quinta-feira, 8 de maio de 2008

Uma sociedade científico-tecnológica


O forte desenvolvimento da ciência e da técnica permitiu um enorme progresso na nossa sociedade, provocando também uma imensa dependência por parte da humanidade perante a ciência e a técnica. Este desenvolvimento tem o seu lado bom, mas também tem o seu lado mau.

É certo que, por um lado, o aperfeiçoamento científico-tecnológico proporcionou um maior conforto à sociedade, contribuiu para o [x] aparecimento de uma melhor qualidade de vida a nível de saúde, higiene, etc, e possibilitou a existência de uma previsão e de um controlo de alguns fenómenos através do seu estudo. No entanto, temos que ver que este progresso também permitiu um aumento da capacidade destrutiva dos aparelhos militares, causou um grande impacto ambiental, instruiu [?] uma falta de respeito pelos direitos humanos em prol do avanço científico e fez com que se utilizassem conhecimentos potencialmente para fins errados. Será que a ideia de que a natureza está ao serviço do homem comporta riscos? Será que a ciência perdeu o seu carácter romântico de contribuição para o progresso da humanidade? Será que o poder tecnológico existente nos nossos dias conduzirá à sua destruição?

O facto é que a [x] maioria da nossa sociedade, infelizmente, pertence ao senso comum [?] e não se preocupa com as questões acima referidas. Sendo que estas pessoas consideram a ciência e a tecnologia o belíssimo futuro dos nossos tempos, esquecendo-se que a ciência e a tecnologia também podem ser a nossa destruição. Mas os cientistas também não podem fugir a este problema, antes pelo contrário, eles têm que pôr a mão na consciência e perceberem que este enigma também lhes pertence. Em vez de aplicarem os seus conhecimentos nos fins errados, eles têm que se preocupa em descobrir tudo o que há para descobrir e experimentar tudo aquilo que pode ser experimentado.

Tudo tem limites!



Henrique Ferreira, 11º C

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Forester, o Forasteiro




Sir William Forester nasceu no seio de uma família tradicional inglesa, conhecida pela sua determinação, coragem e destreza. Não era uma família abastada, contudo, ajudava sempre os mais necessitados e lutava sempre contra as injustiças.
Forester herdou os traços dos seus antepassados e, durante muitos anos, esteve ao serviço da Família Real. Chegou mesmo a ver ser-lhe atribuído pela Rainha o título “Sir”, pelos serviços prestados à nação.
Aos trinta e três anos decidiu abandonar o seu país e ir à descoberta de novos territórios.
Comprou um balão a ar quente e lá foi ele, subindo por entre o nublado céu de Inglaterra.
Passaram-se meses e meses até que Sir Forester decidiu parar. Parecia-lhe uma bela zona, aquela. A paisagem era magnífica. Via as vivas águas dos rios a moldarem os vales de velhas montanhas. Olhava mais para Este, e via as ondas do mar azul a bateram no vastíssimo areal coberto pelos doirados raios que o sol não se cansava de irradiar.
Decidiu parar, era o local perfeito!
Durante toda a viagem sonhou o dia do seu desembarque, no qual todos os habitantes locais o iriam receber com popa e circunstância, como um verdadeiro “sir” merece!
Estávamos a três de Junho, Forester decidiu, então, fazer um diário sobre a sua estadia naquela terra sedutoramente desconhecida.

3 de Junho

“Pisei pela primeira vez o solo da minha nova terra!
Foi estranho… o zunzum das pessoas a andarem de um lado para o outro não foi quebrado com a minha chegada. Parecia fazerem de mim mais um deles. Realmente, o plano anatómico não era muito diferente… Mas não, eu não me sentia como tal!
Andavam cabisbaixos, pesarosos, pareciam preocupados.
Talvez por isso não me tenham dado a devida atenção e feito o festim de que estava à espera, tinham mais com o que se preocupar.”

10 de Junho

“Tenho tentado aproximar-me destes seres. Tem sido difícil, mas já consegui fazer um amigo, é o senhor José Alfredo.
A língua tem sido um entrave à comunicação, mas já percebi que é um bom ser humano. Vive com a sua companheira e as duas crias [?]. Trabalha desde que o primeiro raio de luz surge até que o último se despede. É baixo, barrigudo e um farfalhudo bigode salienta-se por entre os seus lábios, quase sempre molhados pelo bom vinho da zona.
Perguntou-me se queria ficar hospedado na sua casa. Eu aceitei.
É pequena, humilde, sem luxos. Está cheia de retratos familiares e há galos em tudo o que é sítio, vermelhos, amarelos, azuis. Deve ser uma tradição local…”

8 de Julho

“Estou a pensar sair de cá de casa, o ambiente está pesado. Não há dia em que não adormeça com os gritos do Alfredo e da companheira. A razão é sempre a mesma, dinheiro, papel, graveto ou lá como eles lhe chamam.
Nas ruas todos se queixam do mesmo. Queixam-se dos poderosos, dizem que trabalham e que, o que recebem, não chega para dar de comer aos filhos.
Não consigo continuar a ver isto, as pessoas envelhecem a cada dia, estão sem esperança.”

18 de Julho

“Chega! Cansei-me! Não aguento mais tais injustiças. Vejo miseráveis a morrerem a cada dia para porem um bocado de pão em cima da mesa, enquanto que os responsáveis políticos dizem que está tudo bem, cada vez melhor!
Querem mostrar trabalho com novas medidas teoricamente milagrosas mas que na prática fazem com que a pátria se afunde cada vez mais.
Estou a organizar uma manifestação!
Está a ser difícil, os habitantes têm medo, mas eu tenho-os convencido. Algo tem de mudar.”

23 de Julho

“As faixas estão prontas. São enormes, do fundo negro eleva-se o vermelho da ira das palavras de luta e de revolta..
Faltam poucos dias, são centenas aqueles que me têm ajudado e milhares aqueles que me telefonam a marcar presença na “Grande Manifestação”.”

26 de Julho

“A manifestação foi um fiasco. Éramos meia-dúzia.
Os prometidos milhares tinham recebido, na véspera, visitas pouco amistosas.
No dia seguinte, tinham ficado com dorzinhas na garganta e cabeça, diziam eles.
E o pior não foi isso.
O Alfredo bateu à porta de minha nova casa pouco depois de termos rodopiado as bandeiras da indignação junto à praça da cidade.
- Fui despedido - disse ele com as mãos aterrorizadas presas à cabeça. - Fui despedido, o que vou fazer?
Não soube o que dizer. À medida que ele ia falando do filho que teria de deixar a escola e ir trabalhar, da filha que não poderia ser advogada como sempre sonhou, da mulher que não parava de dizer que a culpa tinha sido daquela “manifestaçãozeca”, as lágrimas caiam. Caiam na minha face e no bigode farfalhudo do Alfredo.”

27 de Julho

“Acordei decidido a contar a toda a gente as represálias anti-democráticas a que o Alfredo tinha sido sujeito.
Fui para cima da cadeira do café “Central” e declamei em alto e bom som palavras de indignação e revolta contra o regime absolutista e ditatorial vigente.
Não houve palmas, assobios, muito menos gritos de apoio. Pelo contrário, à medida que as palavras iam saindo vigorosamente da minha boca, um langoroso silêncio ia invadindo o café.
Passados alguns minutos ali estava eu, sozinho em cima duma cadeira. Desprezado!”


4 de Agosto

“Estou mal! Por todo o lado sou evitado, ao verem-me as pessoas atravessam a rua. Parece que sou eu o causador da sua miséria.
Até o Alfredo não me visita mais. Parece que após muitos dias de apelo à extrema bondade do patrão conseguiu reconquistar o emprego de que sempre se lamentou.
Hoje, antes de vir para casa, já noite, passei por casa dele. Os gritos e discussões continuam, parecem estar ainda piores. Mas, pelo menos, a filha voltou para a escola. O filho não, trabalha agora com o pai. Não recebe muito, mas sempre dá para ajudar em casa e comprar uma roupita nova no final do mês.
Decidi não entrar, não seria bem-vindo. Afinal, tinha sido eu o causador da perturbação pontual naquela boa vidinha da família.”


30 de Dezembro

“Tenho andado sozinho, a vaguear por entre as ruas da cidade, observando estes seres cabisbaixos a quem eu, um dia, lhes tentei levantar a cabeça.
Continuam cabisbaixos e pesarosos, vivendo, ou deixando-se viver à mercê das linhas tortas por Ele irremediavelmente traçadas. Afinal foi a que Ele lhes deu e nada podem contra isso…”


Forester descobriu assim Portugal.
Um país pequenino “à beira mar plantado”, preso nas suas gloriosas raízes que, ao longo dos tempos, se esqueceu de desabrochar.





Tânia Daniela Falcão, 11º B

A Verdade Inconveniente



Será que ainda nos podemos chamar de portugueses? Todos os nossos valores, costumes e tradições têm-se aglomerado como uma bola de pêlo, sendo expelidos pelos portugueses como se deles não fizessem parte. Não quero estar a referir nomes, mas a culpa disto tudo é das bandas de cera ultra-suaves.

Todo o português, na sua estabilidade social e tradicional, tem as suas tardes de domingo ocupadas com os festivais folclóricos, em que participa o folclore onde dança a sua filha, guincha a sua mulher e segura na bandeira o seu filho. No recinto junto ao palco onde irá realizar-se o festival, estão todos os espectadores prontos para verem entrar os seus ídolos. Contudo, é também habitual, no banco de pedra mais longe do palco, estar as visa-avós (nome que lhes é dado por funcionarem como cartões de crédito para os netos) sentadas a discutir de quem seria a missa de trigésimo dia que se iria realizar na terça-feira (que eu aposto que era do senhor Clementino da Serralharia que morreu atropelado por uma bicicleta).
Todo este ambiente era habitual até ao dia em que, surpresa das surpresas, o banco jamais sentado por qualquer outra pessoa que não as visa-avós, estava vazio. Onde estão as velhas? Perguntavam as pessoas todas preocupadas. Foi aí que começaram as buscas intensivas pelos 20m2 de romaria, e só quando entraram no tasco do Hernâni é que se pôde constatar com as 6 mature women a ver tardes da Júlia que, por incrível que pareça, este domingo havia um episódio especial. Todos ficaram de boca aberta, mostrando os seus 32 dentes definitivos, quando viram todas aquelas senhoras sem um pelo branquinho dos seus anteriores buços, todas com um rosto que parecia pele de rabinho de bebé. Mas o que é isto? Portugal está perdido! A sua característica mais conhecida mundialmente foi meramente pelos égouts.
A vontade de viver em Portugal está a escassear em mim. Todos os costumes que eu admirava estão a desaparecer. Outro dia apareceu nas notícias um senhor que estava no aeroporto Sá Carneiro sem o seu garrafão de vinho das Quintas do Douro, deu também que descobriram uma casa de banho pública limpa e um arroz de cabidela sem sangue. Mas onde iremos parar? Não são as alterações climáticas que vão acabar com o mundo, é a perda de tradições. Isto sim é uma verdade inconveniente! Pouco a pouco podemos dizer au revoir a Portugal. Pouco falta para quebrarmos outra tradição e aparecer um político honesto em Portugal.

Será possível Portugal perder todos estes costumes e tradições impunemente? Hum, não me cheira.



Luís Loureiro, 11º B

terça-feira, 6 de maio de 2008

Para Eça...


Barcelos, 27 de Abril de 2008


Querido Eça…
Então como vais, amigo? Espero que bem. Comigo está tudo bem. Estou a escrever-te [x], primeiro, para te dar os parabéns pela tua obra. Segundo, para te contar o estado lamentável em que se encontra a nossa sociedade no que toca à classe política.

Na tua obra é notório vislumbrar [é notória/vislumbra-se claramente]a corrupção política. Os homens do estado utilizavam o poder político para seu próprio benefício. Também é de realçar a influência negativa que estes exerciam sobre a comunicação da época manipulando de forma inequívoca a opinião pública. O jornalismo, por exemplo, era uma profissão ingrata, já que não lhes [x]era permitido relatar a verdade dos factos sem que fosse revisto, fazendo uma espécie de censura a todo o trabalho escrito.
Hoje, continuamos a assistir a manobras de bastidores, favores políticos, ilegalidades e todo um conjunto de acções à margem da lei. Como exemplos recentes temos a Fátima Felgueiras, (Presidente da Câmara Municipal de Felgueiras) e o famoso saco azul de Avelino Ferreira Torres (ex-Presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses), com processos em tribunal por crimes cometidos.
Nunca, aqui em Portugal, a classe política [x] tão desacreditada como agora.Era [Seria]óptimo dizer-te que os nossos problemas ficam por aqui, mas a verdade é que isto é apenas o começo. Para a próxima, escrevo-te sobre a religião, porque que é um assunto que também aprecias.


Abraços da tua amiga,
Inês Fernandes





Inês Fernandes, 11ºG

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Mentalidades Programadas


A televisão, para além da componente lúdica, devia ter também um papel preponderante na formação dos cidadãos, com programação adequada, mas o que se observa é, precisamente, e em muitos programas, o contrário.
Na verdade, estão a ter um papel preponderante, sim, mas na formação de uma sociedade cada vez mais ignorante, violenta e completamente indiferente aos valores morais. Valores fundamentais, como a solidariedade e o humanismo, não constam da preocupação de quem elabora a programação dos canais da televisão portuguesa (salvaguardando os canais em que o interesse primordial não é fazer subir as audiências).
Programas que, em vez de formar, deformam; em vez de divertir, violentam; em vez de educar, embrutecem; em vez de respeitar as mais elementares regras de civismo, verifica-se o desrespeito, o achincalhamento; em vez da qualidade, preferem a vulgaridade.
Outra contribuição negativa é o apelo ao consumismo desenfreado, que a televisão exerce, através da publicidade, a qual em nada favorece os mais influenciáveis e os economicamente mais débeis.
Até o telespectador que opte apenas por ver o telejornal, está sujeito a uma “overdose” de publicidade!
Sobre a violência, dir-se-á que a televisão está “obcecada” em minimizar aqueles que são os valores essenciais para a coexistência humana, ao recorrer cada vez mais a cenas de violência, de sangue, muito sangue. Actualmente, raros são os filmes ou séries em que não haja carros a explodir, casas a ir pelo ar entre outras cenas lamentavelmente exibidas em horários nobres. Sim, porque programas de qualidade, apesar de poucos, regra geral, são transmitidos a horas impróprias, quase sempre para além das 24 horas.
Contudo, para além do excesso de violência, de telenovelas e de programas sem qualidade, há ainda a referir os inúmeros profissionais a precisarem de um estudo exaustivo da língua portuguesa para que, durante aquele que supostamente é um programa destinado à divulgação de informação, não surjam expressões como: “É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos!” ou "O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vitimas."
Ainda acerca da violência, nem os programas destinados aos mais jovens, escapam a esta onda. Séries, onde se ouvem inocentes expressões como: “Vou-lhe partir a boca toda” ou “Esmaga-o até que os miolos lhe saltem pelas orelhas”. Efectivamente, a televisão portuguesa está a criar todas as condições para que esta e as gerações futuras sejam muito ternurentas…
Depois, existem ainda, com o objectivo de aumentar as audiências, a enxurrada de telenovelas brasileiras, especialistas em veicular contravalores, contribuindo assim para desorientar as pessoas menos preparadas, que destituídas de sentido crítico, deturpam a realidade.
Assim, a televisão, que podia ser um veículo transmissor na consolidação dos nossos costumes e, simultaneamente, contribuir para o reforço dos valores morais, é antes um tanque de guerra que por onde passa, quando não destrói, danifica.



Sara Carreira 11ºG

Uma realidade imaginada


Numa louca cidade do litoral de Portugal vivia um casal perfeito, com muito, muito dinheiro, uma grande mansão e três filhos lindos!
Eram uma família magnífica, viviam todos felizes e contentes: nunca se viam. A mamã passava a vida em shoppings a experimentar Louis Vuitton, Prada, Gucci, Chanel, Dior, Armani, etc. Nunca comprava nada por menos de 100€. O papá era um workaolic levado aos extremos. Os filhos passavam a vida em discos a gastar o dinheiro dos papás (ou melhor, do papá!) em copos e “amigas”.
Num dia igual aos outros, os papás saíram para os seus “trabalhos”, enquanto os filhinhos chegavam a casa de uma cansativa noite.
No caminho para o shopping, a mamã cruzou-se com um sem-abrigo que “vivia” num jardim perto do novo “aliviador de stress” da zona. O sem-abrigo, ao ver uma bela senhora tão abastada, decidiu pedir-lhe uma moedinha, pois não seria difícil para ela ajudá-lo. Mas essa bela senhora decidindo ignorá-lo, ou melhor, fugir dele, com os seus pezinhos de lã, sem perder a postura. O sem-abrigo, indignado, gritou-lhe:
– Não deve ignorar os que lhe pedem ajuda, pois se algum dia precisar, ninguém estará por perto para a apoiar.
A mamã, com a sua fininha voz, num tom baixo para ninguém se aperceber que ela estava a falar com aquela criatura, respondeu:
– Não necessito de ajuda de ninguém, nem NUNCA hei-de necessitar.
E foi embora com o ar superior que todos se habituaram a ver.

Cerca de um ano depois, de madrugada, de regresso a casa, os três meninos, no Porche do mais velho, ouviam música house em altos berros, por causa da chuva e para não adormecerem devido à bebedeira, despistaram-se e caíram de uma ravina, acabando por falecer os três.
De manhã, o papá, ao estranhar a ausência dos seus “meninos de ouro” para pedir dinheiro para as propinas da universidade que andavam há anos para concluir, foi perguntar à mamã se sabia deles, mas vendo que ela não lhe ligava nenhuma, pois estava mais preocupada em escolher a mala azul ou a preta, ordenou ao mordomo da mansão para mandar os seguranças procurarem os meninos.
Nessa noite tudo mudou.

Ao descobrirem a morte dos filhinhos, os papás entraram em choque. O papá estava enterrado na sua poltrona, calado, não conseguia pensar em trabalho. Por outro lado, a mamã estava histérica, amarrada à roupa dos filhos. Toda despenteada e pálida virou-se para o marido e guinchou:
– A culpa de os nossos ricos filhinhos não estarem aqui neste momento vivos e felizes, não é deles, não é minha, mas tua, TUA! Tu é que sempre lhes facilitaste a vida: deste-lhes sempre dinheiro, roupas, carros, tudo o que queriam, nunca tiveram que se esforçar para saber o que custa a vida!
Este, ao ouvir tamanha blasfémia, gritou:
– Tu não és ninguém, NINGUÉM, para dizeres que os meninos não sabem, ou não sabiam o que custa a vida, pois gastas mais num dia que os três justos numa semana!

Pediram o divórcio. Antes de se iniciar o processo em tribunal, a mamã, ao tentar ficar com uma elevada quantia de dinheiro do marido, contratou um advogado. Por coincidência, o advogado era irmão de um homem que tinha pedido um empréstimo à família e, não conseguindo pagá-lo, a rica família confiscou-lhes os bens deixando-os na miséria. Tentando se vingar, o advogado disse à mamã que a iria ajudar e que encontraria algum documento que deixasse o papá sem nada!
Por sua vez, o papá contratou uma advogada, já com alguma idade, que lhe garantiu que a sua esposa teria algum podre e ela não tinha o direito de ficar com aquilo que aquele honrado senhor conquistou com esforço e dedicação.
O processo de divórcio iniciou-se. Durante aqueles dois meses, descobriu-se tudo: a advogada do papá chamou a depor o seu filho, melhor dizendo, o amante da mamã com quem ela gastava rios de dinheiro. Vendo que estaria prestes a perder o processo, o advogado da mamã, decidiu apresentar ao senhor Juiz os documentos que provavam que toda a riqueza do papá se devia a fraude! Emprestava dinheiro aos mais pobres e depois exigia que lhe pagassem com juros elevadíssimos, que não declarava ao fisco, e depositava numa conta na Suíça.
A sentença foi clara: o papá foi condenado a 3 anos de prisão por fraude e fuga ao fisco e teria de pagar as dívidas ao Estado, sendo-lhe confiscados os bens materiais. A mamã conseguiu o divórcio, mas ficou sem nada, pois a casa estava em nome do papá. Teve que ir viver para a rua.

Dois anos passados, estava a mamã sem nada para viver e vendo um senhor a passar decidiu pedir-lhe algum dinheiro para comer. Estendendo uma nota de 100€ o senhor perguntou:
– A senhora era aquela mulher casada com um senhor que enriqueceu a roubar os mais pobres, não é? – vendo a senhora assentir, prosseguiu – pois é, eu lembro me de si: pedi-lhe uma mísera moeda e a senhora disse que nunca precisaria da ajuda de ninguém. Pois eu precisava e ajudaram-me e agora estou aqui, disposto a ajudá-la. – virando costas olhou para trás e acrescentou – Nunca diga nunca.



Ana Filipa
11ºG

domingo, 27 de abril de 2008

Ensino Público ou Ensino Privado


Será uma questão de poder promover um futuro melhor aos seus filhos ou apenas porque é mais chique? Estamos no início do século XXI e tantas mudanças, a vários níveis, aconteceram relativamente à década de 1990. Senão vejamos: quantas crianças, em idade escolar, tinham, naquela década, acesso às canetas coloridas, às mochilas mais fashion ou, até mesmo, às mais actuais tendências na maneira de vestir?
Talvez aquelas que tinham familiares no estrangeiro e nas férias do Verão recebiam, como presente dos padrinhos, uma grande caixa de marcadores de todas as cores ou uns cadernos que eram o último grito em Paris. À excepção destas, só mesmo aquelas crianças com sangue azul a correr-lhes nas veias é que usufruíam daqueles grandes luxos. Felizmente, nos nossos dias, isto já não acontece. Hoje, aqueles grandes luxos tornaram-se objectos banais que ninguém dispensa, mas, também, são poucos os que lhes dão muita importância.

Mas o ensino não sofreu evoluções apenas neste sentido. Digamos que, para uma boa percentagem dos portugueses, as condições económicas melhoraram bastante nos últimos anos, logo o ensino para estes “novos-ricos” não se baseia, apenas, em adquirir aqueles objectos “tão importantes”, mas sim em poder frequentar as melhores e mais caras escolas, ou seja, as escolas privadas. E os pais, “tão queridos”, que tudo fazem para dar a melhor educação aos seus filhos, decidem “depositar” os meninos em colégios privados, porque estes, para além de fornecerem melhores ensinamentos, estão, de certeza, muito bem cotados na sociedade, transformando os meninos em meninos bem. Portanto, e derivado aos factos apresentados, uma proliferação do ensino privado, nos dias que correm, seria inevitável. Deste modo, a sua procura tornou-se cada vez mais acentuada, mas, ao mesmo tempo, mais restrita.

Não quero, com isto, dizer que seja uma situação negativa, pois acho que toda a gente concorda quando se diz que os pais só querem o melhor para os seus filhos. Mas o que está realmente, aqui, em causa é o estigma que se criou acerca das escolas públicas. Estas, sim, já estão rotuladas há algum tempo, porque são obrigadas a receber “todo o tipo de alunos” que, quer queiramos quer não, provocam grande instabilidade não, apenas, dentro das salas de aula, mas também em toda a envolvente dessas escolas, tornando-se, a este nível, numa questão social.

Ora, para as pessoas bem este tipo de situações está fora de questão. O que diria a doutora X ou o Sr. Engenheiro Y se soubessem que os filhos frequentam escolas públicas!
Em jeito de síntese, parece-me correcto afirmar que, actualmente, as escolas privadas foram criadas para aqueles que, de certeza, serão cidadãos exemplares, à imagem dos seus progenitores e por isso não estão ao alcance de qualquer um. Para os outros existem as escolas públicas. Mas será que é isto mesmo que acontece? Será que o conforto económico-social é sinónimo de uma educação modelo ou de um futuro promissor? Ou será que esse conforto económico também abre a porta a alguns dos “inimigos” da sociedade?



Sofia Raquel Pereira
11ºE

sábado, 26 de abril de 2008

País (in)feliz



Hoje em dia vivemos numa sociedade onde predominam pessoas endividadas até ao pescoço que passeiam os seus BMW e Mercedes, e os devotos fiéis que dizem “Ámen!” a tudo o que provenha de alguém que transmite mensagens da entidade superior e transcendente, o divino.
Quando passeamos pela rua, ou de carro, somos surpreendidos, ou não, por uma grande quantidade de carros que, não há muitos anos, eram considerados os carros que pertenciam aquelas pessoas mais abastadas. No entanto, nos nossos dias, muita gente quer ter aquilo que não pode, não estando apenas a referir-me aos carros, como também às casas e a outras coisas que deveriam ser “objectos” essenciais e não acessórios para expor ou tirar fotografias e colocar numa capa de revista, para poder competir com as tias de Cascais, de quem se dizem “amigos”. Tendo, por isso, surgido a classe dos novos-ricos, cuja definição deverá ser: pessoas que se encontram endividadas ou têm uma fábrica, que até lhes dá algum dinheiro e querem logo gastar em coisas que apenas servem para esconder o seu interior, ou para angariar supostos amigos com algumas posses, que não se relacionam com pessoas que não sejam da sua classe.
Outro problema da nossa sociedade reflecte-se, principalmente, na zona interior do nosso país. Se nós, do litoral, dizemos que o nosso país está parado é porque nunca olhamos para as aldeias onde há desertificação e a morte surge em cada esquina. Podemos também falar em retrocesso, pois desde os tempos de Salazar, a máxima defendida pelo país não é “Deus, Pátria e Família”, mas segue-se à luz (?) de não olhem para o que eu faço preocupem-se apenas com as vossas famílias e em ir à missinha ao domingo, que eu destruo o resto.
Pois é, em muitas aldeias do século XXI ainda não chegou a água, quanto mais a televisão, para permitir que as pessoas possam abrir um pouco a sua mente e não acreditar apenas no que o senhor padre diz, uma vez que ele é a única fonte de informação, que não permite a transmissão de 1/3 da informação que a nossa televisão pública permite.
Não critico directamente essas pessoas, que vivem isoladas do nosso mundo, acredito até que sejam muito mais felizes assim, do que a assistirem à desgraça que assola o mundo, onde só se vêem guerras, mortes, violência arbitrária, insegurança, terrorismo - Critico, sim, aqueles que não permitem que a informação lhes (?) possa chegar, porque lhes é mais conveniente, porque lhes convém a existência de um grande número de pessoas ignorantes e analfabetas, pois são mais fáceis de manipular.
Eu interrogo-me como é que é possível, em pleno século XXI, considerado século de avanço, não só tecnológico como também das sociedades, existirem mentes tão retrógradas e tão fechadas como as da grande parte dos portugueses.
Como é possível a existência de pessoas que acreditam que aquilo que mostram ter e ser é mais importante do que aquilo que realmente têm e são? Como é que ainda há pessoas que aparentam ter umas palas idênticas aquelas que são usadas nos cavalos que não permitem ver para os lados e apenas permitem seguir em frente com as suas convicções ultrapassadas pela modernidade? Temos um país que vive de aparência e não consegue encontrar o seu rumo, apesar da grandeza do passado ter traçado a predestinação para a glória que continuamos a aguardar. Só com uma vontade colectiva forte conseguiremos vencer.



Melânia, 11ºB

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Catarina de meu nome


Verdes ceifeiras

Voejam pela colheita
do meu campo.

Mãos sob pele enrodilhada
Calos nos ossos, fronte suada,
Apertam o Cabo!

O Sol seca o canto da água
que não passa,
já não verte
Terra quente que o pó aquece
( o mesmo pó donde se ergue
o mais comum dos eternos).

Velhas ceifeiras...

Ardem-lhes os olhos
-Será o pó?
...são os mortos.
Pesam-lhes nas costas
E nas rugas ásperas;
Vede como são profundas,
como são amargas!

Consintai, ó ceifeiras,
que seja vingada a sua vez.
Porque pede, de nome Catarina,
que lhe cortem os pés,
que lhe ceifem a vida!