sábado, 24 de maio de 2008

Raça Mortífera





Assisti a algo que me sensibilizou, mas sobretudo, que me revoltou ainda mais. Teremos nós o direito de invadir a vida dos outros seres vivos? Só pelo facto de sermos racionais, não pensamos? [?]
Os costumes mudaram, as desnecessidades [?] também. Enquanto que no passado, num passado bem longínquo, a espécie humana, enquadrada numa rede alimentar, matava para sobreviver, no presente, neste presente macabro e assustador, mata para fazer sobreviver as necessidades do olhar e da inveja. Pergunto-me: - Como será o futuro? Talvez não exista.
Quanto aos costumes religiosos, diz-se que o mais adoptado pelos indivíduos é o catolicismo [?]. Quem a segue, crê plena e cegamente em Deus, não praticando o pecado, pelo menos à vista desarmada. Mas quando estes indivíduos se sentam para uma refeição festiva, não dispensam beber o sangue derramado de um inofensivo ser vivo, que nasceu para encher quem os digere. Estes grandes banquetes de que falo, não servem para enganar a fome, mas sim para matar o desejo louco e absurdo de querer sentir o paladar da abundância. Nestas alturas, esta gente pequena não se lembra, ou faz para se esquecer, das leis de Deus. Leis essas em que há o direito de abater para saciar a forte fome, sendo interdita a toma do líquido. Nesta sociedade desgraçada só se ouve e só se faz aquilo que se quer, não ouvindo e não fazendo aquilo que não lhes apetece.
Muitas realidades me revoltam. “Abriu a caça à foca”. Assisti à longa notícia, no telejornal. Espancar até à morte, uma foca ou outra vida, para muita gentinha é um acto de assistência [?], pois acham algo de surreal. Aquelas senhorecas bem apresentadas, com amontoados de pérolas e diamantes, por vezes de fantasia, não são assim, pois quando vêem um animal a ser morto desviam o olhar, porque sentem que se está ali a fazer uma grande crueldade. Mas, na prática, não olham a meios e são incapazes de não usufruir de um belo e rico casaco de peles. Como já dizia, por outras palavras, Sophia de Mello Breyner Andresen, num dos seus poemas, quem não gosta de ver nem de matar animais, também não deveria gostar de os comer, neste caso, não deveriam gostar de andar com eles às costas. Mas a mentalidade do povo é curta e está longe de progredir.
Teria motivos para escrever, quase, até ao infinito. Mas a mentalidade é curta [?].
Posso parecer uma pessoa dramática, mas peço a quem me critica (são várias as pessoas), que se ponha no lugar de um ser inocente, que apenas veio para ter umas curtas férias que a morte lhe proporciona e que possa ser portadora do mesmo tormento. [?]
Posso parecer uma pessoa sensível pela parte irracional [?], mas não, sou feita de uma revolta que me indigna.


Ângela Gandra, 11º B

Até onde vamos chegar?


Será que só paramos quando estivermos todos mortos, ou quando estivermos uns contra os outros...? Vivemos num mundo que está em constante mudança, mas numa mudança extremamente rápida. A nível político, social, ambiental, religioso.
Politicamente, focando principalmente Portugal, estamos a passar por uma fase em que os ministros conseguem com que toda a gente fique contra eles, seja pelo não cumprimento das promessas feitas antes da suas eleições, seja pelo fazerem o que mais lhes convém e não olharem aos interesses das pessoas, do povo.
Socialmente, podemos observar que as pessoas estão cada vez mais focadas em si mesmas e não nos outros, mesmo dentro das próprias famílias, cada um puxa o melhor para si, nem que para isso tenha que passar “por cima” de alguém.
As “pequenas” guerras multiplicam-se pelo mundo. Mas agora, pegando nas guerras, não serão elas um bem essencial à vida? Repare que, sem as guerras, não teríamos muitas das coisas que temos hoje em dia, como por exemplo a Internet. Quem conhece a história da Internet sabe que esta começou com o exército americano, para que os soldados pudessem comunicar entre si... Outro exemplo é o GPS, que também foi inventado para fins militares, entre outras tecnologias. Ao que nós chegamos, a ser preciso morrer gente para conseguirmos algum desenvolvimento tecnológico!
Mas há mais, ambientalmente falando estamos mesmo, mas mesmo, muito mal. Isto do aquecimento global tem muitas consequências más que a maioria das pessoas nem imagina. O que umas pessoas pensam é que a temperatura está a aumentar e, por isso, o gelo dos glaciares está a derreter e mais nada. E o resto? A extinção de inúmeras espécies de animais plantas? A destruição de milhões de habitats? E todas as outras consequências? Não é estranho que vulcões que não estavam em actividade há milhares de anos comecem agora a dar sinais de vida, locais onde não nevava mais de setenta, oitenta anos neva hoje em dia, inúmeros furacões todos os dias, uns com mais intensidade do que outros,sismos com muita frequência. Isto tudo são consequências directas e indirectas do que nós estamos a fazer ao nosso planeta.
Religiosamente, não estamos tão mal... ou será que estamos? Será que os padres hoje em dia são fiéis seguidores da fé de Deus? Sim, claro que são! Eles estudam para isso! Mas, infelizmente, nem todos cumprem com os seus deveres. Vemos regularmente na televisão casos de padres que cometem pedofilia. Ou, se não vemos, é porque os casos são abafados... pois, claro que fica sempre mal dizer que o senhor abade fez indecências com uma criança que foi tão adorada por Jesus, ou, que já não fica tão mal e até se fazem filmes sobre isso, que é dizer que, o senhor abade cometeu indecências com uma mulher adulta!
Como podemos ver, em tudo o que nos rodeia, e com tudo com o que nós lidamos diariamente, está a haver uma brusca mudança no sentido de piorar as coisas. Por isso, acho que devemos reflectir um pouco no que fazemos para assim vivermos todos num mundo melhor.


Tiago Luso Coelho, 11ºC

“Se eu não gostar de mim, quem gostará?”


Civismo é uma palavra que temos de integrar no nosso ADN.

Oh gente que só sabeis criticar o nosso país, Portugal! Eu pergunto "porquê"? Se o único problema és tu… Vós, nós e até eu não fujo à regra… Mas, principalmente, vós que criticais, que falais, mas não fazeis mais nada, nada para mudar ou tentar mudar… “Falas, falas, não te vejo a fazer nada, com certeza que fico chateado!” …
Hoje saio de casa para a escola, acordo com mais uma discussão matinal, esta minha juventude não quer ficar em Portugal, porque não há oportunidades, porque não há isto e aquilo… Como esta juventude já tem a cabeça feita! Eu só respondo “sim, é por pessoas como tu que Portugal está como está” … Juventude que já aprendeu a criticar, cabeça feita de casa, na escola, em todo o lado …
De tarde passei no café, lá estavam os mesmos clientes de sempre, “velhotes” que vão passar o seu tempo ao tasco, lá estavam eles, a tagarelar mal (como sempre) da política, um assunto que este povo adora criticar. Sempre a deitá-los [?] abaixo. A piada é que está nas mãos deles fazer alguma coisa, votar, - é esse o dever da sociedade - muitos que criticam nem se dão ao trabalho de votar. É como tudo na vida desta gente: “votar? hoje está a chover, não me apetece sair de casa, o fulano que vá”. E como tudo fica para o “fulano”... “reciclar? Para quê? se o outro não recicla”, “manifestações? Para quê se o sicrano não vai”, “votar? Para quê, se não vai valer a pena o meu voto” … Esta país que tem preguiça de levantar o cú da cadeira, é mais fácil falar … Agir, fica para o vizinho …
O civismo tem de começar dentro de nós, nas nossas casas, no que transmitem os nossos pais. Falta exigência connosco mesmos. Em trinta anos de democracia aprendemos a reclamar os nossos direitos, mas não temos vontade de cumprir os nossos deveres.
“Se eu não gostar de mim, quem gostará?” - se os Portugueses não se sentem bem no seu país, se não lutam, se não fazem nada, quem fará ?!


Sara Guimarães, 11ºE

Educação em vias de extinção

Hoje em dia, não há educação! E se há, é pouca! Os filhos acabam por fazerem o que querem!
Mas onde será que se encontra a educação? Na esquina do lado? Ou talvez no outro lado da cidade? Será? Não! Isso é óbvio! Hoje em dia, quase não existe educação! Ela anda perdida, talvez refugiada num pequeno canto do nosso Universo.
Acreditem ou não, há filhos que agridem os pais. Saem quando querem e chegam às horas que bem lhes apetece! Para eles os pais tem a função de um género de banco. Aberto 3600 segundos por hora, 86400 segundos por dia e 604800 segundos por semana.
Antigamente, os filhos eram uma fonte rentável para os pais [?], hoje em dia, são os pais!
Os pais acabam por ser “chicoteados” pelos filhos, quase todos os dias, para darem dinheiro, ganho através do seu esforçado suor, e claro, é mais que essencial para a vida dos nossos queridos jovens, pois eles não podem sobreviver sem ir ao café todos os dias tomar o pequeno-almoço, ou sem aquela roupa de marca, trés intéressant que todos os jovens invejam!
E vocês, caro público, já pensaram como se sentem alguns desses pais?
De certeza que alguns não! Já imaginaram o esforço que eles fazem para, ao fim do mês, trazerem dinheiro para casa! Para vos alimentar, para vos dar todo o conforto possível, e muitas vezes cansados, ao fim do dia, prestar-vos atenção!
No que toca educação, infelizmente, há de tudo. Relembrem-se dos casos de agressão aos professores que houve recentemente. Continua a haver, infelizmente, devido a um objecto não identificado, com aproximadamente 10 centímetros de comprimento, que pode assumir varias cores e que, pelo que se sabe, tem como função realizar chamadas e enviar sms.
Acham que um objecto tão pequeno, merece um acto tão repugnante, como o que aconteceu? Afinal os professores são uma grande via de desenvolvimento, uma vez que promovem o ensino, e se os pais não conseguem controlar os filhos, não vão ser os professores que vão fazer “milagres”! Há que falar também da questão de respeito, sobretudo, pois nem os pais, professores, ou qualquer ser humano merece ser agredido. Isto é uma injustiça!
Para finalizar, acrescento que nem todos os jovens, hoje em dia, padecem de este mal, a falta de educação. Há necessidade que todos os jovens, e todos nós, reflectamos, pois a educação é um factor muito importante, tanto da nossa vida pessoal, como social.



Sara 11ºB

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um país em lista de espera…




Portugal é um país em que se ouve, constantemente, os políticos afirmarem que trabalham unicamente para o bem do país. Sendo que este bem é o avanço do país em todos os níveis. Um dos níveis em questão é a saúde, que em vez de evoluir está em “degradação”. Isto porque os mesmos políticos que proferem que fazem tudo pelo bem do país são os mesmos que concordam em encerrar muitos hospitais com a simples razão de reduzir despesas e utilizando argumentos semelhantes a este: “ não há necessidade de existir tantos centros hospitalares”. Na verdade, esses mesmos centros hospitalares são aqueles que contribuiriam para acabar com a vergonha que Portugal sente quando é referido que existe um número indeterminável de pacientes que esperam por uma intervenção cirúrgica. Sendo que uma parte representativa desta lista de espera que Portugal possui, aguarda por uma intervenção cirúrgica anos e, em muitos casos, até esperam mais de 6 anos.
As pessoas com mais possibilidades financeiras acabam por ir para outros países, como é o caso de Cuba, para poderem ser operadas de imediato, coisa que em Portugal é raro, ou vão até mesmo para estabelecimentos privados de saúde. E as outras pessoas que não possuem as mesmas capacidades financeiras? E os idosos que vivem com reformas miseráveis e, em alguns casos, mal chegam para a alimentação, pois têm mais despesas, como por exemplo, a farmácia, onde deixam mensalmente grandes quantias, se não toda a sua reforma? Pois é! Estes têm que ficar submetidos à interminável lista de espera dos hospitais.
Porque é que o “nosso” governo não reduz despesas em coisas mais subjectivas [?] e investe na saúde, que é um aspecto fundamental e acaba com o desalento de centenas de pessoas terem que encarar algo tão desumano como são as listas de espera dos hospitais de Portugal? Porque é que, em vez de fecharem hospitais, não os mantêm e constroem mais um ou outro? Seria um grande investimento, mas valeria a pena, pois acabaria com este problema e evitaria outros que poderão surgir no que concerne à saúde.

Cristiana Loureiro, 11º E

Um País caricato ao contrário





Nos tempos que correm, tenho-me apercebido de que nós já não somos mais aquele famoso, consagrado e místico povo Lusitano. Agora somos um novo povo, tipo um protótipo, só para inglês ver, quando nos é conveniente.
Hoje em dia, vemo-nos a ser governados por um bando de políticos patéticos, que pensam que, por tirarem um doutoramentosinho na Universidade Independente, conseguem gerir uma nação deste calibre. E depois vemo-los naquelas maratonasitas que se fazem por aí a mostrar a sua disponibilidade social e a servir de exemplo, quando na verdade deveriam estar a servir de gado bovino nas touradas.

Outro tema que me intriga bastante, estimado leitor, diz respeito às novas modas deste século. Os meus ancestrais [?] como as minhas avós, por exemplo, até ganham enxaquecas e náuseas sempre que ouvem algo fora do normal para elas. Se ouvem uma notícia como: Cristiano Ronaldo, no último fim-de-semana, esbanjou uns troquitos numa clínica em depilação, é logo um Deus que as acuda. Onde este mundo vai parar?...perguntam-se elas. Até chegam ao ponto de ir rezar um terço por estas almas sem juízo.
Eu, sinceramente, não as entendo. Quer dizer, só por ser o Cristiano Ronaldo?! Então se fosse o Manuel Joaquim, habitante há 33 anos em Carrazeda de Ansiães, descendente de uma família de pastores (calma, estimado leitor, não tire conclusões precipitadas, ele não é parente do ilustre Primeiro Ministro) a gamar a gillette ao pai e a lembrar-se de se tosquiar por completo, já não teria direito a um terço? Tudo bem que poderia optar por outro método de depilação, porque um colega meu até já me recomendou usar bandas de cera.
Também me dei conta de que anda tudo trocado neste planeta. Porquê? Porque, simplesmente, o que se vê por aí são filhos quase, ou até mesmo, a bater nos seus pais. Lá por terem ganho pêlos nas virilhas, andarem com a cara em obras e terem engrossado a voz pensam que já são os donos da razão? Se for comigo, se um dia um filho da minha mulher me levantar a voz com agressividade… espanco-o com cuidado na hora.
Contudo, nem tudo é péssimo, ainda nos restam algumas pequenas coisas para nos entreter e divertir como os últimos gritos da evolução tecnológica e científica. Os telemóveis 3G, Ipod’s, Iphone’s entre outras… e claro, o meu predilecto, que me deslumbra ao usufruir as suas várias capacidades. O Tamagoshi. Ai não, afinal confundi-me, estimado leitor, o Tamagoshi já vem do século passado.
Em suma,não podemos perder os nossos valores, que tantos nos caracterizam. Como ir comprar o selo do carro no último dia, assim como ir assistir a uma peça de teatro e deixar o automóvel estacionado num lugar onde se lê “Sujeito a reboque”, com a intenção de demorar apenas uns cinco minutinhos.
Estas coisinhas fazem parte de nós, assim como o dever de nos cultivarmos constantemente também, porque só “Quando não conhecemos, nem sabemos, algo que nos é novidade é que verificamos o limite da nossa cultura e o tamanho da nossa ignorância”.



Marcelo Veloso 11ºB

Hipocrisia (continuação)

Para facilitar a visualização, junto aqui o primeiro video (mas não o apago do outro tópico, por causa dos comentários que já lá existem):

Emilia Oliveira

11º B












Emília 11ºB

Da fala a campos magnéticos!!


Com o desenvolvimento tecnológico atingiu-se a globalização. O meio sobre o qual vou reflectir é a internet, pois o sistema de mensagens instantâneas permite comunicação rápida, cómoda, económica, mas é também um metódo muito polémico, pois pode ser perigoso. A meu ver, uma das principais vantagens que apresenta como sinal de evolução, é a privacidade que se tem, por exemplo, as pessoas moviam-se do campo, onde não se tinha privacidade, para a cidade, em busca da mesma.[?o que é que isso tem a ver com a net??] Outro aspecto positivo é a igualdade, bem ao género dumas eleições: as nossas palavras são tão importantes como as de outro [???]. Permite também através de sites como deviantart, myspace,.... trocar impressões e ter contacto com pessoas com as mesmas tendências culturais, ou seja, dessa forma podemos tomar conhecimento, trocar impressões com o que se passa fora do nosso quotidiano mais próximo e ter mais informação sobre o resto do nosso planeta. Os aspectos positivos que acabei de referir são muito discutíveis, pois como eu os vejo de forma positiva, há quem os veja de forma negativa, pois nem toda a informação que se encontra é verídica, logo, por vezes, se torne perigosa, mas isso já acontecia na nossa sociedade. De forma que estas novas formas de tecnologia são um espelho virtual da nossa actual sociedade.


Tiago Barbosa 11ºB

Onde está a santidade do compromisso?


“Não nos deixeis cair em tentação; mas livrai-nos do mal. Ámen!” assim reza a “oração que Deus nos ensinou”. Bem, partindo-se do pressuposto que só aprende quem quer e que se aplica a todos, falemos, então, dos santos padres, ou pelo menos daqueles que não aprenderam a lição, ou pior, daqueles que aprenderam, mas que, involuntariamente, se desviaram do caminho de Deus. Os padres, antes de o serem, fazem um voto de castidade, como dita o nono mandamento da lei de Deus, através, por exemplo, do celibato.[?]
A vida religiosa necessita que os devotos se dêem de corpo e alma a Deus, aos seus ditados e mandamentos, e para isso é necessário que se tenha uma vida santa, ou o mais possível, não se sendo homicida, blasfemo, injusto, sendo também casto.
Bem, ter relações sexuais apenas com o objectivo de procriar é um tanto difícil de se manter , pois os desejos da carne falam mais alto. Então, pedir-se a um aspirante a padre, por vezes ainda jovem, que não tenha actos carnais durante a sua vida de padre, é demais! Não é pelo facto de um pároco ter uma esposa e consumar o casamento como um casal normal, que vai perder a sua fé e a sua devoção a Deus! Mas nem é essa a questão. O problema é que os padres sabem que não podem ter qualquer tipo de intimidade com uma mulher, mas têm-no. Sim, antes de serem padres são homens, homens que gostam de prazer, mas se sabem que não vão conseguir manter esse voto de castidade, deviam desistir de ter uma vida totalmente religiosa e passar a ter uma vida familiar, mas continuarem ligados à vida religiosa. Nada impede que as pessoas que acreditam em Deus estejam ligadas à Igreja, independentemente se têm ou não vida sexual.
E é péssimo ler-se nos jornais que párocos são acusados de pedofilia, por exemplo. Este tipo de actos não são bem vindos seja por quem for, muito menos vindos de padres, pessoas que seguem, ou pelo menos deviam seguir o caminho de Deus, e que criticam aqueles que são criminosos, porque pecadores somos todos, desumanos não. Por isso, que Deus nos livre do mal. Ámen!

sábado, 17 de maio de 2008

Às voltas...




No adro da aldeia tudo estava pronto para a festa. Os filhos da terra vinham todos, mesmo os que estavam longe. Era tempo de matar saudades e relembrar a infância.
O Esteves, ou Professor Esteves, acabara de chegar. Fizera centenas de quilómetros para estar ali, e o seu automóvel não o deixara mal. Alto, magro, vestido com ligeireza, ser professor contratado não lhe dava para muito. Ao passar em frente ao café de lá do sítio encontrou, refastelado na esplanada, o seu antigo colega de carteira na antiga escolinha, o ‘Mingos’, que agora era o Sr. Domingos Oliveira, empreiteiro, íntimo do presidente da Câmara. Oferecia a este último sempre as melhores condições para os concursos de obras públicas no município. E ganhava sempre. A amizade entre eles crescia proporcionalmente às obras… A amizade saía-lhe cara, mas sempre dava o melhor casarão lá da terra, singelos carrões, como o Mercedes que estacionara em frente ao café, entre outros luxos…
- Ora viva, caro Domingos!
- Olha o Esteves! Então por onde tens andado?
- Eu venho lá dos confins de Portugal…
- Ah, sim? E de dinheiro, como vais?
Mas o professor não respondeu, não fosse ele pensar que estava a mentir. Fingiu que não ouviu. O Domingos continuou:
- Eu cá me vou arranjando, lá com as minhas empreitadas…
Estavam nestas conversas quando chega o Carlos, também antigos colega daqueles, agora deputado. Ainda não é Doutor. Meteu-se na política quando frequentava a Universidade, e encontrou tal conforto, que não quis abandonar a posição. É doutor só de nome: Dr. Carlos Silva.
Cumprimentam-se, e continuam a contar as suas vidas. A vida do sr. deputado é mais desconhecida: vive lá para a capital, mas sempre vai falando de uma casa em Cascais, e de viagens que longínquas e cansativas, a que o trabalho o obriga.
O Domingos nem percebe muito bem daquilo; também gostava de um dia lá chegar, por entre os meandros da política, mas por agora contenta-se com as suas negociatas, a menor escala, é certo, mas menos publicitadas.
As horas já íam largas quando o senhor professor tira dinheiro do bolso para pagar a conta da mesa.
- Ora essa, Esteves, eu pago – disse o deputado Silva.
O Esteves lá ficou com o dinheiro na mão, juntamente com um bilhete de um evento a que assistira na sua última passagem por Lisboa. O Domingos ficou intrigado. De que se tratava?
- Ah. Passei por Lisboa e fui a um concerto no CCB. Beethoven, foi muito bom.
- Ora essa, então para o ano eu entro para a comissão de festas e convido-o para vir cá abrilhantar a romaria!
Não, caro Domingos, não poderia ser… Santa ignorância.
- Ó Domingos, diz o deputado, esse já morreu! Mas deixe lá que há por aí mais gente…
- Sim, ontem vi uma moça na tv que fazia boa figura. Depois vê-se...
Enfim, tiveram que recolher a suas casas. Depois da despedida, o professor ficou a pensar nas voltas que a vida dá. Ele, que sempre se intrigara e preocupara com o futuro destes seus colegas e amigos de infância, era o que se encontrava agora em situação mais precária.


Nuno Areia 11º C