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terça-feira, 13 de maio de 2008

Um mundo ao contrário?


Num país às avessas, onde supostamente devia existir igualdade social, deparamo-nos constantemente com casos tais como a “discriminação económica”.
Assim, deparamo-nos com a dicotomia Pobre/Rico que, em tantas circunstâncias, limita o nosso viver social.
O ensino em Portugal reflecte bem esta dicotomia já que, como costumamos dizer, “os filhinhos dos papás”, ou seja, filhos cujos pais têm mais posses, entram em Colégios Privados cujo ensino é (obviamente) muito mais concentrado neles. Desta forma, na maior parte das vezes, estes alunos beneficiam deste género de “condições especiais” e conseguem melhores resultados, com a consequente entrada no “curso dos seus sonhos”. E quem é que fica de fora? O Pobre, claro.
A Saúde... bem, penso que chegou a altura de soltar uma grande gargalhada! Começando pela Medicina Dentária que não existe a nível público, por enquanto (um por enquanto que dura, dura e dura), passando pelas especialidades mais caras e terminando nas (intermináveis) filas de espera! Pois bem, o rico paga, o pobre sofre! Quem tem dinheiro suporta as despesas, quem não o tem, suporta as doenças!
Assim sendo, penso que deixei bem explícito o meu ponto de vista face a esta sociedade de extremos, onde só vive quem tem dinheiro, pois quem não o tem apenas sobrevive.
Os tempos estão a mudar, em muitos sentidos para pior. As pessoas tornam-se frias e insensíveis face aos problemas dos outros e “só olham para o seu umbigo”. Temos que nos revoltar face a todas estas diferenças e, principalmente, face à nossa indiferença perante os outros.
Um mundo ao contrário? Sim e, infelizmente, cada vez mais.


Filipa, 11ºB

Ala que se faz Deserto!


O
português levantou-se da cama, benzeu-se, encheu as calças com as pernas e vociferando contra as calças e contra as pernas, cambaleou até à varanda do prédio. Pintadas de azul pálido, as paredes assistiam sonolentas aos tenros passos lusitanos que pisavam os últimos bocejos de ramela matinal.
O português abriu a janela de vidro e logo uns raios de brisa lhe espanejaram os restos de poeira nocturna que dormiam ainda no seu rosto. Descalço, olhou a fria tijoleira disposta em mosaico e titubeou ao senti-la com os pés (era pouco prudente, podia apanhar uma constipação). Mas uma vez não são vezes…então, apoiou as mãos sobre as grades para admirar, com firmeza, o horizonte.
Depois, inspirou visceralmente até as veias se dilatarem, e num ímpeto de coração bondoso verbalizou a sua cólera:
- A culpa é do Governo!
O Sol bonacheirão espreitava por entre as nuvens, espalhando o seu festim sob grinaldas d’oiro. Ao longe, afagado no manto verde de colinas frescas, debuxava-se um camelo gigante. Entre as suas louras bossas, suportava o peso da República vestida de escarlate, com uma negra trança esguedelhada e democrática a roçar-lhe o alvo pescoço.
- Isto só neste país…sugam-nos até aos ossos. É tudo por causa do Sistema!
Tolhido, nesse ulular de sociedade em palavras soltas, o camelo da República gemia, rodopiava agoniado, cuspindo uma espiral de baba patriótica que pintava títulos em jornais.
“Portugal e Suécia devem aproximar-se”
“Procurador exige novas medidas do Governo contra a corrupção”


…o português adormecido, com voz e visão trémula, discursava:
- Cada um tem a sua cruz, não é verdade? É nossa obrigação aguentá-la. Fala-se demasiado da boca para fora, é o que é...com a barriga cheia, mas há quem esteja bem pior. Não se pode fazer nada, a vida é difícil.
Por instantes, o pensamento (do) português entregou-se ao silêncio, quando, por becos devotos e devassos, se ouviu o rastejar dum perfil amargo. Era Regina que, encostada ao umbral da porta, se edificava sacramente com a composição duma intriga romanesca lá do bairro. A malvadez enegrecia-lhe as roupas, secava-lhe as peles:

- Deve querer muito apanhar uma gripe homem, p’ra estar aí de pés nus.
- Ora muito bom dia Dona Regina!
O português achou-se simpático, mas a ditosa noveleira virara costas sem responder e presa no gancho de maledicência que lhe puxava os cabelos grisalhos, seguiu a sua procissão de murmúrios e orações.
"Nove peregrinos atropelados em Santa Maria da Feira"
“São já 17 as mulheres mortas vítimas de violência doméstica”

“Cristiano Ronaldo brilha no casamento da irmã”


Subitamente, o camelo decide descer as colinas até à cidade para ver, de perto, os óculos da Ana que passavam na rua. Uma armação exagerada rodeava as lentes de vidro, que espelhavam várias tonalidades de castanho, sobrepostas segundo um grau sequencial de desvanecimento. Lindos. Tutchis. Passeavam-se sumptuosos, pintando a Ana num ornamento viscoso de gloss. Interrompida a sua política de urinol, o português (enquanto olhava) repetiu para si próprio aquela máxima que em poucas palavras encerra um princípio de grande alcance:
- Ei gaja boa!

Os pardais chilreavam um rasto de ninho nos beirais dos telhados e as nuvens, essas, vertendo no céu o azul da sua dança, figuravam navios e heróis saudosos, com as suas formas cinzeladas.
Embaída pelas nuvens, a República não tardou em erguer os seus olhos de azeitona, lançando-os, acidentalmente, à varanda do prédio. O português reconheceu-lhe a trança e numa agitação adolescente, com a sua torrada na mão, cavalgou as escadas, correndo a abraçá-la. Beijou-lhe as facezinhas coradas, afagou-lhe o cabelo, deitando as suas ideias cansadas naquele ombro feminino e consolador. O camelo assistia ruminando um panfleto de publicidade amarelo. Ela envolveu-o com os braços, acariciando-lhe o pescoço, e apertou-o…apertou-o com a força de asfixia, cravando-lhe as unhas na pele, até que o português tombou no chão desmaiado.
Lá ficou, sucessivamente …com a torrada na mão e o papel no bolso das calças, onde anotara as coisas que
tinha de se lembrar e as coisas de que não se podia esquecer.






Texto ainda não editado pela professora





segunda-feira, 12 de maio de 2008

A Religião como meio de fuga?


- Olá Maria, então como tem passado? Os filhos e os netos? Tudo bem?
- Ai Rosa, ando aqui com uma dor nas cruzes!
Este é um discurso muito comum à saída das missas todos os dias. A religião, que devia ser algo em que nos poderíamos apoiar nos momentos mais difíceis é, e sempre foi, uma fachada, uma fachada para grandes mentiras e extorsões de dinheiro.
Todas aquelas beatas, que não faltam à missa nenhum dia, dão dinheiro para a Igreja (pois, coitada da Igreja, que precisa de comprar isto ou de pagar ao padre...), não faltam a nenhuma festa, com toda a pompa e circunstância, com as brilhantes roupas (que só se usam nas festas) e aqueles cordões de ouro (trazidos pelos falecidos maridos de África), têm sempre o seu “podre” (algo que não querem que ninguém saiba), apesar de falarem sempre mal das outras suas colegas de banco de igreja e/ou das famílias delas. Como diz o velho ditado: ”Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho”. Mas este maldizer torna-se um ciclo em que, por trás, todos dizem mal deste e daquele, ou porque comprou um carro, e então já anda com negócios sujos, ou então, a bisneta da Alice (boa moça, vai ler à missa), que está grávida e não se sabe como (foi obra do Espírito Santo, é a nova Maria e vai dar à luz Jesus). Mas pela frente, todos se tratam por tias e por tios, ou então por Doutores ou Engenheiros (coitados, o máximo que têm é o 4º ano).
Mas o melhor de tudo, e que eu não consigo aceitar, é que, em pleno século XXI, a Igreja ainda seja contra o preservativo, apesar de toda a informação existente.

Na cadeia religiosa, comecemos por baixo: os Padres. Estes senhores que deviam espalhar a palavra de Deus, sem julgar o próximo, são os primeiros a “sugerirem” aos seus fiéis que contribuam para as despesas da igreja. Dinheiro que toma outros caminhos, tais como os chorudos ordenados dos padres e os bolsos dos “lambe-botas”. Mas, como há falta de padres, o melhor mesmo é entregar, a um padre, duas ou três freguesias. Como cada freguesia paga um ordenado ao seu padre, ele soma três ordenados como padre. Mas, como hoje em dia, toda a gente pode dar aulas, estes senhores padres ainda conseguem arranjar um “tachinho” numa escola privada para dar aulas como professor de Educação Moral e Religião Católica. Pois então façamos contas: um senhor padre com cerca de três freguesias e a dar aulas, chegará a contabilizar, no fim do mês, cerca de 3 mil euros, que deverá chegar para quem fez um voto de humildade e que deveria submeter-se a alguns sacrifícios.
Então subiremos na cadeia, por exemplo: bispos, arcebispos e companhia. Em Portugal, eles encontram-se todos concentrados em Fátima, o local mais sagrado de Portugal, onde todos os dias milhares de peregrinos deixam lá centenas de euros para pagar promessas (mas eu pensava que Deus não tinha conta bancária!!!). Quem faz promessas, faz as promessas a Deus. Mas depois esse dinheiro serve para erguer enormíssimas obras todas ornamentadas a ouro, mas que em situações de crise ou de tragédia, se fosse preciso abrigar pessoas, talvez esses locais não estivessem disponíveis.

Mas será que não seremos religiosos se não formos às festas dos padroeiros, às peregrinações e às procissões? Pois eu penso que a religião é algo interior. Cada um é devoto naquilo que acredita, sem precisar de o demonstrar perante os outros para que saibam que somos crentes. Nós devemo-nos sentir bem com nós próprios, não com o que os outros dizem de nós.



Cátia Bogas 11ºC

Vivendo e Aprendendo



Perante este tema tão abrangente e depois de uma terrível falta de inspiração, decidi deixar-me levar segundo a minha intuição.
Foi-nos solicitada uma crónica de costumes e, repentinamente, passou-me pelos olhos a imagem de cada um a criticar as suas próprias atitudes. Temos sempre tanto jeito para falar do que fazemos.
“Na crónica de costumes, deve haver uma reflexão sobre hábitos, atitudes e comportamentos das pessoas no quotidiano da sociedade em que se encontram. Deve haver um olhar crítico para as pequenas insignificâncias, que o são só na aparência, pois são relevantes na conduta social.”
Segundo a anterior definição, as pequenas insignificâncias são relevantes na conduta social. Pergunto-me se o facto de gostar de me vestir bem interfere na minha personalidade. Pois claro que sim! Ao sentir-me bem comigo própria, torno-me mais confiante e assim consigo viver melhor.
Só que, aparentemente, nem todos compreendem a minha posição. Pensam que não passo de uma menina mimada e fútil. A quem neste momento está a pensar nisso, pergunto se não gosta de se sentir bem consigo próprio. A minha filosofia de vida não é “agradar os outros”, mas sim “agradar a mim mesma”.
Não me importo de ser criticada, desde que haja fundamento e desde que a análise seja justa. Não aceito críticas de pessoas que fazem o mesmo que eu. O “olha para o que eu digo, não para o que faço” já é do tempo dos Afonsinhos. Criticar e depois copiar é mesmo do passado.
Àquelas pessoas que gostam de andar a cochichar pelos cantos, relembro que, facilmente, podem deixar de ser o juiz e passar a ser o réu. E quando a presa passa a ser o predador, ataca com mais garra do que nunca, e aí “caros críticos”, vocês vão saber a dor que se sente por andar na boca do mundo.
Apontar o dedo aos outros é fácil, olhar para o próprio umbigo é que é dificil. Cada vez mais, aumenta a gordurinha que o vai cobrir. "Fazemos vista grossa" ou tal como os burros, só olhamos em frente.
Mas, como já dizia Pope, "errar é humano". Todos somos humanos, logo todos cometemos erros. É normal, por vezes, gostarmos de entrar numa onda de comentários "fofoqueiros" e depreciativos, só porque não se gosta de alguém ou porque, simplesmente, se quer passar o tempo. Contudo, parece que nessas alturas nos esquecemos que aquelas "vitimas" têm coração, tal como nós.
Para vivermos em sociedade, de uma maneira amistosa, é necessário acabar com certos comportamentos. Não se preocupem com a futilidade que não mata nem corrói. Preocupem-se mas é com as intrigas e a falsidade adjacente às críticas.



Sara Vila-Chã 11ºC

Visão Negativista



Em pleno século XXI, Portugal não se encontra nas melhores condições económicas, comparado com muitos países da união europeia, mas comparado com países africanos e asiáticos, Portugal situa-se numa posição vantajosa.
Mas os portugueses não pensam assim. Sempre que os interrogam sobre o assunto, eles respondem que o país está numa desgraça, estou a falar da economia é claro.
Os portugueses nunca ficam bem no meio em que vivem, querendo sempre mais do que têm - continuará a ser a sua prioridade, só pensam em dinheiro e tudo que é de graça é bem-vindo.
Sendo assim, os portugueses nem que recebessem um salário do dobro do que recebem (salário mínimo), não estariam contentes e iriam reclamar.
Viver com condições portuguesas para uma pessoa africana é um sonho: ter dinheiro para uma casa, um carro, para a escola dos seus filhos, para comida e roupa é um luxo que eles não sabem o que é, hoje em dia.
Os portugueses, de tanto reclamar, podiam tentar encontrar as razões para o país estar assim. É que, na verdade, Portugal não se encontra com a sua economia firme, mas o porquê desta situação ninguém quer saber, apenas querem mais dinheiro e menos impostos.
Roubos ao povo, que ninguém vê, e que nem dá por esses roubos, que depois vão agravar a instabilidade da nossa economia [...]. Se os portugueses fossem pessoas esclarecidas, talvez o país não fosse controlado da maneira [não será: à imagem de...?] de quem o governa, mas sim da maneira do povo.


Bruno Pereira 11ºG

A Doença do Povo


Hoje, aqui estou eu, stressadamente sentada, roendo já as unhas, tudo porque penso, penso e chego a conclusão nenhuma. Já não sei o que pensar. Será que esta “doença” tem cura?
Grande parte de vós, senão todos, não faz ideia do que eu estou a falar. Pois bem, passo a explicar: não têm reparado que a nossa querida sociedade apresenta sintomas de uma “doençazita”? Nada de grave… Por agora! (Pois temo que, se os sintomas persistirem ou piorarem teremos, urgentemente, que consultar o nosso médico assistente.) Já se lembram que doença é? Não tem nome científico, mas é vulgarmente conhecida por “perda de valores”. Os sintomas são vários. O primeiro, e que eu considero mais grave, é a falta de educação. Os “novos pais” de hoje não sabem educar os seus ricos filhinhos. Não lhes dão atenção e, para compensar, também não lhes dão educação! Tem piada! Deviam saber equilibrar as coisas. Imaginem só que, aqui uns dias atrás, estava eu na praia quando, de repente, vejo um miudinho a atirar manadas de areia à mãe, ela no seu “amor de mãe” ria-se. Que feliz que estava…Por estar com os olhos cheios de areia! Não me espantará daqui a uns anos que este mesmo miudinho esteja a bater à mãe. Será que ela se vai rir nessa altura? Dantes não era nada disto, as crianças tinham educação e respeitavam os seus pais. Depois, há também a falta de civismo crescente. Um dia, vou eu a caminhar pela rua, e pimba!, fico com o pé preso ao chão. Que lindo! Uma pastilha elástica! Será que não há caixotes do lixo? Ou será que as pessoas perderam o sentido do que é ou não correcto?
Não nos podemos esquecer, também, do egoísmo das pessoas. Hoje em dia, as pessoas têm uma certa dificuldade em pensar nos outros. Querem as coisas sempre à sua maneira. É como se fosse uma cegueira geral em que cada um só se vê a si próprio. Terá isto cura? Estes são apenas alguns dos sintomas, e nem todas as pessoas os apresentam.
Não nos estaremos a esquecer do passado? Passado esse em que não havia estes sintomas, pelo menos, não nestas proporções? Será que, ao esquecer o passado, não estaremos a estragar o futuro? Será que comentários como “o povo português é tão amável e acolhedor” vão desaparecer no futuro? Temos uma doença. A questão é: haverá cura?


Bárbara 11ºB
11/05/08

Segundas intenções existem, não estivessemos nós em Portugal

Galegos, 9 de Maio de 08

Querido Daniel,

Estou a escrever-te porque sei que tu também tens um gostinho especial pela política, assim como eu. E então como estás, nos E.U.A.? poderemos comparar a política dos nossos países e vermos qual o país mais avançado em termos do governo.
Eu, muito sinceramente, acho que o governo não podia ter sido melhor eleito! Com o Sócrates a primeiro-ministro, Portugal evoluiu a olhos vistos, e todas as suas decisões foram as mais acertadas, pois fechou maternidades, criou uma avaliação de professores, baixou o IVA de 21% para 20% e está tentando diminuir o desemprego.
Vou começar por te falar da avaliação de professores, sendo esta uma das melhores, se não a melhor, criação do Sócrates e da amiga, pois assim “obrigam” os professores a darem boas notas para manterem o seu posto de trabalho. Terão de ter um grande amor ao seu trabalho para agora serem enxovalhados por toda a gente pois, caso contrário, despedir-se-ão e podem ficar com uma depressão. Mas o que realmente Ele (escrevo com letra maiúscula, pois ele é como Deus) quer é que ninguém que vá para a universidade siga o ensino, para depois o governo poupar dinheiro nos subsídios de desemprego, e quando já não houver professores irá acabar com a avaliação de professores e estes ganharão outra vez a dignidade que está perdida!
Mudando de assunto, Ele e os seus amigos, numa das suas festas que toda a gente pode ver na televisão, decidiram fechar maternidades onde nascessem menos de 1500 crianças (a de Barcelos foi uma delas, porque só nasceram 1450) e agora existem crianças que nascem em ambulâncias. Fechar maternidades está correcto, pois assim irão ser compradas mais ambulâncias em boas condições (mas em 2ª mão) com o dinheiro que se poupa nos médicos e enfermeiras que assistem aos partos, conseguindo assim poupar muito dinheiro.
Por falar em dinheiro, e antes que me esqueça, o IVA vai baixar de 21 para 20%, mas os preços dos produtos irão continuar iguais pois os comerciantes não estão para ter trabalho. O governo fez bem em baixar o IVA, pois os comerciantes pensam que irão ganhar mais dinheiro, mas estão enganados: como irão ganhar mais dinheiro, terão de o declarar, por isso também mais vai ser o dinheiro que irão de entregar ao Ministério das Finanças e é como se o IVA continuasse a 21%.
Depois, como os comerciantes não vão ter grande lucro, irão para o desemprego. E a verdade é que Sócrates tem conseguido baixar o desemprego... como, ninguém sabe, mas eu desconfio de alguns métodos: como agora todos vão trabalhar para Espanha, o desemprego diminui e assim até o défice, pois não gastam dinheiro em subsídios de desemprego. Como se espera tantos anos por uma consulta médica, os doentes vão para Cabo Verde serem curados e, depois, como já vêem, não querem voltar para este país sem encanto visual e ficam por lá, ou então morrem antes da consulta e já não se tem de dar, todos os meses, as reformas e o dinheiro do estado é maior.
Vou-me despedir, pois por hoje já te disse tudo, espero por uma resposta tua.
Abraço da tua amiga

Soraia

P.S. - Em anexo envio-te um cd com umas coisinhas muito giras para nunca te esqueceres do meu ídolo!

Discurso com Tradição


Caso me elejam para presidente, não se irá pagar portagens e não se irá subir os impostos neste país. Vou falar verdade, não aumentarei os impostos.


Estes discursos são de políticos do nosso país. São todos executados com convicção e em voz bem alta (penso que alguns não sabem que o microfone está ligado, ou, então, é para pôr medo a quem escuta, ou ainda para impingir respeito, mas cá a mim não me assustam nada…)
Mas até que ponto estes discursos são confiáveis e verdadeiros? Penso que os bons discursos, que imprimem segurança e confiança, já se extinguiram muito tempo. Formou-se uma tradição [moda? tendência?] em volta dos discursos à qual parece que ninguém quer fugir e quer perder essa tradição.
Criaram-se leis e critérios a seguir, a que nenhum político, nenhum senhor que se diga “político”, quer fugir. Pela minha visão de discurso, uma delas deve-se prometer e fazer “figas” para depois a “cara de pau” ser menor e não lhe pesar tanto na consciência. Outra... bem confesso, não sei, até porque quando vejo estes discursos, acabo por adormecer, apesar dos berros, porque muito sinceramente parece-me que nunca mudam de assunto. E toda a gente sabe que estar sempre a ouvir do mesmo, cansa. Até deve ser mesmo esse o objectivo e, confesso, que o atingem comigo.
Todas estas leis parecem ser “cumpridas à letra” por todos os políticos, (devem ter medo das consequências do não uso). Para todos é uma grande tradição que não se pode extinguir, pois até seria um pecado tal acontecimento.
E mais, para acabar as leis do discurso é fácil ter a verdadeira concretização das promessas, [?] não é verdade?
Cá com os meus botões, as esperanças não são as melhores, este costume vai continuar por muito tempo. E claro, sempre em voz alta, melhor, quase aos gritos…
Resta só questionar, será que as pessoas continuarão a acreditar, a crer nestas caras e ricas palavras dos nossos excelentíssimos políticos?



Letícia 11ºC nº12

A fé e o poder


Na sociedade em que vivemos parece já não haver respeito pelas diferentes opiniões de cada um, se é que alguma vez houve, e daí resulta a estranha crueldade que se está a acumular e, realmente, é difícil de perceber como é que o Homem consegue possuir tanta crueldade. E que faz questão de partilhar com pessoas inofensivas.
Esta brutalidade humana começa a alastrar-se por todo o lado. É um facto. Difícil de aceitar, mas não deixa de o ser. E as pessoas recorrem à fé para se refugiarem destes factos. Mas será que a fé resolve estes problemas, controlando o mundo agressivo que se está a formar?
A igreja já cometeu imensos erros no que diz respeito à justiça, o que desencadeou muitos conflitos. E os grandes culpados são os comissários da fé. Estes estão a provocar uma grande alteração na religião, que começa a entrar numa fase em que está a perder o devido valor. Deviam dar o exemplo perante os cristãos, mas não. Apenas enriquecem à custa da inocência daqueles que acreditam. Mas têm poder… E isso muda tudo.
O catolicismo está a tornar-se muito superficial. Para que motivo as igrejas são praticamente revestidas a ouro? Para ficar mais bonito? Por muitas respostas que apareçam, nenhuma consegue justificar estas pequenas barbaridades de grandes consequências, pois poderiam fazer a diferença em locais desfavorecidos.
E tudo permanece em volta do mesmo. Tudo precisa de uma explicação, mas nem sempre é possível, e não há muito que possamos fazer.
A verdade das coisas pode permanecer no desconhecido.


Daniela 11ºC nº7

Eternamente Racistas


«O tempo passa, as vidas vivem-se e o Homem permanece igual…».
O Homem permanece igual, tal como os seus preconceitos. Deste modo, considero importante assumir uma postura crítica perante alguns modos de pensamento, como o racismo que, invariavelmente, afecta várias pessoas, física, psicológica e moralmente.
O racismo é uma teoria baseada na crença na preeminência de certas raças, e assume que estas têm o direito de reprimir ou mesmo suprimir as outras. Na verdade, a crença na existência de raças e na hegemonia de umas sobre as outras, tem originado conjunturas inqualificáveis durante a História. É de destacar, a título de exemplo, a escravatura e o nazismo.
A escravatura sempre existiu e ainda hoje, incrivelmente, subsiste. Afinal, ainda há exploração de trabalhadores portugueses em Espanha e exploração de trabalho infantil em países como a Índia.
O nazismo foi uma das formas mais alarmantes de racismo e xenofobia. A crença na superioridade da raça ariana e a aversão contra certos grupos sociais originou actos discriminatórios e consequentes práticas inclassificáveis. Nos campos de concentração morreram milhões de pessoas: velhos, deficientes, crianças, mulheres, homossexuais, ciganos mas, sobretudo, judeus. As formas de assassínio foram horríveis: utilização de câmaras de gás e fornos, entre muitas outras práticas extremamente violentas e atrozes. Depois disto, é inacreditável como ainda lemos notícias destas: «Um fabricante de brinquedos ucraniano lançou um boneco de Adolf Hitler». Talvez daqui a uns meses as ingénuas crianças já possam brincar com exércitos nazis ou aos campos de concentração… e desta forma, aprenderem a achar piada ao que o «inofensivo bonequinho Hitler» fez.
Actualmente, ainda existem muitos racistas que, apesar de o serem, estão mais preocupados em dissimular o seu «racismo reaccionário» e, desta forma, não demonstrar o quão as suas mentes podem ser retrógradas, inactivas e impassíveis a todo o avanço, que preenche o nosso século.
De facto, apesar de incomensuráveis associações de apoio a vítimas de discriminação e de alguma abertura para as outras culturas, é inacreditável como, numa era de progresso como a nossa, continuamos entorpecidos pelo preconceito racial e social. Em pleno século XXI, deparamo-nos, ainda, com situações obtusas de racismo e discriminação, como a recusa de partilhar um lugar com um negro num transporte público, ou atitudes hostis e intolerantes contra pessoas de etnia cigana ou contra outros grupos minoritários.
Será que alguém escolhe como quer ser? Será que temos o direito de julgar e menosprezar os outros? O que nos faz sentir superiores, quando nos deparamos com as diferenças? E se fosse eu o discriminado e não «ele»? Como me sentiria? Acharia justo, correcto?
Há, certamente, uma necessidade incessante de incrementar nas pessoas ideias de respeito e interiorização da diferença. É fundamental compreender que, apesar de haver uma pluralidade de cores de pele, opiniões, religiões, todos somos iguais e que as dissemelhanças podem ser muitas vezes enriquecedoras.
Deste modo, estou persuadida que é cada vez mais necessária uma verdadeira abertura de mentalidades e uma autocrítica de valores eficaz, para que possamos coabitar e dialogar pacificamente. De outra forma, nunca será possível transpor as diferenças, que apenas existem na forma como vemos os outros.




Ana Macedo 11.ºE

Uma visão deturpada





Foi enquanto lia “ Os Maias”, e a crítica a vários aspectos da sociedade portuguesa, que constatei que esta obra datada de há umas décadas atrás se revela, contrariamente ao que é de esperar, muito actual. Repare-se que a sociedade relatada por Eça de Queiroz continua ainda hoje inalterada e padecendo da mesma imperfeição.
Posto isto, revolvi discorrer sobre um aspecto que também o grande Eça criticou, a religião.
Outrora, o clero possuía vícios terríveis para pessoas devotas que eram. Usavam o poder que detinham para seu benefício, muito à custa da visão deturpada da sociedade em relação a Deus. Esta sociedade, além da curta mentalidade que possuía, vivia também sobre o estigma do medo de um Deus castigador.
É igualmente importante referir a enorme importância que o clero detinha na esfera política de então.
Hoje em dia, relativamente à Igreja, a sociedade apresenta uma ligeira mudança de mentalidades. Perante esta sociedade moderna, a Igreja continua com os costumes de sempre, assistindo de forma impávida ao evoluir da sociedade.
Vejamos, por exemplo, a questão do uso do preservativo em que a Igreja Católica se opõe ao seu uso. Esta questão expõe, eficazmente, estagnação em que a religião se encontra, admitindo a propagação de doenças, mas não do uso do preservativo. Será isto legítimo? Não será isto, inversamente, irreligião?
É um facto que a classe clerical, através de inúmeros escândalos, continua a viver uma vida nada condizente com o caminho de fé que escolheu.


Eva Castanheira, 11º G

domingo, 11 de maio de 2008

Generoso Hábito


Hábitos e Costumes constituem-se factores ou agentes caracterizadores de uma Sociedade. Incongruentemente, as Sociedades submetem-se a múltiplas e a asquerosas comparações. Comparações essas, realizadas com o intuito de catalogar os mais distintos e variados meios que nos circundam. Surgem assim, as típicas sociedades consumistas, as religiosas, as fanáticas. Algumas detêm um cariz religioso e tradicional, outras, monumentalmente, difundem a intensidade da morosidade, do marasmo e da letargia emanadas.[?]
Religião, Política, o Estado da Nação, a trivialidade dos comportamentos humanos e a Justiça serão, eternamente, alvos de juízos de valor por parte da comunidade social. O juízo crítico ganha contornos universais quando diferentes percepções convergem, eclodindo novos ideais, novas perspectivas, novas aspirações e fantasias.
Seria perfeito ver na Crítica uma via para alcançar a Perfeição. O papel corrector do nosso próprio julgamento eliminaria as imperfeições, anteriormente concebidas, e o processo de aperfeiçoamento seria algo inevitável.
Todavia, a Crítica exibe-se como que uma arma que visa somente o fraccionamento, a censura, a repreensão e não a unificação. O Hábito de criticar pejorativamente despontou fogosamente, e nos dias que correm, raras vezes surgem críticas construtivas, isto é, críticas que se destinam a abraçar o aperfeiçoamento.
A onda de progresso, pura e simplesmente, estagna. À semelhança do “efeito bola de neve”, um extenso e atafulhado enrolar de críticas envolve-se e entrecruza-se, aumentando de tamanho e força, à medida que estas são lançadas. Tal como uma avalanche, têm consequências destrutivas e a capacidade de lançar o Caos. Nascem conflitos, mal entendidos e brigas. Comunidades sucumbem face ao mau uso da Crítica.
A Crítica é, essencialmente, uma forma de expressão. Positiva ou não, o direito de criticar é também um dever, que não se deve manter reservado nem ocultado. “ Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar” são palavras proclamadas por Abraham Lincoln, evidenciando, mais uma vez, a relevância do papel crítico no seio de uma comunidade.
Seja através do plano cinematográfico, de obras literárias, manifestações, a Crítica manifesta-se por todo a parte. De uma forma subentendida ou arrojada, todos nos julgamos capazes de criticar, de continuar a alentar a mudança. Ora na área religiosa ou no plano político e social, não conseguimos ficar indiferentes, marcando sempre uma posição face ao sucedido.
Todos nós, somos portadores do nefasto Hábito Crítico. É a própria Crítica o costume mais comum de todos os povos livres, e como tal, deve ser o principal alvo dos nossos Juízos.
Será, por ventura, necessário explorar o misterioso carácter utópico da Crítica para conseguirmos testar o objecto alvo, fruto do pensamento humano.

Que valores?!...



Um país tão belo, uma sociedade tão ingrata.
Esta é a minha visão em relação ao que se vive em Portugal, actualmente. Passo a explicar: neste País perdeu-se, penso, o orgulho em ser Português. Dizer “Eu sou Português” é, agora, para uma larga maioria, motivo de vergonha e não algo que se diga com prazer. As justificações para tal são, normalmente, problemas a nível profissional, a “sobrevivência” cada vez mais difícil no que concerne à parte financeira e muitas outras contrariedades, esquecendo que o mesmo se passa em vários países por esse Mundo fora, inclusive, com mais gravidade.
Falta sentido permanente de patriotismo aos portugueses, não basta tê-lo quando a Selecção participa em Europeus e Mundiais de Futebol. É tempo de perceber que esta mentalidade pessimista, a que se junta uma atitude de, eu diria, desprezo em relação ao nosso País, faz com que Portugal seja ainda mais pequeno do que já é em termos geográficos. Portugal é tão mais pequeno quanto mais “pequena” for a mentalidade dos portugueses. Obviamente, eu entendo que se preze, por exemplo, ter uma situação financeira estável, mas é, para mim, chocante a extrema afeição a bens materiais instalada, hoje, na sociedade, em detrimento dos valores morais e familiares. Com certeza, já por várias vezes este problema foi referido, sendo do conhecimento comum, mas talvez seja demasiado complexo para que possa ser solucionado.
Contudo, felizmente, também consigo descobrir aspectos positivos na sociedade Portuguesa actual. Aponto, sobretudo, dois: um deles, a generosidade, bem visível numa recente campanha de recolha de géneros alimentícios, à qual os portugueses aderiram em massa; outro, a hospitalidade, da qual são testemunhas os inúmeros cidadãos estrangeiros que visitam Portugal, aliás, sempre elogiosos no que diz respeito a esse aspecto.
Em jeito de conclusão, devo dizer que me entristece esta realidade portuguesa, num mundo onde já não são muito comuns valores como sinceridade, honestidade e fraternidade. Eu, talvez fruto de uma ingenuidade própria da idade, continuarei a acreditar que o povo português pode mudar e tornar-se um acérrimo defensor da sua PÁTRIA.



Filipe Silva 11ºE


Texto ainda não editado pela professora



Texto ainda não editado pela professora

Portugal em vias-de-extinção?




Pessoas e pessoas que estão hoje no Mundo do trabalho, ou da escola, e até da reforma, se queixam da inutilidade do presente. São pessoas que vivem numa realidade ingrata, que se debatem todos os dias com o problema do emprego, com o problema dos salários, com o problema das reformas, não são especulações, são factos!
É este o presente, é este o mundo assustador que preocupa milhões de Portugueses todos os dias e é este, se não pior, o futuro das gerações que se seguem!
Deparamo-nos constantemente com a subida de preços, com a subida dos impostos, com as exigências vastas, a verdade é que tudo nos impõe, mas... e dar?! Dar, ninguém dá nada! É triste, é assustador, é revoltante! Vivemos num país onde o pobre ficará cada vez mais pobre e o rico cada vez mais rico, parece até que nos encontramos novamente numa sociedade de classes, onde o "povo" luta para sobreviver e a "nobreza" vive da luta do "povo"!
Nós, estudantes, vivemos sem a certeza do futuro. Estudamos todos os dias, vamos à escola e cumprimos regras que nos são impostas, toleramos médias que nos dificultam a entrada na faculdade, "engolimos" aulas de substituição, suportamos, ainda, reprovar porque estamos doentes durante um mês, são greves inúteis, são críticas em vão, mas tudo suportamos com um único objectivo: tirar um curso superior!
As Universidades enchem-se, diplomas existem aí aos montes, são professores a trabalhar nas obras, são jornalistas a limpar escadas, são advogados a engraxar sapatos, são mais de meio milhão de desempregados a lutar contra o que parece não ter solução! Pedem filhos [?], e é esta a triste realidade que lhes querem mostrar!
As pessoas começam a desistir de viver em Portugal, não existem condições, não existem meios que garantam o futuro das gerações vindouras, a dita democracia que vivemos 34 anos não dá voz ao povo, encontramos políticos que nos tratam "estupidamente", deputados que adormecem em plena Assembleia da República: uma verdadeira comédia de interesses!
Já ninguém tem a certeza do que se passa com os políticos deste país que passam a vida a discutir aeroportos, pontes e tgv's, a única certeza que temos é que, o veridicamente urgente, eles não discutem!
Mas que Portugal é este? Que realidade é esta?
Ninguém é capaz de pôr um ponto final nesta crise, será que não existe solução?
Em pleno século XXI, é "isto" que temos para dar aos nossos filhos, uma vida "escrava" onde cada vez mais se lutará exclusivamente pela sobrevivência? Portugal está na cauda da Europa, só é conhecido lá fora pelo futebol e por algumas bandas de música! A verdade é que nada nos prende a um país que não tem nada de positivo e significativo para nos dar. Os jovens começam a fazer planos para viver no estrangeiro pois preferem não alimentar ilusões!
A culpa é de todos, das mentalidades retrógadas, das políticas (anti-)democratas, mas sobretudo das pessoas que se julgam incapazes de tomar uma atitude "drástica", pois o que deveria existir, era a força dos povos antepassados que se uniam pelos seus objectivos e conseguiam milagres, faziam-se revoluções e, "num abrir e fechar de olhos", fazia-se o país tremer, sem interesses particulares ou obscuros, mas antes, objectivos comuns a todos! Era a força do povo, um povo unido, que não tinha outra solução se não lutar!
Hoje!? Hoje, deparamo-nos com uma evolução que se esperava firme, mas que, antes pelo contrário, sofre retrocessos!
Somos suspeitos de termos tudo, mas futuramente em Portugal seremos vítimas de não termos nada.
Será Portugal, um país em vias-de-extinção?
Adivinhar é impossível, mas sinceramente, espero não estar aqui para saber a resposta a esta "tal" questão!


Camila 11ºE

Querido Diário...


26 de Março de 2008


Querido Diário:

Hoje é dia de Páscoa. Levantei-me de manhã, por volta das 8 horas, para ajudar a minha mãe e a minha avó.
A cozinha estava cheia de doces e petiscos e na banca já estava o cabrito pronto para ir ao forno. A sala estava limpa, arrumada, cheia de velinhas e bem perfumada. As mulheres estavam apressadas em ter tudo pronto para quando chegasse a Cruz.
No meio daquela agitação matinal, a minha mente começou a divagar em pensamentos. Toda aquela comida que matava a fome a algumas famílias, estava ali, à espera dos padres que vinham celebrar a ressurreição de Cristo, os mesmos que, depois de fazerem votos de pobreza, se dão a estes luxos. Fiquei a pensar naquilo…
Quando a campaínha foi tocada pelos senhores de Cristo, já eram 10horas e meia da manhã. Os padres entraram. A acompanhá-los vinha um jovem com um caderno de capa vermelha, parecida com a da Bíblia. O caderno continha as moradas de quem tinha pago para ter a bênção em sua casa, e mais uma vez eu pensei, “pagar para ter a bênção? Pagar para Cristo entrar nas nossas casas? Mas Cristo, Jesus Cristo, não é omnipotente? omnipresente?” Mais uma vez, fiquei a divagar naquilo…
Como é possível, havendo milhões de pessoas a morrer à fome, a Igreja, a Santa Igreja, que é a instituição mais rica do mundo, não fazer nada? Não dar, em nome de Deus, comida a quem dela precisa?

Adeus querido diário.


Ana Catarina, 11ºE

A Educação


O tema da educação é abordado na obra “ os Maias” por Eça de Queiroz, salientando o autor dois programas educativos: educação tradicional portuguesa e o modelo educativo inglês. Pedro e Eusebiozinho falharam na vida muito por culpa da educação portuguesa, muito protectora.
Nos dias de hoje, a educação é também um tema em discussão, sobretudo após o incidente na Escola Carolina Michaels, no Porto, que envolveu uma professora e uma aluna, em disputa por causa de um telemóvel.
A atitude da aluna, agressiva para com a professora, revelou má formação. Por isso tanto se discute, a este respeito, a questão da educação. É à família que cabe a responsabilidade? É à escola? É à sociedade onde os alunos estão inseridos?
A minha opinião é que as duas instituições, família e escola educam, têm essa função, e hoje há mais permissividade por parte dos pais e professores. Os tempos mudam. Os pais não negam aos filhos um telemóvel ou um MP3. O jovem quer, os pais dão.
O meio social em que os jovens estão inseridos também tem muita culpa, pois muitas vezes anula a educação e os valores transmitidos pela família. Os jovens ouvem mais o grupo de amigos do que os pais. Não aceitam conselhos. A sociedade é exigente e o jovem nela inserida é exigente também. E a culpa é dos pais? Talvez. Com pouco tempo disponível para os filhos, os pais tentam-nos compensar com ofertas que os satisfaçam. É uma espécie e um suporte materialista.
Assim sendo, parece-me que não há um culpado que explique a forma como hoje reagimos e revelamos má formação. Somos vítimas de uma sociedade muito exigente, sobretudo a nível tecnológico, o que nos provoca determinadas atitudes, muitas vezes negativas.




Luís Manuel, 11º E

Sociedade em Falta

Assiste-se hoje a um consenso [?] de sociedade muito pouco actual e verdadeiro. Vários sectores dominantes como o emprego e a economia estão em crise, muito por culpa de estratégias que são implementadas erradamente. É fácil publicar regras sem saber, muitas vezes, se são essas que estão, na realidade, a abrir caminho para a construção de uma sociedade melhor. Dá ideia que a sociedade actual não é nada mais que um regresso a um mundo autoritário, sem liberdade e, sobretudo, sem capacidade de perceber os problemas reais com que esta sociedade se defronta.
A crise é evidente. Quando se fala em sociedade actual, vem rapidamente à memória o sentimento de desgosto e de vergonha que nela [?] são demonstrados em várias situações. No entanto, o primeiro objectivo passa pela aceitação e pelo lutar gradualmente por dar a cor a que pertence verdadeiramente [?] o conceito de Sociedade. De facto, toda a gente erra, mas o problema não está no errar, mas sim na falta de consciência do erro e na continuação do mesmo caminho. É verdade que a sociedade, nos dias de hoje, não se cala, não perdoa, mas sim critica exaustivamente e chega-se à conclusão que a cabeça das pessoas está perdida. Os ricos cada vez estão mais ricos e os pobres estão cada vez mais pobres. Os professores não conseguem lidar com as regras que lhe estão a ser impostas. Trabalham, manifestam-se a favor dos seus ideais, mas não lhes é dada a atenção que merecem e a que têm direito, afinal de contas a sociedade é democrática. Ou talvez não seja. Trabalhadores de pequenas empresas reclamam a falta de condições económicas, que são responsáveis pela sua existência [?]. No fundo, o que interessa são os números e os gráficos que, aparentemente, dão conta que a sociedade está a caminhar passos largos para uma melhoria, mas na verdade não é mais do que uma forma de ter protagonismo em relação a outros países, escondendo o que está por detrás, que não é nada mais, nada menos do que uma miséria a todos os níveis, sobretudo no pensamento.
É previsível o futuro da Sociedade. O que falta não são os problemas, mas sim as soluções, que tardam em chegar. É fulcral que se pense na vida, no papel que cada um tem na sociedade, se mantém a mesma alegria de viver, se a disposição para a mudança está presente na mente de cada um. Quando existir união de todos, existirá, de novo, sociedade, porque este é o seu verdadeiro significado, aquilo que a alimenta. Por isso, que se deixe de lado os conflitos, que só atraem mais conflitos e se ponha no topo a reconstrução daquilo que dá vida a um País, a sociedade.


Pedro Macedo, 11º E

Beleza vs. Saúde


Existem infinitas coisas que nos fazem felizes, dinheiro e amor, são apenas exemplos, mas nada faz sentido se não tivermos saúde, se não tivermos um corpo são, aliado a uma mente sã.
Para que facilmente adquiramos uma boa saúde, é necessário que se pratique desporto, tal como reconhece a OMS – Organização Mundial de Saúde, que associa o desporto à saúde física, mental, social e ao bem-estar físico do indivíduo. A grande maioria da Sociedade Portuguesa não age em conformidade com esta afirmação: só começam a lembrar-se do desporto na Primavera, porque é a estação que antecede o Verão, a época da exibição dos corpos nas praias.
As inscrições nos ginásios disparam, parecendo o preço dos combustíveis! Agora pergunto-me: será que todos tomaram consciência da importância do desporto para a saúde ao mesmo tempo?! ou apenas se lembraram de perder aqueles quilinhos a mais que ganharam no Inverno sem sequer se darem conta?
Algo me faz optar pela segunda opção, mas não, eu acredito no bom senso português que tanto nos caracteriza!
XLS, CLA, Seiva estão no seu auge de vendas e até se esgotam os stocks. Pois é, os suplementos alimentares ajudam aqueles que por motivos estritamente profissionais, ou por pura indolência, não podem praticar desporto, e desejam exibir um corpo esbelto durante o Verão.
Sim, os Portugueses são uns grandes adeptos do desporto, ou talvez não…!


Cristiana Ribeiro, 11º G

Acostumados


A Sra. Francisca da Silva habita na Fonte de Baixo, típico bairro lusitano, soalheiro durante o dia e pacato e silencioso desde o adormecer do sol. Esposa de Custódio Sousa e progenitora de oito crias, sendo seis valentes homens e duas mulheres. A dona Francisca é assídua na paróquia e pontual “à sagrada missinha das sete” e, possui, tal como todas as ancestrais fêmeas da sua família um bom fogão de lenha à antiga. Neste, orgulha-se de preparar todos os dias da semana a comidinha tradicional para os seus santos filhos. É uma mãe extremosa, de facto. Trigueira e boa mulher só quer é olhar pela vidinha dela e que Deus a ampare.
***
E foi assim que retratei a dona Francisca quando ia almoçar à minha avó, também moradora da Fonte de Baixo. Encarava-a como uma santa mulher e, elevava-a a este patamar pois achava os seus feitos divinos. Espantava-me a dedicação desta ao cozinhar diariamente e alimentar oito bocas, sem contabilizar seus netos. Alegrava-me ver todo aquele panorama familiar tão rotineiro e feliz, realmente só comparável aos da televisão. E todo este meu deslumbramento pela D. Francisca da Silva durou até ao dia em que a avó rompeu pela casa exaltada e furiosa, derrubando todas as coisas inanimadas e rogando pragas a D. Francisca, ao mesmo tempo que pedia ajuda às alminhas e invocava o nome de todos os santos padroeiros.
Eis o que se havia passado, a avó era cliente habitual e certa da mercearia do Sr. Custódio e da D. Francisca. Tinha por hábito fazer as suas compras e pagar no final do mês. O Sr. Custódio apontava no seu caderno as despesas e, no findar do mês lá se faziam as contas. Ora havia chegado justamente o fim do mês e a avó, como mulher séria que o é, fora à mercearia pagar as suas dívidas. Foi quando se deparou com um valor elevadíssimo, o qual ela não podia saldar. Pediu justificações à sua comadre Francisca que se mostrou indignada ao se aperceber da desconfiança da avó. E foi uma peixaria de tal ordem lá no bairro que até os peixinhos do rio Cávado desataram numa correria para só parar nas águas calmas de Esposende.
E, fora entre soluços, lágrimas, brandos e vocativos da minha avó, que eu me apercebera do lado obscuro, sombrio e obtuso da vida da dona Francisca da Silva. Era tudo como um bonito romance ao qual faltavam os singelos e verdadeiros capítulos quotidianos. O véu caiu, e ali ficou a imagem nua/real daquela mulher/deusa que roubava os clientes, elaborava e discutia histórias da vida dos outros, as coscuvilhices. Aquela mãe extremosa que cozinhava para os seus filhos, achando-se assim no direito de criticar, a ponto de dissipar os matrimónios. Esta fêmea animalesca que usava invocar o nome do Supremo para eufemizar e lavar seus pecados.
Confesso que todo este turbilhão de personalidades e carácter me deixou confusa, parei e revelei-me apática por instantes. Nesse momento, iluminou-me o foco de relações que coexistem, não só no bairro da Fonte de Baixo, mas que se expandem por todo o território português.
É de notar que Portugal está atrasado economicamente, apresenta altas taxas de envelhecimento da população, alarma graves falhas na educação e está privado de um bom sistema judicial. E toda esta situação porque Portugal vive numa constante analepse.
A familiaridade com o mar, os descobrimentos, as batalhas bem sucedidas e o prestígio inigualável continuam a iludir os portugueses numa hipnose contínua de que Portugal é a mesma terra que terá sido outrora. É-nos sistemático e característico o adiamento dos problemas. Afinal, cremos nós, enquanto o brilho do ouro ainda reluzir nas nossas pupilas, podemos continuar a comprar tudo feito e a importar todo o luxo digno desta terra lusa.
É vital para o desenvolvimento de Portugal o alargamento de horizontes e, quando digo horizontes, estou também a referir-me à própria abertura da nossa mente. É altura deste revestimento beato cair, pois quer sejamos católicos, judeus ou budistas, somo-lo em todo o Mundo. É-nos pejorativa esta religiosidade extrema que achamos ser comprovada através de romarias, procissões ou mesmo festas paroquianas. E igualmente pecaminosos são esses padres varões que tilintam o dinheiro dos fiéis nos seus bolsos. Rolamos assim, num ciclo sem terminação onde a corrupção é arbitrária e exponencial. A meu ver, reflectir sobre assunto já não é remédio, pensar não leva a resultados concretos e divagar é ausente de soluções. A terra implora-nos que ergamos convicções e sigamos por um trilho vitorioso, traduzindo por miúdos: vamos devolver a este prodígio fértil e ameno toda a vida dançante que efervescemos.
Ergamos o avô da poltrona, expulsemos a avó do tanque e revolucionemos com estes guerreiros adormecidos um 25 de Abril que reorganize ideais, extinga corrupções e que, essencialmente, “tranque” estrangeirismos, beatices e políticas desorganizadas. Libertando, deste modo, uma recém alma lusa.



Mariana Lomba, 11ºE

sábado, 10 de maio de 2008

Televisão




A televisão é um dos meios de comunicação social mais popular, mais visto e que existe na casa de qualquer família portuguesa, mesmo naquelas que não têm muitas possibilidades económicas.

A televisão tem aspectos muito positivos, permitindo que as pessoas estejam informadas sobre o que se passa no Mundo. É uma forma de distracção e pode fazer muita companhia às pessoas que vivem sozinhas, principalmente, os idosos.

Mas, a televisão actual também tem muitos defeitos. Um dos seus males é a quantidade exagerada de telenovelas que dá por dia. Chega a acontecer de o mesmo canal apresentar três telenovelas seguidas, o que significa várias horas de telenovelas. Era também necessário apresentarem outro tipo de programas, como bom teatro, música, debates...

Outro problema da televisão é que até apresenta bons filmes, mas a horas muito tardias; só quem não tiver que se levantar cedo no dia seguinte é que pode assistir a esses filmes.

Também os desenhos animados que se destinam às crianças, nem sempre são os melhores. Muitos destes desenhos animados são muito violentos e podem levar as crianças a tornarem-se agressivas. Talvez fosse de continuar a exibir filmes do Walt Disney.

As pessoas responsáveis pelos programas televisivos deviam pensar em todos estes problemas e deviam fazer uma televisão que ajudasse na formação e distracção das pessoas.
Eduarda Trigueiros, 11ºG