quinta-feira, 4 de junho de 2009

os nossos amigos



A amizade, o que será a amizade?
Nós, na nossa vida, sempre nos relacionamos com alguém, com muitos "alguém", com poucos “alguém“, mas sempre nos relacionamos.

Na nossa vida somos confrontados com situações difíceis, que temos de ultrapassar e só o conseguimos com a ajuda dos nossos amigos mais próximos, que estão sempre ao nosso lado para nos ajudar.

Estes nossos amigos mais próximos podem ser da escola, amigos da nossa rua, do sítio onde praticamos desporto, mas o que interessa é que sejam mesmo verdadeiros amigos.
Os verdadeiros podem não ser aqueles com quem nos divertimos mais, aqueles com que nos portamos mal na escola, aqueles que nos levam a faltar as aulas. Os verdadeiros podem ser os mais chatos, os que mais estudam, os que menos se divertem, mas estes são mesmo nossos amigos, são verdadeiros.
O verdadeiro parceiro de vida é aquele que, mesmo estando muitos chateados, nunca diz mal de nós, protege e ajuda na nossa vida toda.

Esta foto representa a amizade de muitas pessoas que foram numa viagem e resolveram captar esse momento para a posteridade. Embora nem sempre nos demos bem, muitas vezes entrámos em confronto uns com os outros, mas no final somos todos amigos.


Filipe Mota, 12ºB

À Turma




E era só mais um ano que começava na E.S.B. O último ano do secundário, digamos que o ano em que se decide um pouco as nossas vidas. A inquietação de rever os amigos, conhecer os professores, saber quem de novo entrou na turma, saber quem saiu, no fundo saber quem nos iria acompanhar neste nosso suposto ultimo ano. Mas rapidamente toda esta inquietação acaba e volta a monotonia, os testes, as aulas de manhã cedo, o mau-humor, o facto de quase todas as aulas serem uma seca, o desânimo pelas más notas e tudo mais. Pois bem, aqui está um exemplo de uma turma que quase nunca se deixa levar pela monotonia. Como todas as turmas temos os nossos conflitos, há sempre aquelas zangas e discussões, mas no fim há sempre algo que nos une e que nos vai marcar para sempre... a nossa AMIZADE! Posso dizer que quando sair desta escola vão ser estes tempos que mais me deixarão saudades, os momentos que passámos juntos e tudo o que já fizemos. Não somos perfeitos, mas, na verdade, ninguém o é, mas tentamos sempre nos divertir ao máximo. Nem sempre estamos bem, mas o facto é que, quando é preciso, estamos sempre lá todos juntos no bem e no mal.

Neste ano já passamos por várias coisas, mas o fundamental é que não nos podemos esquecer que só nos cabe a nós aproveitar o tempo em que estamos juntos pois nunca se sabe se daqui para frente teremos outras oportunidades. Estas pessoas são bastante importantes para mim, convivi com elas muito tempo, fazem parte do meu dia-a-dia e, para o bem ou para o mal, têm mesmo de levar comigo. Graças a eles posso dizer que nunca vou esquecer o meu secundário, porque, apesar de tudo, passámos por momentos fantásticos de tamanha diversão.
Por tudo isto, meus amigos, vos digo: estes foram os melhores anos da minha vida!


Natália, 12ºB

Extremos da Vida



Lembras-te meu amor? Nesse dia, tudo nos fugia. Fugiam-nos as palavras, as belas, doces e sensuais palavras guardadas durante tanto tempo. Fugiam-nos as palavras e ficámos ali, frente a frente, inesperadamente nus e vazios, sem elas. Lembras-te quando, finalmente, nos questionámos: Será que é para sempre? Será sequer que ele existe? Ou será que é esse um sentimento meramente ilusório e nunca o sentimos verdadeiramente?
Não é de evidências, mas de intocáveis, que se faz essa fugaz matéria a que chamamos amor. Faz-se de uma substância estranha, mutante e imprevisível, apenas concretizada na surpresa que, de repente, nos devolve o espelho: um corpo que desconhecíamos, um olhar perplexo. Faz-se de um súbito sobressalto que nos invade profundamente, um imperioso capricho da pele, um definitivo desassossego. Faz-se de um gesto indomável, insensível e impotente. Faz-se da essência dos rios, correndo em curso livre até se precipitarem num mar que nunca viram, mas sabem ser o seu único destino. E faz-se da serenidade dos lagos. Faz-se da beleza terrível de um incêndio, do abismo de um tornado, do mortífero poder de um raio. Faz-se de clarividência e de cegueira, de lucidez e de loucura. Faz-se de contentamento e de angústia. Faz-se de pudor e de sensualidade. Faz-se do mais magnífico festim e da mais insuportável solidão. Faz-se de glória e de miséria, de riso e de choro, de cobardia e de audácia, de música e de silêncio, de luz e de sombra. Faz-se de guerra e de paz. De vida e de morte.
Afinal o que se entende por amor? É o tudo. É o nada. Ele é o único que pode trazer-nos a fortuna da vida, mas ele é também o único que pode tirar-nos tudo isso e deixar-nos no mais profundo desalento. Ele existe, e é o tudo e o nada.
Hoje sei que me amas e sinto-o, eu sinto-o. Sim, ele existe.



Ângela Gandra, 12ºB

Sem Abrigo



Porque é que vagueio
Sozinho
Pelas ruas
Despidas e nuas
Cruas
Onde não encontro aconchego
Onde não há sossego
Onde apenas tenho as valetas
E as paredes
E as pedras da calçada
Onde durmo
Esperando por um novo rumo
Mas não encontro
Não consigo
Não aguento
É esta dor
Que só me transmite sofrimento
E caio no desalento
Tento, tento, tento
Mas não há esperança

Um dia sonhei
Que ainda era uma criança
E brincava
Gritava
Como qualquer criança grita
A brincar no parque
Quando o baloiço se agita
Vendo pessoas
E aquele cão
Que passava todos os dias
Em frente à estação
Era feliz com uma casa
Família e amor
Mas isto não é verdade
O que me resta é dor
Rancor
De ter sido abandonado
Largado
Nesta rua fria e suja
Onde não consigo mais
Encontrar uma fuga
Porque já ninguém me quer
E isto é que fere
Perfura-me a alma

Agora estou sozinho
Sem um tostão na palma
E é tudo tão cruel
E insensível
As pessoas olham-me
Como se fosse invisível
Passam, andam a minha volta
E não fazem nada
Só conseguem dizer me
“Vai para aquela escada
É mais abrigada”
Mas tenho fome
Fome de algo para comer
Para amar e preencher
Fome de um abraço
Que me conforte este cansaço
Que torne grande
O que é escasso…

Já não sou criança
Nunca o fui
Nem o serei
Nunca brinquei
Sou um ser humano
Que luta apenas
Pela sobrevivência
E é esta carência
Que me tornou adulto
Já sonhei em ir para escola
Tornar-me mais culto
Mas não tive a oportunidade
O que me resta é a caridade
Daqueles que não conseguem
Fugir à realidade




Ana Lara, 12ºB

Saí do salão de baile



A gôndola deslizava suavemente pela água, procurando saber que rumo tomar. O nevoeiro era espesso, não deixando alcançar o destino.
Nesta altura, eu não estava preocupada com nada, a não ser livrar-me dos adereços mais valiosos.
Pela primeira vez na vida tinha conseguido assumir o controlo, quando saí do salão de baile. Até aqui davam-me ordens que me limitava a cumprir e digamos que é mais fácil.
Mas hoje, tinha prometido a mim mesma que ia assumir o papel principal, que ia sair das sombras, nem que fosse uma vez na vida e ver como me saía.
O tempo estava a mudar. A chuva branda que vinha a cair desde que a gôndola tinha saída da bela mansão, cessara subitamente. As águas cinzentas iluminaram-se, transformando-se em prata, e o sol a pôr-se irrompeu de súbito das nuvens. As brumas desvaneceram-se como se por ordem de um feiticeiro e a cena , um desenho a tinta, monocromático há pouco tempo atrás, era agora uma aguarela gloriosa.
Raios de ouro distintos espalharam-se pelo céu, captando a floresta de postos de ancoragem a erguer-se da água. O ar brilhava com a incandescência prateada pela qual a cidade era conhecida, fazendo tudo parecer irreal.
Quando a gôndola ancorou, o meu coração era como um martelo de ferro a bater contra o vidro frágil das minhas costas, mas era a sensação mais agradável do mundo.
Desci levantando a saia de veludo e o que vi fez-me suster a respiração. Um imenso mar de figuras mascaradas, tantas quantas as ocasiões e os destinos, uma profusão de cores inimagináveis, sem dúvida, a realeza de uma pintura renascentista.
Senti uma descarga de prazer a percorrer-me, a cidade mais bela e misteriosa do mundo.
Avancei e misturei-me com a multidão, como era possível não ter medo? Por trás de uma máscara poderia estar um ladrão e sabe-se lá o que mais. Mas a vida é mesmo assim, plena, bela e terrível, de dia e de noite.
Agora eu sabia o que era viver: era o preferir seguir em frente, enfrentar os desafios e lutar contra as dificuldades. Fazer aquilo que se tem que fazer e gozar a vida.
Até ao momento limitava-me a viver, porque via os outros viverem, mas agora eu sabia o verdadeiro sentido da vida. Não eram os bailes de máscaras glamorosos de uma classe de elite e intelectualizada, onde as pessoas se conhecem umas às outras e estão mais preocupadas em não fazerem nada de errado do que se divertirem, que me deixavam viver. Antes pelo contrário, sufocavam -me.
De repente, o fogo-de-artifício irrompeu e eu descobri que esta mescla maravilhosa de esperança, incredulidade e magia os igualava a todos, nivelando condições e classes sociais.




Manuela Faria, 12ºB

Amizade, um pilar essencial…





Costuma-se dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras. Pois bem, o que dizer desta?! A simples e perfeita harmonia entre estes dois “bichinhos” espelha o que uma verdadeira e coesa amizade é capaz de construir.
Seja qual for a pessoa em causa, por mais forte e resistente que seja interiormente, não conseguiria suportar a frustração de estar só e de não ter um laço de amizade.
Eu, um mero ser humano como outro qualquer, não fujo à regra. É com base nos amigos que tenho de longa data e naqueles que vou conquistando durante o percurso de vida que vou trilhando, que eu encontro o meu alento interior.
Não tenho a mínima ideia (e ainda bem), da sensação de estar só, de querer dizer um simples – Olá! – e não poder, de ter a simples vontade de levantar o braço e acenar a um amigo e não poder, de desejar cumprimentar alguém e saber que a única mão disponível ser a outra que possui (e isto se não for maneta). Pior que isto, é saber que, no dia seguinte, nada muda e de ter, junto ao peit,o uma rude, dura e ingrata dor à qual se chama solidão.
Para ser honesto, acho que o grupo de pessoas a que chamamos solitárias não passam de um aglomerado de células do mais variado género, que buscam uma razão de cá estarem. Que buscam a resposta para o significado do “estar só e não ter ninguém em seu redor” a quem possam levantar num gesto piedoso e vagaroso, erguer a cabeça, nem que fosse só para pestanejar, apenas para depois sentirem o “feed-back” da parte de alguém como: "Olá, está tudo bem consigo?" Ou a natural palmadinha nas costas e sentir o peso de algo a mais sobre o seu corpo.
Agora, pergunto eu: Porque é que ainda há pessoas assim? Por vontade própria de quererem sofrer sós? Por culpa das outras pessoas serem preconceituosas ou anti-sociais? Francamente, não sei, portanto espero que o caro leitor mo diga.

Porém, ainda assim, a maioria das pessoas sabem o que é ter um amigo, e quando digo ter um amigo é mesmo ter um amigo, um amigo que se importe connosco, um amigo que nos levante a auto-estima e o ânimo quando nos sentimos em baixo, por mais profundo que seja esse poço de frustração e dor, um amigo que nos momentos correctos nos critique com a intenção de nos mostrar que estamos errados e, acima de tudo, um amigo que nos estime por um longo período de tempo e vice-versa. Agora, amigos de interesses é do que não faltam hoje em dia e desses mais vale manter distância.
Um verdadeiro amigo não se guarda junto ao peito, guarda-se junto à alma, para que de lá nunca mais torne a sair.



Marcelo Veloso, 12ºB

Passos de Solidão





Era quase noite, o meu eu procurava um lugar. Um lugar onde corpo e alma pudessem repousar. Vagueava há dias apenas com o conforto de saber, que um dia, seja ele qual for, encontraria o meu lugar.

O Mundo é o infinito. E para o infinito caminho em parte incerta. A luz que me bateu nos olhos, que me queimou a pele, que me guiou é a mesma que cessa agora no horizonte. Horizonte este que define a linha para a qual eu caminho, sem nunca chegar a lado nenhum. Estou perdida? Não, estou só. Uma pessoa que procura o nada nunca se perde porque por muito que ande, muito ainda lhe faltar para andar.
De todos os caminhos cruzados nenhum me levou ao meu lugar, porque não sei onde ele fica. Mas os meus pés, calejados, não param. Querem o conforto que há muito procuram, querem o lar que nunca tiveram, querem o gesto, o carinho, o amor, a vida que anseiam. As marcas dos meus pés estão no caminho que tracei para que nunca volte atrás. E mesmo que volta-se nunca seria a mesma, porque a cada passo nasço de novo.
Busco a cada dia a perfeição. Porque o mundo assim de mim o exige. Quero um lugar, um estatuto, um nome. Mas o mais importante, quero encontrar-me. Quero descobrir o que preenche o vazio dentro de mim. E por isso procuro algo, procuro alguém. Sem saber, no entanto onde, e como procurar.

Estou cansada e, por isso, sento-me, olho em meu redor e penso. Procurei em tudo mas apenas encontrei o nada. Porque nunca parei e me olhei. Eu sou o tudo, eu sou o nada. Sou o perfeito de mim mesma, porque sou eu. E só eu me basta para mim.


Cátia Ferreira, 12ºB

Fui eu que fiz por merecer...




Ainda me lembro do céu negro que estava nesse dia, esse mesmo dia, em que minha vida começou a perder sentido e tudo em que acreditava passou pela minha mente, em pequenas fracções como se fossem relâmpagos que caiam daquele céu negro. E foi aí que eu pensei que o destino me tinha encontrado, para dizer que toda a dor que eu encontrava nas minhas dúvidas, fui eu que fiz por merecer.
Aí, nesse momento, tudo em que acreditava desapareceu deixando um vácuo em minha mente, e nada do que eu tentasse lembrar fazia sentido, e a única coisa que eu queria fazer era esconder-me para tentar perceber o que comigo se passava. Mas não havia um lugar onde eu pudesse me esconder, fosse onde fosse minha vida parecia cinzas a cair como neve, depois de o destino me ter encontrado a dizer fui eu que fiz por merecer a dor.

E por mais que me arrependa por tudo o que perdi, por causa de mentiras e verdades que neguei, não há maneira de eu não ouvir o destino a dizer que fui eu que fiz por o merecer.
Mas foi nesse mesmo momento, quando já não podia fugir mais, que conclui que não era o destino que falava para mim, mas sim as minhas dúvidas. Foi então que decidi enfrentar todos os erros que me fizeram chegar a esta dor, para que possa provar para mim que eu sou capaz de sair deste buraco em que me coloquei, fazendo com que o céu negro que estava nesse dia fosse substituído por um nascer do sol (um novo nascer para mim) e, finalmente, já não ouviria mais aquela voz que dizia que fui eu que fiz por merecer a dor.



Rafael Mendes, 12ºB

O QUE VEJO E O QUE SINTO




A fotografia que observo reporta-me imediatamente para o meu sonho desde criança: ajudar os animais a ter uma vida digna, sem sofrimento e que os seus direitos sejam por todos respeitados.

O olhar triste do cão que se encontra atrás das grades é por demais impressionante, perturbador e comovente, porque revela o seu sofrimento pelo facto de se encontrar preso, de não ser livre para correr, provavelmente para o colo do dono, ou, numa situação mais extrema, e para mim mais aterradora, porque aguarda, em algum canil, a hora de ser “ adormecido”, porque ninguém o quer.

Por outro lado, e esquecendo ou relevando para segundo plano a infelicidade do animal, apreendo a sua beleza, constatando que é um animal com um aspecto saudável, um bonito exemplar de cão que, talvez por não ter raça definida reúna em si as características genéticas dos seus antecedentes, cuja mistura pode constituir uma mais valia para a convivência com os humanos.

Convivência que, felizmente está ser alvo de mudança, o que constitui um sinal de esperança para o futuro que ainda será de luta.



Maria João, 12ºB

Voando pela Imaginação




Escolhi esta imagem, pois faz-me lembrar do tudo e do nada!
Principalmente pela sua cor! A minha cor favorita é o preto e nela eu encontro a tranquilidade e o bem-estar. Quando me sinto triste, e mesmo em baixo, basta me imaginar esta imagem, fechar os olhos… Concentro-me em algo dela… Vejo, algo. Sim, vejo! Se não vejo, simplesmente, imagino. O que é? É a sua cor preta? E aí, quando estou entranhada naquele transe, não vejo mais nada, não me importo com mais nada, não sinto mais nada! Liberto-me totalmente de tudo, além… sim, da sua cor, preta! É bom! Sim, é bom! Poder sentir esta sensação! Sentir-me aliviada. E sentir-me levada pelo nada e por tudo! Enfim. Só? Não, não estou só! Estou com a minha imaginação! A imagem faz-me sonhar!

Por outro lado, já quando acordada, lúcida, e fixando verdadeiramente a imagem, sonho, também sonho! Lembro-me das coisas boas e más do passado, e do presente. Dói! Sim, dói! É ai que me leva a voltar a fechar os olhos, e a concentrar-me em algo. Sim! Vendo algo, é a escuridão? é a sua cor preta? Não! Sim, é a minha imaginação! A imagem faz-me feliz, faz-me acordar, faz-me sentir… sim... sim... sentir… o tudo e o nada que há dentro de mim, a minha imaginação! E assim, enfim, sinto-me leve, pronta a voar novamente assim que a veja, ou mesmo, imagine!



Sara Anjo, 12ºB