domingo, 10 de maio de 2009

Cthulhu...



A casa antiga. A porta. As escadas que rangem sob o peso dos pés trémulos. Os retratos que percorrem a escadaria. A luz é fraca, apenas uma janela no fim da escadaria deixa ver os toscos degraus. O som ensurdecedor de uma caixa de música faz-se ouvir enquanto subo, lentamente. Depois de um último gemido das escadas, vejo o corredor à minha frente. O corredor é mais iluminado. Orbes pendentes do texto deixam ver um corredor forrado com hastes de veado de alto abaixo. Parece que respira. Ou talvez seja eu que esteja a respirar de menos. Em todo o caso, o corredor parece alargar e encolher. Calmo e suavemente ele respira, e murmura.
Há mais um lance de escadas, ao fundo do corredor, e uma porta entreaberta. Espreito para dentro e vejo alguém… Alguém a dançar. Está uma caixa de música no chão a tocar a ensurdecedora melodia. Também há um ramo de rosas vermelhas na mão desse alguém dançante. Está vestido de negro, mas a sua pele é de um branco cal. Tem unhas compridas. É careca, excepto na nuca, onde tem um molho de cabelo amarrado e espetado. Parece uma personagem um tanto ou quanto excêntrica. Agora está a dançar. Dança como uma criança, aos saltos e em círculo, em volta da caixa de música, com um sorriso nos lábios. Durante este tempo todo apenas a caixa de música se faz ouvir.
Não parece reparar em mim parado na soleira da porta. Viro-me para o corredor e continuo o meu caminho deixando o bizarro e excêntrico espectáculo para trás. Subo o lance de escadas e deparo-me com um corredor igual ao que deixei para trás. Este, assim como o anterior, é ladeado de chifres. Percorro o corredor até ao fim, onde há uma porta entreaberta, outra vez. Espreito e lá dentro está a caixa de música e o ramo de rosas no chão, mas nem sinal do dançarino. Uma das orbes do corredor apaga-se e acende-se. O quarto está agora completamente vazio. Tenho a certeza de que ouço um respirar e um murmúrio nas minhas costas, mas não há nada atrás de mim. Apenas o corredor e mais uma escadaria para o próximo andar.

Um último olhar ao quarto vazio e nova subida. Mais uma vez. um corredor cheio de troféus de caça. Ou será o mesmo? Não há escadas no fim deste, apenas uma porta. Estranho…a porta parece…parece como que deslocada do resto do corredor, da decoração deste. A porta é feita de uma madeira avermelhada e é húmida ao toque, como se a tivessem mergulhado em água. E o odor a maresia. Para além disto, está esculpida de cima abaixo com símbolos e inscrições. Há ainda uma viseira na porta. Para lá da porta está uma estátua gigante com olhos feitos de esmeraldas. Está acorrentada às paredes, ao tecto e chão.

Lá está outra vez. Aquele murmúrio, mas parece mais alto. Fico à escuta. Lá está outra vez. Consigo perceber alguns sons. Decido entrar pela estranha porta adentro. A estátua é realmente gigante. Dou por mim a arfar e a tremer. A estátua é horrivelmente grande. A visão começa-me a dobrar e sinto um medo em crescendo. Os olhos. Não…Tenho medo. Estou a ouvir coisas. Ou serei eu a pensar? Não me consigo segurar em pé. Caio de costas no chão. As corrente da estátua movem-se como que levadas por uma brisa. E um cheiro a maresia e a peixe morto sente-se então. Os sons na minha cabeça fazem-ma doer. Preciso…preciso de sair daqui. Arrasto-me para a porta. O homem do quarto, com a caixa de música está à entrada. Está a olhar para mim enquanto fala. Não percebo o que ele diz. Nem o que diz a voz na minha cabeça. Grito que não entendo, mas nem a mim próprio me consigo ouvir. Só o repetido som “Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wagh’nagl fhtagn. I’a Hydra! I’a Dagon! I’a Cthulhu!” É ensurdecedor “I’a Cthulhu! I’a Cthulhu! I’a Cthulhu!”

Os olhos começam a fechar-se com a dor, a última imagem de que me lembro é das paredes começarem a escorrer água e o cheiro a mar e peixe morto se intensificar.
Abro os olhos. Está tudo verde. Respiro mas não há ar. Apenas água. Estou a afogar-me! Falta-me o ar. Não…não…consigo…aquilo?...Grande…cidade…colossal…som…Ph’nglui mglw’nafh…Cthulhu R’lyeh…wagh’nagl fhtagn…sono…olhos…R’lyeh…




“Jazendo na sua casa em R’lyeh, Cthulhu aguarda e sonha”




Tiago Faria, 12ºC

sábado, 9 de maio de 2009

Solidão


As pessoas dão demasiada atenção ao bem-estar económico quer pessoal quer familiar, levando uma vida muito monótona… De casa dirigem-se para o emprego, do emprego para casa… Sendo que, muitas vezes, mal estão com os filhos (caso os tenham) durante o dia. Desta forma, acabam por se isolarem da sociedade, pelo que são circundados pela solidão, que vai agravar a existência de alguns problemas.
Infelizmente, hoje em dia existem muitos acidentes rodoviários, resultando dai muitos mortos. Há alguns anos atrás, eu (pessoa pouco sociável) estava concentrado no meu trabalho quando, de repente, recebo uma chamada, dizendo que faleceu um familiar íntimo. Senti-me triste, e a falta de alguém que me reanimasse. Desde então, nunca mais me senti alegre como dantes.
O amor é bonito, mas por vezes provoca-nos com alguns dissabores. O meu vizinho do segundo andar vivia junto com a sua namorada (única pessoa com quem partilha a sua vida). Um dia chega a casa do emprego, entra no quarto e está lá a sua namorada com o amante. A sua vida, a seu ver, perde todo o sentido. No dia seguinte, enquanto lia o jornal, vejo a notícia do seu suicídio.
Agora, podia continuar a dar exemplos de pessoas pouco sociáveis que, quando confrontadas com determinados problemas, não conseguem dar a volta por cima, e não têm ninguém que os ajude, mas por culpa própria, pois jamais se interessaram pelos outros e nunca conviveram com muitas pessoas.
Assim, durante a vida devemos procurar criar o maior número de afectos possíveis, pois nos momentos mais difíceis da nossa vida, haverá sempre alguém quem nos dê força ou que nos faça ver de novo o lado bom da vida.
A solidão muita vezes coloca-nos num beco sem saída que nos aproxima da tristeza, da melancolia, da morte.


Henrique, 12ºC

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sentada no meu Mundo!

Sentada e encostada no recanto do meu pequeno mundo deparo-me com a vida ao meu redor.
Quem diria que ela estivesse à minha volta… eu que pensava que esta tinha desaparecido, pois tu a tinhas levado contigo. Pelos vistos vieste devolver-ma e eu não reparei nisso... Obrigada por a teres vindo devolver, pois estava a precisar de voltar à minha vida, ao meu mundo, onde tudo é bem mais fácil! Sabes, vou-te contar uma pequena história para veres se te faz lembrar de algo…

Era uma vez uma menina, muito pequenina e ingénua, que se apaixonou por alguém que mal conhecia e que era de longe, mas isso não a fez desistir… sempre pensou que o rapaz era o rapaz da vida dela! Lutou muito por ele até conseguir conquistar o seu coração e, quando tudo estava bem entre eles, o menino fugiu sem dizer nada. Deixou a menina a esperar, a esperar e ela sem saber porquê... já lá vão imensos anos e ela não sabe porquê aconteceu.
Hoje essa menina é grande, e continua procurando esse rapaz, sem esquecer o que ele lhe fez, para conseguir perceber o que o levou a fazer o que fez, mas ela não o encontra. Eu conheço esse rapaz e ele não quer voltar a vê-la, porque fugiu para, supostamente, não a magoar mais, nem voltar a cometer os mesmos erros. Ainda hoje, ele não a esqueceu… mas não quer fazer sofrer a pessoa que ama e então está longe, para que ela não note a sua presença, mas perto o suficiente para saber que ela está a procurá-lo e esperando por ele…


Lembras-te disto? Claro que não, porque tudo não passou de um sonho onde o castelo foi construído com o intuito de sermos felizes e, no instante seguinte, o castelo desmoronou, porque tiraste a pedra principal sem nada dizeres. Quando acordei do sonho nada vi à minha volta, porquê? Porque essa pedra que arrancaste era a minha vida e levaste-a contigo! Obrigada por me teres devolvido a minha vida para eu voltar a construir o meu forte, onde ninguém me conseguirá atingir como o fizeste.





Soraia nº 15 12ºC

Charles Darwin


* versão original e anoitecida, por se resignar a Amanhecer*



É sabido que as perguntas que nos fazem são sempre, e serão irremediavelmente, as mais difíceis; que o nosso exame de matemática é que foi complicado; que a nossa dor é maior que a mesma a doer aos outros…
Mas, apartados esses prévios inconvenientes factuais, tenho-me no direito de rabujar com quem (impiedosamente) me escolheu tão complicado assunto, isto, por ser de simples e inevitável desenvolvimento. Incoerente? Passo a explicar:
Ora, como é que se escreve sobre Charles Darwin?
Inicialmente apresentam-se alguns aspectos da sua tão divulgada biografia, os mais interessantes – pelo que me arrependo já do termo alguns.
Concretizando: Charles Darwin nasceu a 12 de Fevereiro de 1809 na cidade rural de Shrewsbury, na Inglaterra. O seu pai, Dr. Robert Darwin, foi um físico proeminente da época. A sua mãe, Susannah, morreu quando Charles Darwin tinha oito anos, por uma ou outra razão, ele nunca teve dela recordações muito vivas. De facto, ao longo de toda a sua vida, Darwin nunca foi um bom observador de pessoas, tendo sido, no entanto, um excelente observador de objectos e animais, gostando de coleccionar, por exemplo, ovos de pássaros, conchas marinhas, besouros e minerais que guardava e organizava no seu quarto.
Darwin não foi um aluno brilhante, pois não se interessava pelas matérias que lhe ensinavam na escola. Apesar de estar destinado a viver da fortuna da família, o seu pai persuadiu-o a optar por uma profissão. Em 1825, Charles Darwin foi estudar medicina, desistindo dois anos depois, para iniciar o curso de direito na Universidade de Cambridge.
Foi aí que um dos seus professores, Prof. Henslow o convenceu a explorar mais o seu interesse pelas Ciências. Após Darwin se ter formado, em Janeiro de 1831, o Prof. Henslow informou-o do Beagle, um navio que iria partir para uma viagem à volta do mundo numa missão de investigação e, assim, em 27 de Dezembro de 1831, com uma autorização (a contra gosto, apesar de tudo) de seu pai, Darwin partiu numa expedição que iria durar cinco anos e que se iria tornar um marco da história da Ciência.
Durante a sua permanência no navio, Darwin pode experienciar e observar vários aspectos da biologia que até então tinha aprendido. No entanto, quando desembarcou no Arquipélago dos Galapagos confrontou-se com as inúmeras diferenças e semelhanças entre os animais das diversas ilhas e do continente, ou seja, constatou que, ao contrário do que pensava, havia uma forte semelhança entre os seres das ilhas e do continente e que, apesar das condições ambientais serem semelhantes, os seres que habitam regiões insulares diferem muito entre si.
Em 1836, Darwin regressou a Inglaterra, tendo casado, um ano mais tarde, com Emma Wedgwood, sua prima e futura mãe dos seus 10 filhos. Passou o resto da sua vida na cidade de Downe a escrever livros, a estudar, a conduzir experiências e a corresponder-se com outros cientistas (nomeadamente com um naturalista açoriano).
Ao longo de quarenta anos, Darwin desenvolveu em “On the Origins of Species by Means of Natural Selection”, a sua teoria sobre a evolução espécies, que, em traços gerais, consiste na selecção natural dos indivíduos mais aptos - os que possuem características que os tornam mais adaptados ao meio onde vivem.
Mas Darwin, foi igualmente pioneiro em muitos temas controversos no campo das ciências, pois as suas ideias foram realmente revolucionárias, tendo seguido uma linha de pensamento totalmente inovadora. Charles Darwin morreu em 19 de Abril de 1882.
Depois refere-se a importância do seu contributo para a ciência, fazendo um contexto actual da ideia de evolucionismo. Apontam-se dois ou três exemplos para ilustrar argumentativamente as aplicações do darwinismo e acaba-se com uma citação do próprio, porque fica sempre bem fingir entendimento:
Hoje a teoria evolucionista de Darwin é aplicada à linguagem, a estudos sociais, software, robótica, medicina, entre muitas outras ciências e a própria igreja aceita hoje as teorias evolucionistas da vida e do homem. Note-se também, a influencia decisiva que Darwin teve sobre a literatura da segunda metade do século XIX, contribuindo, mesmo que involuntariamente, para o aparecimento do naturalismo literário.
Há dois séculos, Charles Darwin apresentou uma única e simples explicação científica para a diversidade da vida na Terra: evolução pela seleção natural. A partir de então, vários cientistas – principalmente através da genética– descobriram que o trabalho de Darwin é fundamental para as suas próprias pesquisas. Actualmente, os cientistas podem responder a questões sobre o mundo natural de maneiras que Darwin nunca pôde, explicando, por exemplo, as causas da variabilidade das populações – mutações, fecundação e recombinação génica.
Com o avanço da técnica, que está indissociavelmente ligado ao desenvolvimento do conhecimento científico (daí falar-se de tecnociência), surgiram novas ferramentas e tecnologias, nomeadamente, as análises de DNA que permitiram revelar relações não esperadas entre grupos aparentemente distintos.
Darwin ficaria certamente maravilhado em ver como o conhecimento contemporâneo permitiu encontrar novas evidências que corroboram a sua teoria, tendo, por isso, surgido a teoria do Neodarwinismo.
“A ignorância confirma com mais frequência do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco, e não aqueles que sabem muito, que tão positivamente afirmam que esse ou aquele problema jamais será resolvido pela ciência.”
Charles Darwin
E assim, havia já feito o que me fora pedido. No entanto, de meu gosto pouco seria, pois não diz com que sentido de olho vejo tudo isto.
Durante as aulas dedicadas aos mecanismos de evolução (que foram quase tantas quanto bocejos da cadeira ao lado) o que mais me suscitou reflexão, não foram as explicações para a existência de órgãos vestigiais, nem os dados da embriologia ou da biogeografia, nem o lamarckismo, nem as árvores filogenéticas…
O que mais me interessou foi aquele desenho engraçado de Darwin, naquela página com letras aos montinhos. Segundo a prof . uma página muito importante para o exame (ao fim ao cabo são todas, a gente já nem liga ao aviso…).
Interessou-me não por ser engraçado, se bem que a graça é (por artimanha) sedutora, mas por me ter feito (re)aperceber o quão (e como) a Humanidade, ao longo do seu percurso, reflectiu uma bolorenta inércia no pensar, uma inércia igual à que Newton nos ensina, mas esta aplicada ao domínio da inteligência.
Quando surge uma ideia diferente (como foi, totalmente, a de Darwin), um outro tijolo (desta feita muito inovador) para a construção dum progresso que todos dizem querer, há sempre uma resistência de adversidade mental, que age como uma força de atrito a favor da incompreensão.
É verdade que existe na natureza uma tendência para não se alterar o estado de movimento de um corpo, isto é, um corpo em repouso tende naturalmente a permanecer em repouso e o mesmo acontece para um corpo em movimento.
Mas tem a razão de padecer dessa mesma preguiça?
Ora o princípio da inércia apenas se aplica a corpos com massa…mas, há outras massas, como a falta de receptividade, o cepticismo e porventura as crenças, religiosas ou não, que se erguem em tom de barreira para aquilo que é revolucionário. Ou será esta uma realidade já distante?
Pois assim o espero.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A menina e o cão



Querido Diário,


Hoje ao abrir o meu correio electrónico deparei-me com uma mensagem que tinha em anexo a imagem de uma criança abraçada a um cão e, por baixo, tinha a seguinte frase: “ Nunca estás sozinho… Tens sempre alguém, estejas aterrorizado ou alegre.”
Essa imagem mexeu comigo, em primeiro lugar, porque demonstra a “paciência” que os animais têm para com os homens, o companheirismo que existe e o sentido afectivo que um animal irracional é capaz de ter. Em segundo lugar, porque me remete para o sentimento que existe no animal e na criança. Quer o cão, quer a menina, através dos seus rostos, mostram-se aterrorizados, mas certamente o medo que existe é corroborado [? minorado?] pelo mútuo apoio que existirá entre a criança e o cão. Penso que se a foto fosse tirada de perfil, com certeza que a menina não ficaria na foto, pois o cão é como uma barreira protectora. É provável que o cão tenha medo e era normal que fugisse, mas manteve-se na sua posição, a proteger a menina dos olhos tão ternos. Considero que isto é a verdadeira amizade.
Sabes, querido diário? todos nós precisamos de algo ou alguém para nos proteger enquanto somos crianças. A nossa fragilidade nesta fase da vida é evidente, mas, se tivermos algum amigo, com certeza que tudo se torna mais simples.
Hoje acho que esta foto me deu uma lição de vida: todas as pessoas devem ser protegidas, mas as crianças precisam de uma protecção especial. Como elas, também os animais, já que fazem tudo por nós e até o que nós próprios não fazemos. No lugar daquele cão devia estar uma mãe ou um pai para proteger a menina que parece tão frágil, algo que não acontece.
Esta imagem deixa-me tão enternecida, os olhos daquela criança e aquele rosto sujo, escondem um sorriso que, de certeza, que será lindíssimo…
Por hoje é tudo… Vou descansar…


Inês

30/04/09

Inês Fernandes, 12ºF

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dois irmãos



Querido diário,


Hoje, e depois de ter assistido a vários programas e palestras acerca da pobreza decidi ir em busca de algo que pudesse fazer pelas pessoas que vivem neste mundo, no verdadeiro sentido da palavra “viver”! Sim porque nós, nós pessoas ocidentalizadas e desenvolvidas não vivemos, como afirma Oscar Wilde, “Viver é a coisa mais rara do mundo - a maioria das pessoas apenas existe”.
Ao longo desta busca deparei-me com vários panfletos “coloridos” com imagens alusivas ao tema. Mas a imagem que, de facto, mais me enterneceu foi esta de dois irmãos no Camboja.
Sendo que a pobreza é um assunto delicado e tudo o que lhe é associado é normalmente acompanhado, ou por expressões de repulsa, ou de pena, eu apenas me limitei a ficar enternecida com a imagem.
Logo que vi esta imagem pensei na relação que mantinha com os meus irmãos. Não que esta seja má ou difícil, mas ao ver a segurança que este (a) irmão (ã) mais velho (a) dá à sua pequenina irmã, interroguei-me se de facto damos o verdadeiro valor às pessoas de quem mais gostamos, ou se vivesse em condições tão miseráveis, seria capaz de dar o devido apoio aos meus irmãos.
Se apenas existimos, apenas vemos e passamos pela vida e pelas pessoas que dela fazem parte. Se apenas existimos, apenas andamos cegos pelos caminhos que nos mostram o verdadeiro sentido da palavra “amar”. Amar o que é nosso, o que nos é dado, o que nos é essencial!
Esta imagem mostra-me que podemos viver num mundo desenvolvido, ter todas as condições necessárias, mas falta-nos aquilo que para mim é imprescindível, o desprendimento do material, do fútil, e a atenção que devemos dar, não só aos mais próximos, mas também aos que nos rodeiam.
Só com o desprendimento das futilidades é que podemos viver em harmonia com os outros e até connosco próprios. Senão veja-se o caso do homem mais rico do mundo que tem mais dinheiro no seu próprio bolso que em 40 dos países mais pobres do mundo.
Por vezes, vejo-me inserida numa sociedade demasiado superficial para pensar nestas questões, porém, e felizmente, existem pessoas que desenvolvem acções que nos tornam mais sensíveis a este assunto, que por muito que tentemos afastar da nossa vidinha de europeus desenvolvidos acaba sempre por nos chamar à atenção.
Imbuída pelo amor e espírito de solidariedade que esta imagem me transmitiu decidi fazer alguma coisa para ajudar a minha comunidade (já que por outros motivos não o posso fazer noutros países). Decidi ajudar numa recolha de alimentos. Além disto pretendo também continuar a procurar formas de voluntariado.
Porque posso apenas existir neste mundo, mas como ser que existe, e que pretende fazer parte da raridade à qual Oscar Wilde se refere, sei que posso e quero deixar de existir para coexistir!



Da tua, Sara
Sara Carreira 12ºF

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O sonho e o prego


A vida é como uma tábua rasa em que pregamos os nossos sonhos.
Cada sonho, cada pedaço de desejo, quando resolvido ser levado em frente, não o pode ser de uma forma qualquer, porque um prego também não é pregado de qualquer forma. Deve haver dedicação e amor, e tem de ser pregado com um martelo, provocando-nos dor, suor e deixando marcas nas mãos, para que, no final de o martelar, o olhemos cansados, mas orgulhosos de nós mesmos, para que vejamos nele o conjunto de tudo o que ele nos deu. Se usássemos uma daquelas máquinas de pregar, seria como se pregassem por nós, pois da nossa parte não haveria uma única gota de suor, e muito pior: não haveria orgulho! Nem sempre ir pelo caminho mais fácil, sem luta, sem qualquer gosto, nos fará orgulhar-nos de nós mesmos, porque “O sumo não justifica a espremidela”.

A vida é mais do que pregar, é martelar e desejar a conclusão do sonho, é olhar para a tábua no final de tudo, retirar os pregos e ver a perfeição de todas as imperfeições em cada marca, ver cada falha e cada correcção, ver que não foi tempo perdido, mas sim que tudo valeu a pena. Ela é um misto de novas adaptações e mutações, sendo o sonho o seu alimento, aquilo que faz a vida viver.
Sem sonhos não se vive, vagueia-se, e como todos temos sonhos, e todos temos vida, mesmo não tendo a vida que sonhamos, teremos sempre o sonho para viver.





Patrícia Duarte
12ºB

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ser Português...



Ser português é ser Louco, é ter dentro de si a loucura criadora de D. Sebastião.
Ao longo dos tempos, principalmente na época dos Descobrimentos, os portugueses que se destacaram nas mais diversas áreas têm-se mostrado portadores desta mesma loucura. No entanto, quando falo em loucura, não me refiro à demência mental, nem à quantidade de pessoas que necessita de tomar anti-depressivos e afins. Esses não são os loucos a que me refiro. Refiro-me, sim, àqueles que sonham, àqueles que ousam àqueles que procuram a sua frágil condição humana. Falo, portanto, de todos aqueles “homens do leme” que deixaram as suas famílias para dar novos mundos ao Mundo, dos Reis que enfrentaram o desconhecido e o medo para enaltecer a pátria. Falo de pessoas como Fernando Pessoa, que na sua na sua excentricidade e particularidade e acima de tudo, com a sua capacidade de se transcender, se tornou um dos melhores poetas do século XX.
Na minha opinião, ser português é ser Ousado, Sonhador e Destemido, é sonhar com esses fragmentos de Além, de que nos fala Pessoa, e fazer tudo o que podemos e não podemos para lá chegar, ascendendo, assim, à categoria de imortais. Para mim esta é a verdadeira essência do ser português e do nosso país. Um país de imortais.
No entanto, andando nas ruas deste nosso Portugal, falho em ver o nosso país. Não consigo vislumbrar, a não ser em locais que nos remetem para os feitos de passado, como a Torre de Belém, o nosso país de imortais. Não consigo ver a ousadia do ser português espelhado nos rostos dos nossos cidadãos.
Certamente isso deve-se ao facto de nos encontráramos no nevoeiro, à espera do Encoberto. Vivemos tempos difíceis, de incerteza e desanimo em que o sentido de ser português resume-se aos jogos de futebol da nossa selecção. No entanto, existe esperança, vislumbra-se a luz da manhã nos poucos ousados que triunfam fora do Portugal geográfico.
Esses são os verdadeiros portugueses, os anunciadores do Quinto Império.



Paula Portela, 12º B

domingo, 5 de abril de 2009

À Espera de Alguém


Ser português já não é o que era. Olhando para trás, também eu posso dizer que “sou um português errante a caminhar / Em busca de um país que não se encontra”
Porquê? Interrogais-vos vós, caros leitores. Pois bem, olhai vós para trás. Olhai para o passado e dizei-me: que é feito do meu país? Que é feito das Terras de Luso, a Casa de Viriato e o esforço de D. Afonso Henriques? Não sabeis responder? Pois bem, eu digo-vos porquê. Perdestes a alma de “Ser Português”.
Outrora, ontem, tínhamos rumo, porque ainda viviam aqueles cujas veias transportavam sangue glorioso. Eram eles que nos davam rumo para levar avante aquilo que verdadeiramente era um país: Portugal. Éramos pequenos na Europa, mas tínhamos o mesmo significado que os Mirmidões tinham para a Grécia. Tínhamos imponência e majestade. Mas hoje, nada temos. O sangue que nos corre nas veias está corrompido já. Já não interessa a glória do nosso país. Interessa a glória e poder de alguns. E por isso estamos perdidos.
Àqueles cujo sangue ainda ferve vigoroso, já não resta senão caminhar errantemente. Enquanto não chegar aquele que nos guiará novamente, não encontraremos o nosso país. E haverá algo mais humilhante que Ser Português e não encontrar o país à sua medida?