O Milagre voltou a acontecer!! No passado dia 15 de Novembro, a virgem Nossa Srª de Fátima apareceu a 10 mil pessoas, que logo se converteram à Sua santidade!!

Este é um espaço para os meus alunos de Português... os que o são, os que o foram... os alunos da Escola Secundária de Barcelos... (e seus amigos que, se "vierem por bem", serão muito bem recebidos!)... Poderá vir a ser um ponto de encontro, onde a palavra escrita imperará, porque acreditamos, ao contrário de Torga, que escrever não é "um acto inútil"... inútil é calar.

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Para mim este poema demonstra certos aspectos da vida humana. Uns dias estamos felizes e a “sorrir”, outros dias estamos deprimidos e a “chorar”. Pessoalmente, tenho uma visão negativista da vida, acredito que o ser humano não tem uma vida feliz, tem sim, dias felizes e dias menos felizes. E este poema demonstra isso mesmo: a dualidade em que muitas vezes vivemos, como por exemplo, o “sorrir” e o “chorar” ou o “ partir” e o “chegar”, de certo modo representam a indecisão que nos assalta sem ter hora marcada e nos leva a passar noites sem dormir.
Em certa medida, esta dualidade existe em Fernando Pessoa, existem momentos em que ele se apresenta como uma pessoa racional e outros em que se mostra uma pessoa nostálgica.
É notório no poema um paralelismo antitético, respectivamente nos seguintes versos: “ Meu coração faz sorrir / meu coração a chorar”, que demonstram que o coração tem duas funções: a de fazer “sorrir” e a de “chorar” (dualidade).
“Viver não é conseguir” – na minha opinião, esta é a frase chave para se terem dias felizes. Não importa apenas levantar troféus, importa também ajudar outras pessoas a levantá-los. Penso que não devemos passar uma vida só a conseguir, também devemos desfrutar do que conseguimos. Por vezes, temos de ter algum tempo para digerirmos o que nos acontece. E devemos, por momentos, “deixar o mundo girar para o lado que quer”.
Inês Fernandes 12ºF
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"Alberto Caeiro é considerado o mestre dos heterónimos de Fernando Pessoa, apesar da sua pouca instrução.
Foi um poeta ligado à natureza, que despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. Apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade." - in Wikipedia
Como ainda sou um iniciante a conhecer Fernando Pessoa, não conhecia este heterónimo de Fernando Pessoa. Conhecia o nome, de o ter ouvido algures, mas não sabia que era um heterónimo. Assim, naveguando na net, procurei informaçoes sobre este heterónimo de Pessoa. Até porque esta obra já eu conhecia, e a primeira estrofe é uma daquelas que nos cativa, pois só um grande génio teria a proeza de fazer com que poucas frases conseguissem descrever tanto. E agora que conhecemos o Universo de Pessoa, é-nos possível entender melhor esta linguagem e sentimento. A escrita deste poema é bem acessível e possibilita uma grande compreensão - só coloquei a informação adicional para ser possível entender melhor o porquê de o sujeito poético excluir o pensamento. Acho que se tivessemos que analisar este poema, teríamos muito por onde lhe pegar (pois é como disse acima). Caeiro confessa um grande afecto à Natureza com uma linguagem suave e simples, mas que, se interpretada, mostra a sua verdadeira dimensão: O não pensar... Agir sem pensar para compreender e observar a verdadeira complexidade da Natureza. É como contemplar uma bela paisagem. Quando a vemos, é como um regalo para os olhos, mas se a começarmos a comparar com umas que já tenhamos visto, depressa perde o encanto que possuia. Talvez por se apresentar como um Guardador de Rebanhos, Caeiro apresente o seu forte afecto para com a Natureza, pois são os olhos mais humildes os únicos capazes de ver as coisas mais insignificantes para o homem, e são os únicos a dar valor às mais pequenas coisas. E eu acho que este é o caso de Caeiro.
Não posso perder a oportunidade de falar da estrofe final, pois esta é mesmo fascinante. Tão fascinante como a primeira. Caeiro afirma ainda ser uma criança, que dorme quando o sono chega. O facto de ser como uma criança é o que lhe confere esta alegria de ver. Como a qualquer criança, o mundo é sempre uma descoberta que o fascina. E, como acima referido, ele não dá valor ao pensamento, portanto, e segue o instinto e deixa-se dormir o seu último sono como se fosse o primeiro. E o surprendente é que não se esquece de referir que foi o único poeta da Natureza, com uma certa vaidade e orgulho na sua obra.
Para acabar, refiro o que muito me fascina nesta obra: Caeiro combina três tempos num só poema, mas de forma tão subtil que lhe confere um grande encanto. Se o leitor ainda não reparou, observe o presente nas primeiras cinco linhas, o pretérito perfeito nas restantes sete linhas e um magnífico pretérito imperfeito nas últimas três linhas. É como se este poema fosse escrito em três tempos diferentes. O primeira, num dia vulgar, como o hoje, o segundo no último dia da sua vida, já que se apresenta como uma última confissão, e o terceiro, num dia longínquo, após a sua morte.
Poderei estar enganado, mas, acho que é esta mistura de tempos que lhe confere um encanto distinto de todos os outros poetas que conheço.
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24 de Setembro de 2008
Hoje cabe em mim o mundo todo! Todo, mas só hoje. Sinto terras, pélagos inteiros, no eco dos meus sonhos esvoaçantes. Se esticar os braços, consigo roçar o abismo do céu e tocar as estrelas, num abraço de absoluto.
Quero cantar o mundo todo, pelas estrofes da minha vontade. Todo, mas só hoje, só esta tarde…
Desafiar os promontórios abruptos, com a minha voz feia e meus cantos fundos. E se a mudez me abafar, hei-de cantar mais alto, com os punhos!
E vou pintar as nuvens doutra cor a fingir, daquela que eu amo, porque, hoje, o meu coração engole tudo.
E mentir um mundo pela ascensão de ideias, que me levam os pés do chão – dois palmos.
Mas a tarde passou…agora, apenas resta Noite e já só caibo dentro do bolso dum casaco.
2 de Outubro de 2008
Afinal, o que é que tinha pensado fazer? Tudo. Pensei em fazer um tudo inocente. Perdi-me, ora pois, pela inviabilidade de existir tema com tal abrangência, a não ser, claro, a possibilidade de me ficar pelo próprio tudo, que é, portanto, uma impossibilidade.
“Formas de expressão artística” – lá sugeri, e apesar de ecoar a maior do que eu, soa bem e adivinha-se frondoso!
PS: Adoro o grupo. Aqueles três que, tão ternamente, me ouvem e aturam... Ao outro, que me tramou hoje, perdoo-lhe, pela simpatia.
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Eis o desafio para este período lectivo… proponho-vos que leiam, respirem, vivam Pessoa. Encontrem um poema (a violência é esta… só um é difícil!) que vos toque particularmente. Mais difícil, ainda, não quero um dos que aparecem no manual… afinal, Fernando é tão múltiplo que têm muito onde explorar!...
A minha escolha… e poderiam ser tantas, pois revejo-me muito no pessimismo de Campos, na “dor de pensar” do Ortónimo, na “fragmentação do eu”… no entanto, escolhi Alberto Caeiro. E um Caeiro muito diferente daquele que é o convencional… um Caeiro apaixonado! Escolhi-o por ser inusitado. Por estar mais próximo de nós.
Ricardo Reis, que via nele o seu Mestre, “acusou-o” de estar doente… pois pensou o amor. Aquele Caeiro que dizia: “Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o. / Sou místico, mas só com o corpo. / A minha alma é simples e não pensa. / O meu misticismo é não querer saber. / É viver e não pensar nisso. Não sei o que é a Natureza: canto-a. /(…)”, agora, pensa o amor!
Entenderão, assim, melhor, a magia destes versos do “Pastor Amoroso”:
Passei toda a noite sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
®
Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sono
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei-de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.E agora… a vós a palavra!... e a pessoa…
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Suavemente te elevo no ar
Aprecio a roupa que te veste
Teus contornos bem trabalhados
Fruto de um trabalho agreste
Por mãos na arte calejadas.
Na minha cama te deito
Aproveitando para te observar
Como são perfeitos os contornos
Que tuas vestes fazem salientar
As tuas roupas retiro com cuidado
Deixo te completamente despida
E agora sobre meu leito estendida
Observo a superfície de teu corpo
Acariciando com ânsia tua pele lustrosa.
Poiso-te sobre o meu colo
Procurando a melhor posição
Uso um dedo, dois, uma mão
Finalmente são duas a dar-te prazer
Que a cada toque te fazem tremer
Num pequeno aquecimento experimental.
A cada contacto sinto teu corpo vibrar
E tremer contra o meu peito
E delicio-me com o teu grave chorar
Fruto de um trabalho bem feito.
Paro então para te aconchegar
Uso uma mão para te prender o braço
Apoio o meu sobre a tua barriga
Com a mão, em frente ao teu orifício
Inicio movimentos firmes e constantes
Num ritmo durável que te faz gemer
Inundando-me também a mim o prazer
A cada movimento que vou fazendo.
Minha mestria nesta arte prospera
E movimento-me então com mais garra
Culminando num extasiante sonho
Que na realidade se desfaz,
De vir um dia a ser tocador de Guitarra…
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