segunda-feira, 18 de maio de 2009

O que me Toca!


Pum! Ui, que barulho... É agora? Já está no ar? Ah! Está bem... Mas já posso? Hum? Hum? Você não acha? Hum? Hum? Eu acho que sim... Está bem, está bem...









Ai... Dia e noite a queimar as pestanas... Dia e noite numa exaustiva e intensa procura que agora culmina.
Oh, céus!
Uma imagem é o desejo de sua Majestade.
Um desejo, sua Alteza, que a todo o custo tentei ver cumprido.
Um desejo, sua Alteza, que espero do seu agrado.
Um último desejo, minha Alteza...
Como sempre, de uma forma muito muito séria encarei esta tarefa, pelo que o trabalho que agora se lhe apresenta é fruto de toda a minha dedicação, exigindo uma concentração profunda, para que da real leitura seja merecedor.
Uma imagem. Uma emoção. Uma recordação. Qual o caminho?
Foi-me particularmente difícil encontrar uma imagem que me tocasse, no meio de tantas. Foi-me particularmente complicado descortinar uma imagem que me sugerisse algo mais que outras que me sugerem tanto. Muitas sugestões tive por parte das imagens que pela cabeça me passaram...
Muitas sugeriram-me, sim, que fosse mas é nanar que isto não é vida para mim, que não tinha talento para isto, que devia era estar a cortar a relva ou lavar carros. Não gostei dessas, pu-las logo de parte, só para verem quem é que manda aqui... Eu sou assim mesmo, não estou para brincadeiras!
Imagens vi, que me arrepiaram, mas descobri depois algo que me esclareceu de uma forma tal que nunca tinha imaginado: sempre que as via, um vento, uma brisa, um cubo de gelo passava por mim, pelo meu corpo, que, como é óbvio, se arrepiava, pois claro... era do frio!
Imagens vi, que me trouxeram a saudade de algo que ainda não deixei de ter.
Imagens vi, minha Alteza. Oh, se vi!
Mas a imagem que lhe apresento, Majestade, é algo que me toca há muito tempo. A imagem que lhe apresento representa aquilo que dá uma melodia aos meus dias, representa aquilo que encosto ao ouvido, que me põe a falar sozinho. A imagem que lhe apresento representa aquilo que me faz sentir uma vibração...
Tudo isto é muito bonito, não estivesse eu a falar de um telemóvel! Pois é! A imagem, minha Majestade, que lhe apresento, é a de um telemóvel, e, sendo eu um súbdito que de novas tecnologias não possui em abundância, não há nada mais que toque do que o telemóvel nos meus dias!
Se toca, Majestade...
O leal servo espera que sua pesquisa não tenha sido em vão, e que sua Alteza tenha apreciado...
Avé.

domingo, 17 de maio de 2009

Hoje é dia de ser Eu!


Hoje é dia de ser Eu!
Hoje acordei feliz, acordei sozinha, acordei perdida com vontade de não ser encontrada. Não me vou esconder, não! Eu quero gritar, eu quero saltar, eu quero viver, eu quero mostrar-me… a ninguém. A ninguém que ouça, a ninguém que veja, a ninguém que sinta. Porque hoje é dia de ser eu. Hoje a minha boca vai ser minha, vou ouvir só o que ela tem para dizer, porque hoje o mundo até pode não ser cego nem surdo, mas é mudo e vai ouvir em silêncio tudo o que a minha boca tem para dizer. Porque hoje é dia de ser eu!

Hoje a razão vai morrer, porque a minha alma inconsciente quer ressuscitar do sufoco que tu e tu e tu lhe causaram. Hoje tu e tu e tu são nada, hoje eu sou tudo. Não quero ser invisível. Oh, mas não quero que me vejam com os vossos olhos. Quero que me vejam com os meus olhos. Porque não? Não vos peço mais nada, não peço carinho, não peço compreensão, não peço que me estendam a mão. Quero-vos longe, quero espaço, o meu espaço. Quero libertar-me de vocês, quero despir as vossas vozes, os vossos olhares, os vossos conselhos e quero cobrir-me de nada, ou melhor, quero cobrir-me de mim.

Pensam que estou louca? Não, hoje o pensamento é nada! Hoje a vida renasce da morte que tem vivido e vive livre, leve e solta. E é tão bom renascer, é tão bom sentir que não vou tropeçar, porque hoje não existem pedras no meu caminho. Bom, também não existem trampolins, mas o que importa? Eu não quero ser projectada, eu quero ir pelo meu próprio pé. Para onde, não sei. Acho que não quero ir para lado nenhum, mas também não quero continuar aqui. Estou farta de estar aqui! Já gritei, já saltei, já vivi, já me mostrei, e agora? Consegui que me vissem com os meus olhos. No entanto, eu continuo a ver-me com os vossos.

Mas quem sou eu? Como sou eu? Eu não me conheço… e era tão bom se me conhecesse. Assim, podia agradar-me todos os dias, podia concretizar todos os meus sonhos, podia dizer-me que sou uma pessoa boa, ou não. E assim eu podia mudar, ou não, porque má ou boa, eu ia ser eu. Talvez este eu não exista. Talvez tu e tu e tu sejam o meu eu.
Mas hoje não, hoje vocês são nada, são silêncio, são meros espectadores do teatro que é a minha vida. Oh, mas hoje eu acordei sem máscara, acordei com vontade de encarnar a minha pessoa, a essência da minha pessoa.

Não espero que gostem da peça, muito menos que aplaudam, mas podem ter a certeza que eu vou encarnar muito bem a minha personagem.

Porque hoje, aconteça o que acontecer, é dia de ser eu!



Daniela Falcão, 12ºB

Eu gosto é do Verão!...





Estas simples imagens não são umas fotografias quaisquer. Para muitos podem não ter interesse, nem qualidade fotográfica alguma, mas para mim significam muito. Até se podem rir das nossas “figuras tristes” porque, realmente, divertimo-nos bastante (já há quem diga que tem inveja da nossa amizade!).
O principal motivo para a escolha destas fotografias é que, para muitos, estas pessoas são simples estranhos, mas é nelas que eu me reconheço. São os meus amigos!
Quando as olho, apenas me lembro que estas foram, sem dúvida, alguma as melhores férias de sempre. Vivemos juntos experiências novas, os dias inteiros passados na praia, as primeiras férias sem os pais por perto. Tudo isto traz saudades! Saudades dos acampamentos, dos piqueniques (quase ao lado de casa), das festas e das saídas nocturnas, das horas a falar do dia de “hoje” e a planear o dia de “amanhã”.
A verdade é que, desde o Verão, tudo, mas quase nada, mudou. Já não andamos todos na mesma escola, nem falamos todos os dias e até podemos já nem nos vermos há muito tempo, mas sabemos que a amizade permanece igual e, em alguns casos, é até mais forte.
Não será por crescermos de maneiras diferentes, nos separarmos, ou por fazermos novas amizades que nos vamos esquecer de todos os momentos que passámos juntos.
São essencialmente estas as principais lembranças que tenho quando vejo e revejo estas fotografias e recordo todos os dias do Verão de uma adolescência feliz, onde não existiam pressas para nada, estava tudo por nossa conta e esta sensação de independência fez-nos crescer.
Mesmo tendo perdido a melhor pessoa do mundo, estas foram as melhores férias, e tudo graças aos meus amigos.
Tenho saudades de tudo e de todos, a perfeita noção do quanto são importantes e do quanto me sinto perdida sem eles ao pé de mim, “Oh tempo volta para trás”.


Eduarda, 12ºA

sábado, 16 de maio de 2009

A questão social: as injustiças sociais



Começo por explicar o porquê da escolha desta imagem. Escolhi esta imagem pois, a mim, faz-me uma certa confusão o facto de existirem certas injustiças no mundo. Hoje em dia, não faltam pessoas que cometam injustiças. As injustiças sociais acontecem desde que o homem existe. Faz parte da natureza humana, há em todas as sociedades, o poderoso, ou os que se dizem poderosos, por terem dinheiro, e os inferiores, que deles dependem.
Posso exemplificar a temática da injustiça social com o trabalho infantil, cuja actividade ocorre em 61% na Ásia, 32% da África e o restante, espalhados pela América Latina. Desse número, 73% estão empregados nas piores formas de trabalho infantil, ou seja, 170 milhões ocupam-se em trabalhos perigosos. Cerca de 8 milhões de crianças são colocadas em formas degradantes e corruptas: o trabalho forçado ou escravo (5,7 milhões), conflito armado (0,3 milhão), prostituição e pornografia (1,8 milhões), tráfico de drogas (1,2 milhões) e outras actividades ilegais.
Infelizmente, nos dias de hoje, estes cenários ainda são visíveis. Não é propriamente a questão do trabalho que está em causa. Todos os trabalhos são dignos, mas não se no caso forem crianças a fazê-lo. O que está em causa é a humilhação a que algumas crianças, ainda hoje, são sujeitas. Ora imaginem a educação e saúde destas crianças - não existem esse é o facto.
E, infelizmente, não estou convencida que, alguma vez, a injustiça social tenha fim. Não somos todos poderosos, por isso não somos todos ouvidos. "Num mundo onde há pouca justiça é perigoso ter razão."


Rosa Fernandes, 12ºF

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Soneto pela Criança















O mundo cruel faz de ti o que não és!
A tão jovem idade que se escapa,
Que se esconde por debaixo da capa
Não do como és, mas sim daquilo que és.

E tornas-te adulto mas não maturo
E é difícil ouvir tuas preces!
Tens o que te dão, não o que tu mereces!
Sorriso tão inocente, olhar tão puro!

Teu sorriso de mentiras repleto,
De contentos tua vida é movida,
Alegrias escuras são mentira

Um sorriso estanque de tão incompleto
Pôs-te alguém nos subúrbios da Vida?
Não! Mas também ninguém daí te tira!



Marisa, 12ºA

Iluminada pelo Luar!


Uma última inspiração…tão rápida e sufocante… os olhos fixam-se neste ponto, tudo à volta deixa de viver, como se o tempo parasse para ver, ou somente olhar… há um turbilhão de emoções que despertam em mim e me fazem temer este grande Ser da Natureza, a Lua!
As palavras de silêncio… um vazio frio… o tudo sem nada!... simplesmente parece que nos observa, lá ao longe, inocente e ingénua, quando tem tanto a esconder.
Medo!... é esse o sentimento que arrepia todo o meu corpo, quando sinto na pele o mistério e a escuridão que a envolvem. A noite negra e fatal parece apoderar-se dela, arrastando-a para as portas da Morte, das Trevas, sem qualquer comiseração por um ser, aparentemente, tão puro e frágil… mas, rasgando os céus, surge uma luz intensa e imponente, um brilho que dá voz à razão, que cega o Mal… surge o luar que lhe dá a vida, que a renova, que traz esperança a Ela, e aos demais… sentimo-nos seguros, protegidos…
Nas fúnebres águas o reflexo da sua alma, transparente e lúcida, se espelha junto do mundo dos mortais, dos comuns, dos humanos… e não será por acaso que, também nós, nascemos, vivemos e morremos, estando eternamente presos a este ciclo vicioso.
Mas, numa vida tão redonda e monótona, é a magia da Lua que nos preenche, que nos satisfaz… olhando-a nos olhos, sinto-me capaz de tudo… percorre em mim um impulso tal, que me faz querer arriscar, correr perigos, lutar, gritar, amar, alcançar até o impossível... faz-me querer aproveitar a vida ao máximo, como se do último dia se tratasse!
Olhando-a nos olhos, sento-me no meu lugar preferido e sei que posso sonhar, pois tudo ficará sempre entre nós as duas e, por mais ridículos ou inalcançáveis que estes meus sonhos sejam, ela não me julga, dá-me mais força para os realizar!
E, sem qualquer aviso, esvanece-se na manhã… desaparece… deixa-nos sós, vazios, inconsolados… deixa a saudade!



Ana Luísa, 12ºA

Tentarei de novo amanhã...


À medida que o meu cavalo cavalgava pela floresta fora, a fraca luz do dia dissipava-se através das árvores e o crepúsculo dava lugar à noite cerrada.
Eu? Eu travava uma batalha interior com os meus ideais. Parte de mim desejava simplesmente fugir desta situação, deixar tudo para trás, simplesmente, poder virar as costas a tudo e a todos. O fardo que suportava tornara-se, a cada dia que passava, mais pesado e eu sentia que estava perto do ponto de ruptura. Era como se eu, uma mera humana, tivesse sido incumbida de segurar o planeta enquanto o gigante Atlas tirava férias da sua antiquíssima função. O peso do mundo descansava sobre os meus ombros. As esperanças dos que ansiavam a liberdade, as mortes dos que lutaram por essa liberdade, os destinos dos prisioneiros, os pequenos conflitos que me competiam resolver formavam continentes e oceanos que me faziam sucumbir sobre o seu peso esmagador. Certamente isto não era tarefa para um simples ser humano. A grandeza das minhas decisões ultrapassava-me. No que me pareceu ser um instante, a minha vontade de retaliar, a maneira como não me queria conformar com o que me era imposto tornou-me chefe da rebelião. Ao recordar-me daqueles momentos em que, apaixonadamente, incitava os outros a insurgir-se contra os opressores que nos sufocavam não pude deixar de reparar nas diferenças na minha voz. Naqueles primeiros tempos ela adquiria a força de um rugido feroz e indignado sempre que me deixava levar pela minha mal contida revolta contra esta forma de viver, se é que se pode chamar viver ao que nós fazíamos. Não. O que nós fazíamos era sobreviver.
Agora sentia que já não poderia gritar mais, argumentar mais, lutar mais, esperar mais. Cada vez que falava o meu tom denunciava a fadiga da luta, a crescente falta de esperança, a frustração de não alcançar os resultados que pretendia. Sabia perfeitamente que a cada dia que passava acreditava menos na conquista da minha liberdade, da liberdade do povo ao qual pertencia. No entanto, tentava manter a ferocidade e a esperança no meu rosto para que aqueles que combatiam lado a lado comigo continuassem a acreditar, mesmo quando as minhas forças me atraiçoassem ou a coragem me faltasse e eu simplesmente desaparecesse. No fundo, o que eu estava a tentar fazer era criar um mito, uma mentira. Tentava que quem me observasse visse sempre em mim uma líder forte e destemida, cuja determinação nunca oscilasse por mais adversas que fossem as situações. Um mito. Uma fachada.
No meu interior a esperança parecia ter-se dissolvido no cansaço, deixando apenas desespero no seu lugar.
A revolta continuava a transbordar do meu peito, mas agora o meu desalento parecia querer impedi-la de se tornar material, de se tornar acção, de se tornar luta.
Sentia-me rouca por dentro.
Neste exacto momento não tinha de fingir ser mais nada do que eu mesma. Apenas o cavalo me impelia para a frente.
O cansaço abatia-se sobre mim.
O trote regular do cavalo ecoava pela floresta arrastando-me para a inconsciência.
Com as poucas forças que me restavam fiz o cavalo parar.
Da inconsciência, o sábio ancião chamava-me dizendo-me:
“A coragem nem sempre ruge. Às vezes é a voz sossegada no fim do dia dizendo Tentarei de novo amanhã.”
“Tentarei de novo amanhã” - sussurrei.
O luar despertou-me com a sua luz.
Olhei para a lua por um momento infinito e senti-me mais desperta do que nunca.
Rendendo-me ao meu lado lunar montei e comecei a cavalgar o mais depressa que o meu cavalo me permitia pela floresta adentro.
“Liberdade…” – sussurrei.
“LIBERDADE!!!” - gritei para que todo o mundo pudesse ouvir.



Paula Portela, 12ºB

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lágrimas de Saudade

Saudade é um sentimento? um pensamento, uma recordação, um sintoma? Palavra de origem portuguesa, mas que toda gente sente, mesmo quando não existe a distância .
O que é, realmente, eu não sei, mas que é dor é, profunda por vezes, que magoa, que faz correr lágrimas pelo rosto, e que provoca uma tempestade de ideias. Muitas pessoas têm medo de dizer que sentem saudade, até porque, por vezes, esta é sentida por pessoas que não merecem. Mas quem nunca sentiu saudade?
Ter saudades não é ser menos duque [do que]o que se é, muito pelo contrário, é ser mais e melhor, é ser emotivo, sensível, vivido, pois quem não vive não sente .
Por isso, quem sentir esse aperto nu [no] peito chamado saudade, não tenha receio de o demonstrar. Podendo, mate essa saudade, perca o medo, porque as oportunidades não surgem sempre e estar fechado no nosso mundo dói ainda mais.



Anabela nº 28 12ºC

Raios de Felicidade!


Sol, praia, Verão! Namorada, amigos, festas! O que poderíamos desejar mais na nossa vida?
Podia colocar aqui uma imagem bonita que apelasse à paz no mundo, ou uma com duas crianças de raças diferentes a apelar ao fim do racismo, ou ao fim da escravidão infantil. Mas (porra!) não sou a Miss Universo 2009! Podia, certamente, escolher uma foto de uma flor bonita ou de uma das sete maravilhas do mundo, mas não estaria a ser sincero.
Sou um adolescente que está no auge dos melhores anos da sua vida e esta imagem representa tudo o que, neste momento, mais me “excita”, mais me arrepia…
As aulas estão a acabar, a estação do ano preferida de todos está a chegar, a pele já começa a ganhar cor e parece que já sinto os pés a arder na areia a escaldar.
É esta a imagem que, neste momento, me faz ficar com um sorriso na cara, só de pensar em ficar com a minha alma gémea na praia até às tantas a ver o pôr-do-sol (ou o nascer…), as festas com os amigos e as noitadas típicas de um adolescente. Olho para esta imagem e sinto um arrepio na espinha, só de recordar as tardes passadas com os amigos na praia, a tomar banhos de sol, na toalha, ou a ver quem chegava primeiro à água. Recordo-me dos passeios à noite, até às tantas, com a namorada, sem olhar às horas de ir para casa e, quando acordamos, logo com um sorriso pela manhã, com o sol a bater-nos na cara, convidando para irmos para a praia.
Portanto, pode não ser uma imagem muito bonita e até pode ser vulgar e tirada dum site duma agência de viagens, mas representa tudo o que um adolescente, nesta fase da vida, deseja.




André Matos 12ºA

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Loba em mim


Era quase noite quando abri os olhos. Não reconheci de imediato o lugar onde estava, mas também não me importava com isso, sabia que nunca mais poderia voltar para o lugar de onde tinha vindo. Toda a informação que eu tinha estava ainda a fervilhar dentro de mim. Não conseguia acreditar no que me tinham dito, nem queria.
Levantei-me sem pressa, a lua estava quase a aparecer. Agora minha mente vagueava sem lugar preciso. Ter deixado tudo para trás foi mais fácil do que alguma vez pensei que seria. Não havia arrependimento dentro de mim, nem nostalgia. Talvez porque, finalmente, estava a seguir o meu caminho. Apenas sentia um vazio que não queria preencher.
Toda a minha vida tinha tentado negar o que estava na minha frente. Apenas não queria ver, para não ter de enfrentar. Agora que chegou a hora estava calma, como se toda a minha vida tivesse caminhado para aquele momento. Em certa medida tinha sido assim mesmo, mas no final quem escolheu foi ela.
Saí da cabana em direcção ao riacho que ouvia ao longe. Apesar de ser Inverno e haver neve até à altura dos meus joelhos, eu não sentia frio, e o riacho nunca parava de cantar durante todo o ano. Sabia que não era necessário ser assim, se eu quisesse. Mas afinal se não fosse assim ia ser como? Não queria a vida que tinha.
A água do riacho cantava como quem chamava por mim. Não fugi desse chamamento nem me apressei a responder-lhe. A lua estava quase a aparecer, mas ainda havia tempo para uma última despedida.
Olhei para uma pedra que estava perto e era grande o suficiente. As letras começaram a aparecer numa linha perfeita, pareciam desenhadas. Todo o meu amor e desespero iriam ficar para sempre gravados naquele lugar.


Tudo o que eu sempre quis está aqui
A água, a terra, a lua
O desespero faz parte de mim, assim como o sonho
Lutei e vou continuar a lutar
Até ao dia em que o sol encontrar a lua
Até ao dia em que a lua encontrar o sol
Eu estarei aqui



A lua apareceu em todo o seu esplendor por cima de mim. Fazia um círculo perfeito contra o negro do céu. Não tive medo como esperava que iria ter. Eu estaria sempre ali, o meu coração ficaria para sempre ali.
A transformação não foi dolorosa, nem perto disso. Parecia que uma magia actuava em mim de uma forma que me fez entregar totalmente sem qualquer reserva. Tudo o que foi modificado era apenas a forma física, como eu esperava, o meu coração continuava ali.
Olhei na água que corria e cantava ainda mais alto. O reflexo não me assustou como eu esperava. Era claro que estava diferente, mas os meus olhos continuavam ali, sem medo, com uma calma que fazia o meu coração transbordar de alegria como nunca esperei que pudesse acontecer.
Agora seria uma loba, eternamente, até ao dia em que o sol encontrar a lua, até ao dia em que a lua encontrar o sol.





Sugestão: ler acompanhado desta musica “Kiss the rain” de Robert Patinsson





Andreia Senra, 12ºB