
Todos os novatos chegam lá com receio. Mas, a partir da primeira noite, mudam-se as ideias. Falo da melhor experiência que os adolescentes podem ter: Viagem de Finalistas na terra de “nuestros hermanos”.
Tudo começa com uma viagem cansativa rumo a Espanha, mas cujo esforço vale a pena. Mal se lêem placas dizendo “Lloret de Mar” esquecemos as dores de costas, o sono e as saudades da nossa rica caminha. Aquele mundo de hotéis, adolescentes, smarts personalizados e guias da SporJovem ou LOL faz os nossos olhinhos brilharem.
A luta pelos hotéis é renhida, e nem todos ficam nos melhores. Mas é a partir do momento em que nos instalamos que começa "la movida" de Lloret.
Em terras lusas tratam as viagens de Finalistas como autênticas férias no Inferno. Fala-se em orgias, álcool e drogas, assaltos e muita insegurança. Confesso que cheguei lá a pensar que tinha que andar junto de grupos grandes, nos quais houvesse rapazes, para que não me acontecesse nada. Mas, a partir da primeira noite, constatei que podia andar apenas com as minhas meninas (Cátia e Cristina), pois não há falta de segurança. Pelo contrário. A polícia é tão rigorosa que até, para fazer cumprir a lei, os “mossos d’esquadra” punem severamente (tautau nos meninos!) quem bebe álcool na rua.
Voltando ao processo de instalação nos hotéis, devo dizer que desfazer as malas é a pior coisa. A falta de cruzetas e uma só cómoda para 3 pessoas colocarem cremes, maquilhagem, acessórios é mesmo um processo crítico. Mas também há coisas animadas, como decorar as varandas, ora com “balões” ora com bonecas.
Visto que nós não tivemos muita sorte com S. Pedro, não deu para nos banharmos em águas “lloreanas”, mas, pelo menos, conhecemos e reconhecemos o comércio local. Há imensas lojas tipo “150”, exploradas por peruanos; ópticas gigantescas; supermercados; boutiques e até sapatarias assustadoras.
Durante o dia ainda dava para realizar excursões, como ir ao PortAventura. Situado em Salou, é um dos melhores parques de diversões do mundo. Aquelas montanhas russas únicas, as paisagens e ambientes recriados, o Popeye e as diversões aquáticas valem mesmo os 40€.
À noite é tudo diferente. Esta começava com uma produção, em frente ao espelho, de cerca uma hora. Mas mal saíamos, constatávamos que valia a pena. Choviam elogios, entoavam-se cânticos (BARCELOS ALLEZ) ao longo de uma avenida com 200metros e carimbavam-se as mãos. De seguida, era só entrar nos bares e dançar, sorrir, conviver…
As escadas rolantes e o escorrega da Maria dos Copos, a grandeza da Colossos, as pizzas do Dream Café e as bailarinas do Moef Gaga marcaram mesmo. Tenho saudades das litronas da Joana das Jarras, do Gaby que nos oferecia shots e do amigo que nos molhava, da adrenalina sentida no PortAventura, de cantar o hino, na varanda Vip da Colossos, juntamente com o Pete tha Zouk, de ver a Nessa a olhar para o chão e a encontrar tickets de bebidas, de acordar e olhar para a janela do Sexy e fazermos contas, de ligar ao segurança por causa dos rebeldes do Porto, de fazer o percurso entre a recepção e o refeitório, de ver a Nessa a roubar toalhas lavadas, de gastar dinheiro nas máquinas, de dormir encostada ao aquecedor. Até tenho saudades de tirar aquelas fotos parvas!
Agora que voltei ao meu país, só penso na possibilidade de lá voltar. É uma alegria que tem tudo a ver comigo, que tem tudo a ver com os jovens. A liberdade não é o que marca. O que marca é a animação. Nós ríamos por tudo e por nada. Acordávamos com a senhora da limpeza às 14h, almoçávamos, dávamos um passeio, voltamos ao hotel para dormir, jantávamos e depois arranjávamo-nos para passar a noite a curtir. Muito álcool?! Claro… Mas também em Portugal ele existe. Drogas e sexo? Também cá há, e se calhar em maior quantidade. Por isso afirmo que a visão que há em Portugal acerca das viagens de finalistas é totalmente errada.
Se fosse algo inseguro, não tornava lá. Mas como adorei… P'ró ano quem sabe! :D
Sara Vila-Chã