domingo, 4 de outubro de 2009

A Viúva


A viúva diz que
quando a tristeza é profunda e irremediável,
as lágrimas acabam por secar com o seu próprio bafo:

Porque nem a água, apesar do sal,
resiste a tão quente dor.

A pureza eleva-se ao céu sob ebulição.

Porque nem os sentidos
se sabem expressar
de tão estarrecidos que ficam.

À tristeza bruta até o medo sucumbe…

Porque nem o rosto da tua mãe
lembras
de tão estranha ela te ser.

…até a memória se prostra.

Porque tudo pára e se entrelaça no teu pescoço,
que já nem teu é.
Tudo se acorrenta mecanicamente
àquilo que pensamos que somos,
e que afinal, em linguagem de tristeza,
De nada nos vale.

- Porque, perante a eternidade da minha treva interior
Nada se ergue, Nada se rivaliza
nem mesmo o murmúrio desta criança
que dizem ser meu filho.
Amor, meus olhos há muito que secaram…

E fora a esta Viúva que nos entregámos
logo à nascença.
E é esta
Viúva de vida que nos espera,
um por um,
no final da nossa malha descosida.

Tristezas não pagam dívidas,

nem alfaiates


Mas à tristeza bruta, até o medo sucumbe…

…até a Viúva chora
onde a morte se esconde.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Chegou a hora...



... reza assim a canção :D mas fiquem descansados que não vou puxar ao sentimento. Não é preciso, desse já temos em generosa dose, verdade?!?! ;-)

Como já vos disse, gostaria muito de estar hoje convosco, no dia da entrega dos vossos diplomas, não para assinalar particularmente a data nacional, mas por, particularmente, querer estar convosco, mais uma vez, com [quase] todos juntos.

Quando nos reuniremos de novo???... felizmente, continuareis o vosso caminho, a pleno vapor nos anos que se avizinham.

Nietzsche disse que, para se construírem novos templos, é preciso destruir os antigos. Neste momento, não é essa a minha visão, nem a minha mensagem: tenho a certeza que muito construireis alicerçados, precisamente, nos templos que construíram na nossa escola. Fico feliz por sentir que terei sido uma pedra desse edifício, mesmo um simples grão de areia.

Desejo-vos toda a Felicidade que desejo para as minhas próprias filhas - nada maior vos posso desejar.
E lembrem-se do poema do José Gomes Ferreira, no ido 10º ano!... não se transformem em "máquinas verdes". Mesmo verdes, não deixam de ser máquinas.
Não passem, vivam. Não deixem que a máquina do mundo vos embote a chama e o sonho que vos acalenta hoje.




A sempre, vossa amiga,



Fátima Inácio Gomes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Eusébio/Max... Hoje




Ora os exames já estão nas escolas, à espera de ver a luz...
Aproveitem e riam-se, por enquanto, sem mágoas! :D
Boa sorte a todos! ;-)


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Liberdade



Quase premonitoriamente (bruxa, não?), tinha pedido a alguns dos meus alunos, no último teste, para falarem da "liberdade"... e o grupo I era sobre o "Felizmente há Luar!": "(...)procura reflectir sobre a condição humana e a ânsia de liberdade que as lições da história frequentemente veiculam.".
A Paula Portela, do 12ºB, fez esta belíssima reflexão:



O Homem é considerado, ao mesmo tempo, um ser frágil e poderoso.
Todos nós sabemos como o Homem trata plantas, animais, o planeta como se fosse tudo simplesmente seu. Muitas vezes o Homem, ao dispor de todos os recursos que o rodeiam, começa a construir na sua mente uma ideia deturpada de si mesmo. Vê-se como um todo-poderoso.
Consegue encontrar a resposta a todos os seus problemas na tecnologia, no seu conhecimento e de lá de cima do seu pedestal não consegue ver quão frágil realmente é. Precisa que o lembrem.
Uma catástrofe natural resolve o assunto. Uma crise financeira que ameace todo o sistema financeiro também. Assim como um Holocausto.
Em alturas como estas, o Homem desce do pedestal que construiu para si mesmo. Não, não desce. Cai.
Quando o Homem se sente aprisionado, reprimido, miserável, faminto, maltratado, sente-se pequeno. Sente-se uma pequena criatura no Universo. Sente-se desesperado.
Aí anseia por liberdade, luta para a conquistar. Ganha esperança, e essa esperança é o que lhe vai permitir escapar à opressão. E quando consegue escapar à opressão que viveu, poucas décadas são necessárias para que se esqueça o que o derrubou. E, esquecendo-se do passado, coloca-se a si mesmo numa situação que apenas o vão conduzir à mesma ânsia de liberdade.
O Homem está constantemente em busca da liberdade. Do que se tenta libertar? Da sua frágil condição humana.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

às portas dos exames




Um blogue do Público onde estudantes vão relatando as suas peripécias... e contamos com participações das "nossas gentes" ;-)

http://blogs.publico.pt/notafinal/

sábado, 6 de junho de 2009

CRENTE





Caro leitor, venho, por este meio, falar-lhe de ” perdas”, de “algo ou de alguma coisa”. Calma, já sei que vai pensar “o que este rapaz está para aqui a falar?!”. Não pense já que lhe vou falar de futebol, política ou algo parecido. Nada disso! Eu pergunto: Será que depois da “tempestade” vem a bonança?
O Homem reage à “morte” de um “ente querido”, sendo sempre devastado com a perda. É inato, pensa-se que não vai haver amanhã, já não vai haver o luar, o raiar do sol, pensa-se que a vida acaba ali, naquele instante, naquele momento. Tempo! Talvez seja a palavra-chave, mas agora é um dilema, será parte da solução ou parte do problema? O que me diz?
Cá vai, penso que tudo demora o seu tempo a aceitar, o seu tempo para voltar a acreditar, mas no fim de cada história, mas no fim de cada lição que a vida nos dá, aprendemos a dar valor aos pequenos nadas. Como diria “O Pensador” : a vida é feita de pequenos nadas, que a gente saboreia mas não dá valor, um pensamento, uma palavra, uma risada, uma noite enluarada, um sol a se pôr, um bom dia, um boa tarde, um por favor, simpatia é paz e amor…
Depois de tudo, percebemos que nada acontece por acaso, mas talvez porque tenha uma razão para acontecer, “Tudo o que não nos mata, torna-nos mais fortes”.
E no dia seguinte à tempestade, encontramo-nos e voltamos a acreditar.
Sim, a acreditar “em algo ou em alguma coisa”.



Ivan Torres 12ºB