quarta-feira, 3 de junho de 2009

A falta de presença




Um homem com sonhos e ambições como tantos outros.
Sonhou um dia, em pequeno, em ser grande.
Sonhou com uma vida digna de um homem digno de vida.
Fez de tudo um pouco: estudou, trabalhou, saiu, passeou, fez amigos, namorou e casou.
Casou e planeou uma família como a maioria dos casais: sonhou com filhos a correr pela casa, sonhou em ouvir a primeira palavra do rebento que já havia anunciado a sua chegada após quatro anos de casamento.
Sonhou… e quem é que nunca sonhou?
Grande ironia do destino. Nunca viu a casa cheia de crianças a correr nem ouviu a minha primeira palavra! Caramba… a vida é mesmo cruel!

Pai…não me ouviste a falar, não viste os meus primeiros passos, não acompanhaste as minhas primeiras brincadeiras, não me contaste histórias para adormecer… não e não.
Juraste à mãe que voltavas em menos de um ano. Ela jurou-me que vinhas a tempo de me ensinar a andar. Juraste-lhe que nunca mais ias embora… mas foste. Disseste que era uma situação provisória… mas não foi. A culpa foi minha? Pensei tantas vezes que não gostavas de mim…chorei tanto e questionei tantas vezes a mãe: Porque é que os meus amigos vivem com o pai e com a mãe, Porque vivo só contigo? Foram tantas as minhas inquietações…Sempre que ias embora eu ficava doente. Doente mesmo. Adormecia abraçada às tuas camisas, contemplava as tuas fotos, chorava às escondidas para que a mãe não me visse assim. Não queria ir para a escola, não queria conversar com ninguém, só queria o “meu mundo”. Um mundo de solidão e de enorme tristeza, de mágoa e de saudade. Queria tanto ter-te aqui, pai! De todas as vezes que ias, era como se de mim levasses uma parte. Uma parte do peito, do coração.
Hoje tenho quase 18 anos e nada mudou. As tuas visitas são pontuais: Dezembro, Abril e Agosto. A saudade não mudou, nem a tristeza, nem a mágoa, nem a solidão, nem o coração partido. Mas agora há uma pequena grande diferença: Compreendo. Sei porque vais e já não acredito na velha máxima da mãe: “Desta vez ele vem de vez”.
Eu sei que não vens. Sei que vou crescer e continuar a ouvir o mesmo de sempre: “Estás cada vez maior” ou então: “Estás uma mulher, ainda há pouco eras uma criança”. Isto repete-se todos os anos. Repete-se também a quantidade incontável de lágrimas que perco quando te vais. Perco o número de sorrisos e de unhas ruídas quando estás para chegar. Vejo o brilho nos olhos da mãe: de alegria quando chegas e de tristeza quando partes. Não quero contar mais o número de minutos que falamos pelo telefone. Cansei. Não quero contar o número de vezes que te escrevi. Não adianta. Não serve de nada. Quero apenas guardar comigo as boas recordações: as nossas viagens, os nossos acampamentos, as tuas brincadeiras de criança, quando vamos às compras, o teu sorriso, o teu perfume, o teu olhar e a tua maneira de ser.
Amo-te por seres como és. Amo-te por me mimares. Amo-te pela tua força. Venero a tua coragem. Respeito as tuas decisões. Nunca te vou julgar, porque, apesar da tua ausência física, nunca estiveste longe de mim.




Cláudia Martins, 12ºA

Contraste




Se eu não soubesse o motivo pelo qual esta fotografia veio ter à minha mão diria que estava diante de uma criança feliz! Sim, porque poderíamos pensar que ele posa para uma fotografia apenas para mostrar que é útil, que é livre e vaidoso em mostrar a sua pescaria. Mas Não! Ele é apenas uma das crianças presas ao sistema e à educação de países em que as crianças são apenas mais um para trabalhar e ganhar a vida, sem direitos e só obrigações. Será que estas crianças estarão sujeitas aos mesmos direitos da Convenção aprovada em 1989? Será esta criança feliz? Não sei, se calhar não lhe foi dado a oportunidade de escolher. Saberá ele que do outro lado do mundo existem crianças, como ele, que reclamam apenas porque o pai ou mãe não o deixaM ir pescar de barco?
Agora eu pergunto: quem será mais feliz? Aquele que obrigam a pescar para sobreviver ou aquele que não o deixam pescar. Quase que posso afirmar que é o que não o deixam pescar, pois esse pode brincar de outra maneira, enquanto o menino da fotografia não tem escolha. Quando não nos é dada oportunidade de escolha o nosso remédio é viver com o que temos.
Assim digo que, se não soubermos a história de uma fotografia, podemos ser traídos pelas aparências ou pelo que nos quer mostrar. Por isso, quando virem uma fotografia, tentem saber a história dela.


Rui Costa 12º A

A Terra



A Terra. A Terra que todos adoramos e conhecemos.Mas há uma questão que permanece... o que é a terra? Será que a terra é uma esfera num plano cheio de figuras?

Como é que nesta pequena esfera há tanta coisa,tanto bem como mal.
Como é que uma esfera tão verde e tão azul, pode ficar tão manchado de vermelho.
Como é que numa esfera a pureza era vista e a impureza não o é.
Quando é que o amor passou a ódio e a partilha à ganância,
Quando é que até o mais optimista deixou de ter esperança.
É uma esfera onde até o mais pequeno gesto faz a maior diferença,
Onde até o mais incapacitado a faz mexer.
Onde até os menos conscientes e racionais sabem amar e odiar.
Onde até o mais cego vê o chão que pisa.
Como é que um ser como qualquer outro pode servir de inspiração a uns, onde até os de lá de cima o respeita, e os de lá do fundo o temem.
É uma esfera onde uma só palavra pode significar e representar tanto o quanto está à frente dos nossos olhos.
Onde os sonhos de um são a realidade de outros, onde os pesadelos de uns são as vivências de outros.
Onde um simples olhar desamparado pode reflectir uma vida inteira.
Mas todos os dias quebram-se sinos e mostram-nos a realidade, e acima de tudo, é que tudo tem um fim.

Mas afinal esta esfera é só mais uma num plano cheio de figuras? Não!!!
Esta é “A” esfera num plano cheio de figuras. É uma casa,um lar,um abrigo,
É o Planeta TERRA.......





Michael Ferreira Da Silva 12ºA

O que irá na cabeça deles…




Será difícil entretê-los?
Difícil não será
Pois para além de cabelos
Pouco mais existirá
Tão parvinhos por vezes
Outros convictos de si
Parecem os chineses
Não percebem o que se diz.

Mas basta uma pequena e bela
Que todos correm atrás dela
Bem… Não se pode chamar de problema
Uma “panca” talvez
E todos os anos o mesmo dilema
Quem será campeão desta vez?
Enfim, mas não nos vamos enganar,
Pois certo é, nunca irão mudar.



Juliana Barroso
12º A

Férias



Ai a praia! Tanto tempo à espera do verão para poder ir para a praia e agora está mesmo a chegar o bom tempo. Nem acredito!

Para mim esta é uma boa altura para falar desta tema, porque começo a lembrar-me das boas recordações vividas nos anos anteriores. Mas claro que essas boas recordações só foram possíveis porque tenho amigos que tornaram esses momentos inesquecíveis e únicos. Lembro-me daquelas grandes jogos de futebol que fazíamos à beira da água, das caminhadas à noite pela praia, de molharmo-nos uns aos outros, tanta coisa! É claro que muita gente pode não dar valor a estas pequenas brincadeiras, mas para mim são muito importantes e é por estes momentos que eu espero o ano todo. Mas também é nesta altura de praia que fazemos novas amizades. Conhecemos muito “pessoal fixe”, e quem sabe, pessoas que virão a ser muito importantes para nós. Acreditem ou não, é difícil lembrar-me de coisas más que se tenham passado comigo na praia!

Por isso é que optei por escolher esta imagem. É que ao fim de um ano cansativo e desgastante de aulas, testes, trabalhos… não há nada melhor que umas boas semaninhas de praia com os amigos para espairecer e esquecer por uns tempos a adrenalina de ter de entregar trabalhos e fazer testes.


José Rafael Soares da Costa, 12ºA

Amigos




Escolhi esta imagem, que representa os amigos, porque acho que eles são muito importantes para a nossa formação como pessoas, visto que é com eles que nós passamos grande tempo da nossa adolescência.
Quanto a mim os amigos são muito importantes, porque é a eles que nós contamos aquilo que nos alegra, mas sobretudo é a eles que nós confessamos aquilo com que nos preocupamos e lhes contamos os nossos maiores problemas. Eu acho muito importante nós termos amigos, mas temos de ter um especial cuidado com os amigos que temos, porque acho que colegas nós temos muitos, mas amigos temos os verdadeiros, aqueles que estão sempre ao nosso lado quando mais precisamos. Temos que distinguir aqueles amigos que temos, que só são nossos amigos por interesse a alguma coisa, daqueles amigos que temos que são amigos para tudo e para todas as situações.
Para concluir, penso que todos nós temos de ter os nossos amigos, mas com especial cuidado com quem “escolhemos” para a nossa amizade.



João Aldeia, 12ºA

Música




A música, como se sabe, é um estimulante para o desenvolvimento de vários sentidos, chega a ser influente no nosso desenvolvimento.

A música, para mim, é muito mais que um phone no ouvido e, para quem estuda música anos, esta imagem é o que vemos todos os dias, montes de notas, pausas, ligaduras e suspensões. Todas estas dicas são analisadas em menos de um segundo. Este estilo de música tem sido deixado um bocado para trás, porque acho que as pessoas criaram um preconceito imaginário de que a música clássica era uma coisa muito requintada e com o aparecimento de novos estilos mais urbanos menos complexos ou mais fáceis de entender, as pessoas aderiram e tornaram-se fãs. Uma pergunta que me fazem é se é difícil conciliar a duas vidas e acham estranho, porque a matemática e a música não se relacionam muito. Dou sempre uma resposta afirmativa à questão e é obvio que ou nos dedicamos a 100% ou não temos grande sucesso. Esta imagem mostra-me a minha evolução ao longo dos anos porque antes música era difícil, mas agora revela grande simplicidade. Eu gosto também de outros tipos de música aos quais também me dedico, mas este é a base aonde posso evoluir e criticar.


João Paulo Nascimento, 12ºA

Essência de uma vida





Esta imagem pode ser um simples instrumento, mas para mim é muito mais do que isso.
Guitarra é o seu nome e apareceu na minha vida porque eu assim quis.

Desde que eu era miúdo que ela despertava em mim uma curiosidade enorme em a conhecer, mas talvez por não estar confiante em que tinha capacidades para saber usá-la é que demorei uns bons anos para ganhar coragem e ir ao seu encontro.
Foi o ano passado que arrisquei e comprei uma guitarra. A ansiedade em começar a aprender foi tanta que o meu gosto pela guitarra só por aí aumentou e muito.
Porque para mim a música completa a minha vida, e a guitarra é, sem dúvida, dos instrumentos que mais criatividade pede para que funcione. Então, eu comecei a dar passos pelo seu mundo e a explorar tudo o que a envolvesse.
As suas seis cordas são o seu símbolo maior e são aquilo que lhe dão a voz. E saber usá-las não é para todos.

Mas aquilo que me atrai mais neste instrumento é que, quando já estamos à vontade com ele, podemos tocar músicas que nos fazem sair deste mundo e entrarmos naqueles momentos a que eu chamo “zen”, o que para mim significa esquecermos tudo e sentir a essência da música que a guitarra proporciona. E é essa essência que faz da guitarra dos mais extraordinários instrumentos musicais.
É tão bom chegar a casa e, para esquecer o cansaço e o stress de mais um dia, e pegar na “guitarrinha” e desabafar tudo para ela e ela responder com a sua música tão pura, que limpa a mente e faz acabar bem o dia.

A guitarra já faz parte de mim e fará até ao final dos meus dias…



Manuel Sarmento, 12ºA

Mendigo



Possivelmente, ao olhar esta foto, estamos perante um mendigo, um de tantos que vagueia por este Portugal anónimo.

Ao ver esta imagem, o meu espírito é invadido por uma tristeza avassaladora, por uma revolta sincera e pela incapacidade de apenas “ver e calar”.
Esta figura, que mostra a debilidade deste homem, desperta-nos para a falta de convicções, de ânimo para encarar o futuro e, com certeza, falta de motivos para seguir em frente.

Talvez, por ironia do destino, não sei, o fundo desta foto contrasta na totalidade com este homem, que de certo, não tem nem caminhos a seguir, nem projectos, nem os seus pensamentos o levam à felicidade.

Ser feliz, ao ver exemplos como este, não é de todo correcto, mas pelo menos, tenhamos consciência de que ter um tecto e uma cama é motivo para sermos felizes!


Cristiana Ribeiro 12ºF

Diferença?



Vêem diferença? Claro que vêem. Eu também. Certamente, as diferenças físicas, a diferença de cor… Mas penso que concordarão comigo que nada mais é diferente em relação aos direitos da menina da esquerda e da menina da direita… Penso eu que pensarão assim… Ou será que partilham da opinião de milhares de racistas que existem neste mundo completo de cores, paisagens, entre outras coisas diferentes, que condenam, discriminam, agridem pessoas, só porque não são iguais ou não se enquadram nos conceitos adoptados por eles!
É lamentável, em países que se dizem desenvolvidos, assistirmos a actos de racismo. E, apesar de pensarmos que não existem essas discriminações no nosso país, ou nos restantes países do ocidente, estamos enganados, porque todos os dias isso acontece, mesmo um simples olhar de desprezo perante alguém que não se enquadra nos conceitos de uma certa sociedade, é um acto discriminatório, acto esse que é tão grave como um acto de violência verbal ou física.

Eu poderia falar da crise e até falar sobre uma imagem do nosso Primeiro-ministro, mas para quê? Se o que interessa são os afectos que existem entre todos e sem afectos vamos viver sempre em crise, porque a verdadeira crise é aquela que está dentro das pessoas que não conseguem viver com o outro, porque é diferente. Tanto desacordo e tão pouco civismo por parte de pessoas que vêem demais a diferença dos outros e que acabam por não verem que o defeito são eles próprios. E é exactamente nesta sociedade que vivemos: por vezes, nem reparamos na discriminação presente em torno de nós.

Esta imagem chamou-me a atenção por tantas pessoas fazerem tanta distinção em duas crianças tão parecidas…




Tânia Lopes, 12º F