
Bom, em primeiro lugar devo dizer que não foi fácil eleger um livro para apresentar.
Primeiro
, pensei numa obra intemporal como as
Intermitências da Morte de José Saramago.
Todavia, disseram-me que
, para alguém como eu que, infelizmente
, não tem como hábito adormecer com o livro entre as mãos, este não era dos mais aconselháveis.
Assim, pensei num livro que não só me aliciasse, mas também
despertasse a curiosidade de outros leitores não assíduos.
Veio então parar-me às mãos
Loiras de Nova Iorque, cujo título original é
Bergdorf Blondes.
Vi o resumo! De imediato as palavras
glamour,
high society, alta-costura e cosmética me saltaram à vista.
Não resisti!
A escritora é Plum Sykes, uma jovem nascida em Londres, que se formou em Oxford, mas que se deixou seduzir pelos encantos de Nova Iorque.
Talvez já tenham ouvido falar nela, uma vez que é
colaboradora assídua da revista
Vogue onde escreve sobre moda, sociedade e Hollywood.
Esta amante da cidade que nunca dorme viu o seu livro tornar-se um best-seller em pouquíssimo tempo.
Este fulgurante sucesso de vendas narra o dia-a-dia de umas jovens nova-iorquinas envoltas em mistérios, enigmas e preocupações.
- O que é que devo usar na festa de logo à noite…? Chanel, Pucci, Hermès, Versace…
As personagens vivem assim, oprimidas e sufocadas por estes e outros dilemas igualmente desgastantes e dignos de uma consulta no melhor psicanalista da cidade, assim como um dia no Spa, claro!
A personagem principal, loira, linda, magra, rica e famosa, autodenomina-se
moi e é uma jornalista nas horas livres. Quando o
personnal shopper, o salão de beleza, as festas, as amigas e as comprinhas lhe dão algum tempo para respirar.
As páginas do livro são
, por isso, autênticos guias de Nova Iorque.
Não, de facto não fazem menção à Estátua da Liberdade, nem mesmo ao Empire State Building. Contudo, descrevem com exactidão os mais ínfimos pormenores dos hotéis, salões e das lojas mais chiques e glamourosas da cidade.
No entanto, estas meninas atarefadas também sonham, tal como a maioria das comuns das mortais, encontrar o seu príncipe encantado, que as leve a cavalgar até às mais tórridas e
extáticas (?) loucuras que o Rio de Janeiro tem para oferecer.
Isto, metaforicamente falando. Se quiserem desvendar a acepção literal vão ter de ler. Mas posso dar uma pista, o sentido real é igualmente abrasador…
Continuando com a descrição do príncipe perfeito...
Este, não precisa de vir montado num imponente cavalo branco, basta vir, comodamente instalado no seu jacto privado. E, segundo a personagem principal, ter os atributos de Jude Law, abona bastante a seu favor!
Durante esta frenética e entusiástica procura pelos maridos em perspectiva, as personagens, especialmente
moi, deixa-se cair nas manhas
(malhas?) do verdadeiro amor.
Se

ndo deliciosas as descrições da narradora daqueles primeiros olhares, das primeiras palavras, dos sorrisos e das escaldantes cavalgadas nocturnas feitas pela personagem e os seus Jude Law(s).
Este, é por isso, um livro que expõe a vida daquelas bonequinhas de porcelana que aparecem nas capas das revistas e que a sociedade idolatra.
Será este o estereótipo de vida perfeita? Serão os casacos de cabedal Alexander McQueen, os sapatos Sergio Rossi, os jeans Chloé e as soirées VIP, um indicador do grau de felicidade?
Antes de finalizar, gostaria de afirmar que, ao contrário do que possa parecer, aconselho este livro não só às apaixonadas por Dolce & Gabbana, Calvin Klein e companhia, mas também às suas caras-metade.
Podem ter a certeza que, depois de folhear algumas páginas do livro, os cavalheiros jamais se irão queixar das eternas horas passadas no centro comercial com as namoradas.
Afinal, poderia ser bem pior…
Tânia Falcão, 10º B