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sábado, 3 de novembro de 2012

O teu futuro...






Permitam-me que vos "roube" apenas uns minutos da vossa atenção! Devo informar que só tomarei apenas 2 minutos e 28 segundos. Esta minha obsessão pelo tempo cronometrado tem como seguidor [inspirador?] o nosso bem conhecido ministro das finanças, Vítor Gaspar. Sim! Eu tenho a certeza que todos se lembrarão dele nas próximas gerações. Da forma como ele está a “sugar” as nossas famílias, nem o conde Drácula, na sua floresta longínqua da Lapónia [Roménia], faria melhor!
Tenho a certeza que muitos de nós se vão lembrar dele com todo o carinho, quando tiverem que emigrar para o Uzbequistão ou outro país qualquer acabado em “ão”, para irem à pesca do esturjão e apanhar temperaturas de 30º ou 40º negativos! Ou a trabalhar numa esplanada de um café qualquer em Pequim. Sim, porque podem estar certos que o fluxo emigratório se vai inverter: até agora vinham chineses e angolanos para a nossa urbe (entre outros). Daqui para a frente somos nós portugueses a emigrar para Hong-Kong, China, Taiwan e outras paragens exóticas…
Aproveitem para se habituarem a comer arroz com arroz, já não sentirão num choque, ou outras iguarias orientais: cãozinho no espeto; lavas do bicho-da-seda embrenhados em molho bechamel; uns saborosos gafanhotos fritos em azeite e alho.
Seremos, certamente, a nova versão dos cruzados que em tempos envergonharam a nossa nação, mas a diferença é que eles tentaram impor a nossa religião, valores e cultura aos povos que eles invadiam. Nós vamos com uma filosofia inversa: vamos ter que assimilar os valores e hábitos dos países que nos vão acolher…
Já estou a ver um de nós a trabalhar de dia numa mina de carvão, lá para os lados do Tibete e, à noite, a rezar naqueles mosteiros, com a cabeça rapada, a usar aquelas roupas extravagantes e a alimentar-se de raízes e arroz (ora aqui está o arroz!) e de tanto rezar vamos ficar convencidos que um dia vamos levitar e passar para outra dimensão. Eu sei que nós, às vezes, em certas festas, de tanto beber já passamos para outras dimensões, mas é diferente! Será uma dimensão religiosa.


Telma Araújo, 11º F

Escorraçaram-me





     Para além de ser aconselhado a emigrar por parte do primeiro ministro do meu país, o que me soou a algo do género "fujam que o barco está a afundar", sinto-me completamente desarticulado da minha própria cultura. Cheguei a tal conclusão num pachorrento domingo à tarde, em que liguei a televisão e me deparei com o programa de cariz popular "somos portugal".


     Este programa tem a fantástica capacidade de se autodescrever através dos temas musicais que lá passam, que me transportam até à parte mais instintiva e selvagem do meu subconsciente, imaginando todo aquele povo em orgias e bacanais. Sim, as orgias são nesse sentido...
     Mas para melhor compreender este auditório (se é que tem compreensão) basta fazer uma síntese do que a maior parte dele faz a um domingo.
     Como domingo é dia do senhor (fique esclarecido que quanto a religiões tenho tanto contra como a favor) a maioria vai à missa matinal,com a intenção de pedir misericórdia ao Nosso Senhor pelos seus pecados, e é precisamente neste ponto que surge um estrondoso contra senso, devido ao facto de os anjinhos da parte da manhã se transformarem em discípulos de Satanás da parte da tarde, espalhando a palavra do "TXU" do "TXA", enfia carro ali, "até o padre ajudou" lá no meio do bacanal, "pisca pisca" ao da direita, "pisca pisca" ao da esquerda e entram numa incessante busca pelo pai da criança.
     Por incrível que pareça, penso que nem a própria mãe sabe quem é o pai, mas mais estranho ainda é que não deve estar tão curiosa como estes discípulos que também fizeram questão de adoptar o kuduro à cultura portuguesa, através de fabulosos artistas de renome nacional especializados em playback e orgias. Nem nos meus piores sonhos imaginei poder ver pessoas da idade dos meus avós a dançar kuduro.
    Para o descalabro final, a maioria destas pessoas ocupam o serão de domingo à noite a ver um reality show, a famosa Casa dos Segredos, e não vou expressar a minha opinião sobre este programa de tamanha estupidez e futilidade, porque teria de escrever uma crónica dentro de outra crónica e instalava-se o pandemónio.

     Agora questiono-me, isto é Portugal? Porque é a cultura algo de tão difícil acesso ao zé povinho? Será porque o sal não salga? ou porque o zé não se deixa salgar? Não tenho a mínima dúvida que temos sal com qualidade em Portugal.
    Qual a necessidade de sermos sempre pequenos e de não ampliarmos a linha dos nossos horizontes? Não existem só cisnes brancos! Onde está o povo que destruiu os limites do mundo, irrompendo oceano fora? Se calhar, este povo agora faz parte dos antepassados de muitos Holandeses... deve estar no nosso DNA expulsar mão de obra qualificada...

    No meio destas questões só chego a uma conclusão: se isto é Portugal,eu não quero ser português.


Rudy, 11º F

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O barco português anda à deriva



    

 A democrática instituição que entra pelos países adentro para tomar decisões que interessam a todos, reconheceu ter errado nos cálculos dos impactos da austeridade nos países que passam por dificuldades, como Portugal. Mas estão a brincar connosco? Será que eles sabem que quando se fala em 15% de desempregados em Portugal, se fala em mais de 827 mil pessoas desempregadas a passar por dificuldades? Não são só números, são vidas, senhores economistas.
    Desde que começaram a falar em “crise económica” que em Portugal se têm tomado medidas que visam a redução das despesas. Mas todos os subsídios tirados, todas as empresas que fecharam levando famílias inteiras para o desemprego, todos os funcionários públicos despedidos, todos os cortes em pilares da sociedade como a saúde e educação, apenas trouxeram uma avalanche de problemas e parece-me que os efeitos dessa bola de neve incontrolável não foram os mais desejados. Eu não sou economista, não sei apontar medidas, mas não é preciso ser muito estudiosa para entender que, quando se corta ao consumo numa sociedade capitalista baseada nesse mesmo consumo, não vai correr bem. Mas não foi isso que entenderam os entendidos da matéria, concluíram eles que a austeridade era a saída para esta crise, e os resultados estão à vista: um país mergulhado nesta crise até ao pescoço, já com pessoas sem conseguirem respirar e outras já mesmo sem fôlego. Mas o que eles nos dizem é que temos de ter paciência, que não há alternativa, mas o que eu gostava de saber era até quando isto irá continuar, porque já existe pouco ar, o afogamento está eminente.
    Em terra de marinheiros sonhadores que viram a glória além mar, lá fora, hoje parece que temos de fazer esse papel também: descobrir uma saída lá fora, longe do nosso adorado e amado Portugal. Num país em que a educação está a ser também posta de parte pelas medidas de salvação nacional aconselhadas por não sei bem quem, mas que certamente não é português, é por demais evidente que existe uma descrença nesta área. E como quer um país crescer se não apostar na educação dos seus jovens?! Está visto que vamos ser os mesmos atrasadinhos para sempre. Aqueles que hoje conseguem finalizar os estudos não veem o futuro com que sempre sonharam, que muitas vezes os seus pais tiveram e que eles nunca irão ter. É por isso que hoje, o mais necessário para muita gente é a procura de uma solução lá fora, onde o valor de jovens que passaram parte da vida a estudar é reconhecido. Prova disso é o conselho do nosso salvador da pátria, Pedro Passos Coelho: "emigrem!". Mas por muito que me custe, reconheço que ele tem razão, não vale a pena insistir mais neste cão abandonado, sem rumo, cheio de parasitas e farto de ser atropelado por gigantes, em que a solução terá mesmo de ser o abate. É claro que estou a falar do nosso país, não de um cão, porque a um cão ainda se pode reabilitar e dar-lhe um final feliz, ao nosso país não.
   É com este sentimento de descrença nacional que me fico. Portugal está ultrapassado e já nem com rezas ou com um D. Sebastião vai lá, que até agora rezar e esperar pelo nosso salvador era isso que sabíamos fazer, mas está visto que não tiveram bons resultados. Agora, aos sonhadores, resta-lhes lutar, aos demais eu digo: deixem morrer. 



Raquel Pereira, 11ºF

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um 5 de Outubro às direitas






     As cerimónias do 5 de outubro de 2012, à primeira vista, foram apenas marcadas pela bandeira nacional hasteada ao contrário. Ora desengane-se.
     Para começar, as comemorações oficiais do 5 de outubro foram, este ano, desviadas do Largo do Município, onde costumam decorrer todos os anos, para o Pátio da Galé. Tudo bem que foi no Largo do Município que foi proclamada a República, mas imaginemos que os professores ou os populares se lembravam de organizar uma manifestação? Parece que não, mas não dá jeito nenhum ouvir as palavras sábias do Excelentíssimo Presidente da República e, como som de fundo, as queixas de pessoas piegas que não querem é trabalhar. Já para não falar que os potentes carros dos deputados precisam de espaço para circular. Não os podemos comparar aos Clios, nem aos submarinos que passam “por baixo”, em qualquer lado.
     Em segundo lugar, a bandeira foi hasteada ao contrário. Ao que parece, António Costa mandou um pedido de desculpas formal a Aníbal Cavaco Silva, mas o Presidente da Republica contra-argumenta explicando que a culpa foi das secretas. Parece que tinha a sensação de estar a ser espiado e isso, parece que não, coloca muita pressão num presidente que está mais habituado a não aparecer em público.
     Depois desse lamentável incidente, uma enganadora desempregada de 57 anos interrompeu o discurso oficial. Com isso infringiu duas regras: primeiro não tinha convite para entrar (sim, porque isto da República não é para ser comemorado por todos) e, segundo, não apresentava uma indumentária apropriada. Disse enganadora porque, ao que parece, tinha comprado a roupa nas promoções do Freeport. Ora, toda a gente sabe que quem está ligado ao caso Freeport está cheio de dinheiro. Felizmente, os gorilas de Aníbal Cavaco Silva amordaçam gente desta estirpe.
     Enquanto o discurso decorria, as secretas entravam em ação. Parece que andavam a circular vários e-mails secretos, o que fez com que a bandeira fosse hasteada corretamente, sem que ninguém se apercebesse. Aníbal Cavaco Silva, mais uma vez, mostrou ter razão.
Este feriado de 5 de outubro marcou a diferença. É pena ter sido o último. Ou então, aí é que está a diferença.




Sara Silva, 11ºF

sábado, 14 de janeiro de 2012

REcriar

Este é o lema!



A ideia, para este período, é a seguinte:

Escolhem um poema. Qualquer poema. Daqueles que vos fazem mexer as entranhas, as emocionais e as racionais. Um poema que faça pensar, sentir.
Se não for um poema, poderá ser uma notícia, uma crónica.


A partir desse poema/notícia/crónica, criam um texto vosso. Refletem. Passam para o texto as emoções e os pensamentos que vos atravessaram. Recriam.

Escolham, igualmente, uma imagem (podem fotografar ou desenhar, também) que ilustre o sentido daquilo que expressam por palavras.


A título de exemplo: duas crónicas minhas, inspiradas pelo Sermão de St. António aos Peixes. O registo, no caso, tende para o humor.

http://nolimiardaspalavras.blogspot.com/2007/12/deus-antnio-e-as-sardinhas.html

http://nolimiardaspalavras.blogspot.com/2008/01/vieira-o-polvo-e-morte.html


BOA CRIAÇÃO!!!