sábado, 23 de maio de 2009

A fraude


Desde a fundação [?] da vida que acções fraudulentas ocorrem dia após dia. Escolhi esta imagem para representar este tema, pois as mãos podem representar a acção fraudulenta, e as pessoas correspondem ao envolvido na acção.
Este tema encaixa-se em todos os assuntos, desde a economia até à sociologia, daí a justificação da minha escolha. Um possível exemplo de fraude é o jogo televisivo norte-americano "split or steal", onde duas pessoas estão frente a frente e podem negociar o resultado final, acabando, por vezes, por se enganar um ao outro, ou seja, pode ser considerada uma fraude.
Podemos deduzir que a fraude nos rodeia, tal como as mãos vermelhas, esta pertinência [?] trata-se da ideia que pretendo transmitir.


Tiago Barbosa 12ºB

Pôr de variáveis







O que vês tu no pôr-do-sol? O que vejo eu? E o outro que está ao teu lado? De certeza não vamos encontrar respostas iguais.
Tu podes ver um simples final do dia e, por vezes, até com tristeza e angústia, porque pensas que podias ter feito muitas mais compras, e ter comprado aquele lindo casaco que estava na montra daquela loja, mas logo dizes, não faz mal, compro amanhã, e deitas-te descansado. O outro pode pensar logo no que tem de fazer amanhã, no que vai caçar para comer e para alimentar a sua família, onde vai buscar água, o que vai fazer para sobreviver a mais um dia. Para ele, este fim é apenas mais um princípio de uma corrida de obstáculos que tu e eu vemos… Quanto a mim, o pôr-do-sol é o princípio do fim e um novo início. Um princípio do fim porque está prestes a acabar-se um dia, é mais um na nossa vida que se finda e ao qual não temos mais acesso, é o fim de uma página na nossa história de vida, mas, por outro lado, é um novo início, porque me transmite esperança e coragem para um novo dia - este já acabou, mas tenho outro amanhã, se não consegui hoje, tenho o dia de amanhã. Nesta imagem, as pegadas que se salientam da neve indicam, para mim, o caminho, que é seguir em frente, porque não é aqui que tudo vai terminar.
A maneira como encaramos a mesma imagem difere sempre de pessoa para pessoa, de contexto para contexto, está dependente da história de vida de cada um. Uns descrevem o pôr-do-sol como lindo, maravilhoso, mágico, mas com tristeza por este indicar o fim, outros nem sequer pensam nele e passam completamente ao seu lado. E ainda temos aqueles que ficam felizes por já estar a terminar um dia, porque amanhã vem outro, onde há muito para fazer, de forma a aproveitá-lo.
Não podemos dizer que, tal como eu vejo o pôr-do-sol, tu também o tens de ver.

Letícia Fortes 12ºC Nº14

"La Movida" de Lloret de Mar


Todos os novatos chegam lá com receio. Mas, a partir da primeira noite, mudam-se as ideias. Falo da melhor experiência que os adolescentes podem ter: Viagem de Finalistas na terra de “nuestros hermanos”.
Tudo começa com uma viagem cansativa rumo a Espanha, mas cujo esforço vale a pena. Mal se lêem placas dizendo “Lloret de Mar” esquecemos as dores de costas, o sono e as saudades da nossa rica caminha. Aquele mundo de hotéis, adolescentes, smarts personalizados e guias da SporJovem ou LOL faz os nossos olhinhos brilharem.
A luta pelos hotéis é renhida, e nem todos ficam nos melhores. Mas é a partir do momento em que nos instalamos que começa "la movida" de Lloret.
Em terras lusas tratam as viagens de Finalistas como autênticas férias no Inferno. Fala-se em orgias, álcool e drogas, assaltos e muita insegurança. Confesso que cheguei lá a pensar que tinha que andar junto de grupos grandes, nos quais houvesse rapazes, para que não me acontecesse nada. Mas, a partir da primeira noite, constatei que podia andar apenas com as minhas meninas (Cátia e Cristina), pois não há falta de segurança. Pelo contrário. A polícia é tão rigorosa que até, para fazer cumprir a lei, os “mossos d’esquadra” punem severamente (tautau nos meninos!) quem bebe álcool na rua.
Voltando ao processo de instalação nos hotéis, devo dizer que desfazer as malas é a pior coisa. A falta de cruzetas e uma só cómoda para 3 pessoas colocarem cremes, maquilhagem, acessórios é mesmo um processo crítico. Mas também há coisas animadas, como decorar as varandas, ora com “balões” ora com bonecas.
Visto que nós não tivemos muita sorte com S. Pedro, não deu para nos banharmos em águas “lloreanas”, mas, pelo menos, conhecemos e reconhecemos o comércio local. Há imensas lojas tipo “150”, exploradas por peruanos; ópticas gigantescas; supermercados; boutiques e até sapatarias assustadoras.
Durante o dia ainda dava para realizar excursões, como ir ao PortAventura. Situado em Salou, é um dos melhores parques de diversões do mundo. Aquelas montanhas russas únicas, as paisagens e ambientes recriados, o Popeye e as diversões aquáticas valem mesmo os 40€.
À noite é tudo diferente. Esta começava com uma produção, em frente ao espelho, de cerca uma hora. Mas mal saíamos, constatávamos que valia a pena. Choviam elogios, entoavam-se cânticos (BARCELOS ALLEZ) ao longo de uma avenida com 200metros e carimbavam-se as mãos. De seguida, era só entrar nos bares e dançar, sorrir, conviver…
As escadas rolantes e o escorrega da Maria dos Copos, a grandeza da Colossos, as pizzas do Dream Café e as bailarinas do Moef Gaga marcaram mesmo. Tenho saudades das litronas da Joana das Jarras, do Gaby que nos oferecia shots e do amigo que nos molhava, da adrenalina sentida no PortAventura, de cantar o hino, na varanda Vip da Colossos, juntamente com o Pete tha Zouk, de ver a Nessa a olhar para o chão e a encontrar tickets de bebidas, de acordar e olhar para a janela do Sexy e fazermos contas, de ligar ao segurança por causa dos rebeldes do Porto, de fazer o percurso entre a recepção e o refeitório, de ver a Nessa a roubar toalhas lavadas, de gastar dinheiro nas máquinas, de dormir encostada ao aquecedor. Até tenho saudades de tirar aquelas fotos parvas!
Agora que voltei ao meu país, só penso na possibilidade de lá voltar. É uma alegria que tem tudo a ver comigo, que tem tudo a ver com os jovens. A liberdade não é o que marca. O que marca é a animação. Nós ríamos por tudo e por nada. Acordávamos com a senhora da limpeza às 14h, almoçávamos, dávamos um passeio, voltamos ao hotel para dormir, jantávamos e depois arranjávamo-nos para passar a noite a curtir. Muito álcool?! Claro… Mas também em Portugal ele existe. Drogas e sexo? Também cá há, e se calhar em maior quantidade. Por isso afirmo que a visão que há em Portugal acerca das viagens de finalistas é totalmente errada.
Se fosse algo inseguro, não tornava lá. Mas como adorei… P'ró ano quem sabe! :D


Sara Vila-Chã

Era uma vez...


Ele chama-se Pantufa, ela chama-se Estrela e esta é a história de ambos, se de amor, talvez no final saibamos, ou talvez não. E se ainda apenas uma linha leu e já considera o autor da mesma ligeiramente descompensado, e o tema da história ridículo, talvez não esteja de todo longe da verdade.

De facto, ele é preto e branco, uma fofa bola redonda de um longo pêlo que faz a delícia dos ásperos dedos calvos que ousem sobre o mesmo deslizar. Corpo robusto, imponente estrutura alargada por uma induzida esterilidade, se muitos assusta num primeiro vislumbre, todos enternece quando olhando mais atentamente lhe apreciam a cabecinha suspensa como uma pena que ondula para cada um dos lados, iluminada pelo meigo brilho dos vivos olhos cor de mel, que parecem implorar por uma mão (ou perna, pé…) acariciadora. E se se atrever a fazê-lo, o num simples toque da ponta do dedo basta para que aquele enorme castelo de pêlo se desmorone e rebole no chão para um lado e para o outro, com as patinhas dobradas e a cauda em movimento, qual espanador dançante, ao som dum ronronar desesperado por mimo. Os longos bigodes arqueados parecem aguçadas lanças que partem dum triângulo da mesma cor de neve estampado na fronte, brancura apenas tingida pela “mosca” preta que se destaca do lado esquerdo do queixo.
Por seu lado, ela cobre-se de um manto de seda cinza que lhe cobre o corpo branco. As meias também brancas que traz calçadas nunca se sujam, curioso caso (nunca reparei que as trocasse, talvez ande distraída). E envolta numa elegância real, esta pequenina princesa passeia em harmónica coordenação todo o seu corpo, delicadas patinhas que parecem nem tocar o chão, como se todo o corpo estivesse suspenso pelo hipnotizante ondular da sua fina cauda. E se a sua elegante serenidade for estímulo para uma tentativa de aproximação, o melhor é ter cuidado, repensar a estratégia, ponderar a abordagem, porque esta princesinha não mostrará toda a sua eterna meiguice por ser essa a vontade do curioso, mas apenas por ser essa a sua vontade, independentemente da do curioso. E não faltarão as ágeis garras e afiados dentes que sua majestade não receará usar sempre que a real vontade não for respeitada.
E aqui estão ambos, ele abraçando-a carinhosamente, ela deixando-se abraçar com calma satisfação. Assim passam o seu tempo, um no outro, de tal forma unidos que, não fossem as visíveis diferenças de aspecto, seriam indistinguíveis fim e princípio de um e de outro, tal é a complementaridade. Quando ela acorda com o pesado gemer do sono dele, logo carícias tratam de compensar o sucedido, com as patas dele envolvendo-a e segurando-lhe o pescocinho, onde deposita doces beijos ternos. Ela adormece nos braços dele e tudo fica como antes, numa paz celestial que até os anjos, se existem, invejam. No passado ficaram seis filhos que a consanguinidade destes dois irmãos não impediu que nascessem de uma beleza rara, quase divina.

Se é amor ou qualquer espécie de carinho o que os une, não sei. Se de raciocínio carecem, e mesmo puramente animais continuam ele e ela, juntos, não por ímpeto sexual dada a incapacidade dele, mas por puro bem-estar e prazer afável de se sentirem um perto do outro, protegidos, acariciados, sem que de isso se apercebam ou sequer venham a ter consciência. Mas que é então o amor, senão uma entrega total em que dois se tornam um, sem que importe a consciência disso, mas apenas o bem-estar, a segurança sentida pelo encontro de ambos? De facto, não importa saber se é amor, importa que se ame e que se sinta isso, sem a necessidade de o saber explicar, mas reconhecendo-o sempre pela autenticidade da sua natureza…
E amem-se ou não estes dois, esta é a sua história. Este de preto e branco é o Pantufa, esta de cinzento é a Estrela. Amantes ou não, que importa? Pudessem todos os amantes permanecer como eles, um nos braços do outro, sem o tempo, sem o mundo, sem nada, com tudo… um com o outro, que é o bastante para que as almas sobrevivam.



Catarina Gonçalves, 12ºC

Refúgio...


Sempre que olho para esta imagem, ela transmite-me paz, o azul do mar reflecte a pureza, o verde mostra o como parece respirável, o como parece saudável este local.
Sempre que estou triste penso no como gostaria nesse momento de estar lá, só com as pessoas de quem gosto e que gostam de mim, divertindo-me, estando longe da realidade de todos os problemas.
Esta imagem é como se fosse o meu refúgio, o meu porto de abrigo, perante ela eu sinto-me em paz, fico aliviado de todo o stress por momentos, que apesar de curtos ajudam-me a acalmar, e quando chego à realidade é mais fácil ter a capacidade de resolver os meus problemas com a atenção e concentração que necessitam.
Posso dizer que esta imagem não me faz bem, pois leva-me para longe da realidade, mas é naquele local que gostaria de estar, porque ao pensar que lá estou faz-me sentir melhor, faz-me sentir feliz.
Esta é das imagens que mais significado tem para mim, porque quando sonho com um mundo melhor, sonho com esta imagem.


Miguel Pinheiro nº17 12ºB

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sempre verei!


Ver, sei que vejo! Vejo o que quero e o que não quero! Vejo o que conheço e o que vou conhecer. Sempre verei!
Tenho-te como sempre tive mãos, pernas ou boca, ouvir nunca te ouvi, sentir nunca te senti, apenas me fizeste sentir. Surge-me a dor, a dor que de ti vai directamente encobrir a minha alma como uma nébula densa e negra que rege o meu pensamento. Fazes-me pensar se sim, se não, se talvez. Desfocas-te com a água que derramas e salgas o gosto quando assim o fazes. Desfocada, fazes-me pensar se valerá a pena me atormentar com o que, por mais que queira, já foi sentido.
Como cresci contigo! Aprendi o que a vida é, ou o que da vida me quiseste mostrar até hoje. Ainda há pouco via baloiçar, correr, via de quem fugia na “caçadinha”, quem procurava nas “escondidinhas”. E agora? Agora, além daqueles que, como tu, alimentam a minha vontade de viver, que me fazem ver e crescer, que me apontam os defeitos e valorizam os valores, vejo a tristeza, o egoísmo, a morte, a fome e a guerra.
Um turbilhão de sentimentos, de emoções, de reacções que, culminadas, fazem com que, a cada dia, experiências novas carregue a meus ombros.
Curioso estou de chegar ao tempo em que já tudo me deste a viver, que será impossível de contar todos os sorrisos, afectos, todas as lágrimas e, até mesmo, as mortes que graças a ti vivenciei. Mas... mas, e quando chegar o tempo em que só me faltará ver o que por ti não poderei ver? Por vermes e insectos serás devorado e decomposto, como qualquer folha que no Outono cai, por já não ter significado para o ser a quem pertenceu. Se não vais ser tu a desvendar esse novo caminho, o que será? Sem ti como poderei eu sentir o que me faltará sentir? Não irei sentir? Tudo o que vivi e tudo que me deste a viver simplesmente evaporará? Oh, como por pensar na tua ausência, mais distante fico de mim mesmo. Acho ridículo seres o primeiro a ser corroído sabendo que és mais importante para a minha existência do que qualquer osso ou cabelo que permanece intacto por milhares de anos. Sei que, mesmo não existindo, permanecerás eternamente em mim.
Tornaste-te a dádiva que alegra e apodrece meu ser. Se penso depressivamente, foste tu que me sujeitaste há tristeza, se penso alegremente, foste quem me deu a razão de sorrir interiormente. E é por esta dicotomia que orgulhosamente afirmo: SOU ESCRAVO DE TI, OLHAR!


Luis Loureiro
Nº13 Turma B

A melhor turma de sempre...




Aos meus colegas de turma do ano de 1998/1999

Recua no tempo, volta a ter 8 anos e a ser pequenino/a…
Hoje é dia 21 de Maio de 1999, é sexta-feira, e o dia é de sol na nossa escola.
São 10 horas, estamos na sala de aula a ter aula de estudo do meio com a Professora Aurora Barroso…
Não tarda são horas do lanche. Não tarda estaremos no nosso recreio, sem baloiço, sem escorrega, sem campo relvado… O nosso recreio é coberto apenas de terra amarela, mas aqui o amor impera, aqui brincamos a isto, àquilo, a ser tudo sendo nada, sendo apenas criança!
É hora do lanche!! Nunca há apetite na hora do lanche! Mas temos sempre que comer o pão com queijo que a mãe fez e o leite com chocolate que a professora dá, caso contrário não vamos brincar e ficamos na sala de castigo! “ Porque se não comerem ficam sem força para brincar! “ como dizia a senhora empregada Venilia.
Mas nós sabíamos que isto não era verdade, nós éramos realmente muito fortes (mesmo sem lanchar), apesar do pouco tamanho éramos destemidos, independentes, decididos, capazes de correr até ao fim do mundo, de trepar à árvore mais alta para ir buscar a bola que lá tinha ficado presa ou até para tirar os ninhos e ver os ovinhos pequeninos…
Fazíamos tudo uns pelos outros, também tinha vezes que éramos muito maus uns para os outros, mas nada disto importava, porque no dia seguinte já tudo tinha passado, porque ser criança é ser assim….
Quando alguém atacava a nossa turma, estava tramado!! Éramos 28 e muito maus!! :)
Amávamos realmente! Quando nos questionavam: -Quem são os teus amigos? Não hesitávamos em enumerar toda a turma, um a um, sem esquecer nenhum.

Isto é o amor!
Eva Castanheira

Hoax


A única verdade em mim mora naquilo que é (cuidadosamente) invisível para os outros, mesmo para os outros que me constroem a mim com os seus corpos e vozes, afazeres e opções – tudo som, tudo existência.
Esses outros-eu, se fossem raspados de mim com muita força, de unhas e navalhas empenhadas, não me sobejaria Nada. Um Nada que é a única verdade em mim; tenazmente minha, como um embaraço líquido que se me entornou pela consciência abaixo.
Mas como caiu em pano escuro, sendo escura, ninguém repara, excepto eu, quando vou para aqueles sítios que nos roubam os olhos, encontrar-me com a única verdade em mim.
Fica sempre muito calada, mesmo quando a olho de perto, não com os olhos, que esses foram roubados em linha outra, mas olho-a com as mãos e com o que isso possa ter de sólido Absurdo.
Que inutilidade que é tudo! É inútil a única verdade em mim, e encontrar-me com ela, mas é sobretudo inútil e ridículo dizer isso com palavras.
E sei-o, e continuo a dize-lo como uma voz gravada. Inquieta-se o Absurdo de contente, por entre os meus dedos.

O eu esbarrado, que nem um coelho veloz, contra os limites da sua própria inteligência. Desfaz-se o roedor nestas vãs corridas. É ver as vísceras centrifugadas contra o chão…
Quanto sangue…

Madre Protégenos
Segura-nos com o teu braço, Mãe, encosta os teus cabelos ao nosso peito até eles nos sufocarem de conforto e aconchego. Lança as tuas unhas contra os nossos corpos para que se libertem deste sangue.

Mas, a única verdade em mim fica sempre serena e sempre calada. Só quando lhe viro as costas para ir embora é que ela sussurra como quem inventa uma verdade:
-Olha para ti embuste…
Lembras-te de ontem?
Estiveste sentada em cima do muro a morder a língua, fazendo figas com tanta força, que quase caías.
Esqueceste o Tempo durante a tarde toda, e só quando passou o camião do lixo, lembras? Resulima, amarelo, carregado de realidades encardidas, é que começaste a sentir dores verdadeiras: a língua mordida pelos dentes aflitos, as pernas dormentes de pensamentos pequeninos como agulhas…e já os perdeste no palheiro que és.
Mas ainda Hoje lá estás sobre o muro e com o mesmo olhar desoladoramente vazio…
Quando te conseguires levantar, é porque terás terminado, enfim, a tua risível incerteza, que, por enquanto, te vai passando, delirante, em rodapé neural.
Já nem dormes…
Quando te conseguires levantar, arfando de viva ou de morta, terás já escolhido entre o 7 e o 9. E quer tenhas optado por um ou por outro, não hás-de, à mesma, acertar na chave da lotaria …
Talvez essa chave com que tanto sonhas, acordada, porque já não dormes, sirva para abrir uma outra porta… aquela demoradamente talhada…com enfeites dourados….e ondeantes…iguais às dos contos das fadas sem dentes. Ou então não serve para Nada.
Olha para ti embuste…olha para ti…


Agora tenho de ir embora, pois não tenho? Obrigou-me a ir embora… Vou pela rua abaixo, tenho de ir tratar daquilo antes que feche. Onde era mesmo? Lá ao fundo, pois claro.
Encontro a montra. Entro.

- A seguir?...bom dia. Tem a factura?
Ali atrás, as esferográficas arrumadas por cores. O mesmo preço, cores diferentes. Cartolinas, capas, tesouras... Tenho tanto sono. Verdes, azuis, pretas...
Mas os lápis desta papelaria não sabem o sono. E os livros também não. Nem nas vezes em que adormecemos sobre eles, as páginas se interessam em percebe-lo. E tanto faz ser livro de muito saber, como de pouco.
- O seu nome, por favor?
Segura na cabeça, por entre o rosto, os cabelos louros fingidos. É pálida e tem dedos longos e pálidos, de beber chá em porcelana azul. Acho que gosta de me fazer perguntas. Não sorri, já não é jovem, nem velha o suficiente para sorrir.
Cinco minutos de espera e as minhas pernas fraquejam, também elas resmungam sono.
-Pode passar aqui para a semana.
Vou em direcção à porta forrada com revistas. Ainda conservo na cabeça o eco das suas perguntas em voz seca. O meu nome? Vou pelas ruas, pelas mais húmidas e estreitas. É dia...
À noite, os que percorrem as azinhagas escuras, são os forasteiros e as prostitutas...e Ela.
Ela é quem anda pelo telhado, ao som da lua, atiçando os cães, para vos ladrar ao sono.
É prostituta forasteira da própria sombra - da qual não se quer livrar ainda. Cola-se-lhe ao corpo, como a dor ao peito, a dor de sentir que a única verdade em si, é afinal uma mentira de penas e bunodontes.
Ela cresce em mim na ânsia de me ser.
E dentro dela,
Eu caio.

- Desculpe, boa noite,
podia dizer-me as horas que lhe restam?
.

A Água e Eu


Como eu
a água nasce inocente continuamente

Como eu
a água tem as suas brincadeiras
e canta toda contente

Como eu
a água cresce
e sonha romântica com a Lua
contudo vai fitando os astros que se apaixonam por ela
mas é sempre tão sonhadora

Como eu
a água é madura
e fica serena, num destino controverso,
mas generoso, espalha a vida,
junta povos separados pelos mares

Como eu
um dia a água enfraquecerá
pois continuamente vemos os cabelos brancos

Como eu
a água sofre
vemos isso quando chove

Como eu
a água luta pelos seus ideias.


Tudo isto só para dizer que temos de proteger a água, pois, se repararmos, ela tem muitas coisas parecidas com os seres humanos. Ela protegemos e é nossa obrigação fazer o mesmo com ela. Temos de ter cuidado com os desperdícios que, continuamente, fazemos no nosso dia-a-dia, pois a água poderá acabar se não fizermos nada para combater a tragédia que, um dia, poderá ou não (caso tenhamos cuidado) acontecer. A água é o nosso meio de vivência [?], precisamos dela, como ela também precisa de nós!
Existem maravilhas debaixo de água, assim como existem imagens de água que nos fazem dizer: "Que imagem magnífica!!".... E se não pudessemos ver isto tudo? Como será o mundo sem a água? Gostavam de saber? Pois bem, eu não gostava nada, pois, para mim, a água tem as coisas mais maravilhosas que nos possamos ver.


Vanessa Múrias, 12ºA

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Os doutores palhaços


Escolhi esta imagem, talvez pela sua simplicidade ou talvez por me dizer algo quando a olho.
É uma simples fotografia, com duas caras pintadas, palhaços talvez, num corredor de um hospital. Mas que farão estes palhaços no hospital? Algo muito especial…
Não considero estes palhaços aqueles simples palhaços, que observamos quando vamos ao circo e que nos fazem rir até nos doer a barriga. São mais que simples palhaços, são palhaços que conseguem fazer sorrir crianças, nas fases mais difíceis das suas vidas, crianças que passam grande parte das suas vidas em hospitais, crianças que, muitas vezes, não têm consciência do que estão a passar e crianças que, em certos momentos, são mais corajosas e confiantes que qualquer um de nós, adultos. São crianças que sofrem todos os dias por estarem longe das famílias, dos seus amigos e, acima de tudo, são crianças que lutam todos os dias por se curarem.
O papel destes “doutores palhaços” é pôr um sorriso na cara destas crianças, dar-lhes a oportunidade de terem um dia diferente, nunca sabendo se será o último, dando-lhes amor, carinho e esperança, a elas e aos próprios pais, fazendo as crianças felizes por uma tarde, por uma hora ou por um momento.
Todos os anos surgem mais casos de cancro infantil. As crianças com cancro, e os seus pais, sofrem durante anos psíquica, física e economicamente.
A experiência mostra que a solidariedade é um factor de extrema importância para ajudar a minimizar os problemas causados pelos longos e difíceis períodos de tratamento.
Por outro lado, é cada vez maior a percentagem dos que vencem a doença.




"Ser criança é ACREDITAR que tudo é possível."




Diana Fumega, 12ºF