terça-feira, 13 de maio de 2008

Um mundo ao contrário?


Num país às avessas, onde supostamente devia existir igualdade social, deparamo-nos constantemente com casos tais como a “discriminação económica”.
Assim, deparamo-nos com a dicotomia Pobre/Rico que, em tantas circunstâncias, limita o nosso viver social.
O ensino em Portugal reflecte bem esta dicotomia já que, como costumamos dizer, “os filhinhos dos papás”, ou seja, filhos cujos pais têm mais posses, entram em Colégios Privados cujo ensino é (obviamente) muito mais concentrado neles. Desta forma, na maior parte das vezes, estes alunos beneficiam deste género de “condições especiais” e conseguem melhores resultados, com a consequente entrada no “curso dos seus sonhos”. E quem é que fica de fora? O Pobre, claro.
A Saúde... bem, penso que chegou a altura de soltar uma grande gargalhada! Começando pela Medicina Dentária que não existe a nível público, por enquanto (um por enquanto que dura, dura e dura), passando pelas especialidades mais caras e terminando nas (intermináveis) filas de espera! Pois bem, o rico paga, o pobre sofre! Quem tem dinheiro suporta as despesas, quem não o tem, suporta as doenças!
Assim sendo, penso que deixei bem explícito o meu ponto de vista face a esta sociedade de extremos, onde só vive quem tem dinheiro, pois quem não o tem apenas sobrevive.
Os tempos estão a mudar, em muitos sentidos para pior. As pessoas tornam-se frias e insensíveis face aos problemas dos outros e “só olham para o seu umbigo”. Temos que nos revoltar face a todas estas diferenças e, principalmente, face à nossa indiferença perante os outros.
Um mundo ao contrário? Sim e, infelizmente, cada vez mais.


Filipa, 11ºB

Sábios enSaios Sobre Singelos Semblantes


“Aos Belos o Mundo pertence”, frase incontestável, mais ainda nos tempos que correm do que quando foi dita pela primeira vez, por qualquer Wilde ou Victor Hugo, apesar de não estar a citar directamente… apesar desta certeza à qual me cheira que me garante que já alguém de exacerbado génio, em algum momento da História, o tenha dito.

Enfim, isto para dizer o quê?

É ainda o belo, e não o intelecto, [como deveria ser, se não por qualquer outra razão, para dignificar os pobres humanóides que morreram para se tornarem nos degraus, que prontamente calcamos tendo em vista a evolução], o “supremo-tribunal” que dita a sina de uma pessoa quando esta procura estatuto social, emprego ou uma abébia por parte de um qualquer (digno e incorruptível, não haja dúvida) agente de segurança pública, pois, afinal de contas, quem entre nós não se embrandece com a clemente exposição de um qualquer imaculado seio a estes solarengos ares? Enfim, pormenores, pouco interessam… Em grande parte pelo pouco de raros que ainda são…

Mas, curiosamente, esta pequena dissertação nada tem a ver com o cerne do meu trabalho, bem, talvez um pouco, deixo-vos a tarefa de descobrirem até que ponto o que antecede este frase vem ao encontro do que se lhe seguirá.

Tenho vindo a reparar num fenómeno, quase tão interessante como degradante, no qual assenta a génese de pequenas “tribos” urbanas, que, quer pela música que ouvem, ou tocam, quer pela roupa que usam, quer pelos aparatos de circo com os quais brincam, e até mesmo pelas drogas que consomem, se tentam separar a todo o custo do “todo” da sociedade, que até a estes, bem, inocentes, parece cinzento…

Mas qual o resultado disto?, bem, aos meus olhos, e aos olhos dos que conheço cujo comportamento e gostos se pautam de uma certa constância e imperturbabilidade face [termo que eu tanto odeio, mas me vejo obrigado a usar por falta de alternativa melhor] às “modas”, o fruto desta constante procura por uma posição mais perto do arco-íris leva a uma tal volubilidade ou versatilidade que se torna bastante difícil reconhecer o mesmo sujeito em espaços de tempo tão curtos como um mês, e, face às múltiplas e rudes mutações, torna-se mesmo difícil, pelo menos para mim, acreditar que o cepo humano se queda o mesmo, inviolado nas superfícies guturais onde a opinião externa não pertence.

Um órgão preponderante desta besta à qual previamente chamei “fenómeno”, é a ideia que [e não faço ideia de onde isto nasceu, pelo disparatado que me parece] a adopção de coisas frívolas {quando comparadas com a alma humana} [e nos meios aos quais me refiro, não pretendo insultar todos cujos desígnios coincidam, aparentemente, com o que critico, digo desde já que algumas das escolhas são em mim verificáveis, mas foram plantadas muito antes do Tribal Boom (perdoem-me a expressão, mas julgo que se entende facilmente)] como uma série de piercings, tatuagens, calças à Batatinha, ou um certo estilo de música (tema que vou desenvolver no meu próximo e talvez penúltimo parágrafo) possam dar uma importância ou estatuto social a alguém cuja própria natureza, por mesquinhas que sejam as mentes, é à partida um ser muito mais importante que qualquer acessório. E já que disto falo, deparei-me há já alguns meses com o aparecimento de umas “Elites Culturais”, com suas próprias línguas e vestimentas e que, salvo a possibilidade de se reunirem em seus quintais para discutir algo que nos ultrapasse, escolheram mal o nome... mas enfim, não me parece tema que mereça ser desenvolvido, recuso-me a desperdiçar as, para mim, sagradas letras, estando já estas em perigo por qualquer Acordo acordado (passo o pleonasmo) entre uns desgraçados que não distinguem um Nepalês de um Somali se nenhum deles tiver passaporte.

Música, talvez a arte mais fustigada pela desenfreada procura de, bem, várias coisas, algo entre aceitação e respeito, passando pela procura das raras “Grupies” genéticas que só querem algum machito que outras, e outros, desejem. Isso e ocupar um lugar privilegiado nas hierarquias que se resumem a um grupo de amigos que inclui músicos “domingueiros” que reivindicam audiências quando o seu propósito é algo inferior à criação artística. Perdoam-me, seguramente, as constantes repetições de vocabulário mas, no que diz respeito à música, a tal volubilidade ou versatilidade pelas quais se torna bastante difícil reconhecer o mesmo sujeito em espaços de tempo tão curtos como um mês, é ainda maior quando se atenta à música que se ouve, e com as alterações nos gostos (apesar destas mudanças nada terem a ver com gosto) musicais. Há roupas e acessórios de todo vitais, (como se o órgão receptor das ondas de som provindas de uma qualquer escarpada melodia dos Celtic Frost fossem as biqueiras de aço), que revertem prontamente para a diluição da pessoa por entre as escolhas que a solidão, na grande maioria dos casos, impõe como cura dos males de um espírito fraco e lamacento, que já nada de honroso tem para lá do legado que assenta nos seus ombros, já do fardo esquecidos…

Enfim, restam-me poucas palavras para adicionar a este Sábio enSaio, sendo que o único fruto que dele espero são duas reflexões e uma pequena, mas muito necessitada, catarse, porque devido aos inúmeros pedidos de todos, professora, algumas das ideias não serão de propagação oral e directa, como talvez devessem, não para saciar a minha malvadez, mas para tentar regar e resguardar alguns cepos que se tornaram do domínio público.

P.s.

Peço perdão pelos inúmeros parêntesis, mas vejo-me forçado a eles, dada a articulação do meu discurso interno.

Ala que se faz Deserto!


O
português levantou-se da cama, benzeu-se, encheu as calças com as pernas e vociferando contra as calças e contra as pernas, cambaleou até à varanda do prédio. Pintadas de azul pálido, as paredes assistiam sonolentas aos tenros passos lusitanos que pisavam os últimos bocejos de ramela matinal.
O português abriu a janela de vidro e logo uns raios de brisa lhe espanejaram os restos de poeira nocturna que dormiam ainda no seu rosto. Descalço, olhou a fria tijoleira disposta em mosaico e titubeou ao senti-la com os pés (era pouco prudente, podia apanhar uma constipação). Mas uma vez não são vezes…então, apoiou as mãos sobre as grades para admirar, com firmeza, o horizonte.
Depois, inspirou visceralmente até as veias se dilatarem, e num ímpeto de coração bondoso verbalizou a sua cólera:
- A culpa é do Governo!
O Sol bonacheirão espreitava por entre as nuvens, espalhando o seu festim sob grinaldas d’oiro. Ao longe, afagado no manto verde de colinas frescas, debuxava-se um camelo gigante. Entre as suas louras bossas, suportava o peso da República vestida de escarlate, com uma negra trança esguedelhada e democrática a roçar-lhe o alvo pescoço.
- Isto só neste país…sugam-nos até aos ossos. É tudo por causa do Sistema!
Tolhido, nesse ulular de sociedade em palavras soltas, o camelo da República gemia, rodopiava agoniado, cuspindo uma espiral de baba patriótica que pintava títulos em jornais.
“Portugal e Suécia devem aproximar-se”
“Procurador exige novas medidas do Governo contra a corrupção”


…o português adormecido, com voz e visão trémula, discursava:
- Cada um tem a sua cruz, não é verdade? É nossa obrigação aguentá-la. Fala-se demasiado da boca para fora, é o que é...com a barriga cheia, mas há quem esteja bem pior. Não se pode fazer nada, a vida é difícil.
Por instantes, o pensamento (do) português entregou-se ao silêncio, quando, por becos devotos e devassos, se ouviu o rastejar dum perfil amargo. Era Regina que, encostada ao umbral da porta, se edificava sacramente com a composição duma intriga romanesca lá do bairro. A malvadez enegrecia-lhe as roupas, secava-lhe as peles:

- Deve querer muito apanhar uma gripe homem, p’ra estar aí de pés nus.
- Ora muito bom dia Dona Regina!
O português achou-se simpático, mas a ditosa noveleira virara costas sem responder e presa no gancho de maledicência que lhe puxava os cabelos grisalhos, seguiu a sua procissão de murmúrios e orações.
"Nove peregrinos atropelados em Santa Maria da Feira"
“São já 17 as mulheres mortas vítimas de violência doméstica”

“Cristiano Ronaldo brilha no casamento da irmã”


Subitamente, o camelo decide descer as colinas até à cidade para ver, de perto, os óculos da Ana que passavam na rua. Uma armação exagerada rodeava as lentes de vidro, que espelhavam várias tonalidades de castanho, sobrepostas segundo um grau sequencial de desvanecimento. Lindos. Tutchis. Passeavam-se sumptuosos, pintando a Ana num ornamento viscoso de gloss. Interrompida a sua política de urinol, o português (enquanto olhava) repetiu para si próprio aquela máxima que em poucas palavras encerra um princípio de grande alcance:
- Ei gaja boa!

Os pardais chilreavam um rasto de ninho nos beirais dos telhados e as nuvens, essas, vertendo no céu o azul da sua dança, figuravam navios e heróis saudosos, com as suas formas cinzeladas.
Embaída pelas nuvens, a República não tardou em erguer os seus olhos de azeitona, lançando-os, acidentalmente, à varanda do prédio. O português reconheceu-lhe a trança e numa agitação adolescente, com a sua torrada na mão, cavalgou as escadas, correndo a abraçá-la. Beijou-lhe as facezinhas coradas, afagou-lhe o cabelo, deitando as suas ideias cansadas naquele ombro feminino e consolador. O camelo assistia ruminando um panfleto de publicidade amarelo. Ela envolveu-o com os braços, acariciando-lhe o pescoço, e apertou-o…apertou-o com a força de asfixia, cravando-lhe as unhas na pele, até que o português tombou no chão desmaiado.
Lá ficou, sucessivamente …com a torrada na mão e o papel no bolso das calças, onde anotara as coisas que
tinha de se lembrar e as coisas de que não se podia esquecer.






Texto ainda não editado pela professora





segunda-feira, 12 de maio de 2008

A Religião como meio de fuga?


- Olá Maria, então como tem passado? Os filhos e os netos? Tudo bem?
- Ai Rosa, ando aqui com uma dor nas cruzes!
Este é um discurso muito comum à saída das missas todos os dias. A religião, que devia ser algo em que nos poderíamos apoiar nos momentos mais difíceis é, e sempre foi, uma fachada, uma fachada para grandes mentiras e extorsões de dinheiro.
Todas aquelas beatas, que não faltam à missa nenhum dia, dão dinheiro para a Igreja (pois, coitada da Igreja, que precisa de comprar isto ou de pagar ao padre...), não faltam a nenhuma festa, com toda a pompa e circunstância, com as brilhantes roupas (que só se usam nas festas) e aqueles cordões de ouro (trazidos pelos falecidos maridos de África), têm sempre o seu “podre” (algo que não querem que ninguém saiba), apesar de falarem sempre mal das outras suas colegas de banco de igreja e/ou das famílias delas. Como diz o velho ditado: ”Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho”. Mas este maldizer torna-se um ciclo em que, por trás, todos dizem mal deste e daquele, ou porque comprou um carro, e então já anda com negócios sujos, ou então, a bisneta da Alice (boa moça, vai ler à missa), que está grávida e não se sabe como (foi obra do Espírito Santo, é a nova Maria e vai dar à luz Jesus). Mas pela frente, todos se tratam por tias e por tios, ou então por Doutores ou Engenheiros (coitados, o máximo que têm é o 4º ano).
Mas o melhor de tudo, e que eu não consigo aceitar, é que, em pleno século XXI, a Igreja ainda seja contra o preservativo, apesar de toda a informação existente.

Na cadeia religiosa, comecemos por baixo: os Padres. Estes senhores que deviam espalhar a palavra de Deus, sem julgar o próximo, são os primeiros a “sugerirem” aos seus fiéis que contribuam para as despesas da igreja. Dinheiro que toma outros caminhos, tais como os chorudos ordenados dos padres e os bolsos dos “lambe-botas”. Mas, como há falta de padres, o melhor mesmo é entregar, a um padre, duas ou três freguesias. Como cada freguesia paga um ordenado ao seu padre, ele soma três ordenados como padre. Mas, como hoje em dia, toda a gente pode dar aulas, estes senhores padres ainda conseguem arranjar um “tachinho” numa escola privada para dar aulas como professor de Educação Moral e Religião Católica. Pois então façamos contas: um senhor padre com cerca de três freguesias e a dar aulas, chegará a contabilizar, no fim do mês, cerca de 3 mil euros, que deverá chegar para quem fez um voto de humildade e que deveria submeter-se a alguns sacrifícios.
Então subiremos na cadeia, por exemplo: bispos, arcebispos e companhia. Em Portugal, eles encontram-se todos concentrados em Fátima, o local mais sagrado de Portugal, onde todos os dias milhares de peregrinos deixam lá centenas de euros para pagar promessas (mas eu pensava que Deus não tinha conta bancária!!!). Quem faz promessas, faz as promessas a Deus. Mas depois esse dinheiro serve para erguer enormíssimas obras todas ornamentadas a ouro, mas que em situações de crise ou de tragédia, se fosse preciso abrigar pessoas, talvez esses locais não estivessem disponíveis.

Mas será que não seremos religiosos se não formos às festas dos padroeiros, às peregrinações e às procissões? Pois eu penso que a religião é algo interior. Cada um é devoto naquilo que acredita, sem precisar de o demonstrar perante os outros para que saibam que somos crentes. Nós devemo-nos sentir bem com nós próprios, não com o que os outros dizem de nós.



Cátia Bogas 11ºC

Vivendo e Aprendendo



Perante este tema tão abrangente e depois de uma terrível falta de inspiração, decidi deixar-me levar segundo a minha intuição.
Foi-nos solicitada uma crónica de costumes e, repentinamente, passou-me pelos olhos a imagem de cada um a criticar as suas próprias atitudes. Temos sempre tanto jeito para falar do que fazemos.
“Na crónica de costumes, deve haver uma reflexão sobre hábitos, atitudes e comportamentos das pessoas no quotidiano da sociedade em que se encontram. Deve haver um olhar crítico para as pequenas insignificâncias, que o são só na aparência, pois são relevantes na conduta social.”
Segundo a anterior definição, as pequenas insignificâncias são relevantes na conduta social. Pergunto-me se o facto de gostar de me vestir bem interfere na minha personalidade. Pois claro que sim! Ao sentir-me bem comigo própria, torno-me mais confiante e assim consigo viver melhor.
Só que, aparentemente, nem todos compreendem a minha posição. Pensam que não passo de uma menina mimada e fútil. A quem neste momento está a pensar nisso, pergunto se não gosta de se sentir bem consigo próprio. A minha filosofia de vida não é “agradar os outros”, mas sim “agradar a mim mesma”.
Não me importo de ser criticada, desde que haja fundamento e desde que a análise seja justa. Não aceito críticas de pessoas que fazem o mesmo que eu. O “olha para o que eu digo, não para o que faço” já é do tempo dos Afonsinhos. Criticar e depois copiar é mesmo do passado.
Àquelas pessoas que gostam de andar a cochichar pelos cantos, relembro que, facilmente, podem deixar de ser o juiz e passar a ser o réu. E quando a presa passa a ser o predador, ataca com mais garra do que nunca, e aí “caros críticos”, vocês vão saber a dor que se sente por andar na boca do mundo.
Apontar o dedo aos outros é fácil, olhar para o próprio umbigo é que é dificil. Cada vez mais, aumenta a gordurinha que o vai cobrir. "Fazemos vista grossa" ou tal como os burros, só olhamos em frente.
Mas, como já dizia Pope, "errar é humano". Todos somos humanos, logo todos cometemos erros. É normal, por vezes, gostarmos de entrar numa onda de comentários "fofoqueiros" e depreciativos, só porque não se gosta de alguém ou porque, simplesmente, se quer passar o tempo. Contudo, parece que nessas alturas nos esquecemos que aquelas "vitimas" têm coração, tal como nós.
Para vivermos em sociedade, de uma maneira amistosa, é necessário acabar com certos comportamentos. Não se preocupem com a futilidade que não mata nem corrói. Preocupem-se mas é com as intrigas e a falsidade adjacente às críticas.



Sara Vila-Chã 11ºC

Visão Negativista



Em pleno século XXI, Portugal não se encontra nas melhores condições económicas, comparado com muitos países da união europeia, mas comparado com países africanos e asiáticos, Portugal situa-se numa posição vantajosa.
Mas os portugueses não pensam assim. Sempre que os interrogam sobre o assunto, eles respondem que o país está numa desgraça, estou a falar da economia é claro.
Os portugueses nunca ficam bem no meio em que vivem, querendo sempre mais do que têm - continuará a ser a sua prioridade, só pensam em dinheiro e tudo que é de graça é bem-vindo.
Sendo assim, os portugueses nem que recebessem um salário do dobro do que recebem (salário mínimo), não estariam contentes e iriam reclamar.
Viver com condições portuguesas para uma pessoa africana é um sonho: ter dinheiro para uma casa, um carro, para a escola dos seus filhos, para comida e roupa é um luxo que eles não sabem o que é, hoje em dia.
Os portugueses, de tanto reclamar, podiam tentar encontrar as razões para o país estar assim. É que, na verdade, Portugal não se encontra com a sua economia firme, mas o porquê desta situação ninguém quer saber, apenas querem mais dinheiro e menos impostos.
Roubos ao povo, que ninguém vê, e que nem dá por esses roubos, que depois vão agravar a instabilidade da nossa economia [...]. Se os portugueses fossem pessoas esclarecidas, talvez o país não fosse controlado da maneira [não será: à imagem de...?] de quem o governa, mas sim da maneira do povo.


Bruno Pereira 11ºG

A Doença do Povo


Hoje, aqui estou eu, stressadamente sentada, roendo já as unhas, tudo porque penso, penso e chego a conclusão nenhuma. Já não sei o que pensar. Será que esta “doença” tem cura?
Grande parte de vós, senão todos, não faz ideia do que eu estou a falar. Pois bem, passo a explicar: não têm reparado que a nossa querida sociedade apresenta sintomas de uma “doençazita”? Nada de grave… Por agora! (Pois temo que, se os sintomas persistirem ou piorarem teremos, urgentemente, que consultar o nosso médico assistente.) Já se lembram que doença é? Não tem nome científico, mas é vulgarmente conhecida por “perda de valores”. Os sintomas são vários. O primeiro, e que eu considero mais grave, é a falta de educação. Os “novos pais” de hoje não sabem educar os seus ricos filhinhos. Não lhes dão atenção e, para compensar, também não lhes dão educação! Tem piada! Deviam saber equilibrar as coisas. Imaginem só que, aqui uns dias atrás, estava eu na praia quando, de repente, vejo um miudinho a atirar manadas de areia à mãe, ela no seu “amor de mãe” ria-se. Que feliz que estava…Por estar com os olhos cheios de areia! Não me espantará daqui a uns anos que este mesmo miudinho esteja a bater à mãe. Será que ela se vai rir nessa altura? Dantes não era nada disto, as crianças tinham educação e respeitavam os seus pais. Depois, há também a falta de civismo crescente. Um dia, vou eu a caminhar pela rua, e pimba!, fico com o pé preso ao chão. Que lindo! Uma pastilha elástica! Será que não há caixotes do lixo? Ou será que as pessoas perderam o sentido do que é ou não correcto?
Não nos podemos esquecer, também, do egoísmo das pessoas. Hoje em dia, as pessoas têm uma certa dificuldade em pensar nos outros. Querem as coisas sempre à sua maneira. É como se fosse uma cegueira geral em que cada um só se vê a si próprio. Terá isto cura? Estes são apenas alguns dos sintomas, e nem todas as pessoas os apresentam.
Não nos estaremos a esquecer do passado? Passado esse em que não havia estes sintomas, pelo menos, não nestas proporções? Será que, ao esquecer o passado, não estaremos a estragar o futuro? Será que comentários como “o povo português é tão amável e acolhedor” vão desaparecer no futuro? Temos uma doença. A questão é: haverá cura?


Bárbara 11ºB
11/05/08

Segundas intenções existem, não estivessemos nós em Portugal

Galegos, 9 de Maio de 08

Querido Daniel,

Estou a escrever-te porque sei que tu também tens um gostinho especial pela política, assim como eu. E então como estás, nos E.U.A.? poderemos comparar a política dos nossos países e vermos qual o país mais avançado em termos do governo.
Eu, muito sinceramente, acho que o governo não podia ter sido melhor eleito! Com o Sócrates a primeiro-ministro, Portugal evoluiu a olhos vistos, e todas as suas decisões foram as mais acertadas, pois fechou maternidades, criou uma avaliação de professores, baixou o IVA de 21% para 20% e está tentando diminuir o desemprego.
Vou começar por te falar da avaliação de professores, sendo esta uma das melhores, se não a melhor, criação do Sócrates e da amiga, pois assim “obrigam” os professores a darem boas notas para manterem o seu posto de trabalho. Terão de ter um grande amor ao seu trabalho para agora serem enxovalhados por toda a gente pois, caso contrário, despedir-se-ão e podem ficar com uma depressão. Mas o que realmente Ele (escrevo com letra maiúscula, pois ele é como Deus) quer é que ninguém que vá para a universidade siga o ensino, para depois o governo poupar dinheiro nos subsídios de desemprego, e quando já não houver professores irá acabar com a avaliação de professores e estes ganharão outra vez a dignidade que está perdida!
Mudando de assunto, Ele e os seus amigos, numa das suas festas que toda a gente pode ver na televisão, decidiram fechar maternidades onde nascessem menos de 1500 crianças (a de Barcelos foi uma delas, porque só nasceram 1450) e agora existem crianças que nascem em ambulâncias. Fechar maternidades está correcto, pois assim irão ser compradas mais ambulâncias em boas condições (mas em 2ª mão) com o dinheiro que se poupa nos médicos e enfermeiras que assistem aos partos, conseguindo assim poupar muito dinheiro.
Por falar em dinheiro, e antes que me esqueça, o IVA vai baixar de 21 para 20%, mas os preços dos produtos irão continuar iguais pois os comerciantes não estão para ter trabalho. O governo fez bem em baixar o IVA, pois os comerciantes pensam que irão ganhar mais dinheiro, mas estão enganados: como irão ganhar mais dinheiro, terão de o declarar, por isso também mais vai ser o dinheiro que irão de entregar ao Ministério das Finanças e é como se o IVA continuasse a 21%.
Depois, como os comerciantes não vão ter grande lucro, irão para o desemprego. E a verdade é que Sócrates tem conseguido baixar o desemprego... como, ninguém sabe, mas eu desconfio de alguns métodos: como agora todos vão trabalhar para Espanha, o desemprego diminui e assim até o défice, pois não gastam dinheiro em subsídios de desemprego. Como se espera tantos anos por uma consulta médica, os doentes vão para Cabo Verde serem curados e, depois, como já vêem, não querem voltar para este país sem encanto visual e ficam por lá, ou então morrem antes da consulta e já não se tem de dar, todos os meses, as reformas e o dinheiro do estado é maior.
Vou-me despedir, pois por hoje já te disse tudo, espero por uma resposta tua.
Abraço da tua amiga

Soraia

P.S. - Em anexo envio-te um cd com umas coisinhas muito giras para nunca te esqueceres do meu ídolo!

Discurso com Tradição


Caso me elejam para presidente, não se irá pagar portagens e não se irá subir os impostos neste país. Vou falar verdade, não aumentarei os impostos.


Estes discursos são de políticos do nosso país. São todos executados com convicção e em voz bem alta (penso que alguns não sabem que o microfone está ligado, ou, então, é para pôr medo a quem escuta, ou ainda para impingir respeito, mas cá a mim não me assustam nada…)
Mas até que ponto estes discursos são confiáveis e verdadeiros? Penso que os bons discursos, que imprimem segurança e confiança, já se extinguiram muito tempo. Formou-se uma tradição [moda? tendência?] em volta dos discursos à qual parece que ninguém quer fugir e quer perder essa tradição.
Criaram-se leis e critérios a seguir, a que nenhum político, nenhum senhor que se diga “político”, quer fugir. Pela minha visão de discurso, uma delas deve-se prometer e fazer “figas” para depois a “cara de pau” ser menor e não lhe pesar tanto na consciência. Outra... bem confesso, não sei, até porque quando vejo estes discursos, acabo por adormecer, apesar dos berros, porque muito sinceramente parece-me que nunca mudam de assunto. E toda a gente sabe que estar sempre a ouvir do mesmo, cansa. Até deve ser mesmo esse o objectivo e, confesso, que o atingem comigo.
Todas estas leis parecem ser “cumpridas à letra” por todos os políticos, (devem ter medo das consequências do não uso). Para todos é uma grande tradição que não se pode extinguir, pois até seria um pecado tal acontecimento.
E mais, para acabar as leis do discurso é fácil ter a verdadeira concretização das promessas, [?] não é verdade?
Cá com os meus botões, as esperanças não são as melhores, este costume vai continuar por muito tempo. E claro, sempre em voz alta, melhor, quase aos gritos…
Resta só questionar, será que as pessoas continuarão a acreditar, a crer nestas caras e ricas palavras dos nossos excelentíssimos políticos?



Letícia 11ºC nº12

A fé e o poder


Na sociedade em que vivemos parece já não haver respeito pelas diferentes opiniões de cada um, se é que alguma vez houve, e daí resulta a estranha crueldade que se está a acumular e, realmente, é difícil de perceber como é que o Homem consegue possuir tanta crueldade. E que faz questão de partilhar com pessoas inofensivas.
Esta brutalidade humana começa a alastrar-se por todo o lado. É um facto. Difícil de aceitar, mas não deixa de o ser. E as pessoas recorrem à fé para se refugiarem destes factos. Mas será que a fé resolve estes problemas, controlando o mundo agressivo que se está a formar?
A igreja já cometeu imensos erros no que diz respeito à justiça, o que desencadeou muitos conflitos. E os grandes culpados são os comissários da fé. Estes estão a provocar uma grande alteração na religião, que começa a entrar numa fase em que está a perder o devido valor. Deviam dar o exemplo perante os cristãos, mas não. Apenas enriquecem à custa da inocência daqueles que acreditam. Mas têm poder… E isso muda tudo.
O catolicismo está a tornar-se muito superficial. Para que motivo as igrejas são praticamente revestidas a ouro? Para ficar mais bonito? Por muitas respostas que apareçam, nenhuma consegue justificar estas pequenas barbaridades de grandes consequências, pois poderiam fazer a diferença em locais desfavorecidos.
E tudo permanece em volta do mesmo. Tudo precisa de uma explicação, mas nem sempre é possível, e não há muito que possamos fazer.
A verdade das coisas pode permanecer no desconhecido.


Daniela 11ºC nº7