Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como
E
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.
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Este soneto foi escrito por um individuo que morreu há 27anos com 77 na altura… Vinicios Moraes, estudante graduado de Direito no Rio de Janeiro e de Literatura
A primeira coisa que me veio à cabeça depois de o ter lido foi…maracujá… isto porque o nome que os ingleses deram a esta fruta, e a razão pela qual o fizeram, caracteriza perfeitamente a mecânica da alma do eu poético aquando da consumação da obra…
E voltando ao maracujá, “passion fruit”… isto porquê”???” perguntam-se, seguramente… Simples, é agridoce, tem um travo divinal a frescura e liberdade, mas com o preço de ser amargo ao ponto de nos deturpar as feições… Fruta da Paixão, traduzindo à letra… Isto porque, pelo que eu percebo de inglês, o termo “Passion”, normalmente traduzido simplesmente como “paixão”, não tem uma dimensão tão dramaticamente romântica como no congénere lusitano. Passion, é fazer ou viver algo com uma ardência desmesurada, quer seja a subida ao céu ou permanência no inferno, o que interessa é que o universo saiba que uma ínfima parte do seu todo acabou de mostrar a razão pela qual a miscelânea de energia que lhe deu origem fez tal coisa…Agir “a”passion”adamente” é a derradeira prova que podemos dar ao mundo que, de facto, merecemos a matéria que nos compõe…
Voltando ao belíssimo "Soneto da Contrição", o excerto que reflecte exactamente isto é, e passo a citar:
” Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino(…)”
Não interessa porquê…
Não interessa como…
É totalmente indiferente ao pobre mortal que, felizardamente por isto, passa retirar prazer ou colher desventura…
O que interessa é sentir, poder dizer face a um sorriso de deleite ou chaga incandescente: “raios, sei que estou vivo…”.
Bruno Senra
Nº3
10ºG







