quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Os "pegadores" de hoje

Actualmente, o oportunismo não toma grande destaque, pois já estamos tão habituados a ser explorados, quer directamente ou indirectamente, que nem damos conta disso. Quer na publicidade, quer no comércio, quer nos tribunais ou, ainda, quer os que “se dizem de amigos” se aproveitam das pessoas.
A publicidade, como já sabemos, usa técnicas diferentes para nos persuadir a comprar determinado produto. E o mesmo acontece no comércio, pois as pessoas usam a ignorância dos outros para os convencer a gastar dinheiro numa “quincalharia” qualquer. Quando chegam a casa é que reparam que determinado objecto está estragado e não funciona. Já nos tribunais, a coisa não é bem a mesma, pois em vez de serem só os juízes a aproveitar-se do suborno, agora os advogados também o fazem. Na nossa escola, ou fora dela, os nossos supostos amigos também tiram sempre partido de qualquer coisa. Por exemplo, quando estamos perante um bom aluno e o vemos rodeado de pessoas, antes de entrarem para a sala onde vão fazer teste. Sim, essas pessoas estão a aproveitar-se para copiar o que o “estudioso” esteve a fazer em casa, mas se for preciso, depois das aulas, são capazes de gozar com ele a “torto e a direito”. Mas como diz a minha mãe: “Deus não dorme!” e mais tarde ou mais cedo acabam por cair.
Não tarda nada, vem à televisão um doutor/cientista/investigador/político que pinta uma mancha preta no produto que a publicidade ou até os comerciantes tentam vender. E o mesmo pode acontecer aos juízes e advogados, no dia em que se sabe que eles se aproveitaram do facto de alguém lhes ter dado dinheiro. E nem é necessário referir os supostos amigos, pois esses não chegam a lado nenhum e, se for preciso, continuam na escola durante uma data de anos até perfazerem o ensino obrigatório.
Assim, mais vale sermos humildes e fazermos a nossa vida a partir daquilo que somos e não a partir daquilo que os outros são.

Os Nossos Amigos!

A nossa vida, neste mundo globalizado e tecnológico, é marcada por aquilo que fazemos, aquilo que ganhamos, aquilo que viajamos e, sobretudo, por aquilo que trabalhamos.
De facto, a competitividade no trabalho tem vindo a subir e tende para atingir valores ainda mais elevado, com o crescimento demográfico. Por isso, não estranha que nos dias de hoje haja tanto cinismo e oportunismo nas nossas vidas, Este é um problema real que resulta de uma parcial inexistência de valores, já que a ambição, essa abunda! Ora, então, quando vemos homens poderosos podemos concluir que têm muitos "amigos", porque actualmente é isso que a amizade significa. Digo isto por saber que na realidade é assim. Pessoas com influência que, de repente, viram suas vidas virar-se do avesso pedirem auxílio aos seus "amigos" sem serem correspondidos é actualmente um acontecimento comum.
Por essa razão é preciso fazer uma selecção dos amigos. Mas afinal, o que é um amigo? Alexandre O' Neil dizia que um amigo é uma descoberta constante e um anónimo dizia que um amigo é aquele que nos completa e nos torna inacabados ao mesmo tempo.
Estas sim são definições cabais para amizade, porque a amizade vê-se nas acções tomadas, Isto também pode servir de exemplo àqueles que se aproveitam da ingenuidade e se apresentam como amigos, porque podem depois sofrer as consequências, seja nesta vida, ou na outra (se houver)...
Portanto, para os oportunistas fica a mensagem de que mais cedo ou mais tarde o feitiço se irá virar contra eles. Para os ingénuos, fica a pergunta: Quantos amigos posso eu contar?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

...




Vivemos num mundo (e já agora, num país) marcado pela Corrupção: corrupção nas Freguesias, corrupção nos Municípios, corrupção nos Governos, corrupção no Futebol (que até dá em "Corrupção" no cinema), corrupção no Ambiente; meio mundo engorda enquanto a outra metade passa fome, literalmente, e a verdade é que também aquando do sermão do Padre António Vieira, os colonos enriqueciam à custa dos nativos, feitos escravos.

Se a crítica do Padre António Vieira é actual? Sim, é, simplesmente pelo facto de onde houver pessoas, haverá sempre desigualdades, por muito mínimas que possam ser. O caso contrário é uma utopia (ideia a que me tenho vindo a aperceber).

Tal como a língua de Sto. António, que era rémora, também actualmente há rémoras, que tentam travar as Naus de se afundarem. É o caso das ONG's (Organizações Não Governamentais) que lutam pelos direitos dos desfavorecidos, lutam pelo ambiente, e tentam curar a "cegueira" (tal como o Peixe de Tobias) que o poder económico traz aos senhores de mundo, colonos de algo que é de todos.

Mas a verdade é que, por muitas línguas que haja no mundo, por muitas rémoras, torpedos que façam tremer os oportunistas, existirão também sempre peixes-voadores, que se acharão superiores aos outros.

Ou seja, haverá sempre desigualdades. Até no comunismo as havia. A sociedade perfeita é uma utopia, mas há que lutar para que a realidade seja o mais próxima possivel dela.


Nuno Areia

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Blog

fico contente por o blog já ter chegado a outras escolas, como a U.M.

continuação de um bom trabalho...Saudades

Padre António Vieira continua vivo!


Padre António Vieira continua vivo! Não no seu sentido literal, ainda mal. Refiro-me sim à sua crítica sobre aquilo a que chamo “sociedade dessalinizada”.
Mas, ainda agora comecei o sermão, e já ouço os rugidos ao fundo da igreja. Mas que blasfémia! Se fossem peixes, limitavam-se a ouvir e a não falar, mas sendo homens o mesmo não acontece. Estes apenas vociferam e nada ouvem. Onde ia eu? Ah sim, nos rugidos. Consigo ouvir estes rugidos que dizem “mas isso é impossível! Como é que uma coisa que foi escrita há séculos atrás ainda representa a actualidade?”. Pobres coitados sentados em bancos maiores que aqueles que precisam e sem sal nos seus corpos. Mas, bons amigos homens, escutai! Descei de vossas cadeiras e tomem este sal.
Que pregar hoje aos homens? Que pregar a estas criaturas que se deixam levar pela pequena lista de sete princípios a não praticar. A culpa, afinal, é do sal ou da terra? Eu digo que hoje em dia é dos dois. Ora vejamos o seguinte exemplo: temos o “sal” dos alunos, que seria a escola e depois os alunos que serão a “terra”. Temos a universidade independente e temos o nosso primeiro-ministro. Acho que não é preciso dizer mais nada, logo mudemos para outro exemplo sendo este ainda menos virgem. Temos o futebol e, logo de seguida, aparece o nome Pinto da Costa.
Pergunto mais uma vez: “que pregar hoje aos homens?”. Acho que “vós o sabeis e eu por vós o sinto”. Desçam lá de vossos tronos, adoptem as qualidades dos peixes e tomem o sal!


Tiago Faria, 11º C

Deus, António e as Sardinhas...


Antes de dar a palavra aos meus artistas, tenho de partilhar com todos uma angústia que me tem atormentado nos últimos dias. Afigura-se-me já como uma antevisão apocalíptica do fim, incontornável face à dimensão profética dessa tríade portuguesa de superior alcance mediúnico: Bandarra-Vieira-Pessoa.

Não sei se o Quinto Império se cumprirá, mas é já um facto que o império das sardinhas está em derrocada. A sardinha escasseia nas nossas costas, dizem os cientistas, e corre o risco de desaparecer.
Tremi. De imediato me vieram à lembrança as palavras de Padre António Vieira, no seu “Sermão de Santo António aos Peixes”:

Tomai o exemplo nas irmãs sardinhas. Porque cuidais que as multiplica o Criador em número tão inumerável? Porque são sustento de pobres. Os solhos e os salmões são muito contados, porque servem à mesa dos reis e dos poderosos; mas o peixe que sustenta a fome dos pobres de Cristo, o mesmo Cristo os multiplica e aumenta.(capítulo III)

Eis que, face à irrefutabilidade dos engendrados e hábeis argumentos do grande Padre António, eu me vejo obrigada a admitir que:

a) acabaram os pobres, pelo que Deus deu por concluída a generosa missão das nossas irmãs sardinhas;

b) Deus já não se preocupa em alimentar os pobres.

A realidade, cruel e insidiosamente, mostra-me a falibilidade da primeira hipótese, pelo que fico condenada a reflectir sobre as implicações da segunda. Será que Deus já nem se preocupa em alimentar os pobres? Ou será que se cansou de pobres e de ricos e os deixou a todos encaminhar-se rapidamente para o fim? O aquecimento global é, sem dúvida, uma grande ameaça, mas olhem que se os pobres não tiverem que comer, estes também não darão de comer aos ricos, e acabarão uns e outros.

Chegou a hora, irmãos, de darmos as mãos, ricos e pobres… Salvemos as sardinhas, nossas irmãs!

Fátima Inácio Gomes

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Olhó Sermão!... é prá menina e pró menino!

O desafio foi exactamente esse... aproveitar a fecunda inspiração e virtuosismo retórico de Padre António Vieira e levar os alunos, em situação extrema de teste, a argumentar. Os temas?... os mesmos que, há 350 anos (em 1652), inspiraram o seu "Sermão de Santo António aos Peixes": corrupção, oportunismo, traição, vaidade, vivência da fé.
Por aqui aparecerão alguns dos mais "pontuados" ;-)

Às portas de 2008, começamos assim a homenagear os 400 anos do nascimento desse português superior, o "imperador da língua portuguesa", como lhe chamou Pessoa.

António Vieira

O céu 'strella o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à gloria tem,
Imperador da lingua portugueza,
Foi-nos um céu também.

No immenso espaço seu de meditar,
Constellado de fórma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do ethéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.



in MENSAGEM de Fernando Pessoa.

domingo, 18 de novembro de 2007

P*** de coisa linda...





...

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?





Vénus

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda...
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a razão se perde!

Pútrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfacto que embriaga)
Que em um sorvo, murmura de gozo.

O seu esboço, na marinha turva...
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os pés atrás, como voando...

E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que se desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co'a salsugem.






Camilo Pessanha - Clepsidra

domingo, 28 de outubro de 2007

Vivemos em Democracia? Não sabia…


Há tempos li uma notícia que me deixou francamente indignada. Não é que um professor da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso das suas funções e, como se não bastasse, foi ainda processado pelo simples facto de contar uma piada sobre o nosso “inatacável” e “irrepreensível” primeiro–ministro, José Sócrates!?
Desde que nasci, sempre ouvi dizer que vivia numa democracia e não numa ditadura. Contudo, não é o que me parece. Será possível que um professor, como qualquer outro cidadão no seu pleno direito democrático, não possa contar uma piada sobre o primeiro–ministro, sem que a impecável Directora Regional vá, de imediato, “fazer queixinhas”? Pelo que li, o citado professor, terá contado a “célebre” piada sobre alicenciatura de José Sócrates, na Universidade Independente, numa conversa particular. Agora pergunto: Quantos portugueses não fazem o mesmo nas suas casas ou em conversas mais privadas, com amigos, colegas de trabalho, ou alguns, até em ambientes bem públicos? Se todos tivessem o mesmo sentido de humor da “exemplar” Directora Regional, certamente metade dos portugueses seriam alvo de dezenas de processos.
Um dos factos que não me deixou de impressionar, foi o silêncio do primeiro-ministro, José Sócrates, e da nossa “reverenciada” Ministra da Educação, o que me fez, de imediato, lembrar aquele famoso ditado popular: «Quem cala, consente!». É que, apesar da piada ser dirigida ao primeiro–ministro, este como suposto defensor de um sistema democrático deveria, certamente, adoptar uma atitude crítica face à “ridícula” queixa da Directora Regional de um professor que “supostamente” vive numa democracia e tem todo o direito de expressar livremente a sua opinião, sobre o «mais comum dos mortais», ou sobre primeiro-ministro, José Sócrates.


Ana Isabel do Vale Faria Macedo, 11.º E

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A “sorte” dos McCann





Após terem usufruído de três assessores de imprensa, os McCann terminaram a lua-de-mel com a imprensa portuguesa. Esta mudança coincide com a alteração de rumo da investigação do caso, em que passaram da tese de rapto para o possível envolvimento dos pais.
Será normal os pais deixarem os filhos em casa e irem para os “copos” com os amigos? Será que isto teve um propósito? Bem… não estou a dizer que os pais sejam culpados, se bem que não estão totalmente isentos de culpa. Mas… há quem diga que este acto seja meramente cultural, que barbaridade! Não é que eu seja “sábia”, não sou, mas não me parece de todo! Certo é que, apesar da desgraça que se abateu sobre eles, os McCann são uns sortudos. A mãe do Rui Pedro nunca teve o planeta à procura do seu filho, nunca teve assessor de imprensa, nem tão pouco deixou o filho a dormir para ir jantar com os amigos. Além do mais, o seu site de procura do filho dispõe apenas de 800 euros, enquanto, Gerry e Kate têm milhões para gerir e poder continuar a procurar Maddie. Se o entenderem. Ninguém do governo português quis esclarecer o porquê da PJ "ter"que andar acompanhada por investigadores britânicos. Será que foi a PJ que pediu ajuda? Ou terá sido Londres a determinar?




Cátia Ribeiro, 11º E