domingo, 24 de maio de 2009

Imagem




Poderia ter escolhido uma imagem muito harmoniosa como uma paisagem, um animal, ou possivelmente, uma imagem humorista, ou até uma fotografia de um momento da minha vida que quisesse partilhar convosco, mas nenhuma dessas imagens conseguiria fazer vibrar aquele tal nervo mais recatado ao qual a professora se referiu.
Admito que me senti um pouco impotente perante esta proposta, o facto deste tema ser tão livre dificultou-me a vida e nenhuma imagem em concreto conseguiu despertar em mim aquele bichinho, aquele que me faz satirizar e ter sempre algo a dizer.
Até que, de passagem num site, entre outras, encontrei esta imagem que figurava uma retrospectiva do ano 2008 em fotos.
Foi aí que o tal nervo deu sinais de vida e, desta forma, não poderia deixar passar em branco uma imagem como esta.
Na Fotografia é possível observar Fotógrafos a fotografarem um homem morto durante confrontos que, se supõe, estejam ligados às medidas ‘anti-violência’ em Reiger Park, África do Sul, em 20 de Maio de 2008.
Nesta tarde, a polícia Sul-Africana disparou balas de borracha sobre centenas de moradores de uma favela, na repressão contra a violência contra estrangeiros, que acabou por matar mais de 60 pessoas e ferindo outras centenas.
Francamente, não sei o que me choca mais, se o facto de saber que aquele cadáver resultou de um confronto entre a polícia e moradores estrangeiros numa favela por mera discriminação, se o facto de ver um cadáver sobre o chão, quase despido, todo sujo e abandonado, ou o facto de estarem vários fotógrafos à sua volta a fotografar, como se de um objecto se tratasse.
Julgar que o facto de o cadáver estar rodeado por fotógrafos é o que mais me aterroriza.
É simplesmente horrenda a forma como os meios de comunicação social aproveitam qualquer acontecimento para fazer notícia, perdendo assim, por várias vezes, a decência e a ética que deveria sempre acompanhar o seu trabalho.
Na imagem são visíveis, pelo menos, seis fotógrafos, e claro, cada um a tentar obter o melhor posicionamento visual para fotografar o cadáver de um homem baleado, abandonado no chão, sujo e quase despido, como se de um objecto se tratasse. É simplesmente inadmissível.
Não consigo compreender como se pode, assim, jogar com a dignidade de um homem morto.
Sinto ainda que o público, em grande parte das vezes, é o principal culpado no sucesso deste tipo de imagens, visto que as adquire.
Este é apenas um exemplo entre milhares, é apenas mais uma imagem onde a dignidade de um cadáver é rebaixada e utilizada para facturar.






Paula Fernandes 12ºF Nº14


Há quem se torne um lugar-comum numa escalada de dez meses, tal como há valores que em si mesmos valem por lugares-comuns, ainda que sejam esses valores o código genético das grandes obras, dos grandes actos. A foto que apresento é claramente portadora de algo como isso, que se torna quase corriqueiro em conversas de café, mas que, da esperança se tratando, se alastrou a todos (excepto aos Amish que disso não carecem, naturalmente). E foi pelos meandros de uma qualquer reflexão colectiva, e mais tarde pessoal, que decidi impreterivelmente redigir uma (breve!) dissertação que à condição humana se referisse e àquela questão do “pensar global, agir local” soar sempre bem a todos, mas ser mais música para os ouvidos do que para a cabeça.

O Yes, we can! mais do que um cliché transbordado dos ecrãs e das manchetes, foi um fiat luxà anomia da sociedade e todavia, os braços que ali vemos, como que supliciados em louvor de um qualquer jingle que erradique o subprime, não são mais do que o momento.

Elevemo-nos, pelo contrário, a nós próprios muito mais alto. Façamos sempre brilhar de forma grandiosa o nosso exemplo. (Friedrich Nietzsche)

O exceder o nosso Eu, em nosso proveito, gerará novas conjunturas no outro. Um Obama que exaltou o mundo, é um resultado de um processo brilhante que aqueles que ali o escutam deveriam procurar. Pudera o Futuro acometer a todos com a indissolúvel certeza da Morte, e, quem sabe, mais do que à flor da pele se imiscuísse a busca de um Ego melhor. Then, we could… a Arte, a Ciência, o Humanismo… Porque não haverá mais nada depois disso, depois do Conseguir e do Realizar, do fazer mais, fazer melhor, pensar além… Excepto o Nada, aquele que está antes e que se segue a tudo, à vida, que está presente em vida, em quem o merece, em quem o não supera, porque não o quer.

























(ainda é Sábado, certo?)

Tic-Tac Tic-Tac



Não sei… Não sei por onde começar, nem sequer sei o que dizer. Tempo. Tempo que não temos. Tempo que temos a mais e desperdiçamos por falta de tempo. Tempo que nos prende e condiciona. E tempo que nos dá liberdade. Tempo que nos controla e nos faz controlar. Tempo que criamos já depois de ele existir. Tempo que tudo cura. Tempo destruidor. Só… tempo.
Vivemos o tempo como se fosse tudo… como se dele dependesse a nossa vida… e a verdade é que assim é. Mas porque nós assim o queremos. Desde os primórdios da Humanidade que o Homem sentiu necessidade de criar o tempo, mas desconhecia que o tempo já existia e que criá-lo de novo, e contá-lo, nos ia prender e condicionar. Agora que o tempo contado existe, olhámos à nossa volta e vemos pessoas a correr por falta de tempo, porque contam que estão atrasadas 5 minutos… e afinal que são 5 minutos senão 300 segundos? Pois, e o que é um segundo? Podia ser uma eternidade se assim quiséssemos, se não vivêssemos presos ao tempo, ansiosos a contá-lo… ou podia ser só um segundo.
Olho para mim e vejo que faço parte desta gente que se diverte a contar o tempo e a viver condicionada por ele. Mas, quando estou contigo deixo de o ser… passo a ser aquela que vê em cada hora a rapidez de um segundo e em cada segundo a eternidade de um amor. O tempo para nós não existe…



Bárbara Loureiro 12ºB nº. 5

sábado, 23 de maio de 2009

Carpe Vitam




“Carpe Diem”… É o que nos incita a primeira imagem que vemos. A imagem da Efémera, que, vivendo apenas 24 horas, as deve aproveitar como sendo o “último dia da sua vida” (engraçado, e não é que é mesmo?). Este estilo de vida, choca-me de certo modo.
Como podemos nós queres seguir esta “filosofia”? De viver hoje tudo, como se não houvesse amanhã? Além disso, poderemos nós dizer que vivemos isto ou aquilo, quando na realidade o que aconteceu foi que nós experimentámos e que nunca deu para “saborear” e “digerir”? Não, a meu ver, não. A meu ver, a nossa filosofia de vida deveria ser a proposta pela tartaruga: “Carpe Vitae” (Vive a vida).
Pelo facto de ter tantos anos pela frente, vive cada dia calma e vagarosamente e aproveitando para “viver” (no pleno sentido literal da palavra) cada momento, seja ele bom ou mau, triste ou alegre... É, aliás, este facto, de poder viver plenamente cada momento, que lhe permite dar um pleno sentido à vida. Isto é, só conseguimos compreender e valorizar completamente as coisas boas que a vida nos reserva se tivermos antes percorrido os caminhos do sofrimento, as ruas da amargura e as vielas do desespero.
É aqui que reside a maldição da Efémera e todos os que dizem ser como ela e aproveitam cada dia como o último: ao aproveitarem e rentabilizarem os seus dias ao máximo, não têm tempo de compreender esta dimensão da vida, enquanto a pacífica tartaruga a compreende na mais profunda dimensão. Porque, no primeiro caso, procuramos apenas o prazer momentâneo, enquanto, no segundo caso, procuramos a intensidade do momento.
Tal conclusão leva-me a possuir apenas um sentimento pelos adeptos do “Carpe Diem” assim como da Efémera, o sentimento de pena e pesar, pois nunca serão capazes de perceber a verdadeira dimensão da vida, enquanto por outro lado, a triste e solitária tartaruga, que todos deixa compadecidos, nos mostra como viver a vida: simplesmente vivendo…




Vitor Miranda 12ºB nº 27

Inspiração



Era um dia chuvoso, tal como muitos outros de Inverno, exceptuando ser Primavera, a estação mais radiosa e florida do ano. Nunca o céu ousara tanto como naquele dia, pelo que decidi ficar em casa, “não vale a pena sair com este temporal”, pensei para mim.
Era solitária, mas já estava adaptada, com o emprego dos meus pais, a cada seis meses era habitual a mudança. “Tens tudo de bom”, diziam-me. Verdade, até à altura tinha aprendido mais de dez línguas, tinha matemática, economia, anatomia, e qualquer outra disciplina exorbitante com os melhores professores, já havia visitado meio mundo e conhecido pessoas célebres, ídolos de inúmeros jovens da minha idade. Mas nada disso me interessava. Para quê, perguntava, para quê se não podia sonhar e manter a chama da esperança acesa?
Nesse dia saí de casa, não aguentava nem mais um dia lá fechada. Corri o mais que pude, para o mais longe que podia de todo o palco que era a minha vida, pena não ter nascido para ser actriz, dizia para mim!
Corri tanto que já nem a chuva me alcançava.
Subitamente, parei!
Sentei-me, ofegante, cansada, não podia fugir mais, estava no meu limite.
Olhei em redor até fixar num ponto, alguém… Tinha um olhar triste, distante, profundamente confuso mas, ao mesmo tempo, intensamente belo. Nunca na minha vida alguém me cativara tanto com um simples olhar.
Aproximei-me receosa, mas com o coração desesperadamente ansioso. Tentei conhecê-lo, mas havia algo nele que me impossibilitava de o fazer. Era distante, mas ao mesmo tempo sentia-o perto. Falámos durante horas, de tudo e de nada. Os dias foram passando, e com eles as semanas. À medida que o conhecia, ficava mais fascinada do que antes. Tudo nele brilhava (pelo menos para mim).
Desejei que o tempo parasse, que o momento não terminasse e que o adeus nunca tivesse de ser dito. Eu respirava, transpirava e irradiava felicidade. Tudo para mim era perfeito.
Seis meses passaram e chegou o dia em que os meus pais, mais uma vez, me propuseram mudança. “Propor? Isto é mais uma obrigação”. Contestei o mais que pude, mas nada era suficiente para exprimir o meu desespero. Nesse instante corri para ele, era a única pessoa que, no seu perfeito encanto, me iria acalmar.
Vivi o dia como se não houvesse outro (e não haveria, pelo menos com ele). Ri com ele o mais que pude, e pensando bem, era tudo o que havia para recordar. Em todo tempo que passámos juntos, nunca uma lágrima havia escorrido no meu rosto.
O dia terminou.
Despediu-se de mim, já sem o olhar triste que em tempos me cativou. Ainda me cativava, mas agora pelo seu brilho e vivacidade. Abracei-o com uma força que desconhecia, não o queria deixar ir assim, sem um adeus digno de tudo com que me havia presenteado.
Vi-o partir, calmo, como sempre havia sido… À medida que se afastava, eu sufocava. Cada passo que dava era como uma faca que se cravava no meu coração.
Nesse momento percebi o que irremediavelmente havia acontecido, eu estava “incondicionalmente apaixonada por ele” e de uma coisa eu tinha a certeza:
para onde quer que eu fosse, o meu coração permaneceria, para sempre, naquele olhar.


Beatriz, 12ºB

O Nosso Futuro

Pois, o nosso futuro… Todos nós, futuros estudantes universitários, estamos numa fase em que pensamos bastante no curso que iremos escolher. Nos próximos três meses iremos ter a pressão dos exames nacionais, acrescida da difícil decisão de escolher um curso e uma universidade, que poderá influenciar a nossa vida.
A decisão por uma das muitas opções que o ensino superior nos oferece é muito difícil. Quais os pontos que devemos ter como prioritários para a nossa escolha? A vocação? As saídas profissionais? O salário que poderemos vir a receber? O número de semestres? A nossa média? A cidade onde se situa a universidade? O mais acertado deveria ser um equilíbrio entre todos os pontos, o que, na minha opinião, não será muito fácil de obter.
Temos que ter consciência de que as escolhas que fizermos poderão significar uma profissão para toda a vida. E como podemos ter a certeza se queremos ou não ter aquele trabalho? Eu sei que temos sempre a hipótese de, um dia mais tarde, voltar à universidade e mudar de ramo profissional, contudo, nem todos têm capacidades para isso, tornando-se maus profissionais e infelizes na função que desempenham.
Tal como eu, muitos dos futuros universitários ainda não fizeram as suas escolhas, por isso digo que devemos ter cuidado com as nossas opções, devemos reflectir bem quando estivermos na altura de fazer as nossas candidaturas. Por isso escolhi esta imagem, para mostrar que, apesar de existir um horizonte, cada um de nós o pode ver de maneira diferente, fazendo-nos tomar diferentes decisões.


Cátia Bogas 12º C

Infinito

Escolhi esta imagem para postar neste blog, porque é a imagem que mais mexe comigo. Por acaso, não é bem uma imagem, mas sim uma fotografia que eu próprio tirei para uma exposição fotográfica, no âmbito da disciplina de Área de Projecto. De cada vez que eu olhava para a fotografia, visto que agora está num armário guardada, sentia sempre uma vontade enorme de me elevar, de me transcender para outra dimensão... pensava que, através destas duas linhas, por vezes rectas, por vezes curvas, conseguia atingir o infinito, que através destas duas linhas paralelas, conseguia ver tudo, sem um princípio nem um fim. Sorte daquele que o conseguir, porque vai ao infinito, mas também sorte daquele que não queira atingi-lo, daquele que queira, nem que seja só por breves minutos, nem que seja só entre duas estações próximas, viajar. Viajar com os olhos postos no céu a contemplar tudo à sua volta, sentir-se livre e, numa curta paz de espírito, conseguir renascer.
Quando se olha assim para uma coisa que nos mexe tanto, dá vontade de, de alguma maneira, entrar na fotografia e percorrer aquele longo caminho, a pé ou de comboio ou de outra forma qualquer. Só queria era percorrê-lo.




Tiago Pereira, nº23, 12ºC

A fraude


Desde a fundação [?] da vida que acções fraudulentas ocorrem dia após dia. Escolhi esta imagem para representar este tema, pois as mãos podem representar a acção fraudulenta, e as pessoas correspondem ao envolvido na acção.
Este tema encaixa-se em todos os assuntos, desde a economia até à sociologia, daí a justificação da minha escolha. Um possível exemplo de fraude é o jogo televisivo norte-americano "split or steal", onde duas pessoas estão frente a frente e podem negociar o resultado final, acabando, por vezes, por se enganar um ao outro, ou seja, pode ser considerada uma fraude.
Podemos deduzir que a fraude nos rodeia, tal como as mãos vermelhas, esta pertinência [?] trata-se da ideia que pretendo transmitir.


Tiago Barbosa 12ºB

Pôr de variáveis







O que vês tu no pôr-do-sol? O que vejo eu? E o outro que está ao teu lado? De certeza não vamos encontrar respostas iguais.
Tu podes ver um simples final do dia e, por vezes, até com tristeza e angústia, porque pensas que podias ter feito muitas mais compras, e ter comprado aquele lindo casaco que estava na montra daquela loja, mas logo dizes, não faz mal, compro amanhã, e deitas-te descansado. O outro pode pensar logo no que tem de fazer amanhã, no que vai caçar para comer e para alimentar a sua família, onde vai buscar água, o que vai fazer para sobreviver a mais um dia. Para ele, este fim é apenas mais um princípio de uma corrida de obstáculos que tu e eu vemos… Quanto a mim, o pôr-do-sol é o princípio do fim e um novo início. Um princípio do fim porque está prestes a acabar-se um dia, é mais um na nossa vida que se finda e ao qual não temos mais acesso, é o fim de uma página na nossa história de vida, mas, por outro lado, é um novo início, porque me transmite esperança e coragem para um novo dia - este já acabou, mas tenho outro amanhã, se não consegui hoje, tenho o dia de amanhã. Nesta imagem, as pegadas que se salientam da neve indicam, para mim, o caminho, que é seguir em frente, porque não é aqui que tudo vai terminar.
A maneira como encaramos a mesma imagem difere sempre de pessoa para pessoa, de contexto para contexto, está dependente da história de vida de cada um. Uns descrevem o pôr-do-sol como lindo, maravilhoso, mágico, mas com tristeza por este indicar o fim, outros nem sequer pensam nele e passam completamente ao seu lado. E ainda temos aqueles que ficam felizes por já estar a terminar um dia, porque amanhã vem outro, onde há muito para fazer, de forma a aproveitá-lo.
Não podemos dizer que, tal como eu vejo o pôr-do-sol, tu também o tens de ver.

Letícia Fortes 12ºC Nº14

"La Movida" de Lloret de Mar


Todos os novatos chegam lá com receio. Mas, a partir da primeira noite, mudam-se as ideias. Falo da melhor experiência que os adolescentes podem ter: Viagem de Finalistas na terra de “nuestros hermanos”.
Tudo começa com uma viagem cansativa rumo a Espanha, mas cujo esforço vale a pena. Mal se lêem placas dizendo “Lloret de Mar” esquecemos as dores de costas, o sono e as saudades da nossa rica caminha. Aquele mundo de hotéis, adolescentes, smarts personalizados e guias da SporJovem ou LOL faz os nossos olhinhos brilharem.
A luta pelos hotéis é renhida, e nem todos ficam nos melhores. Mas é a partir do momento em que nos instalamos que começa "la movida" de Lloret.
Em terras lusas tratam as viagens de Finalistas como autênticas férias no Inferno. Fala-se em orgias, álcool e drogas, assaltos e muita insegurança. Confesso que cheguei lá a pensar que tinha que andar junto de grupos grandes, nos quais houvesse rapazes, para que não me acontecesse nada. Mas, a partir da primeira noite, constatei que podia andar apenas com as minhas meninas (Cátia e Cristina), pois não há falta de segurança. Pelo contrário. A polícia é tão rigorosa que até, para fazer cumprir a lei, os “mossos d’esquadra” punem severamente (tautau nos meninos!) quem bebe álcool na rua.
Voltando ao processo de instalação nos hotéis, devo dizer que desfazer as malas é a pior coisa. A falta de cruzetas e uma só cómoda para 3 pessoas colocarem cremes, maquilhagem, acessórios é mesmo um processo crítico. Mas também há coisas animadas, como decorar as varandas, ora com “balões” ora com bonecas.
Visto que nós não tivemos muita sorte com S. Pedro, não deu para nos banharmos em águas “lloreanas”, mas, pelo menos, conhecemos e reconhecemos o comércio local. Há imensas lojas tipo “150”, exploradas por peruanos; ópticas gigantescas; supermercados; boutiques e até sapatarias assustadoras.
Durante o dia ainda dava para realizar excursões, como ir ao PortAventura. Situado em Salou, é um dos melhores parques de diversões do mundo. Aquelas montanhas russas únicas, as paisagens e ambientes recriados, o Popeye e as diversões aquáticas valem mesmo os 40€.
À noite é tudo diferente. Esta começava com uma produção, em frente ao espelho, de cerca uma hora. Mas mal saíamos, constatávamos que valia a pena. Choviam elogios, entoavam-se cânticos (BARCELOS ALLEZ) ao longo de uma avenida com 200metros e carimbavam-se as mãos. De seguida, era só entrar nos bares e dançar, sorrir, conviver…
As escadas rolantes e o escorrega da Maria dos Copos, a grandeza da Colossos, as pizzas do Dream Café e as bailarinas do Moef Gaga marcaram mesmo. Tenho saudades das litronas da Joana das Jarras, do Gaby que nos oferecia shots e do amigo que nos molhava, da adrenalina sentida no PortAventura, de cantar o hino, na varanda Vip da Colossos, juntamente com o Pete tha Zouk, de ver a Nessa a olhar para o chão e a encontrar tickets de bebidas, de acordar e olhar para a janela do Sexy e fazermos contas, de ligar ao segurança por causa dos rebeldes do Porto, de fazer o percurso entre a recepção e o refeitório, de ver a Nessa a roubar toalhas lavadas, de gastar dinheiro nas máquinas, de dormir encostada ao aquecedor. Até tenho saudades de tirar aquelas fotos parvas!
Agora que voltei ao meu país, só penso na possibilidade de lá voltar. É uma alegria que tem tudo a ver comigo, que tem tudo a ver com os jovens. A liberdade não é o que marca. O que marca é a animação. Nós ríamos por tudo e por nada. Acordávamos com a senhora da limpeza às 14h, almoçávamos, dávamos um passeio, voltamos ao hotel para dormir, jantávamos e depois arranjávamo-nos para passar a noite a curtir. Muito álcool?! Claro… Mas também em Portugal ele existe. Drogas e sexo? Também cá há, e se calhar em maior quantidade. Por isso afirmo que a visão que há em Portugal acerca das viagens de finalistas é totalmente errada.
Se fosse algo inseguro, não tornava lá. Mas como adorei… P'ró ano quem sabe! :D


Sara Vila-Chã