quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Noivado do Sepulcro



O NOIVADO DO SEPULCRO

BALADA

Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D'entre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

«Mulher formosa, que adorei na vida,
«E que na tumba não cessei d'amar,
«Por que atraiçoas, desleal, mentida,
«O amor eterno que te ouvi jurar?

«Amor! engano que na campa finda,
«Que a morte despe da ilusão falaz:
«Quem d'entre os vivos se lembrara ainda
«Do pobre morto que na terra jaz?

«Abandonado neste chão repousa
«Há já três dias, e não vens aqui...
«Ai, quão pesada me tem sido a lousa
«Sobre este peito que bateu por ti!

«Ai, quão pesada me tem sido!» e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.

«Talvez que rindo dos protestos nossos,
«Gozes com outro d'infernal prazer;
«E o olvido cobrirá meus ossos
«Na fria terra sem vingança ter!

– «Oh nunca, nunca!» de saudade infinda
Responde um eco suspirando além...
– «Oh nunca, nunca!» repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c'roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.

«Não, não perdeste meu amor jurado:
«Vês este peito? reina a morte aqui...
«É já sem forças, ai de mim, gelado,
«Mas inda pulsa com amor por ti.

«Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
«Da sepultura, sucumbindo à dor:
«Deixei a vida... que importava o mundo,
«O mundo em trevas sem a luz do amor?

«Saudosa ao longe vês no céu a lua?
– «Oh vejo sim... recordação fatal!
– «Foi à luz dela que jurei ser tua
«Durante a vida, e na mansão final.

«Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
«Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
«Quero o repouso de teu frio leito,
«Quero-te unido para sempre a mim!»

E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrada, d'infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.

Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.

Soares de Passos, 1853


Eu escolhi este poema porque, primeiro de tudo, sempre gostei de poemas ultra-românticos ou, citando o site de onde arranjei este poema, “poemas de fazer chorar a calçada”. Também escolhi este poema pois fala dum tema profundo duma maneira ainda mais profunda, pois, se formos a ver, o que será mais profundo que o abismo negro e obscuro (visto da perspectiva geral das pessoas) que muito de nós receiam e a que damos o nome de morte?
Tiago Faria, 10º C

quarta-feira, 6 de junho de 2007

NÃO PODIA HAVER NO MUNDO ORGIA MAIS POÉTICA!

ATENÇÃO. ISTO NÃO É O POEMA ESCOLHIDO PELA MINHA HUMILDE PESSOA. OU ENTÃO SOU MESMO ARROGANTE PARA FAZER ISTO. MAS PUBLICO-O, E EM MAIÚSCULAS PARA TODA A GENTE VER! PORQUE EU SOU LIVRE DE ME EXPRESSAR! DE PUBLICAR E DE DECLAMAR! DE GRITAR AQUI NESTE ESPAÇO ONDE A VOZ NÃO SE OUVE, MAS NÃO SE CALA, E CORRE À VELOCIDADE DA LUZ! E PORQUE SOU LIVRE DE GRITAR E DE DECLAMAR, GRITO E DECLAMO! E DIGA UM PROFESSOR QUALQUER QUE isto NÃO É UM POEMA, QUE EU REFUTO - E QUANDO A EXAUSTÃO SE APODERAR DO MEU CORPO REFUTO NA MESMA, PORQUE A POESIA É DIGNA DE SER RECONHECIDA E ENALTECIDA POR OUTRÉM, MAS, BEM ANTES DISSO, É EXPRIMIR INCOMENSURÁVEL E INCONDICIONALMENTE .

(cá vai)


O ÁLVARO GOSTA MUITO DE LEVAR NO CU

O ALBERTO NEM POR ISSO

O RICARDO DÁ-LHE MAIS PARA IR

O FERNANDO EMOCIONA-SE E NÃO CONSEGUE ACABAR.



O CAMPOS

EM PODENDO FAZIA-O MAIS DE UMA VEZ POR DIA

FICAVAM-LHE OS OLHOS BRANCOS

E NÃO FALAVA, MORDIA. O ALBERTO

É MAIS POR CAUSA DA FOTOGRAFIA

DAS ÁRVORES ALTAS NOS MONTES PERTO

QUANDO PASSAM RAPAZES

O QUE NEM SEMPRE SUCEDIA.



O FERNANDO SEU MAIOR DESEJO DESDE ADULTO

(MAS JÁ NA TENRA IDADE LHE PROVIA)

ERA VER OS HÈTÈROS A FODER UNS COM OS OUTROS

PELA SEGUINTE ORDEM E TEORIA:

O RICARDO NO CHÃO, DEBAIXO DE TODOS (ERA MOLENGÃO

EM NÃO SE TRATANDO DE ANACREÔNTICAS) INTRODUZIA-

-SE NO ALBERTO ATÉ À BASE

E COM ALGUM INCÓMODO O ALBERTO ERGUIA

NOS PULSOS A ORDEM DA KABALIA

TENTANDO PASSÁ-LA AO ÁLVARO

QUE ENROSCADO NO SEARCH MORDIA MORDIA

E A MAIS NÃO DAVA ATENÇÃO.

O SEARCH TENTAVA

APANHAR O MEMBRO DO BERNARDO

QUE CRESCIA SEM PARANÇA NA DIRECÇÃO ESPAÇO

E ERA O QUE MAIS AVULTAVA NA DANÇA

DAS PERNAS DO MAÇO DA HETERONOMIA

A QUE ALIÁS O SEARCH ERA UM POUCO EMPRESTADO

COMO DE AJUDA EXTERNA (DE JANELA DO LADO)

ÀQUELA ENDEMONIA

HOJE EM DIA MODERNA E CASO ARRUMADO.


FORMADO O QUADRADO

ERA QUANDO O ALEYESTER CROWEL APARECIA.

«Iô Pan! Iô Pã!», DIZIA,

E ERA FELATIO PARA TODOS,

E PÃO DE LÓ MOLHADO EM MALVASIA.



Mário Cesariny

---------------------------------------------------------------------------------------

Se tivesse escolhido este poema, coisa que não fiz mas que de que não me envergonharia acaso tivesse feito, provavelmente punha-me a discorrer sobre a associação inteligente das personalidades dos heterónimos Pessoanos às posições que assumiriam durante uma orgia e sobre o autor.

Só vim postar isto aqui, para ter a certeza de que em algum cantinho, agradando ou não aos outros, a censura nunca existiu. (e de que isto é um poema :P ).



Amor que morre



O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!


Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
Florbela Espanca


Escolhi este poema pois, em primeiro lugar, é de uma autora que admiro, que expõe os seus sentimentos e opiniões sem tabus. É uma autora que aborda de uma forma clara o amor, que diz o que realmente sente sem medo de nada, sem medo do que as pessoas possam achar depois.


Escolhi também pois penso que tem a ver a comigo. Por vezes, canso-me de amar, canso-me de ser amada, porque sabe tão bem bem fazer "asneiras" e depois sermos repreendidos, de vez em quando, e depois voltar a amar com toda a nossa alma. O amor também morre, pois raramente dura para sempre, mas quando se ama faz-se de tudo para que seja aproveitado da melhor forma, de forma a que a felicidade seja mútua. Mas, quando uma pessoa ama outra e o amor não é retribuido, o amor morre, desaparece e esperamos que outro amor nasça, mas enquanto isso, não deixamos de viver.




segunda-feira, 4 de junho de 2007

Chamei-te


Chamei-te quando estava na solidão
Invoquei-te com medo de te perder
Chamei-te mas tu não me vieste ver
E o meu desespero foi em vão

Chamei-te por três dias seguidos
E três noites esperei tua chegada
Mas meus sonhos acabaram perdidos

Minha vida deu-se por acabada
Num imenso de sonhos esquecidos
Quando nao vieste minha Amada


Este poema, foi escrito por mim... Embora haja quem tenha gostado, aceito sugestões para o melhorar, pois para um "principiante" é impossível escrever um bom poema logo de início...

Kyrie



Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com a esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e de paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

José Carlos Ary dos Santos


Escolhi este poema, porque o acho profundo... Demonstra os problemas que atormentam a sociedade actual, tal como a fome, a pobreza, o sofrimento... É um daqueles poemas que nos toca desde o início em que entramos em contacto com ele. Inexplicável...

POESIA AOS MOLHOS!!!!




Eis a nova proposta para esta estação, digo, período!!! :D

Deixemo-nos levar pelo calor que convida a despirmos o inverno dos nossos roupeiros e dispamos também a Alma!...
Escolham um poema que vos toque em particular e postem-no aqui. Digam também o que vos levou a escolhê-lo, aquilo que mais vos tocou... seja a temática, um verso, uma imagem, uma metáfora mais audaz, a musicalidade... enfim, deixem-se levar pelo instinto, deixem a poesia fluir!...


Nota: O poema deverá ser de um autor português (simplesmente, porque é esse o domínio que estamos a abordar...). Quem quiser aproveitar e apresentar um poema pessoal, poderá fazê-lo (e deve!), mas num outro tópico... assim as "regras" serão iguais para todos!

Vá lá!!!! Aventurem-se!!!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Tempo :|


Infelizment sei que tu nao voltas atrás!

Sei que as lágrimas nunca me vão deixar.

A única coisa a fazer, acho que é te prolongar.

Mas será que isso irá dar?

Irá isso aliviar a tristeza que eu sinto ao ver-te passar?


Nao há mais nada que eu possa desejar,

sem primeiro te travar!

Um dia, dois, três e lá vais tu a passar.

Fica! Mas tu és tao ingrato que nem nisso podes pensar!

Eu faço tudo, mas por favor, pára d passar

e deixa-me aproveitar!


Aproveitar tudo o que é bom,

deixa-me aprender a brincar, a desejar, a amar!

Nao me deixes aqui sozinha. . .

Nao me deixes aqui perdida!

És bom demais para eu te abandonar.

Porque apesar de tudo, eu nunca te vou deixar.


Sara Vila-Chã *

quarta-feira, 23 de maio de 2007

CALHAU

Calhau. Um calhau
Tosco, feio, imperfeito.
Assim é um calhau...
Um calhau na praia
Rebolando com as ondas.
Todos somos calhaus
Rebolando por praias...
Calhaus. Somos todos calhaus
As ondas são os problemas
A maré é a vida
Ah…ah…ah…calhaus.
As ondas abatem-se sobre os calhaus
Os problemas também.
A maré avança galopando
A vida também
As ondas aumentam, os problemas também
Os calhaus afogam-se com as ondas
Uns resistem outros não
Calhaus…
A maré começa a diminuir…
A vida apaga-se…
Os calhaus partem-se e desaparecem…
Nós também…
As ondas diminuem
Os problemas não
Conclusão…
Somos calhaus que
Sofrem erosão das ondas
Até ao ponto que o
Calhau desaparece.
Foi desfeito pelos problemas
Engolido pelas ondas…
Mais calhaus menos calhaus…
A praia continua cheia…
Ninguém nota pela falta de um calhau
Sobretudo se ele for daqueles
Que fica por baixo de todos os outros
Cada vez são menos os calhaus
Calhaus somos nós…

O deserto da minha vida deserta...

Lá estava eu,
Um dia como outro qualquer
Toda a gente sentada e atenta
E eu nem isso estava sequer
Pensava no meu deserto
Um no qual nada se cultiva ou cava
Onde não existem oásis
Apenas ilusões e miragens
Nada neste deserto é real
Mas não deixa de ser fenomenal
O número de ilusões que nele encontro
Dos outros estas ilusões escondo
Quanto mais tento por
Estas miragens não ficar atraído
Mais agarrado a estas fico.
O que tem estas miragens de anormal?
Afinal de contas não são nada de especial
São ilusões como as outras
Ilusões de amizade
Sabendo que existe um traidor
Que pelas costas me apunhalou
E o punhal da traição nas minhas costas cravou.






Tiago Faria, 10ºC

quinta-feira, 17 de maio de 2007

O MEDO




Tenho medo!


Sim, medo de sofrer, vejo-me a perder-te, porquê???


Se te amo tanto, se luto por ti, segundo após segundo,


e só nos consigo ver num lugar sem fundo!


Tua atitude mudou, teu jeito simplificou e em mais um porquê na minha vida se tornou!


A tua ausência provoca feridas mais dolorosas que as próprias feridas carnais, como é possível? São tão profundas e incuráveis!


Teu jeitinho de menino meigo te abandonou e o teu coração num perdedor se tornou?!


Tenho medo de tua boca ouvir dizer aquelas palavras incrédulas...frias tristes e amarguradas " vai-te embora", " abandona meu coração, o teu amor sufoca-me"...


Nesse dia, quando ouvir de tua boca essas palavras, te virarei as costas e uma deus final cheio de lágrimas te direi!!!


O último aceno será para sempre, não mais meus lábios beijarás...nem meu rosto verás, nem tão pouco aquele meu perfume cheirarás... tudo, naquele instante, acabará.


O fim chegou inesperadamente a mim, sem eu querer, terminou e em mais um porquê na minha vida se tornou!


Amo-te, sim amo-te, mas essas palavras correram tudo que por ti sentia com é possível?


Mas, ao fim desse adeus, se quiseres lutar por mim será tarde demais. Eu terei encontrado outro rumo, noutro barco embarquei à procura da felicidade mútua... e encontrarei e um novo caminho. Longe de ti, seguirei...!!!


E, quando o adeus final surgir, pensa que eu já fui embora, já andei por caminhos certos e incertos, e não esperes mais por mim, porque tudo o que eu quero é um tempo para mim e sabes que vai ser inútil mudar o que faz parte de mim*


Só fica a vaguear, o medo do adeus definitivo... e de um amor perdido....“vagueador” de corações amargurados*






Tânia Gomes, 10ºA