sexta-feira, 23 de maio de 2008

Da fala a campos magnéticos!!


Com o desenvolvimento tecnológico atingiu-se a globalização. O meio sobre o qual vou reflectir é a internet, pois o sistema de mensagens instantâneas permite comunicação rápida, cómoda, económica, mas é também um metódo muito polémico, pois pode ser perigoso. A meu ver, uma das principais vantagens que apresenta como sinal de evolução, é a privacidade que se tem, por exemplo, as pessoas moviam-se do campo, onde não se tinha privacidade, para a cidade, em busca da mesma.[?o que é que isso tem a ver com a net??] Outro aspecto positivo é a igualdade, bem ao género dumas eleições: as nossas palavras são tão importantes como as de outro [???]. Permite também através de sites como deviantart, myspace,.... trocar impressões e ter contacto com pessoas com as mesmas tendências culturais, ou seja, dessa forma podemos tomar conhecimento, trocar impressões com o que se passa fora do nosso quotidiano mais próximo e ter mais informação sobre o resto do nosso planeta. Os aspectos positivos que acabei de referir são muito discutíveis, pois como eu os vejo de forma positiva, há quem os veja de forma negativa, pois nem toda a informação que se encontra é verídica, logo, por vezes, se torne perigosa, mas isso já acontecia na nossa sociedade. De forma que estas novas formas de tecnologia são um espelho virtual da nossa actual sociedade.


Tiago Barbosa 11ºB

Onde está a santidade do compromisso?


“Não nos deixeis cair em tentação; mas livrai-nos do mal. Ámen!” assim reza a “oração que Deus nos ensinou”. Bem, partindo-se do pressuposto que só aprende quem quer e que se aplica a todos, falemos, então, dos santos padres, ou pelo menos daqueles que não aprenderam a lição, ou pior, daqueles que aprenderam, mas que, involuntariamente, se desviaram do caminho de Deus. Os padres, antes de o serem, fazem um voto de castidade, como dita o nono mandamento da lei de Deus, através, por exemplo, do celibato.[?]
A vida religiosa necessita que os devotos se dêem de corpo e alma a Deus, aos seus ditados e mandamentos, e para isso é necessário que se tenha uma vida santa, ou o mais possível, não se sendo homicida, blasfemo, injusto, sendo também casto.
Bem, ter relações sexuais apenas com o objectivo de procriar é um tanto difícil de se manter , pois os desejos da carne falam mais alto. Então, pedir-se a um aspirante a padre, por vezes ainda jovem, que não tenha actos carnais durante a sua vida de padre, é demais! Não é pelo facto de um pároco ter uma esposa e consumar o casamento como um casal normal, que vai perder a sua fé e a sua devoção a Deus! Mas nem é essa a questão. O problema é que os padres sabem que não podem ter qualquer tipo de intimidade com uma mulher, mas têm-no. Sim, antes de serem padres são homens, homens que gostam de prazer, mas se sabem que não vão conseguir manter esse voto de castidade, deviam desistir de ter uma vida totalmente religiosa e passar a ter uma vida familiar, mas continuarem ligados à vida religiosa. Nada impede que as pessoas que acreditam em Deus estejam ligadas à Igreja, independentemente se têm ou não vida sexual.
E é péssimo ler-se nos jornais que párocos são acusados de pedofilia, por exemplo. Este tipo de actos não são bem vindos seja por quem for, muito menos vindos de padres, pessoas que seguem, ou pelo menos deviam seguir o caminho de Deus, e que criticam aqueles que são criminosos, porque pecadores somos todos, desumanos não. Por isso, que Deus nos livre do mal. Ámen!

sábado, 17 de maio de 2008

Às voltas...




No adro da aldeia tudo estava pronto para a festa. Os filhos da terra vinham todos, mesmo os que estavam longe. Era tempo de matar saudades e relembrar a infância.
O Esteves, ou Professor Esteves, acabara de chegar. Fizera centenas de quilómetros para estar ali, e o seu automóvel não o deixara mal. Alto, magro, vestido com ligeireza, ser professor contratado não lhe dava para muito. Ao passar em frente ao café de lá do sítio encontrou, refastelado na esplanada, o seu antigo colega de carteira na antiga escolinha, o ‘Mingos’, que agora era o Sr. Domingos Oliveira, empreiteiro, íntimo do presidente da Câmara. Oferecia a este último sempre as melhores condições para os concursos de obras públicas no município. E ganhava sempre. A amizade entre eles crescia proporcionalmente às obras… A amizade saía-lhe cara, mas sempre dava o melhor casarão lá da terra, singelos carrões, como o Mercedes que estacionara em frente ao café, entre outros luxos…
- Ora viva, caro Domingos!
- Olha o Esteves! Então por onde tens andado?
- Eu venho lá dos confins de Portugal…
- Ah, sim? E de dinheiro, como vais?
Mas o professor não respondeu, não fosse ele pensar que estava a mentir. Fingiu que não ouviu. O Domingos continuou:
- Eu cá me vou arranjando, lá com as minhas empreitadas…
Estavam nestas conversas quando chega o Carlos, também antigos colega daqueles, agora deputado. Ainda não é Doutor. Meteu-se na política quando frequentava a Universidade, e encontrou tal conforto, que não quis abandonar a posição. É doutor só de nome: Dr. Carlos Silva.
Cumprimentam-se, e continuam a contar as suas vidas. A vida do sr. deputado é mais desconhecida: vive lá para a capital, mas sempre vai falando de uma casa em Cascais, e de viagens que longínquas e cansativas, a que o trabalho o obriga.
O Domingos nem percebe muito bem daquilo; também gostava de um dia lá chegar, por entre os meandros da política, mas por agora contenta-se com as suas negociatas, a menor escala, é certo, mas menos publicitadas.
As horas já íam largas quando o senhor professor tira dinheiro do bolso para pagar a conta da mesa.
- Ora essa, Esteves, eu pago – disse o deputado Silva.
O Esteves lá ficou com o dinheiro na mão, juntamente com um bilhete de um evento a que assistira na sua última passagem por Lisboa. O Domingos ficou intrigado. De que se tratava?
- Ah. Passei por Lisboa e fui a um concerto no CCB. Beethoven, foi muito bom.
- Ora essa, então para o ano eu entro para a comissão de festas e convido-o para vir cá abrilhantar a romaria!
Não, caro Domingos, não poderia ser… Santa ignorância.
- Ó Domingos, diz o deputado, esse já morreu! Mas deixe lá que há por aí mais gente…
- Sim, ontem vi uma moça na tv que fazia boa figura. Depois vê-se...
Enfim, tiveram que recolher a suas casas. Depois da despedida, o professor ficou a pensar nas voltas que a vida dá. Ele, que sempre se intrigara e preocupara com o futuro destes seus colegas e amigos de infância, era o que se encontrava agora em situação mais precária.


Nuno Areia 11º C

Como parece a diferença?

Desde sempre que a sociedade afasta, exclui, e persegue todo aquele que parece ou é diferente. Seja uma diferença racial, cultural, na forma de agir ou pensar, ou mesmo pelos seus hábitos.
Tenho esta ideia como inconcebível em pleno século XXI. Contudo, até eu sou assim [???]mas não sou o único, pois toda a sociedade dos nossos dias se comporta desta maneira.
É preciso, então, combater todos estes estereótipos para alcançarmos uma sociedade ideal, em que todos temos semelhante valor e em que todas as diferenças pareçam desaparecer. Pois, só assim, conseguimos coabitar ou interagir de forma saudável.
Imaginamos quão difícil é interagir com alguém que nos crítica ou até mesmo a quem nós tenhamos criticado. Situações estas em que existe sempre um clima pesado no ar.
Está nas nossas mãos e, acima de tudo, está ao nosso alcance poder fazer a diferença, fazendo com que a diferença desapareça.



Hugo Salgueiro, 11ºG

Apocalipse

Newton, depois de estudar o livro do Apocalipse, disse que o mundo acabaria em 2066. Para dizer a verdade, eu não acho que cheguemos tão longe.
Para termos uma ideia da nossa situação, no passado 25 de Abril, a maior preocupação do mui valeroso Presidente da República parecia ser "porque razão a suposta maioria dos jovens não sabia o que representa o 25 de Abril". Aparte de haver coisas mais importantes com que se podia preocupar, a razão porque a suposta maioria dos jovens não sabe o significado do 25 de Abril é simples: estavam demasiado ocupados a fugir das tropas de ,que um também mui valeroso Primeiro-ministro mandou contra eles, para se darem ao trabalho de aprender isso.

Mas fora as questões menores, podemos ver que estamos a regredir. Para começar Salazar é eleito melhor português, o partido do governo aproveita o balanço e começa a pensar em novas medidas económicas, em breve lançam uma série de documentos a declarar uma dúzia de estatutos, incluindo a monstruosidade do estatuto do aluno; depois disso, quem não estivesse contente com as medidas e fizesse greve era punido: ou mandando polícia para investigar e, possivelmente, prender os responsáveis, ou atacando-os socialmente, dizendo, por exemplo, "que os professores fazem greve porque não querem trabalhar"; e, mais recententemente, a mudança no código de contratações que dá mais poder aos patrões para contratar e despedir a seu bel-prazer.
Em suma, o país está a desabar e a única coisa que é feita é ajudar a partir as traves mestras.



Tiago Rafael, 11ºC

Desabafo de um Português


Estou a pensar e não sei o que vou fazer neste trabalho, mas graças a deus que estou em Portugal, por isso ainda tenho tempo.
Neste nosso país é incrível, o tempo que se demora para fazer as coisas, é preciso praticamente empurrar as pessoas e quase fazer por elas (ó mãe, esqueceste-te dum acento), mas não procuremos apontar culpados porque senão nunca sairemos daqui. Sempre que se pergunta aos políticos de quem é a culpa, começam logo a atirar a culpa uns para os outros e o mesmo acontece com as pessoas, não digam que não, porque em minha casa também é assim. Infelizmente, cada vez menos valores nas novas gerações como, principalmente, a sinceridade, mas voltemos ao assunto da lentidão e não estou a falar dos alentejanos, estou a falar do geral. E, o português, então, é lento! Ah pois é! isto é que é uma imagem de marca, gostava de ver os chineses a poderem dar-se ao luxo de serem lentos, não podiam dizer isso [?], porque aquilo é só produzir.
É sempre a mesma coisa, sempre que tento falar num tema acabo sempre por lhe fugir... já agora, viram a nossa polícia? Esses nem deviam ser chamados de portugueses, a velocidade com que andam a passar multas e a apreender carros... estou a ver que a crise dos combustíveis não vai ser o nosso maior problema, pensam que eu estou a exagerar, mas já vi um policia parar à beira de um carro, deixar o carro estacionar e depois ter a lata de virar-se e dizer ” Olhe amigo, não pode estacionar aqui, vai ter de levar uma multinha “, essa tal multinha foi de 50 euros. Ora isto é revoltante, o nosso país esta a tornar-se muito rijo [?...] isto é só mais uma prova de que estamos mesmo a entrar na bancarrota, graças a coisas como esta é que começam a aparecer fumadores um bocado revoltados com a subida de preços a dizer coisas como esta “ai é, ai é, sobem o preço ao tabaco? então vou parar de fumar, vamos ver quem desiste primeiro, se sou eu ou o governo” e estes braços de ferro com o governo só têm vindo a aumentar, o pior é que temos como primeiro-ministro um lingrinhas, por isso espero ansiosamente que lhe partam o braço.
Vou terminar, ou “começar”, dizendo um olá ao nosso primeiro-ministro e cuidado com a cadeira (um foi assim, com sorte este também vai... Hihihihihi)

Ps: quero agradecer a minha mãe pelo apoio e trabalho mostrado, ao policia que multou o meu tio e espero que, em breve, à cadeira do ministro.





Rui Miguel Teixeira Lima, 11ºC

sexta-feira, 16 de maio de 2008

É uma sociedade portuguesa com certeza!


Primeiro de tudo, caro leitor, corra imediatamente para uma taberna junto de si e mande vir uns tremoços e uma boa cerveja ou ainda umas azeitonas ou uma orelha de porco se estiver com uma certa fome. Confortável? Ainda bem, pois é a partir desse lugar em que se encontra que lhe vou fazer o ponto de situação da sociedade portuguesa.
Enquanto vamos petiscando, analisemos um pouco o meio que nos rodeia, ou seja, Portugal. Podemos, do nosso canto, começar por observar a clientela do estabelecimento de consumo. Ao balcão temos dois a três indivíduos bebendo a sua cervejinha de olhos colados no ecrã da televisão, onde está a passar um jogo do glorioso (até aqui nada de mal, tirando o facto do Benfica estar a ganhar). Imaginemos agora estes cidadãos, como que representando a nossa sociedade da qual ambos, o leitor e eu, fazemos parte. Podemos concluir já algumas coisas sobre a nossa sociedade que saltam à vista. Primeiro ponto, muitos de nós podem não reconhecer, mas somos extremamente fundamentalistas e preconceituosos. Extrapolando isto para os três cavalheiros ao balcão, podemos dizer que o filho de um nunca sairá do armário, a filha do outro será obrigada a casar com um fulano com quem teve uma noite cheia de acção, e por último, o terceiro nunca quererá saber como se trabalha com um computador.
Como segundo ponto, podemos apresentar o palco de fados ao fundo do local onde nos encontramos. Ah o fado! Não há nada que defina melhor Portugal como um belo fado e nada que se assemelhe mais a um fado do que a política em Portugal, assim como a sociedade, triste e desesperado por tempos melhores. Isto de ansiarmos por alguma coisa pela qual valha a pena levantar a cabeça leva-nos a outro ponto importante que é o facto do português típico se prender em demasia com as tradições e o passado. Alguns séculos atrás havia o mito sebastianista, ou seja, muitos acreditavam que D. Sebastião voltaria numa manhã enevoada para tirar os reis de Espanha do poder e para endireitar este canto da Europa, mas tal não aconteceu. O problema está aqui - isto foi já lá vão alguns séculozinhos, mas parece que o português ainda não aprendeu que o caminho não é fazendo marcha-atrás no tempo, mas sim indo sempre em frente. Normalmente, fazer marcha-atrás numa via de sentido único dá sempre em acidente, já isto escrevia Garrett [?].
Voltando ao balcão e voltando aos nossos representantes da sociedade, que até agora nos têm deixado muito bem vistos, e depois de uma análise mais cuidada de cada um podemos dizer que dois deles têm um emprego de grande responsabilidade, mas hoje como o trabalho já começava a encher o fundo da secretária decidiram sair mais cedo. Sabem como é isto do stress, é preciso ter cuidado. Já o terceiro cavalheiro é um dirigente de um clube de futebol e é também e presidente da câmara local, um homem muito atarefado sem dúvida. Entre telefonar a árbitros para ver se eles fazem o seu trabalho e fazer um bonito saco azul de lã, enquanto se trata dos bilhetes para o Brasil são duas actividades que preenchem a agenda deste senhor.
E, por último, temos o leitor e eu, ao fundo da taberna, cientes disto, com o poder de mudar e usando esse poder para mudar [?], mas sem uma última palavra, pois esta pertence ao resto da clientela, que prefere deixar as coisas andar em vez de lhe tomar as rédeas e transformar a taberna num restaurante de cinco estrelas.






Tiago Faria, 11ºC

A Sociedade Portuguesa Pós 25 de Abril






A Revolução

No dia vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro deu-se, ao comando da canção “ E depois do adeus”, a revolução dos cravos, que derrubou o regime político que vigorou durante mais de quarenta anos no nosso país.

Nessa data, eu não era nascida e, com certeza, os meus pais não se conheciam e nem sequer havia um projecto de constituição de família.

No entanto, muitas famílias naquele dia rejubilaram de alegria e satisfação pelo derrube da ditadura. Acalentaram, naqueles momentos eufóricos, que a partir daquele dia tudo ia mudar para melhor e que tudo seria um “mar de rosas “ na vida social daquela jovem democracia.

Democracia é o governo do povo para o povo, uma vez que somos governados pelos nossos eleitos, em eleições livres, depois de ouvirmos as suas propostas nas campanhas eleitorais. Mas democracia é, acima de tudo, sabermos respeitar os outros e defender e cumprir a máxima “os meus direitos começam onde acabam os dos meus semelhantes”.

Consequências e Mudanças

De facto, as espectativas eram muitas e, a seguir à festa, foi preciso “apanhar as canas dos foguetes” entretanto lançados. Acabou a festa. Depois veio a desilusão, porque os sonhos acalentados naquele dia festivo não se estavam a realizar. Então, a nossa jovem democracia passou por momentos de alguma dificuldade e conflictualidade. Estou a referir-me aos anos quentes, segundo relata a nossa história recente, de 1975 e 1976.

A “casa” acabou por ser arrumada, tivemos as primeiras eleições livres onde escolhemos o primeiro governo legislativo que foi chefiado pelo Dr. Mário Soares. Estava lançada a primeira pedra da estrada da nossa democracia que conduziu o nosso país até ao dia em que escrevo estas palavras.

Na qualidade de estudante, vou debruçar-me sobre a educação que, no meu entender, é o motor principal do desenvolvimento da sociedade. Quanto mais instruídos forem os cidadãos, mais possibilidades têm de contribuírem para o desenvolvimento da sociedade onde estão inseridos, desde que aqueles conhecimentos sejam bem aplicados e geridos.

Verifica-se, no entanto, que as melhorias e mudanças inseridas desde o 25 de Abril de 1974 no nosso sistema educativo, não se transformaram em mais-valias que, se devidamente aproveitadas e potenciadas, teriam contribuído para criação de maior riqueza e bem estar da sociedade. De facto, a sociedade está muito mais instruída, mas, tal facto não se reflectiu na capacidade de produzir mais, e assim, criar mais riqueza.

É curioso que, onde existem emigrantes portugueses, nomeadamente nos países da Europa, eles são muito elogiados pela sua capacidade de adaptação e alto nível de produtividade, e, muitas vezes, até não têm um grau muito elevado de instrução. Tal facto deve-se com certeza à qualidade da gestão dos recursos que se fazem nesses países. Deste facto, pode-se concluir que o defeito poderá estar nas políticas que os vários governos que foram eleitos no nosso país, não por mim, porque eu ainda não tenho idade para votar, mas lá chegarei, não foram devidamente pensadas e discutidas com os professores, que são no meu entender, a parte mais importante no sistema educativo.

Na conjuntura actual assiste-se a um crescendo de licenciados que, depois de vários anos a estudar, não conseguem colocação no mercado de trabalho. No entanto, não devem desistir pois, como disse atrás, a educação, o estudo, o trabalho e a persistência são o melhor meio de transporte para calcorrear a “estrada” que atrás referi.

Toda esta prosa para dizer que, sem trabalho e sem estudo, não se consegue nada, serve de exemplo o caso de uma aluna da minha escola que a uma determinada disciplina, dita “maldita”, num teste tirou dois valores e depois de ter estudado e trabalhado bastante conseguiu, noutro teste, tirar 14,7 valores.




Ana Teresa, 11º C

Hipocrisia

Emilia Oliveira

11º B

De Barcelos para Galáxia dos Sonhos...



De: Barcelos
Portugal
14 de Maio de 2008


Para: Estrela Luz
Sistema Esperança
Galáxia dos Sonhos




Querida Avó,

Escrevo-te esta carta com o desesperado desejo de exterminar parte deste sentimento assassino que me acompanha, desde que decidiste mudar-te para essa nova casa. Espero antes de mais que tudo tenha corrido como previsto, e que nenhum incidente tenha de alguma forma infernizado as mudanças. Pelo que conheço de ti, certamente que não. Apenas agora te escrevo, pois calculei que estivesses ocupada, sem tempo para lamentações inconformadas e preocupações inúteis.
Decidi, portanto, contar-te em jeito de desabafo, o que vai acontecendo neste teu eterno Portugal. Seguem-se algumas singelas palavras que juntei numa amálgama de linhas corrompidas de perpétua saudade. Sei que seguramente terás a resposta para todos os meus inacabáveis dilemas.
Talvez não te lembres da Sara… Já passou algum tempo desde que te mudaste. Sim, aquela Sara que enternecia com um olhar que roubava ao sol toda a sua luz e à lua todo o seu encanto. Não havia chama mais forte do que aquela daquele pequeno anjo que todas as manhãs me inundava na alegria de um sorriso que pairava suave, como um perfume, no alpendre da nossa casa. Era ela, frágil, branca, cativante, o meu sonho da mais perfeita perfeição. Numa humilde genialidade, a Sara foi construindo aos poucos um pequeno palácio de virtude intelectual e moral, sempre com cuidadosos ornamentos da mais pura sinceridade e bondade.
O seu sonho era salvar o mundo. E, quando alguém o tentava desmoronar com um pessimismo invejoso, condenando-o ao fracasso, de imediato se deparava com um angelical e persistente protesto de dois olhos de fogo furioso ateado pela ameaça de extinção. Mas os seus propósitos não eram de todo desmedidos nem insensatos. Tinha consciência de toda a dificuldade daquilo a que chamava “a sua missão”. Todo o seu raciocínio era de facto brilhante. Afirmava que a vida teria todo sentido se optássemos pela entrega aos outros. Cada um, na sua pequena esfera, tinha o papel de assegurar, dentro das suas possibilidades, o bem-estar de todos os pontos que a constituem. E dizia com uma simplicidade brilhante, “só quando todos acreditarmos que é possível e lutarmos, juntos, tudo o que quisermos acabará por mudar”. Enquanto insistirmos em nos conformarmos e aceitarmos como inevitável uma realidade sórdida, mero resultado da animalesca necessidade de poder e domínio que tão bem define o ser humano racional, apenas contribuímos para o célere naufrágio do nosso pequeno mundo.
Nenhuma refutação era lançada, quando, numa pose de princesa grega, sentada na sua insignificante cadeira de rodas, Sara expunha envolta numa calma majestosa, estas e muitas outras nobres ideias. Tudo nela era um fascínio comovente.
Talvez toda a fonte desta devoção pela minha pequenina princesa fosse o diário testemunho da cruel e desumana vida que o bárbaro reino lusitano garantiu que não lhe faltasse. Pois ela, indefesa, presa numa masmorra andante, torturada pela veneração prestada por todo o seu povo aos mais revoltantes preconceitos de uma mentalidade geral limitada pela pobreza de espírito e valores morais, teimava, como que uma birra de criança, em ignorar toda a adversidade que a asfixiava. E assim abraçou a vida, libertando-se de toda a limitação, encontrando a virtude onde todos os outros viam aberração, anomalia, desgraça, defeito.
Sabes, Avó, apesar da circundante insistência no seu inevitável fracasso, a Sara formou-se em medicina. Especializou-se na área de psicologia e psiquiatria e é hoje a fundadora do mais bem sucedido centro de recuperação desta terra de navegadores e conquistadores. A maioria das inúmeras pessoas que a procuram carecem furiosamente de ajuda para combaterem o ataque insano desta sociedade em que chafurdamos. É tenebrosa a crueldade deste pequeno pais à beira mar plantado.
Vemo-nos quase diariamente. Aquela pequena é o vício que adoça a minha existência. Eu simplesmente não consigo compreender a sua natureza. Quando me conta as atrocidades em que embate sempre que uns olhos afogados em desespero, trémulos de uma dor arrepiante entram pela porta do seu consultório, pergunto-me como aguenta aquela menina tão branca, tão pequena, tão maltratada pela vida, todos aqueles dramas. “Vejo de tudo. Discriminação racial, sexual, religiosa, etária… homossexuais, mulheres e crianças violentadas e exploradas, pessoas com deficiências a nível físico ou motor, de outra raça, religião, etnia, e tudo quanto possas imaginar. Aparecem-me psicologicamente destroçadas, muito afectadas com depressões, variadíssimos distúrbios, e o pior, tendências suicidas… É horrível… São tão jovens, tão belos, um potencial enorme abafado por uma sociedade incrivelmente homicida. Só precisam que alguém lhes dê a mão e ajude a atravessar este pântano traiçoeiro em que vivemos”. E se atónita lhe pergunto, porquê ela, aquela pequena das minhas manhãs, se não passara já o suficiente para agora suportar tal fardo, imediatamente riposta, com aquela doce fúria idealista “para quê viver a fugir do sofrimento se ele existe por toda a parte? Não posso negar quem sou, aquilo em que acredito. De certa forma, estou grata àqueles que me fizeram sofrer. Só assim posso agora ajudá-los a eles e a muitos outros que como eu são de alguma forma diferentes do “normal” e não descobriram ainda a enorme virtude que isso é. Esta é a minha forma de salvar o mundo. Lembras-te, é a minha missão! De outra forma, nada faria sentido…”. E ficamos ali, num banco de jardim, no húmido salgado de uma rocha na praia, num autocarro transpirado de gente apressada, na varanda da sua casa…a agradecer ao sol que se deita preguiçosamente, o maravilhoso espectáculo de cores que nos acaricia o pensamento ansioso de revolta e indignação.
E desta forma, minha querida Avó, esta pequena toma conta de mim e de tantos outros. Mas explica-me por favor, porque é que tudo isto acontece? Por mais que busque impacientemente uma explicação para a razão de toda esta balbúrdia, há muito que nem a minha amada ciência é capaz de solucionar esta minha incompreensão da sociedade que me rodeia. Gostava apenas de perceber, mas é impossível.
Depois de conquistar o seu lugar na Terra, o Homem partiu à sua descoberta e preenchimento. Vieram as necessidades intelectuais, do culto do eu enquanto ser incomparavelmente superior aos demais. Os resultados destas foram aproveitados para progressivamente aperfeiçoar as respostas às necessidades práticas. Da pedra, passando pelo fogo, à espada seguiram-se as armas de fogo, já ultrapassadas pelas nucleares. É inevitável a competição entre o homem, a ânsia de dominar, somos animais. O que é, quanto a mim, incompreensível, é após longa existência, o homem não ter sabido aprender a usar o grande dom da razão, que o distancia de tudo o que o rodeia, para controlar de algum modo os seus ímpetos irracionais.
Neste país que tanto amo, vejo homens matarem homens inconscientemente. O metal das palavras, das atitudes, das acções, perfura os ténues peitos dos que de alguma forma não cumprem com o modelo rigidamente estipulado como “normal”. E os resultados são exemplos como as histórias que a pequena Sara me conta ao pôr-do-sol, envolta em lágrimas de fúria ocultas.
E nada disto parece alguma vez vir a mudar, Avó. A sociedade não quer que mude. Por mais que me afaste do pessimismo, a verdade é que anjos como a minha pequena são meras utopias nesta sociedade em que vivo. Aqueles que antes lutaram juntos pela afirmação deste Portugal, preferem, agora, continuar o silencioso extermínio dos seus semelhantes, condenando-os à loucura de um sofrimento absurdo, por não serem o que era socialmente esperado que fossem.
Preciso urgentemente, minha amada Avó, de um mastro firme onde possa agarrar o fio de uma esperança cada vez mais débil, cansada. Quero acreditar que tal como a minha pequena, o homem resistirá ao homem, e encontrará a virtude da simples essência de existir, por si, tal como é.
Sei que terás o conforto de que careço. Por isso recorri a ti, porque penso que tu, nessa terra onde estás agora, poderás de alguma forma consolar tanto desconsolo e responder a este dilema que me atormenta.
Com tristes saudades me despeço, esperançada de que um dia, esta terra em que nasci possa ser dignamente honrada pelos seus, como terra de homens livres, bons… pequenas Saras.
Um abraço afogado em mil beijos de saudade,


Catarina




Catarina Gonçalves, 11ºC