quarta-feira, 27 de junho de 2007

"Quase"




Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é
a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que
me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.


Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.


Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no Outono.


Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra cobardia e falta coragem até pra ser feliz.


A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige, nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.


Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência,
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.


Prós erros há perdão; prós fracassos, chance;
prós amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando
porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu!!

Luís Fernando Veríssimo


Comentário

Escolhi este poema, porque concordo bastante com o poeta. Acho que as pessoas têm medo de arriscar na vida, daí o “quase” e a mensagem que tiro deste poema é mesmo essa: as pessoas deviam aproveitar mais a vida e tirar aqueles “fantasmas” que as impedem de viver. Não sei bem explicar porque razão gosto deste poema, mas acho que todos aqueles que o lerem vão tirar a mesma mensagem e tentar deixar de “quase” fazer e começar a agir mais.
(O poeta é brasileiro, como se pode verificar em algumas palavras apresentadas no poema).



Daniela Esteves, 10ºC

Amor é fogo...





Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;



É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;




É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.



Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?





Luís de Camões






(Eu) Escolhi este poema porque, para além de me tocar muito, de me dizer muito, é um poema único para mim. Este poema é uma das maiores maravilhas de Portugal, é uma obra que deve ser muito bem preservada, porque não há muitas tão boas como esta, pelo menos neste campo, a poesia. Também tenho uma grande admiração por este poeta, para mim, é o melhor poeta do nosso país.
Este poema fala-nos de uma coisa que é muito difícil de explicar e, com este poema, podemos ficar a perceber um bocadinho melhor o amor. Este poema tem uma linguagem muito própria, uma linguagem única, que deve ser apreciada e preservada por muitos e muitos anos.







Tiago Luso, 10ºC

terça-feira, 26 de junho de 2007

A Guerra



A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como todo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza
os pôs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as cousas pré-humanas, mesmo no homem!
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

de "Alberto Caeiro"

Eu selecionei este poema porque acho que Fernando Pessoa é um excelente escritor, e selecionei um poema de Alberto Caeiro, pois este é o meu heteronimo(autor que assina com um nome ficcionario) favorito.

Tiago Barbosa Nº25 Tª10B


As palavras

Palavras tantas vezes perseguidas
Palavras tantas vezes violadas
que não sabem cantar ajoelhadas
que não se rendem mesmo se feridas


Palavras tantas vezes proibidas
e no entanto as únicas espadas
que ferem sempre mesmo que quebradas
vencedores mesmo que vencidas.


Palavras por quem já fui cativo
na língua de Camões vos querem escravas
palavras com que canto e onde estou vivo.


Mas se tudo nos levam isto nos resta
estamos de pé dentro de vós palavras
nem outra glória há maior que esta .


Manuel Alegre
“O canto e as armas”



Elegi este poema pois é um dos poemas com um significado muito especial para mim, que me faz levar ao meu apogeu, que me faz ver que as palavras doem sempre mais do que uma facada ou que qualquer acto físico violento, porque a facada, ao contrário das palavras, sara e as cicatrizes acabam sempre por ter mais um significado estético. Mas as palavras têm vários sentidos que, por consequência, originam outros sentimentos como a alegria, a felicidade, a dúvida, ódio, o amor, etc.
Manuel Alegre, no poema, aborda claramente o antagonismo.
As palavras eram a única forma de se expressarem, eram as únicas armas, apesar de serem calcadas, feridas, desvalorizadas, mas sempre vencedoras.
Mesmo que este poema seja um retrato da ditadura, hoje, em democracia, as palavras também são as nossas armas, obviamente, de uma forma diferente .


Mariana Cassamá 10ºG

Soneto de Contrição




Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E
quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.

Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.

Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...

E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

______________________________________________

Este soneto foi escrito por um individuo que morreu há 27anos com 77 na altura… Vinicios Moraes, estudante graduado de Direito no Rio de Janeiro e de Literatura em Oxford. Mas isso foi-me completamente indiferente aquando da escolha desta obra de sintetizada grandeza colossal.

A primeira coisa que me veio à cabeça depois de o ter lido foi…maracujá… isto porque o nome que os ingleses deram a esta fruta, e a razão pela qual o fizeram, caracteriza perfeitamente a mecânica da alma do eu poético aquando da consumação da obra…

E voltando ao maracujá, “passion fruit”… isto porquê”???” perguntam-se, seguramente… Simples, é agridoce, tem um travo divinal a frescura e liberdade, mas com o preço de ser amargo ao ponto de nos deturpar as feições… Fruta da Paixão, traduzindo à letra… Isto porque, pelo que eu percebo de inglês, o termo “Passion”, normalmente traduzido simplesmente como “paixão”, não tem uma dimensão tão dramaticamente romântica como no congénere lusitano. Passion, é fazer ou viver algo com uma ardência desmesurada, quer seja a subida ao céu ou permanência no inferno, o que interessa é que o universo saiba que uma ínfima parte do seu todo acabou de mostrar a razão pela qual a miscelânea de energia que lhe deu origem fez tal coisa…Agir “a”passion”adamente” é a derradeira prova que podemos dar ao mundo que, de facto, merecemos a matéria que nos compõe…

Voltando ao belíssimo "Soneto da Contrição", o excerto que reflecte exactamente isto é, e passo a citar:

” Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino(…)”

Não interessa porquê…
Não interessa como…

É totalmente indiferente ao pobre mortal que, felizardamente por isto, passa retirar prazer ou colher desventura…

O que interessa é sentir, poder dizer face a um sorriso de deleite ou chaga incandescente: “raios, sei que estou vivo…”.



Bruno Senra

Nº3
10ºG

Alma Perdida

Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu da Dor, suavemente…
Talvez sejas a alma, a alma doente
D’alguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste… e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh’alma
Que eu chorasse perdida em tua voz!…


Florbela Espanca, Sonetos


O tema deste poema é o sofrimento amoroso. O sujeito poético começa por falar do rouxinol cujo sofrimento é descrito em crescendo, “chorou, / gemeu, rezou, gritou”, corroborado com o advérbio "perdidamente", que nos dá a ideia de um sofrimento contínuo, assim como a expressão “toda esta noite”. Ainda na primeira parte do poema, as duas quadras, o sujeito poético estabelece uma analogia entre o rouxinol, que revela o que lhe vai na alma, “alma de rouxinol”, e alguém, “alma de gente”, e interpreta esse sofrimento como um sofrimento amoroso “Talvez sejas a alma, a alma doente / D’alguém que quis amar e nunca amou!”.
Na segunda parte do poema, os dois tercetos, o sujeito poético identifica-se com o rouxinol “choraste… e eu chorei”. Essa identificação que começa a primeira parte do poema entre o rouxinol e “alguém”, continua com “tu” e “eu”, “choraste… e eu chorei” e atinge o auge nas expressões “ninguém é mais triste do que nós” e “pensei que tu eras a minh’alma / que eu chorasse perdida em tua voz”, ou seja, o choro, os gemidos, os gritos do rouxinol são a voz do sujeito poético que exprime o seu sofrimento. Daí o título “Alma Perdida”. O adjectivo “perdida” que surge no último verso e os advérbios da primeira quadra “perdidamente” e “suavemente”, dão-nos a ideia de um sofrimento contínuo, tanto a nível fónico, como a nível semântico.
Escolhi este poema porque me identifico muito com ele, e porque acho fantástica a maneira como está escrito.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Urgentemente



É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.


É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade


Comentário:

O poema fala-nos como é importante que as pessoas se deixem guiar pelas coisas boas da vida, que vão à procura da felicidade e que ponham um fim à guerra e a toda a tristeza que nos rodeia.
Diz-nos como é importante destruir o ódio, a solidão e a crueldade, destruir as espadas, que são símbolo de guerra e violência. E, de seguida, refere como é urgente construir a felicidade, a alegria, é urgente “descobrir rosas”, ou seja, beleza, harmonia, amor.
O poeta sente, tal como eu, a necessidade de viver num mundo melhor, num mundo repleto de felicidade e amor eliminando as coisas negativas que este tem e que todos estamos fartos de saber quais estas são. São mais as vezes em que ouvimos e vemos a infelicidade em que vivemos, e raras as vezes em que vivemos momentos felizes.
Porque sem amor e felicidade não há futuro nem harmonia no mundo.



João Faria 10º A

E TUDO ERA POSSÍVEL




Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer


Ruy Belo, Homem de Palavra[s]Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)


Escolhi este poema porque ao lê-lo achei que aquilo que ele transmite também se adequa àquilo que eu sinto em relação à idade da infância e à idade mais adulta. Considero que o poeta soube espressar as diferenças entre estas duas idades, entre o sonho e a felicidade da infância e a inexistência destes aspectos quando somos mais velhos.
Neste poema está expressa a dicotomia “antes” e “agora”. O “antes” corresponde à idade da infância e da juventude, que terminou no momento em que o sujeito poético decidiu sair de casa e viajar. Antes deste acontecimento, o “eu” conhecia a vida através da leitura e do acto de sonhar. Nesta idade, não havia preocupações e tudo era possível, bastava sonhar. O “rolo das manhãs” é símbolo de todos os possíveis e este existia na juventude do sujeito lírico.
Tudo isto surge por oposição à idade adulta, pois o antes “tudo era” deixa implícito que agora já nada é possível como era antigamente. Esta ideia é reforçada através do emprego do pretérito imperfeito, que reforça o sentido de felicidade durável, constante e ao mesmo tempo aproxima o sujeito do reino do “era uma vez”. Este tempo verbal é utilizado na referência à juventude, pois a idade adulta traz a instabilidade e não a constância.
Depois de viajar, o sujeito poético quase não consegue precisar o tempo da sua juventude dourada. No entanto, sabe que tinha o poder de uma criança, o poder de transformar toda a realidade. A viagem marca a transição para a idade adulta e, do ponto de vista simbólico, representa um trajecto de experiência activa, um momento de descoberta, de aprendizagem e de conhecimento. Descoberta e conhecimento de um mundo que nos rodeia, dos outros e de nós mesmos.
Em conclusão, neste poema, a ideia de viagem está ligada ao próprio acto de crescer, de descoberta de uma realidade que não era visível no mundo fantasioso da infância e da juventude: uma realidade bem mais amarga, onde o homem se conforta com as suas próprias limitações.


Ana Cristina, 10ºC

Saudades...



Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!


Florbela Espanca



Pediram-me para escolher um poema e dizer o que sinto quando o leio. E assim o fiz, não foi muito complicado, pois foi logo no primeiro clique, dei de caras com este poema de Florbela Espanca. A razão pela qual eu escolhi este poema foi pelo facto de estar a passar por uma situação parecida com a que o poema nos expressa. Todos os momentos e todos os sentimentos que ela descreve são exactamente aqueles que eu passei.
Aliás, penso que toda a gente, quando ler este poema, junto com este comentário, irá pensar que se trata de problemas de coração... talvez seja. Mas reconheço que este poema transmite da melhor maneira possível tudo aquilo que realmente sinto.


Ana Teresa, 10º C

Mar Português


Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!



Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa

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Decidir qual o poema a publicar foi, para mim, uma tarefa complicada, pois na busca de poemas para estudar para o último teste de português deparei-me com grandes poemas, de grandes autores, que de algum modo ficaram presentes na minha mente.

Contudo, o poema que publiquei não foi descoberto durante tal procura, este foi dado no ano passado, quando iniciamos o estudo d' "Os Lusíadas". Escolhi-o pela sua incomparável simplicidade e beleza e também pela sua sucessão de grandes frases: "Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!", "Tudo vale a pena se a alma não é pequena", "Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor" e "Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu", que ficaram ao longo de anos marcadas em todos os portugueses.

Outro aspecto pelo qual fiquei maravilhado com este poema foi a referência ao mar, simultaneamente, espelho e abismo, onde a alma se perde no sonho e depois do sonho se reflecte num projecto de futuro esplendoroso espiritual e desligado da terra.

Outro dos temas que podemos destacar deste poema é o sofrimento e a dor contida por aqueles que vêem sua família partir sem regresso destinado e que, durante anos, não receberam qualquer notícia dos tão amados familiares que partiram. Pessoa vê assim, em quem empreende a viagem sem destino, o apocalipse e a perda de si mesmo, pois quem partiu foram apenas seres, seres que deixaram sua alma e seu ser em terra com todos aqueles que os amavam.

O poeta quer, então, a meu ver dizer que não interessa a ambição, mas sim o sonho, não interessa o destino, mas sim a viagem, não importa nada que se acabe na sua própria realização, porque nada que se consuma inteiramente pode ser eterna.



Luís Loureiro, 10ºB