segunda-feira, 2 de junho de 2008

A Democracia em Portugal



Os nossos políticos passam o tempo a prometer que serão os verdadeiros representantes dos eleitores, quando na verdade a sua profunda preocupação é salvaguardar os seus próprios interesses.
É agradável recordar que já houve democracia directa em Atenas e que o povo grego reunia em assembleia de três em três meses ao ar livre, fazendo intervenções públicas a defender as suas ideias, a expor os seus problemas, a dar as suas opiniões.
As deliberações eram tomadas em função dos votos da maioria, simplesmente, daqueles que estivessem presentes. As pessoas conversavam umas com as outras focando os seus problemas e auscultando a opinião dos parceiros nas lojas, praças, nas tabernas, à mesa, no intuito de aclarar as ideias, encontrar soluções e resolver pela via mais certa e pelo acordo.
As visões alternativas eram apresentadas e a decisão final pertencia aos membros da assembleia. A participação na via pública era feita por sorteio, o que implicava que todos os cidadãos estavam preparados para exercer a administração e a gestão das coisas públicas. Essa actividade era exercida gratuitamente e os poucos que necessitassem ser remunerados tinham um salário inferior ao de um pedreiro.
Sob este sistema de governação e gestão, Atenas foi o Estado mais próspero, mais culto e mais poderoso do mundo grego, durante mais de 200 anos.
Todos os cidadãos podiam votar e propor leis, com a excepção (por força da mentalidade e costumes da época) das mulheres e dos escravos.
Que fizeram alguns pensadores reguilas do fim do séc. XVIII? Foram à filosofia e história da Grécia buscar a “Democracia” e trouxeram só a capa do livro e esqueceram lá o conteúdo. Inventaram a democracia representativa onde o povo elege um representante e este é que vai para a assembleia. Agora surge a pergunta: o representante defende a vontade de quem o elegeu, ou vai defender os seus interesses, os das cúpulas do partido ou, ainda pior, dando apoio, contra a vontade da maioria popular, aos dirigentes da nação, que investem o dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos, em futilidades caríssimas, em obras inúteis e megalómanas, em investimentos que só favorecem empreiteiros amigos e familiares, fomentando uma descarada corrupção e vergonhosas derrapagens.
Aqui fica um desafio às “democracias modernas” que será o de evitar que a regra da maioria se torne em tirania para o povo.
Quase todos os estados do mundo se dizem apoiantes da democracia, mas nenhum a cumpre na prática. Mais flagrante ainda é o caso das denominadas democracias populares que nunca passaram de ditaduras.
O povo é manipulado pelas classes dominantes na hora de tomar uma decisão importante para o país. O cidadão é preterido em relação aos interesses das minorias do poder.
Por tudo o que se vê e tem visto, sou levado a afirmar que, se a democracia fosse realmente aberta, franca, transparente e tivesse como objectivo o bem de todos e fosse assegurada pelas pessoas certas, no lugar certo, ou seja, pessoas com idoneidade política, com cultura histórica sobre a condição humana, com personalidade, com carácter, com consciência limpa e um pouco de respeito pela vida e dia-a-dia de cada um, evitaríamos tanta desordem mental, tanto desrespeito à paz de cada família, tanta corrupção até ao mais alto nível, tanta indisciplina, tanta anarquia, tão pouco respeito pela integridade do ser humano e pela sua vida, tanta indiferença pela miséria que tantos suportam, e, para finalizar, tanta protecção ao criminoso, com tanto desprezo pelas vítimas.
Estamos numa ditadura cruel, desumana, perigosa e aterrorizante. Assenhorearam-se da rádio, da televisão, da imprensa onde se espalha uma má cultura, uma péssima informação e são ministrados certos narcóticos ao “Zé Povinho” para o trazer entretido, tais como concursos de futilidade, novelas de muito mau gosto e um futebol alienante que é tudo menos desporto.
Ò santa democracia, tanta lama te atiraram ao rosto que ficaste cega e não sei quando voltarás a ver a beleza do sol que brilhou cheio de humanidade, nos tempos e nas terras de quem te inventou.
Eu vou esperar, porque haverá sempre alguém que acredita em milagres e eu estou na lista…



José Rafael Soares da Costa, 11ºA

A Vida na Terra





No início do Universo, quando o criaram, ou quando se criou a si próprio (isto é uma questão subjectiva que não vou discutir por agora), praticamente tudo se relacionava em plena harmonia, qualquer divergência era corrigida sem qualquer “stress” e tudo era “normal”, até que a famosa evolução das espécies formou o Homem.
Esta estranha criatura a quem deram alguns “poderes especiais” consegue fazer coisas extremamente engraçadas com esses poderes. A racionalidade é um desses poderes. Mas que fez o Homem com esse poder que o diferenciou das outras criaturas e que o tornou tão especial? Será que se serviu dele para melhorar a vida no planeta que o acolheu e lhe permitiu o seu desenvolvimento? A que assistimos hoje em dia? Porque é que são as alturas de grandes conflitos que permitem desenvolver e melhorar certas invenções? Parece que, afinal, esse poder tão especial em vez de ter conduzido o Homem a um mundo perfeito, apenas o está a levar à sua própria destruição.
A inteligência de certos líderes mundiais, de que George Bush é o expoente máximo, só tem contribuído para a destruição daquilo que poderia ser um paraíso. Alarga-se cada vez mais o fosso entre os países ricos e os pobres. Na Europa, deitam-se fora ou queimam-se, os excedentes agrícolas para que os preços não desçam, enquanto em África se morre à fome. O aquecimento global aumenta cada vez mais o risco de catástrofes naturais e são poucos os paraísos que ainda conseguimos preservar.
Que pretende este Homem fazer? Destruir-se? Suicidar-se? Ou será que conseguirá “dar a volta” e criar um Novo Homem capaz de alterar o que parece inalterável?
A continuar assim, sempre na tentativa de controlar o seu futuro, sem abdicar de determinados privilégios e sem fazer nenhum sacrifício, o Homem só conseguirá destruir a herança do passado e hipotecar o futuro dos seus descendentes.



Rui Bonifácio
11º C

Desabafo





De repente sinto-me outra! Sinto-me diferente! Chego a não me reconhecer.
Cresci, a verdade é que cresci, e mudei, realmente mudei. Até de amigos “mudei”. Os meus amigos parecem não ser os mesmos. Não os consigo reconhecer! O que nos unia deixou de existir e a vontade de partilhar desapareceu no meio da hipocrisia que sinto quando com eles converso.
Esta hipocrisia gera pensamentos maus, muito maus mesmo. Podemos até pôr em causa a verdadeira amizade. Quando alguém chega com o discurso: “vou contar-te uma coisa, mas não podes dizer nada a ninguém”, começo logo a pensar que o que me está a ser contado é algo que deveria ficar entre quem confia e a pessoa a quem foi confiado. Se um “amigo” não sabe guardar o segredo de outro, é quebrada de imediato a relação de confiança que existe entre eles, o que me leva a pensar que, certamente, fará o mesmo quando eu lhe confiar algo confidencial. Isto faz-me sentir incomodada quando estou perto deles, chegando mesmo a deixar de procurar a sua companhia.
Será que tenho alguma culpa por sentir que estou a perder os meus amigos?! Não. Finalmente hoje percebi que não. No entanto, não sei se esteja alegre, por me sentir um tanto ou quanto aliviada, ou triste, por chegar à conclusão de que os amigos mudam, desiludem-nos e crescem, de maneiras diferentes da nossa, o que nos leva a deixá-los.
Será que é isto que acontece quando começamos a “crescer”?! Será que acontece com todos?! Será que me esperam ainda muitas desilusões?!
Certamente que sim, mas consegui hoje também perceber que não será pelo facto de crescermos em sentidos diferentes e os nossos interesses serem divergentes ou os temas de conversa não serem os mesmos, que me vou sentir mal e chorar “baba e ranho”. Acredito que, se existem “amigos” que não nos ajudam e ainda pioram a situação para se sentiram os melhores do mundo e superiores aos outros, também existem amigos para a vida toda e que nos farão sempre sentir bem-vindos e alegres com a nossa companhia!



Eduarda Silva Correia 11º.A

É a isto que chamamos de amor?





Amor…
O que é que entendemos por amor?
Nada?
Mas será que toda a gente pensa assim?
Eu digo que não… E sabem porquê?
Eu digo o porquê! Nem toda a gente pensa assim porque, se nós repararmos bem à nossa volta, o que mais há é hipocrisia e falsidade.[???]
E no amor é o que mais existe… Falsidade, hipocrisia, infelicidade e desrespeito pelo parceiro.
As pessoas já não ligam ao verdadeiro amor. Agora só ligam à aparência, à beleza, se usam roupa ou calçado de marca. E o seu interior não conta? Por não ser tão bonito como a outra [?] quer dizer que não mereça ser amada?
Há pessoas que chegam a amar essas pessoas “ menos bonitas”, só que não admitem. E sabem porquê? Por causa dos amigos, dos colegas, têm medo de serem gozados e postos de parte por causa do seu amor.
Acham justo?
Acham que no amor, a beleza, o dinheiro contam para alguma coisa? De que nos adianta termos isso tudo e não sermos felizes?
O que mais existe agora é casar por dinheiro, pela beleza do parceiro, dizer-se que se ama muito a outra pessoa e, no fundo, ser tudo mentira… Viver na infelicidade, ou, para não viver na infelicidade, arranjar uma segunda pessoa para resolver o problema. Isto no mundo dos adultos, porque no mundo dos adolescentes, bem nem se fala.
Os rapazes têm a mania que só por “comer” muitas miúdas são os maiores e as raparigas têm a mania que são “boas” por andarem tantos rapazes atrás delas! A maior parte desses “ comes” correm mal, porque as pessoas acabam por se apaixonar, mas estas pessoas não andam com pessoas “ menos bonitas”. Primeiro procuram uma vitima que seja bonita, “boa”, com dinheiro para pagar o lanche de vez em quando (ou sempre). E depois “come”, “come” e vão-te embora. Se gostaste, gostaste, senão gostaste paciência, também já não há nada para ninguém.
Onde está o amor?
Aquele onde se corria riscos para estar com o seu amado (a)?
Acabou…desapareceu
Agora vivemos a palhaçada do amor!
(Não quer dizer que seja sempre assim, mas todas sabemos que isto é bem verdade)







Andreia, 11.ºB

domingo, 1 de junho de 2008

Portugal Inventado

Acto 1

Estúdio televisivo preparado para uma entrevista em directo. Aspecto sóbrio: decoração pobre, adequada ao ambiente profissional, em tons cinzentos e negros; mesa preta em forma de meia-lua de fronte para o público. Em cada uma das suas extremidades uma cadeira estofada vermelha. Painel com a bandeira portuguesa atrás da mesa, ao longo do estúdio. Presença de vários holofotes, focos de luz ligados e câmaras de filmar em vários pontos do estúdio.


Cena 1 – Professora Manuela Cabral (PMC), sentada na extremidade esquerda da mesa, ladeada, na extremidade direita, pela entrevistadora (E). Ambas vestem um fato de corte clássico, com blazer. A presidente traja vermelho, a entrevistadora branco. Há também um Assistente de Realização (AR).

AR – 10 segundos.

(ouve-se o genérico)

AR – 3, 2…

E (Para a câmara central.) – Boa Noite. Bem vindos à segunda parte desta Entrevista Extraordinária. Seis meses após a formação da Aliança Ibérica, o Canal de Portugal e da Galiza entrevista, em directo, a nova Primeira-ministra; a carismática ex-líder do Grupo Separatista do Norte, que após vários meses de tentativas de acordos, assinou o tratado que determina a independência da região peninsular norte do resto da recentemente formada Aliança Ibérica. (Dirige-se a Manuela Cabral) Mais uma vez, Boa noite Professora.

PMC – Boa Noite.

E – Professora, tendo já analisado as perspectivas económicas e financeiras durante a primeira parte, as nossas questões abordam agora a visão social que este governo projecta. Começo por lhe perguntar que perspectivas de evolução social tem a região nortenha, muito apesar da convicta propaganda que ambos outrora governos português e espanhol fizeram passar, alastrando a esperança da criação de uma nova super potência com a Aliança Ibérica?

PMC – (Esboça um pequeno sorriso, mantém os cotovelos em cima da mesa, com as mãos unidas, movendo-as.) O que diz respeito ao panorama social inicial que o Estado poderá enfrentar, depende em muito do rumo da mentalidade nacional.

E – E com isso pretende dizer que…?

PMC – … Que nada advirá da independência, se este novo Portugal permanecer submerso no seu fado, nos seus complexos saudosistas.

E – Crê, então, que o progresso da “nova nação” (acentua a palavra) passa pela negação dos costumes, das tradições?

PMC – Não, muito francamente. Não estendo esta ideologia a um nível tão radical, pelo que considero que nenhuma tradição deve ser ignorada, ou proibida. Mas não poderemos questionar o seu nível de qualidade, a imagem que este apego torpe, mesquinho ao provincianismo projecta em nós e no exterior? Eu não acredito no nascer para ser. Mas, por agora, vejo a extinção do estereótipo “Zé da Boina”, do “marialvismo” (vá!), tão perto como Urano.

E – Nessa linha de raciocínio, conclui que dos esforços do separatismo resultará uma nação portuguesa frustrada? Sabemos, da velha idiossincrasia portuguesa, que a região norte sempre foi mais conservadora. Como dirige um governo vanguardista este novo Portugal?

PMC – Uma nação frustrada? Qual quê!... Encomendamos alento aos galegos!... E na verdade, somos ingratos. Abraçaram-nos na luta, e fazem-no na nação. Contudo, ainda não os temos como nós. O que me deixa um tanto desolada: não mereceriam eles ser os donos dessa petulância?... (sorri, jovialmente)
Felizmente temos vários grupos, não só ministérios, dos vários campos (científicos e humanísticos), a realizar estudos e projectos. Por exemplo, o associativismo universitário portuense, em muito, coadjuvou em muito o GSN e continua-a em acção no que respeita à estrutura dos projectos governamentais. Isso denota ânsia, força, num seio de uma geração capaz.
Contudo, é como lhe digo: há problemas de ordem social que poderão constituir entraves ao Estado. Mas, como prioridade social (e até porque das outras já falamos) aspiramos a tornar a escolaridade pública, gratuita e com qualidade. E isso fará toda a diferença, especialmente porque a região norte é também a mais jovem de toda a Europa. O progresso ou o fracasso de uma nação baseia-se no conhecimento que esta possui – tentaremos estimulá-lo! – e esse estímulo não pode passar pela inflação de três valores numa nota académica, em troca de uma mensalidade de 300€, entende-me?
Existe um plano para as igualdades de direitos, no qual também a questão da educação se insere, mas não só. Também a questão da discriminação sexual, das deficiências, a discriminação socio-económica e processos de vitimização provenientes destes factores, entre outros.
Há também projectos de lei, a nível de planeamento e ordenamento de território, como a progressiva eliminação de bairros de lata, através da construção de bairros sociais; (Aparte) Temos que admitir que as TvCabo e os 150 cavalos condizem melhor com estes últimos, não é verdade?

E – Como pretende tornar o ensino exclusivamente público? (Aparte) A mulher sofre de demência aguda! (Continua, impecável) Não teme um surto de revolta? Não temerão os portugueses a expropriação das empresas privadas?

PMC – Dentro três anos, todas as escolas portuguesas serão públicas. A educação deve ser igualitária, não uma forma de hierarquização. Se os cidadãos são iguais perante a lei, então a formação destes também o deve ser. E jamais deverá ser tida como um negócio. A intervenção do Estado fica-se por aqui. Não haverá qualquer expropriação a empresas privadas.

E – Há pouco falávamos da sociedade nortenha, do seu conservadorismo.

PMC – Quanto ao conservadorismo, que na generalidade a caracteriza, não o temo. Começo a crer que os que escolheram ficar, já não procuram partidos; Procuram… Homens, diria? (ambas se riem) Além disso, lisonjeia-me o conservadorismo que coloca uma mulher de esquerda no poder.

E – Como reagirá o país, se a potência da Aliança Ibérica se realizar? Ponderará este Estado fazer parte dela?

PMC – Com todo o devido respeito, por minha experiência lhe digo – só enlaça a demagogia quem a quer. A propaganda da Aliança não busca só eleitores, mas cidadãos, mão-de-obra. Com toda a sinceridade, espero não vir a ver uma potência proletária. Duas nações não se tornam uma com um tratado. Há processos de assimilação cultural, que se estendem, se prolongam por muito tempo. Da anexação poderá haver a desigualdade entre os dois povos. E consigo já adivinhar o que fica por cima.

E – Nasceu daí a formação do GSN? De uma premissa fundamentada no medo? No terror da sublevação do sangue lusitano?

PMC – Não. O GSN brotou de um forte desejo de continuar Portugal! Não tem de ser um sonho utópico, um projecto de vida, um Quinto Império. Contudo, tem de ser a prova da afirmação nacional. De que somos capazes. De atingir a qualidade de vida e a grandiosidade que até agora não conquistamos.

E – Considera que a Aliança é um sinal de impotência das velhas nações, de Portugal particularmente, face a magnitude de outras?

PMC – Absolutamente. No entanto essa impotência, essa pequenez, é puramente psicológica, como já lhe disse que creio. O saudosismo! Nós projectamos em nós mesmos e no exterior algo que nem sempre somos. Não é a falta de inteligência que nos afecta. (Aparte) A prová-lo temos é um défice de auto-reconhecimento, de auto-estima colectiva. Isso não se revê só nesta aliança. Quantos não tiveram de (quase como se se erradicassem da pátria) viver lá fora, para serem reconhecidos? Quantas Paulas Rego, Saramagos, Antónios Damásio não o fizeram pela sobrevivência dos seus sonhos, da sua genialidade? Quantos terão de o fazer? Há um ciclo vicioso em que a única forma de afirmar o que se tem é afirmar o que se é, e vice-versa. Portugal, um novo Portugal, tem de se afirmar. Caso contrário rompe esse ciclo, restando-lhe apenas meia dúzia de biografias heróicas e um choradinho perpetuamente consagrado.


ACTO 2



Decorre em ambiente familiar; sala de estar: Decoração moderna; colorida, tendencialmente clara; traços universitários – livros, encadernações e canetas desorganizadamente empilhadas numa estante, à esquerda. Perto da estante, uma porta de acesso a uma divisão incógnita. Do lado oposto, a porta que divide a sala de estar do hall de entrada. Ouve-se o som oriundo do aparelho televisivo que repousa por cima de uma cómoda. Ao centro, de fronte para a TV, o sofá, sobre o qual se mostram os cigarros, um cinzeiro e uma pedra de marijuana.




CENA 1 – Tiago Rodrigues (T), confortavelmente estirado sobre o sofá, observando a mãe no grande ecrã, ia consumindo um charro morosamente, sorrindo, inebriado a cada bafo, como se deles extraísse o sentido da sua existência. Veste-se informalmente (jeans e t-shirt) e está descalço. Helena (H) Hippie, movimentos e discurso descontraídos.

(ouve-se a porta de entrada a abrir e fechar)

H – Já cheguei. Fui às compras. Trouxe carne, bolachas, cereais e Favaios. (olha para a sala e para o amigo) A Marri?
T – Está lá dentro. (solta o ar travado) A fazer o teste.
H – Então e a tua mamã, que tal fica na Tv?
T – Assustadoramente íntegra para a classe a que se juntou. (risos)
H – De que está a falar agora?
T - Ah! Dos renegados da pátria. Embora eu me questione sempre se não desprezam eles as raízes, que não lhes deram nada senão a fronteira. A minha mãe quer acreditar que não, talvez pelo meu irmão, que…
H – (interrompe-o) É verdade! Saiu no jornal! Então os suíços sempre lhe querem comprar a patente.
T – A minha mãe ainda espera que ele volte a Portugal, qual elefante branco, com o seu protótipo do carro a hidrogénio.
H – E ele?
T – Oh! Tenho p’ra mim qu’ele não volta tão cedo.. Este Estado ainda não tem a maturidade suficiente para os planos dele. E coitada da mamã: morre de desgosto com o filho longe.
H – Deixa ouvir, deixa ouvir (o último “deixa ouvir” é quase sussurrado)

(ouve-se da televisão “Professora, uma última pergunta: relativamente a quando nos falava do estereótipo “Zé da Boina”, e da sua persistência na sociedade moderna deste século XXI. Sabendo que ele se prende com a tradição campesina, agravada pelo atraso da democracia em Portugal, não teme que as forças monárquicas bragançanas, que em tanto apoiaram o GSN, possam vir a ter um peso, para que esta imagem, este estereótipo, não se dilua facilmente?” Diz a Professora “Não. Podemos afirmar que o monarquismo proveniente da velha Bragança, insensato e extremista, é praticamente irrelevante – tanto a nível social como partidário.”)

H – A mulher não tem papas na língua. Qualquer dia ainda lhe acontece alguma.
T – Ela é honesta. Nunca abandonou os ideais. Foi a determinação que lhe arruinou o casamento, e outras relações. Também lhe trouxe algumas quebras de tensão. A força dela é inestimável, tal como o carácter. Admiro-a.
H – Óóó… quão fófinho o filhotinho! (aperta-lhe as bochechas e abana-as) Vá, chega! Vou fazer o jantar, amanhã é a tua vez. (abandona a sala enquanto Tiago apaga o charro.)

Cena 2 – Tiago, Marianne (ruiva, cabelos encaracolados, aspecto desleixado, natural, mas bonita; sotaque francês vincado)

(Marianne entra, Tiago levanta-se)

T – Então?! (com expectativa)
M – (Abana a cabeça afirmativamente, com um sorriso emotivo)
T – Ah! Minha francesa! (Abraçam-se)

Cena 3 – Tiago, Marianne e Helena

(Helena que havia saído entra de novo)

H – Que me dize… (observa os seus semblantes sorridentes, agora com os respectivos olhos nos seus) Ó! Não me digam que o teste à salvação da humanidade deu positivo?
T – Deu sim senhora!
H – Isto é uma loucura! “P’ra contornar a tendência.” E agora? Que faço eu aos favaios? Bebo sozinha? São 23 anos de vida, mulher! Estás-te a arruinar.
M – Mais non! Está no ponto Helena! E non poderás tu reflectir um pouco sobre a questão? Até o vosso poeta diz que o melhor do mundo são as crianças! Eu posso. Sou uma privilegiada. O curso está no fim e ambos possuímos economias para ter a criança. É para contrariar a tendência, amiga!!
H – Há tantas tendências que podem contrariar! O qu’a maconha faz às vossas cabeças, por exemplo! Olha riquinha, não te arrependas. Espero que te não chegue o dia em que desejarias ter contribuído para o “suicídiô colectivô”. (ri-se) E especialmente que não isso não se passe a um Sábado à noite.
M – Non digas essas coisas Helena. Nem tu acreditas que eu sej’assim. Eu sou livre: não me incluo no universo das desinformadas, nem no das imprudentes. Nem no das egoístas. (olhar sugestivo a Helena)
H – Ai sim? E como é se sustenta um filho com um abono de família de 13 euros?
M – Non interessa. Como ia dizendo: hei-de cumprir a maternidade da primeira geração vindoura. Para que neles não corra o vosso arcaico fado, mas o fervor da revolução.
H – Oh, não quererás acrescentar o século XVIII ao ADN da criança?
M – És uma impertinente. (Alegre)
T – E tu ligas-lhe? Ela só está a espera do convite!
H – Por quem me tomas?!
T – (num tom quase clerical) Diria que de típico não tens nada! Crês em Deus todo-poderoso? Não. Crês na sua instituição representativa? Também não. E, no entanto, estás disposta a fazer um juramento junto à Cruz do Messias, que te obriga a educar o baptizado segundo as Leis de Cristo na ausência de seus pais com o intento de lhe poderes beliscar as bochechas gordas com mais força do que toda a restante gente pois tu e ninguém mais possui estatuto para tal?
H – Oh… cinco quilos de injustiça pesam essas palavras. (irónica, alegre)
T- Não sei se o baptizaremos. Não é nossa vontade, mas como não vacila esta ante a vontade de meus pais?
H – Isso, eu não sei. Contudo, tenho a certeza que se a Vossas Senhorias, Donas da Inteligência, lhes ocorre conceber um néné aos vint’e poucos anos, também decerto ocorrerá uma solução.
M – Por falar em soluções, vamos amanhã assistir à ratificação da declaração do Porto como cidade capital de Portugal?




Liliana Freitas, 11ºG

Para reflectir...



Esta é uma daquelas páginas de conversa fiada, que nem sequer vale a pena ler. Daquelas conversas em que nos apetece tamborilar com os dedos na mesa, assobiar uma canção, olhar pela janela...Porém, se ainda não o fizeste, fá-lo agora!

Este texto fala de estudar e tu não precisas que te estejam incansavelmente a repetir e relembrar quais as vantagens disso. E tens razão! Basta olhares à tua volta. Lê um jornal, vê o noticiário na televisão, ouve os debates e está atento às conversas dos "mais velhos", recém-licenciados. Com certeza já ouviste falar na geração dos "500 euros"... queimaram tanto as pestanas e não viveram a adolescência, como a maior parte dos adolescentes, no tempo dos nossos pais e avôs...só têm para contar relatos da vida de um estudante empenhado em concretizar um objectivo: entrar numa faculdade por vocação e mérito e, acima de tudo, realizar o sonho mais importante, que é serem felizes naquilo que fazem profissionalmente! Para isso é preciso trabalhar, trabalhar e trabalhar. Muitas vezes as vinte e quatro horas do dia não chegam para tantos trabalhos, actividades, testes, exames, relatórios, resumos, orais, visitas de estudo, experiências, pesquisas, comer, dormir, e ainda...ufa!...viver!
Contudo, há tanto trabalho, mas só algumas pessoas têm a sorte de subir na vida. Os advogados, médicos, professores, ou engenheiros que saem licenciados da faculdade e não arranjam emprego, viram funcionários de balcão, empregados de mesa, ou cabeleireiros, e continuam a lutar por um futuro melhor, pois neste mundo injusto, onde os “outros” se servem de cunhas ou “livres trânsito”, só os mais fortes é que sobrevivem.
Também, como já deves ter reparado, em todos os locais mais “finos” e “chiques” onde vais, vês que qualquer pessoa “dita” culta (e até com aspecto de inteligente!), não fala de literatura, geografia, história, ou medicina; fala antes de futebol, de moda, ou até do tempo! Mas, no fundo, é esta pessoa que é conhecida e é dela que se lembram as pessoas mais importantes para ti, enquanto os verdadeiros sábios e trabalhadores estão a servir à mesa a “dita” pessoa culta!
E nós cá andamos carregados de livros. Uns trabalham mais (pois têm grandes expectativas quanto ao futuro próximo) para tirar a nota X pretendida pela faculdade onde querem ingressar. Mas, se por mero azar estiveres na turma Z, não irás por um valor entrar naquilo que te faz realmente feliz, naquilo que te fez suar durante três anos consecutivos e para o qual trabalhaste árdua e seriamente, pois apenas obtiveste a nota Y.
Como vês a vida é manhosa, fecha portas cravadas de oportunidades e abre janelas no sétimo andar! Todavia, a esperança é a última coisa a morrer, por isso, vale sempre a pena fazer mais uma tentativa, pois como já dizia o poeta:”Por morrer uma andorinha, não acaba a Primavera!”.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

No meu tempo…



No meu tempo, a escola não era assim. Embora pareça a minha avó a falar, qualquer leitor que já não frequente a escola ou já frequente há algum tempo (como eu, digamos) dar-me-á razão.
Mesmo sendo desse tempo, dou por mim a escrever sobre uma conversa que ouvi no café, um dia destes, enquanto tomava o meu pequeno-almoço e, como me chamou à atenção, resolvi chegar a casa e fazer umas perguntinhas aos meus pais. Após um breve período de reflexão, decidi fazer este texto, para mostrar o quanto o ensino mudou.
Pergunto-me então: “Quem não se lembra dos ditos “bolos”?”, as reguadas, dos castigos e dos “puxões de orelha?”... tempos muito duros, dizem os meus pais que ainda se recordam tal e qual como se fosse hoje. É claro que eu ainda sou nova e não passei por nada disso, a não ser ter levado com a caninha na cabeça, da professora primária, quando fazia as minhas asneiras, mas nada comparado com os meus pais. E claro que não fui só eu, fui eu e todo o pessoal da minha idade que não passou por nada disto.
O resultado está à vista. Dantes os alunos levavam “autênticos enxertos de porrada” mas “ andavam na linha”, “certinhos”, agora fazem umas festinhas e isto parece uma “ balbúrdia”. Tudo isto porque os professores não podem bater nos alunos.
Se não acreditam, pensem: antigamente, ai de quem não fizesse um trabalho, ou copiasse, ou melhor, se entregasse fora da data estipulada, até tremiam quando o fossem entregar ao professor(a). Agora não. Agora, os estudantes “mitram-se” uns com os outros. Uns não fazem, outros entregam fora das datas e, no meio disto tudo, ainda existem aqueles que compram o “ betinho” da carteira da frente para fazer por eles, pois têm um trabalho bom garantido. É claro que nem sempre o “betinho” aceita, pois às vezes já têm muito que fazer e, por isso, recorrem ao” morcão” da mesa detrás, que apesar de não ser tão inteligente ainda vai fazendo umas coisinhas.
É por estas razões que nós estamos assim. Um país inculto, pois um ou dois trabalham para os restantes andar na boa vida. Tal como diz o ditado: “ De pequenino se torce o pepino” e se não tivermos quem o faça torcer, com um bom sistema de educação, não vamos a lado nenhum, pois “cepa torta, tarde ou mesmo nunca se endireita”.





Ana Rita Costa , 11.ºB

As Velas e os Monstros





Quem pensa ter encontrado um erro no título engana-se. Este não é o famoso conto com um final feliz “A Bela e o Monstro”. Muito pelo contrário, nesta história não há final feliz, até porque isso raramente acontece nos filmes de terror ou naqueles filmes lamechas que tentam mostrar a realidade.
Da realidade passo eu a falar. Apesar de ser rapariga, tenho de admitir que já nem todas somos belas. Agora, podemos chamar-nos velas. Eu passo a explicar: se antigamente “gordura era formosura”, agora, ser um pouco mais “cheiínha” já é motivo suficiente para se ser o “bombo da festa”. Quem já não viu ou gozou com uma rapariga, só por ela ser um pouco mais “cheiínha”? Toda a gente viu. Toda a gente vê. E isso causa tanto transtorno que as raparigas de agora decidiram emagrecer de tal modo que surgiram doenças como a anorexia e a bulimia. Pois bem, não acham que as raparigas se assemelham a velas? Figuras esguias cheias de cera na cara… sim, cera… Ou nunca repararam na cara de praticamente todas as raparigas de agora? Estão completamente besuntadas com cremes… A cara é uma autêntica camada cerosa para cobrir as imperfeições. Pois bem, a mim uma figura esguia coberta de cera faz-me lembrar uma vela… e a vocês?
Pois bem, passemos ao resto do título - os Monstros. O da história era feio, mas lá ficou jeitoso, mas os de agora… Deve ser moda, só pode… Quem ainda não viu um rapazito porreiro tornar-se numa aberração destas: um dia, até que era jeitoso, no dia a seguir, parece sair de algum desenho animado dos mais reles. Cabeça à ” skin head”, cara toda furada por pontinhos de metal a que chamam “piercings” e com corpo todo pintado com as chamadas “tatuagens”, que muito exibem. Estes são Monstros autênticos.
É claro que generalizei um “bocadito”. Nem todas as raparigas são Velas e nem todos os rapazes são Monstros, mas começa a chatear-me que neste Monstruoso mundo, tenhamos cada vez mais belas sociedades cheias de Velas e, nesta sociedade que se começa a tornar Monstruosa, surjam tantos Monstros.



Natália, 11ºB

A Educação


A educação é a base do futuro de qualquer ser humano. É através dela que adquirimos saberes e hábitos que vão influenciar a formação da nossa personalidade e a nossa forma de ver o mundo, por isso é tão importante abordar este tema.
Na actualidade, os jovens tendem muito a focar-se nos bens materiais, dando-lhes demasiada importância e ignorando quase por completo os programas educativos e culturais e isto é um mau princípio que irá influenciar negativamente o seu futuro.
Porque é que o interesse dos jovens se centra nos bens materiais e não na cultura? Serão os pais os culpados?
A falta de disponibilidade e de diálogo da parte dos pais, devido às excessivas horas de trabalho faz com que estes ofereçam tudo (bens materiais) aos filhos para compensar a sua ausência, deixando assim a educação a cargo da escola, o que resulta também em grandes carências afectivas. Como é que uma criança que não tem atenção dos pais se vai interessar por respeitar os outros e pela sua própia educação, tão indispensável ao seu futuro?


Sara Filipa Ribeiro Carvalho Torres
11ºE

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Familly Business...


Apesar de nos encontrarmos numa era em que tudo se torna facilmente acessível sem esforço (dada a abrangência da Internet), parece que, mesmo assim, só quem conhece alguém do meio a que pretende aceder, consegue realmente alcançar o seu objectivo. É a chamada e conhecida “cunha”, tão utilizada nos dias que correm.

Seja para ser atendido no sector da saúde, das finanças, ou mesmo, para matricular alguém numa escola concorrida, o processo já não se baseia em dar prioridade a quem mais depressa se candidata, e sim a pessoas conhecidas, ou até, com influência na sociedade.

Na minha opinião, está bem presente nesta descrição uma caricatura do nosso país, em que tudo se concebe não através do conhecimento, mas sim dos "conhecimentos". Os serviços públicos encontram-se muitas vezes caóticos, por banalidades caprichosas de quem os orienta. Quem conhece está desde logo garantido, e os outros, lá se vão tentando desenrascar.

Não fosse este o funcionamento e mentalidade própria ao século, em que tudo se gere gira em torno das elites, a nossa sociedade teria, certamente, outro nível e estado.


Rafael Ferreira
11ºG