domingo, 17 de maio de 2009

Eu gosto é do Verão!...





Estas simples imagens não são umas fotografias quaisquer. Para muitos podem não ter interesse, nem qualidade fotográfica alguma, mas para mim significam muito. Até se podem rir das nossas “figuras tristes” porque, realmente, divertimo-nos bastante (já há quem diga que tem inveja da nossa amizade!).
O principal motivo para a escolha destas fotografias é que, para muitos, estas pessoas são simples estranhos, mas é nelas que eu me reconheço. São os meus amigos!
Quando as olho, apenas me lembro que estas foram, sem dúvida, alguma as melhores férias de sempre. Vivemos juntos experiências novas, os dias inteiros passados na praia, as primeiras férias sem os pais por perto. Tudo isto traz saudades! Saudades dos acampamentos, dos piqueniques (quase ao lado de casa), das festas e das saídas nocturnas, das horas a falar do dia de “hoje” e a planear o dia de “amanhã”.
A verdade é que, desde o Verão, tudo, mas quase nada, mudou. Já não andamos todos na mesma escola, nem falamos todos os dias e até podemos já nem nos vermos há muito tempo, mas sabemos que a amizade permanece igual e, em alguns casos, é até mais forte.
Não será por crescermos de maneiras diferentes, nos separarmos, ou por fazermos novas amizades que nos vamos esquecer de todos os momentos que passámos juntos.
São essencialmente estas as principais lembranças que tenho quando vejo e revejo estas fotografias e recordo todos os dias do Verão de uma adolescência feliz, onde não existiam pressas para nada, estava tudo por nossa conta e esta sensação de independência fez-nos crescer.
Mesmo tendo perdido a melhor pessoa do mundo, estas foram as melhores férias, e tudo graças aos meus amigos.
Tenho saudades de tudo e de todos, a perfeita noção do quanto são importantes e do quanto me sinto perdida sem eles ao pé de mim, “Oh tempo volta para trás”.


Eduarda, 12ºA

sábado, 16 de maio de 2009

A questão social: as injustiças sociais



Começo por explicar o porquê da escolha desta imagem. Escolhi esta imagem pois, a mim, faz-me uma certa confusão o facto de existirem certas injustiças no mundo. Hoje em dia, não faltam pessoas que cometam injustiças. As injustiças sociais acontecem desde que o homem existe. Faz parte da natureza humana, há em todas as sociedades, o poderoso, ou os que se dizem poderosos, por terem dinheiro, e os inferiores, que deles dependem.
Posso exemplificar a temática da injustiça social com o trabalho infantil, cuja actividade ocorre em 61% na Ásia, 32% da África e o restante, espalhados pela América Latina. Desse número, 73% estão empregados nas piores formas de trabalho infantil, ou seja, 170 milhões ocupam-se em trabalhos perigosos. Cerca de 8 milhões de crianças são colocadas em formas degradantes e corruptas: o trabalho forçado ou escravo (5,7 milhões), conflito armado (0,3 milhão), prostituição e pornografia (1,8 milhões), tráfico de drogas (1,2 milhões) e outras actividades ilegais.
Infelizmente, nos dias de hoje, estes cenários ainda são visíveis. Não é propriamente a questão do trabalho que está em causa. Todos os trabalhos são dignos, mas não se no caso forem crianças a fazê-lo. O que está em causa é a humilhação a que algumas crianças, ainda hoje, são sujeitas. Ora imaginem a educação e saúde destas crianças - não existem esse é o facto.
E, infelizmente, não estou convencida que, alguma vez, a injustiça social tenha fim. Não somos todos poderosos, por isso não somos todos ouvidos. "Num mundo onde há pouca justiça é perigoso ter razão."


Rosa Fernandes, 12ºF

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Soneto pela Criança















O mundo cruel faz de ti o que não és!
A tão jovem idade que se escapa,
Que se esconde por debaixo da capa
Não do como és, mas sim daquilo que és.

E tornas-te adulto mas não maturo
E é difícil ouvir tuas preces!
Tens o que te dão, não o que tu mereces!
Sorriso tão inocente, olhar tão puro!

Teu sorriso de mentiras repleto,
De contentos tua vida é movida,
Alegrias escuras são mentira

Um sorriso estanque de tão incompleto
Pôs-te alguém nos subúrbios da Vida?
Não! Mas também ninguém daí te tira!



Marisa, 12ºA

Iluminada pelo Luar!


Uma última inspiração…tão rápida e sufocante… os olhos fixam-se neste ponto, tudo à volta deixa de viver, como se o tempo parasse para ver, ou somente olhar… há um turbilhão de emoções que despertam em mim e me fazem temer este grande Ser da Natureza, a Lua!
As palavras de silêncio… um vazio frio… o tudo sem nada!... simplesmente parece que nos observa, lá ao longe, inocente e ingénua, quando tem tanto a esconder.
Medo!... é esse o sentimento que arrepia todo o meu corpo, quando sinto na pele o mistério e a escuridão que a envolvem. A noite negra e fatal parece apoderar-se dela, arrastando-a para as portas da Morte, das Trevas, sem qualquer comiseração por um ser, aparentemente, tão puro e frágil… mas, rasgando os céus, surge uma luz intensa e imponente, um brilho que dá voz à razão, que cega o Mal… surge o luar que lhe dá a vida, que a renova, que traz esperança a Ela, e aos demais… sentimo-nos seguros, protegidos…
Nas fúnebres águas o reflexo da sua alma, transparente e lúcida, se espelha junto do mundo dos mortais, dos comuns, dos humanos… e não será por acaso que, também nós, nascemos, vivemos e morremos, estando eternamente presos a este ciclo vicioso.
Mas, numa vida tão redonda e monótona, é a magia da Lua que nos preenche, que nos satisfaz… olhando-a nos olhos, sinto-me capaz de tudo… percorre em mim um impulso tal, que me faz querer arriscar, correr perigos, lutar, gritar, amar, alcançar até o impossível... faz-me querer aproveitar a vida ao máximo, como se do último dia se tratasse!
Olhando-a nos olhos, sento-me no meu lugar preferido e sei que posso sonhar, pois tudo ficará sempre entre nós as duas e, por mais ridículos ou inalcançáveis que estes meus sonhos sejam, ela não me julga, dá-me mais força para os realizar!
E, sem qualquer aviso, esvanece-se na manhã… desaparece… deixa-nos sós, vazios, inconsolados… deixa a saudade!



Ana Luísa, 12ºA

Tentarei de novo amanhã...


À medida que o meu cavalo cavalgava pela floresta fora, a fraca luz do dia dissipava-se através das árvores e o crepúsculo dava lugar à noite cerrada.
Eu? Eu travava uma batalha interior com os meus ideais. Parte de mim desejava simplesmente fugir desta situação, deixar tudo para trás, simplesmente, poder virar as costas a tudo e a todos. O fardo que suportava tornara-se, a cada dia que passava, mais pesado e eu sentia que estava perto do ponto de ruptura. Era como se eu, uma mera humana, tivesse sido incumbida de segurar o planeta enquanto o gigante Atlas tirava férias da sua antiquíssima função. O peso do mundo descansava sobre os meus ombros. As esperanças dos que ansiavam a liberdade, as mortes dos que lutaram por essa liberdade, os destinos dos prisioneiros, os pequenos conflitos que me competiam resolver formavam continentes e oceanos que me faziam sucumbir sobre o seu peso esmagador. Certamente isto não era tarefa para um simples ser humano. A grandeza das minhas decisões ultrapassava-me. No que me pareceu ser um instante, a minha vontade de retaliar, a maneira como não me queria conformar com o que me era imposto tornou-me chefe da rebelião. Ao recordar-me daqueles momentos em que, apaixonadamente, incitava os outros a insurgir-se contra os opressores que nos sufocavam não pude deixar de reparar nas diferenças na minha voz. Naqueles primeiros tempos ela adquiria a força de um rugido feroz e indignado sempre que me deixava levar pela minha mal contida revolta contra esta forma de viver, se é que se pode chamar viver ao que nós fazíamos. Não. O que nós fazíamos era sobreviver.
Agora sentia que já não poderia gritar mais, argumentar mais, lutar mais, esperar mais. Cada vez que falava o meu tom denunciava a fadiga da luta, a crescente falta de esperança, a frustração de não alcançar os resultados que pretendia. Sabia perfeitamente que a cada dia que passava acreditava menos na conquista da minha liberdade, da liberdade do povo ao qual pertencia. No entanto, tentava manter a ferocidade e a esperança no meu rosto para que aqueles que combatiam lado a lado comigo continuassem a acreditar, mesmo quando as minhas forças me atraiçoassem ou a coragem me faltasse e eu simplesmente desaparecesse. No fundo, o que eu estava a tentar fazer era criar um mito, uma mentira. Tentava que quem me observasse visse sempre em mim uma líder forte e destemida, cuja determinação nunca oscilasse por mais adversas que fossem as situações. Um mito. Uma fachada.
No meu interior a esperança parecia ter-se dissolvido no cansaço, deixando apenas desespero no seu lugar.
A revolta continuava a transbordar do meu peito, mas agora o meu desalento parecia querer impedi-la de se tornar material, de se tornar acção, de se tornar luta.
Sentia-me rouca por dentro.
Neste exacto momento não tinha de fingir ser mais nada do que eu mesma. Apenas o cavalo me impelia para a frente.
O cansaço abatia-se sobre mim.
O trote regular do cavalo ecoava pela floresta arrastando-me para a inconsciência.
Com as poucas forças que me restavam fiz o cavalo parar.
Da inconsciência, o sábio ancião chamava-me dizendo-me:
“A coragem nem sempre ruge. Às vezes é a voz sossegada no fim do dia dizendo Tentarei de novo amanhã.”
“Tentarei de novo amanhã” - sussurrei.
O luar despertou-me com a sua luz.
Olhei para a lua por um momento infinito e senti-me mais desperta do que nunca.
Rendendo-me ao meu lado lunar montei e comecei a cavalgar o mais depressa que o meu cavalo me permitia pela floresta adentro.
“Liberdade…” – sussurrei.
“LIBERDADE!!!” - gritei para que todo o mundo pudesse ouvir.



Paula Portela, 12ºB

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lágrimas de Saudade

Saudade é um sentimento? um pensamento, uma recordação, um sintoma? Palavra de origem portuguesa, mas que toda gente sente, mesmo quando não existe a distância .
O que é, realmente, eu não sei, mas que é dor é, profunda por vezes, que magoa, que faz correr lágrimas pelo rosto, e que provoca uma tempestade de ideias. Muitas pessoas têm medo de dizer que sentem saudade, até porque, por vezes, esta é sentida por pessoas que não merecem. Mas quem nunca sentiu saudade?
Ter saudades não é ser menos duque [do que]o que se é, muito pelo contrário, é ser mais e melhor, é ser emotivo, sensível, vivido, pois quem não vive não sente .
Por isso, quem sentir esse aperto nu [no] peito chamado saudade, não tenha receio de o demonstrar. Podendo, mate essa saudade, perca o medo, porque as oportunidades não surgem sempre e estar fechado no nosso mundo dói ainda mais.



Anabela nº 28 12ºC

Raios de Felicidade!


Sol, praia, Verão! Namorada, amigos, festas! O que poderíamos desejar mais na nossa vida?
Podia colocar aqui uma imagem bonita que apelasse à paz no mundo, ou uma com duas crianças de raças diferentes a apelar ao fim do racismo, ou ao fim da escravidão infantil. Mas (porra!) não sou a Miss Universo 2009! Podia, certamente, escolher uma foto de uma flor bonita ou de uma das sete maravilhas do mundo, mas não estaria a ser sincero.
Sou um adolescente que está no auge dos melhores anos da sua vida e esta imagem representa tudo o que, neste momento, mais me “excita”, mais me arrepia…
As aulas estão a acabar, a estação do ano preferida de todos está a chegar, a pele já começa a ganhar cor e parece que já sinto os pés a arder na areia a escaldar.
É esta a imagem que, neste momento, me faz ficar com um sorriso na cara, só de pensar em ficar com a minha alma gémea na praia até às tantas a ver o pôr-do-sol (ou o nascer…), as festas com os amigos e as noitadas típicas de um adolescente. Olho para esta imagem e sinto um arrepio na espinha, só de recordar as tardes passadas com os amigos na praia, a tomar banhos de sol, na toalha, ou a ver quem chegava primeiro à água. Recordo-me dos passeios à noite, até às tantas, com a namorada, sem olhar às horas de ir para casa e, quando acordamos, logo com um sorriso pela manhã, com o sol a bater-nos na cara, convidando para irmos para a praia.
Portanto, pode não ser uma imagem muito bonita e até pode ser vulgar e tirada dum site duma agência de viagens, mas representa tudo o que um adolescente, nesta fase da vida, deseja.




André Matos 12ºA

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Loba em mim


Era quase noite quando abri os olhos. Não reconheci de imediato o lugar onde estava, mas também não me importava com isso, sabia que nunca mais poderia voltar para o lugar de onde tinha vindo. Toda a informação que eu tinha estava ainda a fervilhar dentro de mim. Não conseguia acreditar no que me tinham dito, nem queria.
Levantei-me sem pressa, a lua estava quase a aparecer. Agora minha mente vagueava sem lugar preciso. Ter deixado tudo para trás foi mais fácil do que alguma vez pensei que seria. Não havia arrependimento dentro de mim, nem nostalgia. Talvez porque, finalmente, estava a seguir o meu caminho. Apenas sentia um vazio que não queria preencher.
Toda a minha vida tinha tentado negar o que estava na minha frente. Apenas não queria ver, para não ter de enfrentar. Agora que chegou a hora estava calma, como se toda a minha vida tivesse caminhado para aquele momento. Em certa medida tinha sido assim mesmo, mas no final quem escolheu foi ela.
Saí da cabana em direcção ao riacho que ouvia ao longe. Apesar de ser Inverno e haver neve até à altura dos meus joelhos, eu não sentia frio, e o riacho nunca parava de cantar durante todo o ano. Sabia que não era necessário ser assim, se eu quisesse. Mas afinal se não fosse assim ia ser como? Não queria a vida que tinha.
A água do riacho cantava como quem chamava por mim. Não fugi desse chamamento nem me apressei a responder-lhe. A lua estava quase a aparecer, mas ainda havia tempo para uma última despedida.
Olhei para uma pedra que estava perto e era grande o suficiente. As letras começaram a aparecer numa linha perfeita, pareciam desenhadas. Todo o meu amor e desespero iriam ficar para sempre gravados naquele lugar.


Tudo o que eu sempre quis está aqui
A água, a terra, a lua
O desespero faz parte de mim, assim como o sonho
Lutei e vou continuar a lutar
Até ao dia em que o sol encontrar a lua
Até ao dia em que a lua encontrar o sol
Eu estarei aqui



A lua apareceu em todo o seu esplendor por cima de mim. Fazia um círculo perfeito contra o negro do céu. Não tive medo como esperava que iria ter. Eu estaria sempre ali, o meu coração ficaria para sempre ali.
A transformação não foi dolorosa, nem perto disso. Parecia que uma magia actuava em mim de uma forma que me fez entregar totalmente sem qualquer reserva. Tudo o que foi modificado era apenas a forma física, como eu esperava, o meu coração continuava ali.
Olhei na água que corria e cantava ainda mais alto. O reflexo não me assustou como eu esperava. Era claro que estava diferente, mas os meus olhos continuavam ali, sem medo, com uma calma que fazia o meu coração transbordar de alegria como nunca esperei que pudesse acontecer.
Agora seria uma loba, eternamente, até ao dia em que o sol encontrar a lua, até ao dia em que a lua encontrar o sol.





Sugestão: ler acompanhado desta musica “Kiss the rain” de Robert Patinsson





Andreia Senra, 12ºB

domingo, 10 de maio de 2009

Cthulhu...



A casa antiga. A porta. As escadas que rangem sob o peso dos pés trémulos. Os retratos que percorrem a escadaria. A luz é fraca, apenas uma janela no fim da escadaria deixa ver os toscos degraus. O som ensurdecedor de uma caixa de música faz-se ouvir enquanto subo, lentamente. Depois de um último gemido das escadas, vejo o corredor à minha frente. O corredor é mais iluminado. Orbes pendentes do texto deixam ver um corredor forrado com hastes de veado de alto abaixo. Parece que respira. Ou talvez seja eu que esteja a respirar de menos. Em todo o caso, o corredor parece alargar e encolher. Calmo e suavemente ele respira, e murmura.
Há mais um lance de escadas, ao fundo do corredor, e uma porta entreaberta. Espreito para dentro e vejo alguém… Alguém a dançar. Está uma caixa de música no chão a tocar a ensurdecedora melodia. Também há um ramo de rosas vermelhas na mão desse alguém dançante. Está vestido de negro, mas a sua pele é de um branco cal. Tem unhas compridas. É careca, excepto na nuca, onde tem um molho de cabelo amarrado e espetado. Parece uma personagem um tanto ou quanto excêntrica. Agora está a dançar. Dança como uma criança, aos saltos e em círculo, em volta da caixa de música, com um sorriso nos lábios. Durante este tempo todo apenas a caixa de música se faz ouvir.
Não parece reparar em mim parado na soleira da porta. Viro-me para o corredor e continuo o meu caminho deixando o bizarro e excêntrico espectáculo para trás. Subo o lance de escadas e deparo-me com um corredor igual ao que deixei para trás. Este, assim como o anterior, é ladeado de chifres. Percorro o corredor até ao fim, onde há uma porta entreaberta, outra vez. Espreito e lá dentro está a caixa de música e o ramo de rosas no chão, mas nem sinal do dançarino. Uma das orbes do corredor apaga-se e acende-se. O quarto está agora completamente vazio. Tenho a certeza de que ouço um respirar e um murmúrio nas minhas costas, mas não há nada atrás de mim. Apenas o corredor e mais uma escadaria para o próximo andar.

Um último olhar ao quarto vazio e nova subida. Mais uma vez. um corredor cheio de troféus de caça. Ou será o mesmo? Não há escadas no fim deste, apenas uma porta. Estranho…a porta parece…parece como que deslocada do resto do corredor, da decoração deste. A porta é feita de uma madeira avermelhada e é húmida ao toque, como se a tivessem mergulhado em água. E o odor a maresia. Para além disto, está esculpida de cima abaixo com símbolos e inscrições. Há ainda uma viseira na porta. Para lá da porta está uma estátua gigante com olhos feitos de esmeraldas. Está acorrentada às paredes, ao tecto e chão.

Lá está outra vez. Aquele murmúrio, mas parece mais alto. Fico à escuta. Lá está outra vez. Consigo perceber alguns sons. Decido entrar pela estranha porta adentro. A estátua é realmente gigante. Dou por mim a arfar e a tremer. A estátua é horrivelmente grande. A visão começa-me a dobrar e sinto um medo em crescendo. Os olhos. Não…Tenho medo. Estou a ouvir coisas. Ou serei eu a pensar? Não me consigo segurar em pé. Caio de costas no chão. As corrente da estátua movem-se como que levadas por uma brisa. E um cheiro a maresia e a peixe morto sente-se então. Os sons na minha cabeça fazem-ma doer. Preciso…preciso de sair daqui. Arrasto-me para a porta. O homem do quarto, com a caixa de música está à entrada. Está a olhar para mim enquanto fala. Não percebo o que ele diz. Nem o que diz a voz na minha cabeça. Grito que não entendo, mas nem a mim próprio me consigo ouvir. Só o repetido som “Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wagh’nagl fhtagn. I’a Hydra! I’a Dagon! I’a Cthulhu!” É ensurdecedor “I’a Cthulhu! I’a Cthulhu! I’a Cthulhu!”

Os olhos começam a fechar-se com a dor, a última imagem de que me lembro é das paredes começarem a escorrer água e o cheiro a mar e peixe morto se intensificar.
Abro os olhos. Está tudo verde. Respiro mas não há ar. Apenas água. Estou a afogar-me! Falta-me o ar. Não…não…consigo…aquilo?...Grande…cidade…colossal…som…Ph’nglui mglw’nafh…Cthulhu R’lyeh…wagh’nagl fhtagn…sono…olhos…R’lyeh…




“Jazendo na sua casa em R’lyeh, Cthulhu aguarda e sonha”




Tiago Faria, 12ºC

sábado, 9 de maio de 2009

Solidão


As pessoas dão demasiada atenção ao bem-estar económico quer pessoal quer familiar, levando uma vida muito monótona… De casa dirigem-se para o emprego, do emprego para casa… Sendo que, muitas vezes, mal estão com os filhos (caso os tenham) durante o dia. Desta forma, acabam por se isolarem da sociedade, pelo que são circundados pela solidão, que vai agravar a existência de alguns problemas.
Infelizmente, hoje em dia existem muitos acidentes rodoviários, resultando dai muitos mortos. Há alguns anos atrás, eu (pessoa pouco sociável) estava concentrado no meu trabalho quando, de repente, recebo uma chamada, dizendo que faleceu um familiar íntimo. Senti-me triste, e a falta de alguém que me reanimasse. Desde então, nunca mais me senti alegre como dantes.
O amor é bonito, mas por vezes provoca-nos com alguns dissabores. O meu vizinho do segundo andar vivia junto com a sua namorada (única pessoa com quem partilha a sua vida). Um dia chega a casa do emprego, entra no quarto e está lá a sua namorada com o amante. A sua vida, a seu ver, perde todo o sentido. No dia seguinte, enquanto lia o jornal, vejo a notícia do seu suicídio.
Agora, podia continuar a dar exemplos de pessoas pouco sociáveis que, quando confrontadas com determinados problemas, não conseguem dar a volta por cima, e não têm ninguém que os ajude, mas por culpa própria, pois jamais se interessaram pelos outros e nunca conviveram com muitas pessoas.
Assim, durante a vida devemos procurar criar o maior número de afectos possíveis, pois nos momentos mais difíceis da nossa vida, haverá sempre alguém quem nos dê força ou que nos faça ver de novo o lado bom da vida.
A solidão muita vezes coloca-nos num beco sem saída que nos aproxima da tristeza, da melancolia, da morte.


Henrique, 12ºC