quinta-feira, 28 de junho de 2007

As Palavras

As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade



Depois de ter lido muitos poemas, alguns também muito interessantes, acabei por me decidir por este, pois achei-o muito interessante.
O poema, tal como refere o título, fala sobre Palavras. O poeta fala das palavras como algo que pode tomar diferentes maneiras, serem vistas e sentidas, como algo que apenas toma as formas que as pessoas lhes derem.
As palavras podem viajar para longas distâncias, podem ser usadas de diferentes maneiras. Podemos usá-las para falar, para escrever uma carta, um artigo de jornal, um livro, um cartaz publicitário, etc.
Nós é que devemos dar às palavras o sentido que for mais apropriado.



Cátia Bogas 10ºC

"A Cidade dos Deuses Selvagens"


Ora aqui vai uma apreciação com dois meses de atraso!... mais vale tarde... :D



Li "A cidade dos deuses selvagens" da Isabel Allende. Apesar de não ser uma das minhas actividades favoritas (a leitura), gostei de ter lido este livro porque é um livro de aventuras. A personagem principal, Alexander Cold, um jovem americano, vê-se obrigado a acompanhar a sua avó, uma colaboradora do National Geographic Magazine,bastante extravagante,numa expedição à Amazónia. A mãe de Alexander está doente, as irmãs foram para casa dos outros avós e ele, que se interessa sobretudo por música (toca flauta transvesal, como eu), acaba por ir parar ao Brasil, ao meio da selva da Amazónia. Para além dos outros membros da expedição, conhece uma rapariga brasileira, Nádia, de quem fica amigo e com quem vai viver aventuras extraordinárias. Vão conhecer o "povo do nevoeiro"e ter de superar uma série de provas junto das Bestas, através das quais conseguem atingir um nível de espiritualidade. Alex torna-se o Jaguar e Nádia a Águia. Acabam por descobrir que, por trás da campanha de vacinação de que a expedição também estava encarregada, se escondia um plano para inocular uma doença contagiosa nos índios, o que iria permitir que as terras fossem exploradas pelos brancos. Alex regressa aos Estados Unidos diferente, com muito mais experiência e, até, com um remédio tradicional que vai experimentar na mãe.

O livro é muito movimentado e as personagens são interessantes e bem construídas. Fiquei a saber bastantes coisas sobre aAmazónia e sobre o problema dos índios brasileiros.




Rui Bonifácio, 10º C

O poeta chorava...

O poeta chorava
o poeta buscava-se todo
o poeta andava de pensão em pensão
comia mal tinha diarreias extenuantes
nelas buscava Uma estrela   talvez a salvação?
O poeta era sinceríssimo
honesto
total
raras vezes tomava o eléctrico
em podendo
voltava
não podendo
ver-se-ia
tudo mais ou menos
a cair de vergonha
mais ou menos
como os ladrões
 
E agora o poeta começou por rir
rir de vós ó manutensores
da afanosa ordem capitalista
comprou jornais foi para casa leu tudo
quando chegou à página dos anúncios
o poeta teve um vómito que lhe estragou
as únicas que ainda tinha
e pôs-se a rir do logro é um tanto sinistro
mas é inevitável é um bem é uma dádiva
 
Tirai-lhe agora os poemas que ele próprio despreza
negai-lhe o amor que ele mesmo abandona
caçai-o entre a multidão
crucificai-o de novo mas com mais requinte.
Subsistirá. É pior do que isso.
Prendei-o. Viverá de tal forma
que as próprias grades farão causa com ele.
E matá-lo não é solução.
O poeta
O Poeta
O POETA DESTROI-VOS

Mário Cesariny



O que o poema nos diz é que o poeta era triste, pobre e era doente. O poeta também procurava a salvação da vida que levava mas no entanto era sincero e honesto, mas o poeta tinha também vergonha do que era.

Mas mesmo com as más condições em que vivia, o poeta também se ria(-se) com os "manutensores da afanosa ordem capitalista".

O poeta usa a poesia como um verme.

Conclusão

Neste poema podes falar da importância da poesia. Que a poesia acaba por ser uma arma, como Manuel Alegre afirmava.

Que as palavras ditas num poemas são o suficientemente fortes para atingirem para fazer passar uma mensagem mesmo que os outros não o queiram etc.

Cristiano Ferreira
10ºG

A esperança é a poesia da dor...


Pela voz contrafeita da poesia

Dá-nos os passos os teus passos
de manhã triunfal de cidade à solta
os gestos que devemos ter
quando a alegria descobrir os dedos
em que possa viver toda a vertigem
que trouxer da noite
os primeiros dedos do sonho
do teu sonho nosso sonho mantido
mesmo no mais íntimo abandono
mesmo contra as portas que sobre nós:
em silêncio e noite
em venenosa ternura
em murmúrio e reza
se fecharam já
mesmo contra os dias vorazes
que por todos os lados nos assaltam
e consomem
mesmo contra o descanso eterno
a viagem fácil
com que nos ameaçam vigiando
todo o percurso do nosso sono
interminável sono coração emparedado
no muro cruel da vida
desta que vivemos que morremos
assim esperando
assim sonhando
sonhando mesmo quando o sonho
ignorado recua até ao mais íntimo de cada um de nós
e é o gemido sem boca
a precária luz que nem aos olhos chega
 
Não digas o teu nome: ele é Esperança
vai até aos que sofrem sozinhos
à margem dos dias
e é a palavra que não escrevem
sobre as quatro paredes do tempo 
o admirável silêncio que os defende 
ou o sorriso o gesto a lágrima 
que deixam nas mãos fiéis
 
Não digas o teu nome: quem o não sabe
quem não sabe o teu nome de fogo
quem o não viu entrar na sua noite
de pobre animal doente 
e tomar conta dela
mesmo só pelo espaço de um sonho
 
O teu nome
até os objectos o sabem
quando nos pedem um uso diferente
os objectos tão gastos tão cansados
da circulação absurda a que os obrigam
 
As coisas também gritam por ti
 
E as cidades as cidades que morreram
na mesma curva exemplar do tempo
estão hoje em ti são hoje o teu nome
levantam-se contigo na vertigem
das ruas no tumulto das praças
na espera guerrilheira em que perfilas
o teu próprio sono
                            *
 Ah
onde estão os relógios que nos davam
o tempo generoso
os dedos virtuosos os pezinhos
musicais do tempo
as salas onde o luxo abria as asas 
e voava de cadeira em cadeira
de sorriso em sorriso
até cair exausto mas feliz
na almofada muito azul do sono
 
Onde está o amor a sublime
rosa que os amantes desfolhavam
tão alheios a tudo raptados
pela mão aristocrática do tempo
o amor feito nos braços no regaço
de um tempo fácil
perdulário
vosso
 
Hoje não é fácil o tempo
já não é vosso o tempo
viajantes do sonho que divide
doces irmãos da rosa
colunas do templo do Imóvel
prudentes amigos da vertigem
deliciados poetas duma angústia
sem vísceras reais
já não é vosso o tempo.
 
Noivas do invisível
não é vosso o tempo
Relógios do eterno
não é vosso o tempo
 
                           *
 Impossível
 
Impossível cantar-te
como cantei o amor adolescente
colorindo de ingenuidade
paisagens e figuras reduzindo-o
à mesma atmosfera rarefeita
do sonho sem percurso no real
Impossível tomar o íngreme caminho
da aventura mental
ou imaginar-te pelo fio estéril
da solitária imaginação
 
Tão-pouco desenhar-te como estrela
neste céu infame
dizer-te em linguagem de jornal
ou levar-te à emoção dos outros
pela voz contrafeita da poesia
 
Impossível
 
Impossível não tentar dizer-te
com as poucas palavras que nos ficam
da usura dos dias
do grotesco discurso que escutamos
proferimos
transidos de sonho no ramal do tempo
onde estamos como ervas
pedrinhas
coisas perfeitamente inúteis
pequenas conversas de ferrugem de musgo
queixas
questiúnculas
arrotos comoventes
 
                            *
 Mas de repente voltas
numa dor de esperança sem razão de ser
 
Da sua indiferença
agressivamente as coisas saem
Sentimo-nos cercados
ameaçados pelas coisas
e agora lamentamos o tempo perdido
a dispô-Ias a nosso favor
 
Porque é tempo de romper com tudo isto
é tempo de unir no mesmo gesto
o real e o sonho
é tempo de libertar as imagens as palavra!
das minas do sonho a que descemos
mineiros sonâmbulos da imaginação
 
É tempo de acordar nas trevas do real
na desolada promessa
do dia verdadeiro
 
                               *
 Nesta luz quase louca
que se prende aos telhados
às árvores aos cabelos das mulheres
aos olhos mais sombrios
falamos de ti do teu alto exemplo
e é com intimidade que o fazemos
falamos de ti como se fosses
a árvore mais luminosa
ou a mulher mais bela mais humana
que passasse por nós com os olhos da vertigem
arrastando toda a luz consigo



Alexandre O'Neil

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Vislumbro o negro tecto como quem se vicia no manto estrelado do céu. E já não é um negro tecto qualquer. Transmutou-se. Ecrã de movimento veloz transbordado pela cor dos pensamentos. Dependência deliciosa que a muito pouco sabe. Imprescindível, porém. Aniquiladora da inércia; portadora do conforto: a minha porta abre-se para ti amiúde, sem nunca se ter fechado de verdade. E não te atribuo o clamor de que és digna da forma perfeita, porque o meu ‘engenho e arte’ não mo permitem! Trocam-te pela Fé. Mas não eu! És a versão terrena, e como tal a minha predilecta. Estabeleces um laço inquebrantável – de tal forma rijo que, por vezes, desespera quantos tão presos a ti.

Ténue limiar que divide os resignados dos que batem o pé e não se deixam esmagar pela amargura nem pelos óbices com que se deparam, dos que se agarram a ti, vislumbrando o negro tecto como quem se vicia no manto estrelado do céu!

O poema. Pela voz contrafeita da poesia. Elegi-o de entre tantos outros, não por ser o mais belo, o mais complicado ou simples, mas porque me soou a um grito profundo de voz rebelada e sonhadora. Julguei ter perdido todos os cinco sentidos e ter petrificado. E mesmo a minha inspiração desfalece perante a magnitude das palavras, talvez embriagada pelas mesmas.

E estou longe de proceder a uma análise labutada do poema. (O meu texto até se relaciona bastante com ele. Ou pelo menos tive a pretensão disso.) Além de que me ensinaram inteligentemente que definir as coisas é impor-lhes barreiras. Construí-las não é o meu forte. E o meu maior objectivo é revelar esta pequenina relíquia, na quimérica esperança de que toque alguém, tanto quanto a mim.

A citação integral presente no título é A esperança é a poesia da dor, é a promessa eternamente suspensa diante dos olhos que choram e do coração que padece e pertence a Paolo Mantegazza [1831-1910].

A imagem, Esperança I, da autoria de Gustav Klimt [1862-1918].

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Os versos que te fiz - Florbela Espanca


Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem para te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,

São como sedas pálidas a arder...

Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que foram feitos pra te endoidecer!


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...

Que a boca da mulher é sempre linda

Se dentro guarda um verso que não diz!


Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E nesse beijo, Amor, que eu te não dei

Guardo os versos mais lindos que te fiz!



Depois de ler tantos outros poemas, acabei por escolher postar “Os versos que te fiz” de Florbela Espanca. Primeiro porque gosto muito das obras da poetisa e depois porque achei este poema marcante face ao tema, o amor.
Florbela aborda muito a ideia de uns “lindos versos” que há para proferir ao seu amado. A maneira tão esperançosa e delicada em que ela descreve os versos oriundos da sua mente, referenciando a transparência destes ou até mesmo o objectivo de endoidecer o receptor, torna-se quase enternecedora.
Mas para mim, a parte que colmata mesmo este amor secreto, é a revelação da poetisa! Aquele amor existia, mas ao que tudo no poema indica, não era recíproco (pelo menos era ainda confidencial). Mas nem esse facto fez com que a esperança desaparecesse. E com esta revelação surge ainda uma promessa. A promessa de um beijo, no qual estão contidos esses “lindos versos”.
Quem sabe se depois desse beijo os “lindos versos” obtiveram uma “linda resposta”! Acho que a poetisa merecia, depois de se dedicar tanto a este amor!
=)
Sara Vila-Chã 10ºC nº22

Exílio


Quando a pátria que temos não a temos

Perdida por silêncio e por renúncia

Até a voz do mar se torna exílio

E a luz que nos rodeia é como grades


Sophia de Mello Andresen


Deste pequeno poema é possível tirar várias conclusões sobre a noção de liberdade. Para mim a liberdade e só a "coisa mais importante do mundo e daí a minha escolha ter recaído sobre este poema.
A liberdade ganha-se, mas também se perde com facilidade. Eu quero com isto dizer que, para sermos livres, não basta apenas conquistá-la, mas também saber mantê-la.
Na minha opnião, este poema demonstra essa perda e conquista da liberdade.
Quando um individuo, habituado a ter liberdade, de repente a perde, abate-se sobre ele a sensação que até o mais banal lugar lhe parece um paraiso e um local de refúgio do mundo.

Rafael Ferreira Nº12 10ºG

Poemas de Sophia...




ESTE É O TEMPO

Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam




25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo







Escolhi estes dois poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen porque, apesar de pequenos, dizem tudo e demonstram bem a diferença existente entre o tempo de ditadura e o tempo de liberdade. Na realidade, a ditadura está bem expressa em palavras como “selva obscura” em que o “ar azul se tornou grades”. As injustiças de um regime ditatorial estão presentes na “impura” luz do sol e na “noite” que é “densa de chacais”. Todas estas palavras têm uma conotação negativa, associada à angústia, à “amargura” e à renúncia dos homens.
Pelo contrário, o outro poema é todo ele um hino à liberdade. Em vez de noite temos a “madrugada”, um dia inteiro “inicial” e “limpo”, um começo em que tudo é possível, em que a inocência está presente e afastou a noite e toda a carga negativa a ela associada.






Rui Bonifácio, 10ºC

Ser poeta...


Ser poeta é ser mais alto,é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca


Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 deDezembro de 1930), baptizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, foi uma poetisa portuguesa. (Eu) Escolhi este poema por ser um poema que me marcou.“E é amar-te, assim, perdidamente.../ É seres alma, e sangue, e vida em mim / E dizê-lo cantando a toda a gente!”... Este terceto transmite uma “coisa” muito forte, transmite um ardente Amor, é por isso que Florbela tem o dom de transmitir este sentimento (Amor) de uma maneira muito forte.


Emília Oliveira Nº11 10ºB

Viver sempre também cansa

Viver sempre também cansa.
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.

O mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.


As paisagens não se transformam.
Não cai neve vermelha,
Não há flores que voem,
A lua não tem olhos
E ninguém vai pintar olhos à lua.


Tudo é igual, mecânico e exacto.


Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem riem e digerem
sem imaginação.



E há bairros miseráveis sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...


E obrigam-me a viver até à Morte!



Pois não era mais humano
Morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois,
achando tudo mais novo?



Ah! Se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.



Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
”Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.”

E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
A Morte ainda menina no meu colo...


José Gomes Ferreira, Poeta Militante


Apesar de já ter sido estudado durante as nossas aulas, resolvi escolher este poema, uma vez que estou de acordo com aquilo que nos é transmitido através deste.
A meu ver, detalha as nossas vidas de uma forma diferente e espantosa. De facto, é bem verdade que chega a uma certa altura das nossas vidas e já sentimos que os nossos sonhos e objectivos estão praticamente atingidos e concretizados. Eu, como adolescente que sou, gosto de novas aventuras, de curiosidades, de novas experiências e “aflige-me” que um dia tudo isto possa desaparecer! É frustrante, mas a vida é mesmo assim!
Um outro ponto que também é abordado no poema é o facto do aspecto da Natureza não se alterar. Como é referido, o céu é sempre azul, chegando a atingir cores mais escuras, o sol também é sempre igual. Seria bom, de vez em quando, podermos alterar um pouco o aspecto das coisas. Desta forma, nada seria tão monótono.
Na minha opinião, o amor é o único sentimento capaz de nos trazer outras sensações. Eu acho que este sentimento tem o seu toque “especial”, na medida em que nos podemos tornar pessoas diferentes, encarando a vida de outra forma. Daí as coisas tomarem outro rumo.
Pois bem, espero que tenham ficado esclarecidos com a minha justificação. E José Gomes, adoro a tua maneira de interpretar a realidade!


Joana Cordeiro, 10ºA

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, vivo de rastos:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Florbela Espanca


A escolha este poema deve-se, essencialmente, à minha “paixão” pela autora.
Como sou adepta do estilo romântico, sinto-me identificada com o poema. Creio que é uma das mais belas declarações de amor: pelas palavras, pela sonoridade, pela estrutura (o soneto- próprio do estilo Romântico), pelo conteúdo…
Indirectamente, através do poema, considero que o amor não é eterno, mas que cada vez que amamos este nos parece eterno. Algo que se identifica com a citação se Oscar Wilde: “ Toda vez que a gente ama é a única vez que a gente amou”.
O poema faz com que pense que, quando amamos, temos de descobrir o outro, pois todos nós temos um “misterioso livro” a desvendar.
Fica mais uma vez aprovado que, quando amamos, ficamos enlouquecidos.


Inês Fernandes 10ºG