…
Porque nem o rosto da tua mãe lembras de tão estranha ela te ser.
…até a memória se prostra.
Porque tudo pára e se entrelaça no teu pescoço, que já nem teu é. Tudo se acorrenta mecanicamente àquilo que pensamos que somos, e que afinal, em linguagem de tristeza, De nada nos vale.
- Porque, perante a eternidade da minha treva interior Nada se ergue, Nada se rivaliza nem mesmo o murmúrio desta criança que dizem ser meu filho. Amor, meus olhos há muito que secaram…
E fora a esta Viúva que nos entregámos logo à nascença. E é esta Viúva de vida que nos espera, um por um, no final da nossa malha descosida.
... reza assim a canção :D mas fiquem descansados que não vou puxar ao sentimento. Não é preciso, desse já temos em generosa dose, verdade?!?! ;-)
Como já vos disse, gostaria muito de estar hoje convosco, no dia da entrega dos vossos diplomas, não para assinalar particularmente a data nacional, mas por, particularmente, querer estar convosco, mais uma vez, com [quase] todos juntos.
Quando nos reuniremos de novo???... felizmente, continuareis o vosso caminho, a pleno vapor nos anos que se avizinham.
Nietzsche disse que, para se construírem novos templos, é preciso destruir os antigos. Neste momento, não é essa a minha visão, nem a minha mensagem: tenho a certeza que muito construireis alicerçados, precisamente, nos templos que construíram na nossa escola. Fico feliz por sentir que terei sido uma pedra desse edifício, mesmo um simples grão de areia.
Desejo-vos toda a Felicidade que desejo para as minhas próprias filhas - nada maior vos posso desejar. E lembrem-se do poema do José Gomes Ferreira, no ido 10º ano!... não se transformem em "máquinas verdes". Mesmo verdes, não deixam de ser máquinas. Não passem, vivam. Não deixem que a máquina do mundo vos embote a chama e o sonho que vos acalenta hoje.
Quase premonitoriamente (bruxa, não?), tinha pedido a alguns dos meus alunos, no último teste, para falarem da "liberdade"... e o grupo I era sobre o "Felizmente há Luar!": "(...)procura reflectir sobre a condição humana e a ânsia de liberdade que as lições da história frequentemente veiculam.". A Paula Portela, do 12ºB, fez esta belíssima reflexão:
O Homem é considerado, ao mesmo tempo, um ser frágil e poderoso. Todos nós sabemos como o Homem trata plantas, animais, o planeta como se fosse tudo simplesmente seu. Muitas vezes o Homem, ao dispor de todos os recursos que o rodeiam, começa a construir na sua mente uma ideia deturpada de si mesmo. Vê-se como um todo-poderoso. Consegue encontrar a resposta a todos os seus problemas na tecnologia, no seu conhecimento e de lá de cima do seu pedestal não consegue ver quão frágil realmente é. Precisa que o lembrem. Uma catástrofe natural resolve o assunto. Uma crise financeira que ameace todo o sistema financeiro também. Assim como um Holocausto. Em alturas como estas, o Homem desce do pedestal que construiu para si mesmo. Não, não desce. Cai. Quando o Homem se sente aprisionado, reprimido, miserável, faminto, maltratado, sente-se pequeno. Sente-se uma pequena criatura no Universo. Sente-se desesperado. Aí anseia por liberdade, luta para a conquistar. Ganha esperança, e essa esperança é o que lhe vai permitir escapar à opressão. E quando consegue escapar à opressão que viveu, poucas décadas são necessárias para que se esqueça o que o derrubou. E, esquecendo-se do passado, coloca-se a si mesmo numa situação que apenas o vão conduzir à mesma ânsia de liberdade. O Homem está constantemente em busca da liberdade. Do que se tenta libertar? Da sua frágil condição humana.