sexta-feira, 10 de outubro de 2008

...




















Sei não já quem sou que vivo
Sei não que é isto de tempo
É vida dar um suspiro?
Ou conviver um momento
Com os que sei bem que vivem
Pois os aguarda um regaço
Quando nascem p'ra que chorem
E ter do Tempo um pedaço
Que se guarda num baú
Escondido num mar salgado
Seco por um beijo cru
No teu rosto, pranto alado

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pessoa em mim…










Eis o desafio para este período lectivo… proponho-vos que leiam, respirem, vivam Pessoa. Encontrem um poema (a violência é esta… só um é difícil!) que vos toque particularmente. Mais difícil, ainda, não quero um dos que aparecem no manual… afinal, Fernando é tão múltiplo que têm muito onde explorar!...
A minha escolha… e poderiam ser tantas, pois revejo-me muito no pessimismo de Campos, na “dor de pensar” do Ortónimo, na “fragmentação do eu”… no entanto, escolhi Alberto Caeiro. E um Caeiro muito diferente daquele que é o convencional… um Caeiro apaixonado! Escolhi-o por ser inusitado. Por estar mais próximo de nós.




Ricardo Reis, que via nele o seu Mestre, “acusou-o” de estar doente… pois pensou o amor. Aquele Caeiro que dizia: “Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o. / Sou místico, mas só com o corpo. / A minha alma é simples e não pensa. / O meu misticismo é não querer saber. / É viver e não pensar nisso. Não sei o que é a Natureza: canto-a. /(…)”, agora, pensa o amor!

Entenderão, assim, melhor, a magia destes versos do “Pastor Amoroso”:

Passei toda a noite sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

®

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sono
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei-de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.


E agora… a vós a palavra!... e a pessoa…

domingo, 28 de setembro de 2008

M18... Censurado?!?!?!


Suavemente te elevo no ar

Aprecio a roupa que te veste

Teus contornos bem trabalhados

Fruto de um trabalho agreste

Por mãos na arte calejadas.

Na minha cama te deito

Aproveitando para te observar

Como são perfeitos os contornos

Que tuas vestes fazem salientar

As tuas roupas retiro com cuidado

Deixo te completamente despida

E agora sobre meu leito estendida

Observo a superfície de teu corpo

Acariciando com ânsia tua pele lustrosa.

Poiso-te sobre o meu colo

Procurando a melhor posição

Uso um dedo, dois, uma mão

Finalmente são duas a dar-te prazer

Que a cada toque te fazem tremer

Num pequeno aquecimento experimental.

A cada contacto sinto teu corpo vibrar

E tremer contra o meu peito

E delicio-me com o teu grave chorar

Fruto de um trabalho bem feito.

Paro então para te aconchegar

Uso uma mão para te prender o braço

Apoio o meu sobre a tua barriga

Com a mão, em frente ao teu orifício

Inicio movimentos firmes e constantes

Num ritmo durável que te faz gemer

Inundando-me também a mim o prazer

A cada movimento que vou fazendo.

Minha mestria nesta arte prospera

E movimento-me então com mais garra

Culminando num extasiante sonho

Que na realidade se desfaz,

De vir um dia a ser tocador de Guitarra…

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Dolce far niente...

Pois é... sabem bem, por isso acabam depressa: as férias!


Espero que as tenham aproveitado bem... da minha parte, aproveitei-as para o que mais gosto e a imagem é disso ilustrativa: ler muito e não fazer nada (excepto o ler). Assim, sim, é descanso! :D
De vez em quando, lá me "cansava"... passeei por locais que desconhecia, revisitei outros, refresquei-me tanto em águas marítimas como nas águas "clorificadas" das piscinas...




E Vossas Excelências? Além de lerem muito *ataque de tosse súbito*, que mais fizeram nestas férias?



domingo, 20 de julho de 2008

Na sombra das horas vagas
O teu sorriso quando falas,
vem beijar o meu.

Derivo
Eu Terra
em teus olhos mar,
de cheiro azul;
que inebriam o meu corpo
que o fazem naufragar.
.

sábado, 12 de julho de 2008

Tempo...







Falámos de Tempo a propósito de Caeiro... a Clepsidra é um "medidor" do Tempo... já que fui desafiada, deixo aqui o resultado da minha parca inspiração de outros tempos...






E de novo me arremeto para a escrita
Sem origens, sem objectivos
Sem um passado, sem um futuro...
... tal como na vida.

O Passado?
Essa nebulosa instável
Entre lamento arrastado e alegria afável
Senhor sem reino neste mundo,
O seu mundo, tão longe,
Que mais vale não explorar...
Quem sabe os medos que dele
Podem despertar!

O Futuro?
O mais ingrato!
Que entre sonhos e necromancias
Nos ilude e atrai
Marionetas d’ignorâncias
Para o labirinto de uma Creta
Que já morta nos prende,
Perversamente discreta,
Ao irremediável passado
Que todo o futuro carrega
Como condenado.

O Presente?!?
Ah! Esse é o momento da vida!
Botão que luta entre a terra e o sol
Que é quas’Alfa e quas’ Omega
Tão quase que em cada entrega
De uma vida ao seu reino fugaz
É como Fénix que das cinzas se refaz.

E assim o Homem vai vivendo
Sua vida, malha que o Tempo

Vai tecendo.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Carta de Camillo Pessanha







[A Alberto Osóro De Castro]



(Confidencial)


Meu querido amigo


Chegado ante-hontem de Mirandella, onde me demorei um mez, encontrei hoje sobre a mesa do meu quarto o seu pobre bilhete esquecido.

Teem-me feito bem estas viajatas, mudanças de paisagem e de regímen alimenticio.

Na hospedaria de Mirandella come-se cada dia um leitão, bebe-se por copos d’agua vinho verdasco das bandas de Amarante e tem-se por convivas caixeiros do porto e batoteiros de Valle-Passos e Alijó. Muito cosido, salpicões cosidos de Vinhaes, comesanas de ensopados a nadarem em manteiga de porco, tudo carniçada sem hervagens, pimentos curtidos. Os melões de Villariça tão brutos de tamanho e do seu cheiro sexual, e uma doçaria de nomes indigestos e beatos, que parecem amaçados por mãos de freira com esperma de frade, papos d’anjo, sonhos, pasteis de Lamego, Pios IXIX. Toda esta fressura dá sobre a debilidade pelas 7 horas da tarde, e unitiliza depois toda a noite em um estupor de giboia.

Pelo mez fora, idas e vindas a Marmellos, légua e meia de cada vez , a pé, por um sol de queimar os olhos, sem pinhaes a comerem a luz. D’aqui até à Regua e da Regua para aqui, os solavancos da carripana da diligencia, com o cheiro a suor das pilecas, todas em sangue dos moscardos e do chicote, e a poeiraça que vae até às guellas e a sordidez do cocheiro, arregaçando até às ligas com um piscar de olho avinagrado as sete saias das rameiras que viajam lado a lado connosco na imperial. Como tudo isto é bíblico! Os apertões brutos, a prostituição das aldeias tão primitivamente animal, faminta no inverno e farta no verão que n’esta quadra do anno acode, muito espalhada de vestuários, das bandas de Murça e de Carrezeda, aos arraiaes e ás feiras até Viseu.

Veja se a minha hyperesthesia não avia de se adormentar.

E depois as commoções violentas até absorverem o dia, da política, empenhada e convulsionada, braço a braço, em uma terra selvagem. A indignação por causa do juiz, que pronunciou um dos quarenta sem fiança para o inutilizar na eleição de Janeiro. E as appellações e os aggravos, e as denuncias e as syndicancias, e todos os roubos e todas as violações, e as testemunhas que juram falso, e os assassínios e os engajadores, e todo aquelle horizonte, desolado de estevaes e montes maninhos, onde raro é o dia que não é morto algum homem, à foiçada, debaixo do sol rutilo.

Hoje, regularizadas as digestões e o sonno, satisfeito, indifferente, provocador, glutão, - o seu bilhete foi uma névoa que de repente veio cegar por meia hora o meu coração de tristeza. Diga-me que desenganos o levaram até Mangualde quando eu começava de me iludir? Quanto teremos de soffrer, nós todos, e eu sem sequer poder corresponder-lhe, e d’essa vez dar-lhe consolação, tanta é a minha saúde exuberante. Não lhe tenho escripto, em parte, para não o melindrar com uma carta tão lógica e tão grosseira como esta vae. Porque eu bem vejo que sou esta carta, minha alma.

Deus fade para bem o seu menino. Muitos beijos à Gigi, nossos amores e as minhas attenções à Sr.ª D. Catharina.



Lamego, 28 de Agosto




Camillo Pessanha

segunda-feira, 30 de junho de 2008

CENSURADO

Este é ainda um trabalho, no rescaldo dos textos argumentativos que eu encomendava nos testes, que merece ser publicado! O tema, servirá também de mote para futuras discussões, a propósito do "Felizmente há Luar"... e lembra como devem ter sempre à mão o argumento, arma eficaz e que não deixa provas! :D




“Estou calado, mas a escrita não fala, grita! Num tom tão ensurdecedor que não se ouve, apenas se sente!”


Censura, vista por uns, como algemas, negra e opressiva. Censura, vista por outros, como o equilíbrio, o manter a dignidade, a perseverança do ser.
Tolo é aquele que acredita numa destas duas opiniões.
Ignorante é aquele que não liga a um dos graves problemas vivido na Terra.
Para uma visão mais apurada, imaginemo-nos como um crente em Deus, até mesmo pela religião Cristã! Se Deus disse que o homem era livre! Porque calá-lo? Infeliz é aquele que faz o papel de Deus... nenhum homem deve censurar outro, a não ser que a pessoa seja incapaz de assumir o comando dos seus sentidos, principalmente, o da fala.
A censura do homem é o medo do outro, o homem mais fraco e só, é aquele que ouve e finge não ouvir as opiniões e elogios maus, fracos e cruéis.
Mas vejam que todas as criticas são para o nosso bem, só melhoramos quando nos apercebemos que estamos mal, e os outros colegas de vida é que nos dão a conhecer e a ver o que realmente precisamos.
Ao redigir este texto, até a mim me parece que estou contra a censura. Talvez até seja verdade, talvez não, pois ao dar a conhecer a minha opinião já estava a censurar aqueles de opinião diferente! A censura pode ser bem usada, mas não em demasia e muito raramente. O ser humano estabeleceu princípios simples e são esses que devem ser respeitados.
Eu fico neutro em relação à censura, tanto na política, como na família, como em amigos, eu digo o que quero, mas também respeito. O respeito é a minha própria censura, e basta!


Eduardo Silva, 11ºA

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Pessoa...


Caeiro
























Gosto do ceu porque não creio que elle seja infinito

Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba
E que agora e antes d'isso ha absolutamente nada.

Creio que o tempo tem um principio e tem um fim,
E que antes e depois d'isso não havia tempo.
Porque ha de ser isto falso? Falso é fallar de infinitos

Como se soubessemos o que são de os podermos entender.
Não: tudo é uma quantidade de cousas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.






[sem data, transcrito por Jerónimo Pizarro]

in
Publico

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Acreditar, ou não acreditar!





Cabe a cada um de nós.
Por vezes penso, porquê toda a gente O venera, e só eu... Um sufoco, que não me deixa entregar por completo.
Sinto, não sei bem, uma dúvida constante na Sua existência... felizes são aqueles que acreditam sem O ver, é este o argumento.
Transparece como uma herança deixada de gerações em gerações: porque que é meu dever seguir algo em que não acredito só porque a minha família o faz? Não pode ser levado como um costume, mas sim como um caminho que a pessoa decide seguir... e eu aqui! Perdida, sem saber o que fazer, simplesmente não está dentro de mim, e sinto-me melhor assim. Não uma sensação de conforto, mas de alívio, por não o temer admitir.
Só Lhe pediria um pouco de compreensão, e que um dia me fosse capaz de perdoar.
A verdade é que a crítica não me passa ao lado, e não me é indiferente, é capaz de magoar e deixar à parte, mas não é uma escolha minha.
Talvez uma escolha Dele...



Juliana 11ºA